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terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Exportação de Capitais*

Lenin



As exportações de capitais influenciam no desenvolvimento do capitalismo dos países para onde são destinadas, acelerando-o extraordinariamente. Se, em consequência disso, a referida exportação pode, até certo ponto, ocasionar uma estagnação do desenvolvimento nos países exportadores, isso só pode ter lugar em troca de um alargamento e de um aprofundamento maiores do desenvolvimento do capitalismo em todo o mundo.

Os países que exportam capitais podem quase sempre obter certas "vantagens", cujo caráter lança luz sobre as particularidades da época do capital financeiro e dos monopólios. Eis, por exemplo, o que dizia em outubro de 1913 a revista berlinense Die Bank:

"No mercado internacional de capitais está a representar-se desde há pouco tempo uma comédia digna de um Aristófanes. Numerosos Estados, desde a Espanha até aos Balcãs, desde a Rússia até à Argentina, do Brasil à China, apresentam-se, aberta ou veladamente, perante os grandes mercados financeiros, solicitando, por vezes com extraordinária insistência, a concessão de empréstimos. Os mercados não se encontram atualmente numa situação muito favorável, e as perspectivas políticas não são animadoras. Mas nenhum dos mercados monetários quer negar o empréstimo com receio de que o vizinho se adiante, o conceda e, ao mesmo tempo, obtenha certos serviços em troca desse financiamento. Nas transações internacionais deste gênero o credor obtém quase sempre algo em proveito próprio: um favor no tratado de comércio, uma mina de carvão, a construção de um porto, uma concessão lucrativa ou uma encomenda de armas."

O capital financeiro criou a época dos monopólios. E os monopólios impõem seus métodos: a utilização das "relações" para as transações proveitosas substitui a concorrência no mercado aberto. É muito corrente que entre as cláusulas do empréstimo se imponha o gasto de uma parte do mesmo na compra de produtos ao país credor, em especial de armamentos, barcos, etc. A França tem recorrido frequentemente a este processo no decurso das duas últimas décadas (1890-1910). A exportação de capitais passa a ser um meio de incrementar a exportação de mercadorias. As transações têm um caráter tal que, segundo diz Schilder "delicadamente", "confinam com o suborno". Krupp na Alemanha, Schneider em França e Armstrong na Inglaterra constituem outros tantos exemplos de empresas intimamente ligadas com os bancos gigantescos e aos governos, das quais é difícil "prescindir" ao negociar um empréstimo.

A França, ao mesmo tempo que concedia empréstimos à Rússia, "impôs-lhe", no tratado de comércio de 16 de Setembro de 1905, certas concessões válidas até 1917: o mesmo se pode dizer do tratado comercial subscrito em 19 de Agosto de 1911 com o Japão. A guerra alfandegária entre a Áustria e a Sérvia, que se prolongou, com um intervalo de sete meses, de 1906 a 1911, foi devida em parte à concorrência entre a Áustria e a França no fornecimento de material de guerra à Sérvia. Paul Deschanel declarou no Parlamento, em janeiro de 1912, que entre 1908 e 1911 as firmas francesas tinham fornecido material de guerra à Sérvia no valor de 45 milhões de francos.

Num relatório do cônsul austro-húngaro em São Paulo (Brasil) diz-se: "A construção das ferrovias brasileiras realiza-se, na sua maior parte, com capitais franceses, belgas, britânicos e alemães; os referidos países, ao efetuarem-se as operações financeiras relacionadas com a construção dessas ferrovias, garantem a reserva das encomendas dos materiais de construção ferroviária."

O capital financeiro estende assim as suas redes, no sentido literal da palavra, em todos os países do mundo. Neste aspecto desempenham um papel importante os bancos fundados nas colônias, bem como as suas sucursais. Os imperialistas alemães olham com inveja os "velhos" países coloniais que gozam, neste aspecto, de condições particularmente "vantajosas". A Inglaterra tinha em 1904 um total de 50 bancos coloniais com 2279 sucursais (em 1910 eram 72 bancos com 5449 sucursais); a França tinha 20 com 136 sucursais; a Holanda possuía 16 com 68; enquanto a Alemanha tinha "apenas" 13 com 70 sucursais. Os capitalistas americanos invejam por sua vez os ingleses e os alemães: "Na América do Sul - lamentavam-se em 1915, cinco bancos alemães têm 40 sucursais, 5 ingleses 70 sucursais ... A Inglaterra e a Alemanha, no decurso dos últimos vinte e cinco anos, investiram na Argentina, no Brasil e no Uruguai um bilhão de dólares aproximadamente; como resultado disso dominam 46 % de todo o comércio desses três países."

