Por Ney Nunes*
Muitos indagam com perplexidade: como a extrema direita cresceu tanto a ponto de ganhar o peso político-social que alcançou na atual conjuntura brasileira? O que teria acontecido para favorecer tal desenvolvimento? A "democracia" instaurada com a constituição de 1988 estaria ameaçada pelo fascismo? Só poderemos responder adequadamente a estas preocupações se buscarmos as determinações estruturais por trás da superfície dos fatos da politicagem burguesa.
Já são quase quarenta anos vivendo sob o regime político democrático burguês, onde o que prevalece é a alternância de governos que funcionam como gerentes do capital e se equilibram entre os interesses das diversas facções burguesas. Essa situação é agravada pela crise capitalista que esses governos administram sempre jogando as consequências nas costas da classe trabalhadora e das massas populares.
As seguidas derrotas como as reformas da previdência e trabalhista, as privatizações e a precarização do trabalho contribuíram pesadamente para a desmoralização e ceticismo da classe trabalhadora, mergulhada cada vez mais na desorganização e no individualismo. Tudo potencializado por uma ofensiva ideológica burguesa realizada através do governo, parlamento, judiciário, empresas, escolas e oligopólios midiáticos, auxiliados pelo crescimento exponencial da influência das seitas pentecostais. Todos, de forma articulada, trabalham diuturnamente pelo retrocesso na consciência de classe e no fomento das expectativas de saídas individuais por dentro do capitalismo.


