Índice de Seções

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Os Ensinamentos de Mao Tse-Tung e a Guerra Revolucionária no Brasil

Eder Sader*
Outubro de 1968

Em 1949 a Revolução triunfa na China.


A história recente do movimento comunista tem revelado uma desconcertante relação entre a força do pensamento de Mao na China e a pobreza de seus seguidores oficiais no resto do mundo. Enquanto o PC da China soube traçar a sua estratégia, independente dos modelos de Stalin, os partidos pro-chineses têm-se mostrado profundamente ineficientes do ponto de vista revolucionário. O PC Indonésio pagou caro sua politica de “unidade nacional" com Sukarno, o PC do Brasil nunca soube aplicar ao país uma política adaptada às condições locais, os organismos pró-chineses da Europa não se revelaram capazes de traçar uma estratégia para o velho continente e o mesmo se pode dizer de quase todos os agrupamentos latino-americanos que se reúnem sob a bandeira do maoísmo.

Certamente a grande força do pensamento político de Mao adveio de seu esforço para aplicar o marxismo ao estudo da realidade chinesa. Combatendo aqueles que só sabiam recitar “um estoque de frases estrangeiras mal digeridas", ele apontava paro o partido a necessidade de se enraizar nas condições nacionais.

“Um comunista é um internacionalista marxista, mas o marxismo tem que assumir uma forma nacional antes de poder ser aplicado”.

Independente de alguns desvios de sua aplicação, este princípio é em si justo e foi ele que permitiu ao partido chinês recusar os caminhos propostos por Stalin mesmo durante a fase do culto à personalidade dele.(1)

Mas o que não podia ser feito era a transposição desse marxismo "sob uma forma nacional” chinesa para, todos os outros países. As táticas, as palavras de ordem, os objetivos dos chineses em sua revolução passaram a ser as táticas, as palavras de ordem e objetivos dos maoístas em todo o mundo, independente das particularidades de cada país. E assim, por estranho destino, os discípulos de Mao passaram a “recitar um estoque de frases estrangeiras mal digeridas”.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Por que os Marxistas se Opõem ao Terrorismo Individual

Leon Trotsky

Novembro de1911

Trotsky, fundador e comandante do Exército Vermelho.


Nossos inimigos de classe têm o costume de queixar-se de nosso terrorismo. Eles gostariam de por o rótulo de terrorismo a todas as ações do proletariado dirigidas contra os interesses do inimigo de classe. Para eles, o método principal de terrorismo é a greve. A ameaça de uma greve, a organização de piquetes de greve, o boicote econômico a um patrão super explorador, o boicote moral a um traidor de nossas próprias filas: tudo isso e muito mais é qualificado de terrorismo. Se por terrorismo se entende qualquer coisa que atemorize o prejudique o inimigo, então a luta de classes não é outra coisa senão terrorismo. E o único que resta considerar é se os políticos burgueses têm o direito de proclamar sua indignação moral acerca do terrorismo proletário, quando todo seu aparato estatal, com suas leis, polícia e exército não é senão um instrumento do terror capitalista.

No entanto, devemos assinalar que quando nos jogam na cara o terrorismo, tratam, ainda que nem sempre de forma consciente, de dar-lhe a esta palavra uma sentido mais estrito, menos indireto. Por exemplo, a destruição das máquinas por parte dos trabalhadores é terrorismo neste sentido estrito do termo. A morte de um patrão, a ameaça de incendiar uma fábrica ou matar o seu dono, o atentado a mão armada contra um ministro: todos estes são atos terroristas no sentido estrito do termo. Não obstante, qualquer um que conheça a verdadeira natureza da social-democracia(1) internacional deve saber que ela tem se colocado em oposição da maneira mais irreconciliável a esta classe de terrorismo.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Resolução apresentada pelo KKE ao 24º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários



Partidos comunistas e operários contra as guerras imperialistas:

A luta operária-popular se fortalecerá com uma linha independente, afastada de todos os planos burgueses e imperialistas. 

 

           Com esta Resolução, por ocasião do 24º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários em Havana, de 7 a 9 de agosto de 2026, expressamos nossa solidariedade a Cuba e ao seu povo, honramos a memória e a contribuição histórica do Comandante Fidel Castro Ruz, líder do Partido Comunista de Cuba e da Revolução Cubana, no centenário de seu nascimento, comemorado este ano. Expressamos nossa solidariedade e nos colocamos ao lado dos povos da Palestina, do Líbano e do Irã, e de todos os povos que enfrentam a barbárie do capitalismo, a exploração de classe, as proibições e restrições antidemocráticas à atividade sindical e política e, em particular, as intervenções e guerras imperialistas. 

          A guerra que se trava há cinco anos em território ucraniano, derramando o sangue de dois povos que viveram e prosperaram juntos durante décadas, construindo a nova sociedade socialista e que, com armas em punho, lutaram e derrotaram o fascismo — gerado pelo sistema capitalista — , baseia-se na derrubada do socialismo e na dissolução da União Soviética.  

          É uma guerra travada no âmbito do capitalismo por matérias-primas, energia, rotas de transporte de mercadorias, meios de produção, posição geopolítica, etc.

domingo, 16 de agosto de 2026

Contribuição do Partido Comunista da Grécia (KKE) no 24º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários

 (Havana, agosto de 2026)



Gostaríamos de começar agradecendo ao Partido Comunista de Cuba pela organização do 24º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários (EIPCO), apesar das imensas dificuldades impostas ao povo cubano pela intensificação do bloqueio e da agressão dos EUA.
Aqui em Havana, condenamos mais uma vez o longo bloqueio imperialista contra Cuba. Denunciamos todas as novas medidas pelas quais o governo Trump tenta sufocar o povo cubano, em particular o bloqueio energético imposto nos últimos oito meses.
Desde o primeiro momento da vitória da Revolução Cubana em 1959, o KKE tem-se posicionado consistentemente ao lado de Cuba e do seu povo, expressando firmemente a sua solidariedade.”

Caros camaradas,

Os meios diplomáticos estão a tornar-se cada vez menos importantes para os Estados burgueses, e as guerras comerciais e económicas estão a ganhar prioridade; a transição para a chamada economia de guerra está a generalizar-se; os orçamentos e armamentos de guerra estão a aumentar; novos sistemas de armas estão a ser testados e os arsenais nucleares estão a ser modernizados; e, no geral, a preparação dos Estados burgueses para um confronto militar generalizado está a acelerar-se.”

As promessas feitas pelos governos imperialistas e burgueses de que os golpes contrarrevolucionários de 1989-1991 inaugurariam um novo mundo de paz e prosperidade para os povos provaram ser exatamente o oposto da realidade. Em vez disso, trouxeram novas guerras e intervenções imperialistas; intensificação da exploração da classe trabalhadora ao nível internacional; aprofundamento do empobrecimento relativo e absoluto; crises capitalistas cujo peso é suportado pelos povos; e ondas de milhões de migrantes e refugiados como consequência da barbárie imperialista.

Trinta e cinco anos depois, a correlação de forças permanece desfavorável à luta de classes em todo o mundo, apesar dos problemas que o capitalismo enfrenta e da intensificação das suas contradições. Ao mesmo tempo, os acontecimentos apontam cada vez mais para um sistema em decadência, um sistema que se tornou historicamente obsoleto.

Caro leitor, ajude a divulgar o Página 1917, compartilhe nossas publicações nas suas redes sociais.

Comentários ofensivos e falsidades não serão publicados.