Os países exportadores de capitais dividiram o mundo entre si, no sentido figurado do termo. Mas o capital financeiro também conduziu à partilha direta do mundo.

Edição: Página 1917 

Fonte: O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo, 1916.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Os 174 Anos do Manifesto do Partido Comunista*

 

Karl Marx e Friedrich Engels

   O Manifesto do Partido Comunista, redigido por Karl Marx e Friedrich Engels em 1848, completa 174 anos da sua primeira edição neste 21 de fevereiro de 2022. Ao longo dessa existência, o Manifesto não deixou de guardar atualidade e se revelar um poderoso guia para a ação das massas exploradas em todo o mundo capitalista. Infelizmente, o manifesto, assim como a estupenda obra dos seus autores, é muito mais objeto de saudações em datas comemorativas, do que um efetivo guia prático para a ação política revolucionária de muitos daqueles que o reivindicam.

      Essa ação deletéria do reformismo e do revisionismo, há muito foi dissecada por Lenin e outros grandes desenvolvedores do marxismo em termos de teoria e prática revolucionária. Nos dias atuais, quando as contradições do capitalismo em sua fase imperialista explodem à vista de todos e nos aproximam cada vez mais da barbárie, é decisivo prosseguirmos o combate de Lenin na denúncia implacável dos deturpadores e falsificadores do marxismo. E nada melhor do que confrontarmos seus escritos e discursos eloquentes nos dias festivos, com o cotidiano da sua nefasta prática social e política de meros auxiliares da dominação burguesa.

                                                                                                             Ney Nunes

   "[...]De todas as classes que hoje em dia defrontam a burguesia só o proletariado é uma classe realmente revolucionária. As demais classes vão-se arruinando e soçobram com a grande indústria; o proletariado é o produto mais característico desta.

     As camadas médias: o pequeno industrial, o pequeno comerciante, o artesão, o camponês, todos eles combatem a burguesia para assegurar, face ao próprio declínio, a sua existência como camadas médias. Não são, pois, revolucionárias, mas conservadoras. Mais ainda, são reacionárias, procuram fazer retroceder a roda da história. Se são revolucionários, são apenas quando da sua iminente passagem para o proletariado, e assim não defendem os seus interesses presentes, mas os futuros, e assim abandonam a sua posição própria para se colocarem na do proletariado.

     O lumpenproletariado, esta parcela passiva das camadas mais baixas em decomposição da velha sociedade, pode, eventualmente, ser arrastada para o movimento por uma revolução proletária, mas pelas suas condições de vida estará mais disposta a deixar-se comprar para objetivos reacionários.

     As condições de sobrevivência da velha sociedade estão aniquiladas já nas condições de vida do proletariado. O proletário está desprovido de propriedade; a sua relação com a mulher e os filhos já nada tem de comum com a relação familiar burguesa; o trabalho industrial moderno, a subjugação moderna ao capital, que é a mesma na Inglaterra e na França, na América e na Alemanha, tirou-lhe todo o carácter nacional. As leis, a moral e a religião são para ele outros tantos preconceitos burgueses, atrás dos quais se escondem outros interesses burgueses.

     Todas as classes anteriores que conquistaram a dominação procuraram assegurar a posição já alcançada, submetendo toda a sociedade às suas condições de apropriação. Os proletários só podem se apoderar das forças produtivas sociais abolindo o modo de produção existente. Os proletários nada têm de seu a assegurar, têm sim, que destruir todas as garantias da propriedade privada. 

     Todos os movimentos até aqui foram movimentos de minorias ou no interesse de minorias. O movimento proletário é o movimento autônomo da imensa maioria no interesse da imensa maioria. O proletariado, a camada mais inferior da sociedade atual, não pode elevar-se, não pode colocar-se de pé, sem fazer ir pelos ares toda a superestrutura das camadas que formam a sociedade oficial.

     Pela forma, embora não pelo conteúdo, a luta do proletariado contra a burguesia começa por ser uma luta nacional. O proletariado em cada um dos países tem naturalmente que derrotar sua própria burguesia.

