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sábado, 4 de julho de 2026

Sepulcro caiado: a nova/velha candidatura Bolsonaro (parte 2)

Coletivo Cem Flores

25.06.2026

A crítica radical à extrema-direita, fascista – nos dias de hoje em nosso país principalmente o bolsonarismo – é um dever de primeira ordem dos Comunistas. Essa facção radicalizada da burguesia é, como toda a burguesia, inimiga de classe do proletariado e das classes trabalhadoras. Historicamente, sempre foram os Comunistas que estiveram na linha de frente do combate ao fascismo e daqueles que o derrotaram – e esse desafio permanece atualmente.

Não será uma disputa eleitoreira entre distintas facções burguesas, fascistas e não fascistas, que representará os interesses mais profundos da classe operária e das massas exploradas. Pelo contrário, deixar o combate ao fascismo ser hegemonizado por posições burguesas e ser travado unicamente nos meios institucionais significa a continuidade da ofensiva de classe da burguesia sobre os trabalhadores, sob uma ou outra forma; a continuidade do baixo nível de organização e da falta de uma posição política proletária própria e com força de massas; e a continuidade da sujeição da nossa classe aos patrões, com toda a exploração e o sofrimento que isso traz.

É preciso nos opormos a isso e construir o caminho das resistências e das lutas!


À esquerda, os irmãos Bolsonaro visitam Netanyahu em Israel, no final de 2025. À direita, Bolsonaro pai recebe o líder israelense, no final de 2018.

  1. O novo Bolsonaro é o velho autoritarismo brasileiro e a velha facção burguesa de extrema-direita

Desde a ascensão do bolsonarismo no Brasil, como força eleitoral nacional e movimento de massas reacionário, não hesitamos em designá-lo de autoritário, de extrema-direita, fascista. Tal designação parte da análise concreta da nossa realidade e é fundamental para termos nitidez sobre o caráter desse inimigo burguês na luta de classes e sobre todos os riscos que ele representa. Isso também é necessário para traçarmos a melhor e mais eficaz tática de combate a ele – e, como já adiantamos e vimos na prática, esta não é a tática hegemônica na “esquerda” de ficar a reboque das instituições e das forças eleitorais burguesas rivais ao bolsonarismo.

O fascismo não é uma “exceção” que surgiu uma única vez na história, nem serve apenas para barrar um processo revolucionário em curso. Na era do imperialismo, ele é uma tendência constante, mais ou menos intensa, pois vinculada a essa fase do próprio capital, que tende à guerra e à degeneração social. Como dizia Lênin, no aspecto político o imperialismo é, em geral, uma tendência para a violência e para a reação”. No mundo, após a crise de 2008, o fascismo tem ressurgido em todos os poros da sociedade burguesa e servido de instrumento da burguesia para impor uma violenta ofensiva do capital, desfazer conquistas na limitada democracia burguesa, destroçar as resistências e organizações proletárias e revolucionárias, canalizar demagogicamente a revolta difusa na massa para objetivos reacionários e mobilizar setores inteiros para a corrida armamentista e os esforços de guerras imperialistas que atravessam o mundo.

Como no passado, o reformismo convive, alterna e mesmo se alia com tais forças na gestão burguesa. Além disso, o reformismo e o oportunismo são, eles próprios, jogados cada vez mais à direita por essa tendência do sistema imperialista, inclusive dirigindo com louvor a mesma ofensiva de classe que o fascismo visa cumprir sob formas específicas. Não por acaso, também como dizia Lênin, “a luta contra o imperialismo é uma frase oca e falsa se não for indissoluvelmente ligada à luta contra o oportunismo”.

Mais especificamente no Brasil, o bolsonarismo, suas lideranças e ideólogos, possui uma longa linhagem reacionária e autoritária e representa uma continuação, sob novas formas organizacionais, de forças fascistas presentes no Brasil desde as décadas de 1930-40. Além disso, herda e se vincula aberta e organicamente ao golpismo e à herança ditatorial das corporações militares e de alas burguesas e pequeno-burguesas que construíram a ditadura militar de 1964-85. Suas marcas políticas e ideológicas são um radical anti-comunismo e uma oposição feroz às conquistas e organizações dos trabalhadores, a proteção sem rodeios dos interesses da burguesia, a submissão ao imperialismo ianque, além da defesa de formas mais autoritárias e repressivas de dominação burguesa e de valores reacionários e racistas.

terça-feira, 30 de junho de 2026

CUBA: Mudanças econômicas adotadas representam sérios riscos

Na semana passada, a liderança cubana prosseguiu com importantes reformas econômicas e sociais (um total de 176 medidas organizadas em 23 categorias). Após uma sessão extraordinária do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, a Assembleia Nacional aprovou medidas que afetam todos os setores da economia.

