Índice de Seções

terça-feira, 30 de junho de 2026

CUBA: Mudanças econômicas adotadas representam sérios riscos

Na semana passada, a liderança cubana prosseguiu com importantes reformas econômicas e sociais (um total de 176 medidas organizadas em 23 categorias). Após uma sessão extraordinária do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, a Assembleia Nacional aprovou medidas que afetam todos os setores da economia.

Publicado em Rizospastis, órgão do CC do Partido Comunista da Grécia (KKE)

30 de junho de 2026



Na semana passada, a liderança cubana prosseguiu com importantes reformas econômicas e sociais (um total de 176 medidas organizadas em 23 categorias). Após uma sessão extraordinária do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, a Assembleia Nacional aprovou medidas que afetam todos os setores da economia. Estas foram apresentadas como resposta à situação extremamente difícil criada pelo brutal embargo dos EUA, em vigor há mais de 60 anos, e, em particular, pelo bloqueio energético imposto desde janeiro deste ano, que tem exercido imensa pressão sobre o povo cubano.

As medidas aprovadas dão continuidade às diretrizes e reformas adotadas após o 6º Congresso do Partido Comunista de Cuba, em 2011. Um ponto central é a promoção do investimento de capital privado estrangeiro em todos os setores da economia e a adoção de mecanismos de mercado como meio de alocação de recursos. Entre as mudanças mais significativas, destacam-se: as empresas estatais terão maior autonomia e, assim como as empresas privadas, poderão ser convertidas em sociedades anônimas, enquanto todas as entidades — incluindo pessoas físicas e investidores estrangeiros — poderão deter ações em quantas empresas desejarem.

domingo, 28 de junho de 2026

Sepulcro caiado: a nova/velha candidatura Bolsonaro (parte 1)

Cem Flores

20.06.2026 

À esquerda, o novo Bolsonaro pede bênção (e mais sanções) ao patrão Trump. À direita, o velho Bolsonaro, com o mesmo Trump, em 2019.


Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Sois como sepulcros caiados:

por fora parecem belos, mas por dentro estão

cheios de ossos de cadáveres e de toda podridão!

Assim também vós: por fora, pareceis justos diante dos outros,

mas por dentro estais cheios de hipocrisia e injustiça.

Matheus 23: 27-28.


A candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, substituta hereditária da candidatura de Jair Bolsonaro – inelegível, condenado e preso – é a exata expressão da mesma linha política e dos mesmos setores reacionários da extrema-direita, fascista, golpista e apologista da ditadura militar, vassala do imperialismo dos EUA, defensora da ofensiva de classe burguesa e do ataque e repressão aos trabalhadores, miliciana e corrupta. Sua estratégia eleitoreira pode tentar dar uma demão de cal em toda a podridão bolsonarista, aproveitando sua juventude e sua vacinação contra a Covid, dancinhas de TikTok e frases em camisetas, na busca hipócrita de fingir uma pseudo moderação. Mas suas posições e sua trajetória política reacionária, de extrema-direita, de capacho do imperialismo dos EUA, de defensor da ditadura militar e da repressão e dos ataques aos trabalhadores, além da corrupção de muitos milhões por décadas, são sua definição mais exata.

Esse candidato Bolsonaro oscila oportunisticamente entre mostrar sua verdadeira cara e usar máscaras. “Sou esse Bolsonaro mais moderado, equilibrado e centrado”, disse à imprensa, em dezembro de 2025, após se reunir com empresários e agentes do mercado financeiro em São Paulo. Essa hipócrita encenação de Bolsonaro buscava (ainda busca) minimizar a frustração daqueles que falharam em emplacar a candidatura do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), atrair alas menos extremistas da direita e da burguesia, assim como se desviar de sua rejeição eleitoral, já consolidada em quase metade dos eleitores.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

A guerra é um modo de vida para a burguesia.

Publicado em Rizospastis, Órgão do Comitê Central do Partido Comunista da Grécia (KKE)

19 de junho de 2026



Declarações de representantes de diversos quadros burgueses, expressando preocupação com a escalada da competição imperialista e alertando para a tendência irreversível de generalização dos conflitos, estão se tornando cada vez mais frequentes.

Referindo-se às sucessivas crises dos últimos quinze anos, o diretor-gerente do FMI afirmou há alguns dias que “ainda não assimilamos que o mundo será assim daqui para frente”. De maneira semelhante, o presidente do BCE falou de “um período de crises sucessivas, da pandemia e da guerra terrestre na Europa à crise energética e aos aumentos generalizados de tarifas”.

Em maio passado, o presidente do Comitê Militar da OTAN declarou que “já estamos no olho do furacão” e alertou que “os países da OTAN não podem mais considerar um período de estabilidade e paz como garantido”. O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio afirmou igualmente que “o mundo caminha para uma recessão global devido a múltiplas crises sobrepostas”.