     Ao traçarmos as fases mais gerais do desenvolvimento do proletariado, expomos a guerra civil mais ou menos oculta no seio da sociedade existente até ao ponto em que rebenta numa revolução aberta e o proletariado inaugura sua dominação por meio da derrubada violenta da burguesia.[...]"

* Trecho do Manifesto do Partido Comunista de Karl Marx e Friedrich Engels, Capitulo I, Burgueses e Proletários.

Edição: Página 1917

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

A Ameaça de Guerra na Ucrânia Expressa o Acirramento das Contradições Interimperialistas

Nota política conjunta do Cem Flores e do Bandeira Vermelha

18.02.2022

Trata-se de uma necessidade objetiva desse modo de produção, em todos os aspectos antagônico às reais necessidades das massas exploradas – em plena pandemia, os senhores do dinheiro investem como nunca em armas e planejam ainda mais mortes!

Desde o colapso do bloco do leste europeu, na virada das décadas de 1980 e 1990, a Ucrânia se tornou o principal palco da disputa entre União Europeia (UE), EUA e Rússia na disputa por ampliação (EUA e UE) ou manutenção (Rússia) de zonas de influência para seus interesses imperialistas. Desfeita a antiga ordem mundial saída da 2ª guerra mundial – que dividiu o mundo em esferas de influências dos EUA e URSS, na qual cada um dos lados se abstinha de intervir no sentido de subverter o domínio da potência adversária – ficou à mercê dos imperialismos europeu e norte-americano um conjunto vasto de países até aí não completamente integrados aos circuitos de produção, comércio e financeiro e das suas relações capitalistas “normais”.

Guerra e barbárie são os frutos do capitalismo na fase imperialista.

Esse longo processo passou pelo desmembramento da Checoslováquia e da Iugoslávia, pela multiplicação das “revoluções” de veludo, laranja etc., pelo cerco à Rússia pela OTAN através da instalação e concentração crescente de tropas e bases militares, sistemas de mísseis e meios de guerra aéreos e navais na Polônia, nos países bálticos, na Romênia, na República Tcheca e, em 2014, pelo levantamento da praça Maidan que derrubou o governo ucraniano equidistante da Rússia e da UE (no qual a Alemanha teve papel determinante) e ao início da guerra civil na região leste da Ucrânia, que a partir daí se tornou um dos principais palcos de disputa interimperialista.

A atual escalada militar na Ucrânia é mais um episódio do confronto interimperialista em curso, dois meses depois da tensão em volta da Polônia. Que agora a disputa tenha subido de intensidade e a guerra tenha ficado muito mais próxima do que em relação à Polônia e, ainda mais, em relação à Bielorússia, só demostra o agravamento das contradições em função da persistente e crescente crise do capitalismo a nível mundial, o que torna cada vez mais urgente a procura de novos espaços onde as economias imperialistas em crise se possam expandir e tentar ultrapassar a crise iniciada em 2007/08 com a conquista de novos mercados e novas fontes de energia. O que também implica o estabelecimento de novas alianças políticas, econômicas e militares.

É este o quadro que permite compreender porque razão após inúmeras tentativas de acordos e de cessar o avanço armamentista na região, uma crescente escalada militar na fronteira da Ucrânia com a Rússia avança desde o ano passado. De um lado, as tropas imperialistas russas, ao lado das bielorrussas, com o apoio cada vez mais explícito do imperialismo chinês. De outro, tropas ucranianas (que incorporaram inclusive milícias neonazistas) com apoio da aliança imperialista chefiada pelos EUA, a OTAN, ensaiam exercícios militares cada vez maiores, enquanto as lideranças sobem o tom em suas declarações públicas. O aumento da tensão impacta os mercados financeiros globais e os de commodities, e o risco de uma guerra envolvendo grandes potências militares se instala no ar.

Mais uma vez, as palavras de Lênin permanecem verdadeiras: o imperialismo, a fase monopolista do capitalismo, tem como tendências irrefreáveis a violência e a guerra. A violenta concorrência entre os capitais, acirrada na fase monopolista, tem como um de seus desdobramentos necessários a disputa entre estados capitalistas, entre as potências imperialistas e seu poderio bélico cada vez maior, por suas zonas de influência ao redor do mundo.

