Índice de Seções

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Centralismo Democrático e Direção Coletiva

Giocondo Dias*
20/27 de novembro de 1981

Nota do editor:
Reproduzimos este interessante artigo de Giocondo Dias, militante comunista de larga trajetória revolucionária que esteve entre as lideranças do levante de 1935 em Natal. Suas premissas estão corretas e são úteis na atualidade, sem esquecermos a contradição com a prática do PCB nos anos oitenta do século passado, do qual Giocondo era Secretário Geral, quando prevalecia o centralismo burocrático e o desrespeito à democracia interna.

Giocondo Dias


    Há cerca de 14 anos, em dezembro de 1967, os comunistas brasileiros realizavam os trabalhos finais de seu VI Congresso. Efetivado sob duras condições de clandestinidade e repressão, e no calor de uma ardorosa luta ideológica contra as formas com que, à época, se apresentava o “esquerdismo”, o VI Congresso do PCB marcou um indiscutível momento de avanço nas concepções dos comunistas brasileiros.

Na resolução política daquele congresso, entre outras tematizações, deu-se especial importância à questão orgânica; em certa passagem, afirma-se explicitamente a necessidade de “assegurar o pleno funcionamento da democracia e da disciplina partidárias, com base no centralismo democrático e na prática da direção coletiva”. Temos a mais firme convicção de que esta proposta, legítima ao tempo do seu enunciado, é hoje tanto mais válida. E temos mesmo a certeza de que a mais radical democracia partidária só pode ser garantida se se mantém os pressupostos leninistas do partido novo: o centralismo democrático e a direção coletiva.

sábado, 1 de agosto de 2026

O sujeito "ausente"

Ney Nunes*
01/08/2026

Rússia, 1917, o proletariado na vanguarda da revolução.

Em tempos de hegemonia acachapante da burguesia e das suas classes auxiliares, quase não se houve falar da única classe em condições de liderar uma autêntica revolução anticapitalista: o proletariado.

Com certeza, não será das hostes da pequena-burguesia reformista que fala em revolução no discurso, mas almeja apenas um lugar ao sol na gerência do capitalismo, que iremos ouvir menção ao proletariado como sujeito revolucionário. Muito pelo contrário, a tal "revolução" desses sacripantas não tem nada a ver com lutas de classe. Os múltiplos "sujeitos revolucionários" deles são todos  pertencentes a segmentos identitários, desprovidos do qualquer caráter classista.

Mesmo fora de moda, esse sujeito "ausente" segue sua existência, porque é imprescindível ao capitalismo.  Sem ele não se cria nem se acumula capital, é dele que a burguesia extrai a mais valia que sustenta toda a engrenagem econômica do sistema de exploração do homem pelo homem. Pode estar fragmentado, apático, derrotado politicamente, mas não desapareceu do cenário da luta de classes. Nas empresas desenvolve muitas vezes uma resistência surda contra a exploração, sabedor da conjuntura desfavorável e do cerco dos inimigos de classe e seus colaboradores.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Fascismo Antigo e Moderno

Francisco Martins Rodrigues
Setembro/Outubro de 1994



Dezoito milhões de desempregados, ascenso de greves e conflitos sociais, entrada dos fascistas no governo de Itália – estaremos perante uma reposição do filme dos anos trinta? Esta parece ser a opinião de Alex Calinicos, conhecido marxista inglês, o qual, num artigo dedicado à luta de classes na Europa(1), julga divisar uma “polarização de classe” semelhante à dessa época, com a diferença, porém, de que o movimento operário estaria agora “em muito melhor posição para resistir aos futuros assaltos” do inimigo, porque disporia de “força e combatividade” e contaria com os sindicatos para a defesa dos seus interesses de classe. Discordamos da comparação e ainda mais da pretensa situação de vantagem do proletariado.

domingo, 26 de julho de 2026

A Faísca em Tell: Como a Resistência de uma Aldeia Interrompeu a Estratégia de Israel na Cisjordânia

Ramzy Baroud*

25/07/2026

Familiares e moradores lamentam a morte de um dos palestinos durante o ataque do exército israelense e de colonos à cidade de Tell, a sudoeste de Nablus, na Cisjordânia ocupada. (Foto: QNN)

Durante uma incursão militar na pequena cidade de Tell, a sudoeste de Nablus, um momento de desafio direto destruiu a ilusão de submissão total palestina.

Diante das incursões militares implacáveis, da confiscação de terras e do assédio e violência dos colonos, os moradores e agricultores locais se recusaram a recuar.  

No confronto que se seguiu, um único palestino desarmou um soldado israelense e abriu fogo contra as forças invasoras perto do assentamento ilegal de Havat Gilad, matando dois soldados e ferindo outros três.

Caro leitor, ajude a divulgar o Página 1917, compartilhe nossas publicações nas suas redes sociais.

Comentários ofensivos e falsidades não serão publicados.