O marxismo (3ª parte, final)

 Lenin

Novembro/1914

O Socialismo

Pelo exposto, vê-se que Marx conclui pela transformação inevitável da sociedade capitalista em sociedade socialista a partir única e exclusivamente da lei econômica do movimento da sociedade moderna. A socialização do trabalho - que avança cada vez mais rapidamente sob múltiplas formas e que, no meio século decorrido depois da morte de Marx, se manifesta sobretudo pela extensão da grande indústria, dos cartéis, dos sindicatos, dos trusts capitalistas e também pelo aumento imenso das proporções e do poderio do capital financeiro - , eis a principal base material para o advento inelutável do socialismo. O motor intelectual e moral, o agente físico desta transformação, é o proletariado, educado pelo próprio capitalismo. A sua luta contra a burguesia, revestindo-se de formas diversas e de conteúdo cada vez mais rico, torna-se inevitavelmente uma luta política tendente à conquista pelo proletariado do poder político ("ditadura do proletariado"). A socialização da produção não pode conduzir senão à transformação dos meios de produção em propriedade social, à "expropriação dos expropriadores". O aumento enorme da produtividade do trabalho, a redução da jornada de trabalho, a substituição dos vestígios, das ruínas, da pequena produção primitiva e disseminada, pelo trabalho coletivo aperfeiçoado, tais são as consequências diretas desta transformação. O capitalismo rompe definitivamente a ligação da agricultura com a indústria, mas prepara simultaneamente, pelo seu desenvolvimento a um nível superior, elementos novos desta ligação, a união da indústria com a agricultura na base de uma aplicação consciente da ciência, de uma coordenação do trabalho coletivo, de uma nova distribuição da população (pondo fim tanto ao isolamento do campo, ao seu estado de abandono e atraso cultural, como à aglomeração antinatural de uma enorme população nas grandes cidades). As formas superiores do capitalismo moderno criam condições para uma nova forma da família, novas condições para a mulher e para a educação das novas gerações; o trabalho das mulheres e das crianças, a dissolução da família patriarcal pelo capitalismo, tomam inevitavelmente, na sociedade moderna, as formas mais horríveis, mais miseráveis e repugnantes. Contudo, "a grande indústria, pelo papel decisivo que confere às mulheres, aos jovens e às crianças dos dois sexos nos processos de produção socialmente organizadas e fora da esfera familiar, cria uma nova base econômica para uma forma superior da família e das relações entre ambos os sexos. É, naturalmente, tão absurdo considerar como absoluta a forma germano-cristã da família como as antigas formas romana, grega ou oriental, que constituem, de resto, uma só linha de desenvolvimento histórico. E igualmente evidente que a composição do pessoal operário por indivíduos de ambos os sexos e de todas as idades - que na sua forma primária, brutal, capitalista, em que o operário existe para o processo de produção, e não o processo de produção para o operário, constitui uma fonte envenenada de ruína e de escravidão - deve transformar-se, inevitavelmente, em condições adequadas, numa fonte de progresso humano" (O Capital, fim do 13.º capítulo). O sistema fabril mostra-nos "o germe da educação do futuro, que unirá, para todas as crianças acima de certa idade, o trabalho produtivo ao ensino e à ginástica, não só como método de aumento da produção social, mas também como único método capaz de produzir homens desenvolvidos em todos os aspectos" (Ibid.) É sobre a mesma base histórica que o socialismo de Marx coloca os problemas da nacionalidade e do Estado, não só para explicar o passado, mas também para prever ousadamente o futuro e conduzir uma ação audaciosa para a sua realização. As nações são um produto e uma forma inevitável da época burguesa do desenvolvimento social. A classe operária não pode fortalecer-se, amadurecer, formar-se, "sem se organizar no quadro da nação", sem ser "nacional" ("embora de nenhuma maneira no sentido burguês da palavra"). Ora, o desenvolvimento do capitalismo destrói cada vez mais as fronteiras nacionais, acaba com o isolamento nacional, substitui os antagonismos nacionais por antagonismos de classe. Por isso, nos países capitalistas desenvolvidos é perfeitamente verdadeiro que "os operários não têm pátria" e que a sua "ação unitária, pelo menos nos países civilizados, é uma das primeiras condições da sua libertação" (Manifesto do Partido Comunista). O Estado, essa violência organizada, surgiu como algo inevitável numa determinada fase do desenvolvimento da sociedade, quando esta, dividida em classes irreconciliáveis, não teria podido subsistir sem um "poder" aparentemente colocado acima dela e diferenciado até certo ponto dela. Nascido dos antagonismos de classe, o Estado torna-se "o Estado da classe mais poderosa, da classe economicamente dominante, a qual, por meio dele, se torna também a classe politicamente dominante e adquire assim novos meios para reprimir e explorar a classe oprimida. Assim, o Estado antigo era, acima de tudo, o Estado dos escravistas, para manter os escravos submetidos, o Estado feudal era o órgão de que se valia a nobreza para sujeitar os camponeses servos, e o moderno Estado representativo é o instrumento de que se serve o capital para explorar o trabalho assalariado”. (Engels, A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, obra em que o autor expõe as suas ideias e as de Marx.) Mesmo a forma mais livre e progressiva do Estado burguês, a república democrática, de maneira alguma elimina este fato; ela modifica apenas a sua forma (ligação do governo com a Bolsa, corrupção direta e indireta dos funcionários e da imprensa, etc.). O socialismo, conduzindo à supressão das classes, conduz por isso mesmo à abolição do Estado. "O primeiro ato - escreve Engels no seu Anti-Dühring - em que o Estado atua efetivamente como representante de toda a sociedade - a expropriação dos meios de produção em nome de toda a sociedade - é, ao mesmo tempo, o seu último ato independente como Estado. A intervenção do poder de Estado nas relações sociais tornar-se-á supérflua num domínio após outro, e cessará então por si mesma. O governo das pessoas dá lugar à administração das coisas e à direção do processo de produção. O Estado não é "abolido", extingue-se." "A sociedade, que reorganizará a produção na base de uma associação livre de produtores iguais, enviará toda a máquina do Estado para o lugar que lhe corresponderá então: o museu de antiguidades, ao lado da roca de fiar e do machado de bronze." (F. Engels, A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado.)

Caro leitor, ajude a divulgar o Página 1917, compartilhe nossas publicações nas suas redes sociais.

Comentários ofensivos e falsidades não serão publicados.