A base da atual corrida armamentista que ocorre no mundo, cujo caso ucraniano é um exemplo fundamental, é a disputa entre os monopólios de diferentes potências imperialistas, na luta brutal em defesa de seus capitais, pelo controle econômico, comercial e geopolítico e pela elevação de suas taxas de lucro – ao mesmo tempo, luta contra os monopólios rivais e seus estados.

Essa luta interimperialista se acirra diante do contexto de sucessivas crises globais do capital e estagnação econômica, no qual cada potência imperialista busca superar os impactos da crise mantendo ou ampliando sua zona de influência, conquistando novos mercados, fontes de energia, rotas comerciais, seja com alianças estratégicas ou com conflitos mais ou menos abertos, de forma direta ou indireta. Trata-se de uma necessidade objetiva desse modo de produção, em todos os aspectos antagônico às reais necessidades das massas exploradas – em plena pandemia, os senhores do dinheiro investem como nunca em armas e planejam ainda mais mortes!

No caso concreto da Ucrânia, é possível apresentar sucintamente os interesses imperialistas em jogo. Os EUA, com a OTAN como instrumento, avançaram militarmente na região incorporando vários países à sua zona de influência política, ideológica, militar e econômica. Hoje, a OTAN possui bases na maioria dos países do leste europeu, em um verdadeiro cerco militar à Rússia, potência remanescente da antiga URSS, como mostra a ilustração abaixo.

A União Europeia, principalmente com os interesses da Alemanha à frente, aproveitou economicamente a debacle de vários países do leste europeu, estimulou guerras civis e a destruição de países e os incorporou à sua zona de expansão e domínio econômico e financeiro.

A Rússia tem conseguido usar essas diferenças entre os interesses dos blocos americano e europeu e garantido, nos últimos anos, principalmente com a pressão de suas armas e do fornecimento de gás à Europa, frear a expansão da UE e norte-americana na região, mantendo em algum nível suas fronteiras protegidas e garantindo importantes rotas a seus produtos comerciais.

Presa nesta teia de interesses, a burguesia ucraniana parece oscilar entre aliança com a OTAN, para diminuir o peso da Rússia, e a não detonação de uma guerra aberta. Os conflitos políticos e culturais internos na Ucrânia são instrumentalizados para servirem aos interesses das potências imperialistas em disputa naquela área.

A guerra civil na Ucrânia em 2014 foi mais um lance dessa disputa. Ela ocorreu em contexto de maior unidade política interna na Rússia, cujo poder militar novamente se apresenta como um dos mais importantes do mundo, capaz de barrar inclusive ações estratégicas norte-americanas, como no caso da Síria, e, na Ucrânia, com a tomada da Criméia e o apoio militar à instalação de repúblicas separatistas no leste ucraniano.

Se o interesse norte-americano, dominante na OTAN e hoje sob a liderança “democrática” (sic!) de Biden, tem se mostrado de forma clara a favor da intensificação do conflito armado na região, sobretudo para atingir frontalmente a Rússia – em sua estratégia de contenção da Rússia (e da China) – e ampliar seu controle militar e comercial na região, o mesmo não se pode dizer dos principais estados do bloco europeu, Alemanha e França à frente. Isso porque seus capitais tendem a perder com um conflito armado de maior intensidade em sua região, além de ter forte dependência do gás russo, que pode ampliar-se com a colocação em funcionamento do Nord Stream 2, gasoduto sob o Mar Báltico que liga a Rússia diretamente à Alemanha, evitando passar pelos países do leste europeu.

Por outro lado, uma guerra entre a Rússia e a UE (os EUA já deixaram claro que não enviariam tropas para combater os russos) poderia ser catastrófica para os dois blocos, levando aos seus aniquilamentos enquanto potências imperiais. O que seria excelente para os EUA, que não só veriam desaparecer dois poderosos concorrentes, deixando-o sozinho frente à China, como veria exponencialmente aumentado o grau de dependência dos países europeus face ao imperialismo norte-americano.

A ameaça de guerra na Ucrânia, de forma indireta, também põe em cena o conflito crescente entre as duas principais potências imperialistas de hoje: os EUA e a China. Esta última tem dado sinais mais fortes de apoio à Rússia, em clara mensagem aos EUA. Recentemente, até agiram de forma conjunta para reprimirem os levantes no Cazaquistão. Os EUA têm reforçado suas alianças que buscam frear a expansão chinesa, ao mesmo tempo que impulsionam a escalada de uma guerra no leste europeu.