Publicado em Rizospastis, órgão do CC do Partido Comunista da Grécia (KKE)

30 de junho de 2026



Na semana passada, a liderança cubana prosseguiu com importantes reformas econômicas e sociais (um total de 176 medidas organizadas em 23 categorias). Após uma sessão extraordinária do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, a Assembleia Nacional aprovou medidas que afetam todos os setores da economia. Estas foram apresentadas como resposta à situação extremamente difícil criada pelo brutal embargo dos EUA, em vigor há mais de 60 anos, e, em particular, pelo bloqueio energético imposto desde janeiro deste ano, que tem exercido imensa pressão sobre o povo cubano.

As medidas aprovadas dão continuidade às diretrizes e reformas adotadas após o 6º Congresso do Partido Comunista de Cuba, em 2011. Um ponto central é a promoção do investimento de capital privado estrangeiro em todos os setores da economia e a adoção de mecanismos de mercado como meio de alocação de recursos. Entre as mudanças mais significativas, destacam-se: as empresas estatais terão maior autonomia e, assim como as empresas privadas, poderão ser convertidas em sociedades anônimas, enquanto todas as entidades — incluindo pessoas físicas e investidores estrangeiros — poderão deter ações em quantas empresas desejarem.

domingo, 28 de junho de 2026

Sepulcro caiado: a nova/velha candidatura Bolsonaro (parte 1)

Cem Flores

20.06.2026 

À esquerda, o novo Bolsonaro pede bênção (e mais sanções) ao patrão Trump. À direita, o velho Bolsonaro, com o mesmo Trump, em 2019.


Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Sois como sepulcros caiados:

por fora parecem belos, mas por dentro estão

cheios de ossos de cadáveres e de toda podridão!

Assim também vós: por fora, pareceis justos diante dos outros,

mas por dentro estais cheios de hipocrisia e injustiça.

Matheus 23: 27-28.


A candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, substituta hereditária da candidatura de Jair Bolsonaro – inelegível, condenado e preso – é a exata expressão da mesma linha política e dos mesmos setores reacionários da extrema-direita, fascista, golpista e apologista da ditadura militar, vassala do imperialismo dos EUA, defensora da ofensiva de classe burguesa e do ataque e repressão aos trabalhadores, miliciana e corrupta. Sua estratégia eleitoreira pode tentar dar uma demão de cal em toda a podridão bolsonarista, aproveitando sua juventude e sua vacinação contra a Covid, dancinhas de TikTok e frases em camisetas, na busca hipócrita de fingir uma pseudo moderação. Mas suas posições e sua trajetória política reacionária, de extrema-direita, de capacho do imperialismo dos EUA, de defensor da ditadura militar e da repressão e dos ataques aos trabalhadores, além da corrupção de muitos milhões por décadas, são sua definição mais exata.

Esse candidato Bolsonaro oscila oportunisticamente entre mostrar sua verdadeira cara e usar máscaras. “Sou esse Bolsonaro mais moderado, equilibrado e centrado”, disse à imprensa, em dezembro de 2025, após se reunir com empresários e agentes do mercado financeiro em São Paulo. Essa hipócrita encenação de Bolsonaro buscava (ainda busca) minimizar a frustração daqueles que falharam em emplacar a candidatura do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), atrair alas menos extremistas da direita e da burguesia, assim como se desviar de sua rejeição eleitoral, já consolidada em quase metade dos eleitores.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

A guerra é um modo de vida para a burguesia.

Publicado em Rizospastis, Órgão do Comitê Central do Partido Comunista da Grécia (KKE)

19 de junho de 2026



Declarações de representantes de diversos quadros burgueses, expressando preocupação com a escalada da competição imperialista e alertando para a tendência irreversível de generalização dos conflitos, estão se tornando cada vez mais frequentes.

Referindo-se às sucessivas crises dos últimos quinze anos, o diretor-gerente do FMI afirmou há alguns dias que “ainda não assimilamos que o mundo será assim daqui para frente”. De maneira semelhante, o presidente do BCE falou de “um período de crises sucessivas, da pandemia e da guerra terrestre na Europa à crise energética e aos aumentos generalizados de tarifas”.

Em maio passado, o presidente do Comitê Militar da OTAN declarou que “já estamos no olho do furacão” e alertou que “os países da OTAN não podem mais considerar um período de estabilidade e paz como garantido”. O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio afirmou igualmente que “o mundo caminha para uma recessão global devido a múltiplas crises sobrepostas”.

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