Quando dois imperialismos se confrontam e contam espingardas em preparação de uma guerra com grande potencial destrutivo, isso afeta o proletariado, as massas dominadas e todos os povos. A permanência da crise imperialista, crise do capital, tem levado o mundo a uma crescente onda de violência e conflitos militares, onde o sangue proletário é derramado em disputas burguesas e os refugiados se multiplicam aos milhões. Era preciso estar já na rua por todo o mundo uma forte condenação dos preparativos militares de ambos os lados para não sermos envolvidos numa voragem calamitosa. De nada vale ignorar, antes pelo contrário.

Por que razão não estamos na rua protestando e lançando as palavras de ordem de “Guerra à guerra”, “Guerra popular contra a guerra imperialista”, como fizeram os comunistas às vésperas da primeira guerra mundial, contra as guerras da Coreia e do Vietnam, contra o cerco à Cuba e a invasão do Iraque? Não estamos na rua porque o campo comunista e anti-imperialista está muito enfraquecido e desorientado, não tem um núcleo coerente e firme e está eivado de todo o tipo de posições reformistas, conciliatórias e interclassistas que o paralisam quase que por completo. Contra este desastroso estado de coisas, tornam-se cada vez mais urgentes as tarefas de reconstruir partidos comunistas em todos os países e reerguer uma nova corrente internacional que deite fora todo esse lixo centrista e avance na posição revolucionária, a partir de sólidas ligações com as massas proletárias e trabalhadoras e suas vidas e lutas.

A posição comunista deve levantar bem alto sua bandeira contra as guerras imperialistas, levantar a bandeira pela destruição desse sistema que nos leva novamente à sombra de uma guerra mundial. Nem um dos lados nessa contenda expressa a posição proletária e nem o interesse de seus povos. São representantes de seus monopólios, de seus capitais e nos querem como bucha de canhão para seus interesses. As balas devem sim se voltar para os generais, para os senhores da guerra e seus mandantes, os capitalistas.

Fevereiro de 2022
Bandeira Vermelha
Cem Flores

Edição: Página 1917

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

O Negacionismo Social

     "Com a proximidade das eleições, esse vozerio estridente do negacionismo social, na verdade puro oportunismo político, quer nos convencer através dessa louvação messiânica que para nos libertarmos, precisamos nos aliar aos que nos mantêm acorrentados!"

Ney Nunes

          Em tempos dessa terrível pandemia que, pelos nada cofiáveis números oficiais, até aqui ceifou mais de 638 mil vidas em nosso país, popularizou-se o termo “negacionista” para caracterizar aqueles indivíduos que não aceitam as conclusões dos estudos científicos sobre o coronavírus e as vacinas desenvolvidas para combatê-lo. Mas, pelo que temos visto ultimamente, muitos daqueles que denunciam esse negacionismo relacionado às Ciências Biológicas, de forma contraditória, também praticam o negacionismo quando se trata das Ciências Sociais.




          Apesar de todas as evidências, históricas, econômicas, sociológicas e políticas, de que os partidos e líderes que governam no intuito de garantir os interesses do grande empresariado, evitam a todo custo qualquer atitude que contrarie a essência desses interesses, os negacionistas das Ciências Sociais insistem numa louvação messiânica deles, como se fossem os redentores da tragédia social inerente ao capitalismo.

     Com a proximidade das eleições, esse vozerio estridente do negacionismo social, na verdade puro oportunismo político, quer nos convencer através dessa louvação messiânica que para nos libertarmos, precisamos nos aliar aos que nos mantêm acorrentados! Aos explorados não restaria outra alternativa, que não seja participar do circo eleitoral burguês buscando um “mal menor”, para quem sabe, um capitalismo “civilizado” venha substituir o capitalismo “selvagem”.

     Ao contrário dessa invencionice tola e desprovida de qualquer embasamento científico, a experiência concreta do proletariado, na luta para se libertar das cadeias da exploração capitalista, mostra que só conseguimos vitórias efetivas nessa luta quando nos organizamos de forma independente e revolucionária, deixando de ser classe explorada e subalterna aos interesses da burguesia, para nos constituirmos em classe dirigente, libertadora de todos os explorados e oprimidos!

Edição: Página 1917

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