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domingo, 16 de agosto de 2026

Contribuição do Partido Comunista da Grécia (KKE) no 24º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários

 (Havana, agosto de 2026)



Gostaríamos de começar agradecendo ao Partido Comunista de Cuba pela organização do 24º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários (EIPCO), apesar das imensas dificuldades impostas ao povo cubano pela intensificação do bloqueio e da agressão dos EUA.
Aqui em Havana, condenamos mais uma vez o longo bloqueio imperialista contra Cuba. Denunciamos todas as novas medidas pelas quais o governo Trump tenta sufocar o povo cubano, em particular o bloqueio energético imposto nos últimos oito meses.
Desde o primeiro momento da vitória da Revolução Cubana em 1959, o KKE tem-se posicionado consistentemente ao lado de Cuba e do seu povo, expressando firmemente a sua solidariedade.”

Caros camaradas,

Os meios diplomáticos estão a tornar-se cada vez menos importantes para os Estados burgueses, e as guerras comerciais e económicas estão a ganhar prioridade; a transição para a chamada economia de guerra está a generalizar-se; os orçamentos e armamentos de guerra estão a aumentar; novos sistemas de armas estão a ser testados e os arsenais nucleares estão a ser modernizados; e, no geral, a preparação dos Estados burgueses para um confronto militar generalizado está a acelerar-se.”

As promessas feitas pelos governos imperialistas e burgueses de que os golpes contrarrevolucionários de 1989-1991 inaugurariam um novo mundo de paz e prosperidade para os povos provaram ser exatamente o oposto da realidade. Em vez disso, trouxeram novas guerras e intervenções imperialistas; intensificação da exploração da classe trabalhadora ao nível internacional; aprofundamento do empobrecimento relativo e absoluto; crises capitalistas cujo peso é suportado pelos povos; e ondas de milhões de migrantes e refugiados como consequência da barbárie imperialista.

Trinta e cinco anos depois, a correlação de forças permanece desfavorável à luta de classes em todo o mundo, apesar dos problemas que o capitalismo enfrenta e da intensificação das suas contradições. Ao mesmo tempo, os acontecimentos apontam cada vez mais para um sistema em decadência, um sistema que se tornou historicamente obsoleto.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Cuba não negocia nem vende sua Revolução

Que tem custado o sangue e o sacrifício de seus filhos.

Fidel Castro Ruz
22 de junho de 2000

"Não é preciso simplificar no tema das privatizações. Como princípio geral, em Cuba não será privatizado nada que seja conveniente e possível de manter como propriedade de todo o povo ou de um coletivo de trabalhadores.

Nossa ideologia e a nossa preferência é socialista, nada afim ao egoísmo, os privilégios e as desigualdades da sociedade capitalista. Na nossa Pátria não passará nada ao poder de um alto funcionário, e nada será dado como presente a cúmplices e amigos. Nada que possa ser explorado com eficiência e um rendimento elevado para nossa sociedade passará às mãos de nacionais ou estrangeiros. Ao mesmo tempo posso te afirmar que nenhum investimento está mais garantido no mundo do que aquele que, protegidos pelas leis e a honra do país, foram autorizadas em Cuba."

Fidel Alejandro Castro Ruz (Birán, 13 de agosto de 1926 – Havana, 25 de novembro de 2016)



RESPOSTAS AO QUESTIONÁRIO DE F. MAYOR

FEDERICO MAYOR.- Junto da China, o Vietname e a Coréia do Norte, Cuba é considerada como o último bastião do socialismo. Mas, dez anos depois da queda do muro de Berlim, a palavra "socialismo" por acaso faz ainda sentido?

FIDEL CASTRO.- Hoje estou mais convencido do que nunca de que faz um grande sentido.

O que aconteceu há dez anos foi a destruição ingênua e inconsciente de um grande processo social e histórico que deveria ter sido aperfeiçoado, mas nunca destruído. Isso não o conseguiram fazer nem as hordas do Hitler, nem sequer matando mais de vinte milhões de soviéticos e arrasando a metade do país. O mundo ficou sob a égide de uma única super-potência que, na luta contra o fascismo, não contribuiu nem sequer com 5 por cento dos sacrifícios que fizeram os soviéticos.

Em Cuba temos um país unido e um Partido que guia, mas não postula nem elege. Os vizinhos, reunidos em assembléias abertas, propõem, postulam e elegem os delegados de 14 686 circunscripções, que são a base do nosso sistema eleitoral. Eles conformam as assembléias de seus respectivos municípios e postulam os candidatos às assembléias provinciais e nacional, máximos órgãos de poder do Estado nesses níveis, os quais devem ser eleitos em votação secreta por mais de 50 por cento dos votos válidos em suas jurisdições correspondentes.

Sem ser um fato obrigatório, nessas eleições participam mais de 95 por cento dos eleitores. Muitos no mundo nem sequer se preocuparam por se informar a respeito dessa realidade.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Centralismo Democrático e Direção Coletiva

Giocondo Dias*
20/27 de novembro de 1981

Nota do editor:
Reproduzimos este interessante artigo de Giocondo Dias, militante comunista de larga trajetória revolucionária que esteve entre as lideranças do levante de 1935 em Natal. Suas premissas estão corretas e são úteis na atualidade, sem esquecermos a contradição com a prática do PCB nos anos oitenta do século passado, do qual Giocondo era Secretário Geral, quando prevalecia o centralismo burocrático e o desrespeito à democracia interna.

Giocondo Dias


    Há cerca de 14 anos, em dezembro de 1967, os comunistas brasileiros realizavam os trabalhos finais de seu VI Congresso. Efetivado sob duras condições de clandestinidade e repressão, e no calor de uma ardorosa luta ideológica contra as formas com que, à época, se apresentava o “esquerdismo”, o VI Congresso do PCB marcou um indiscutível momento de avanço nas concepções dos comunistas brasileiros.

Na resolução política daquele congresso, entre outras tematizações, deu-se especial importância à questão orgânica; em certa passagem, afirma-se explicitamente a necessidade de “assegurar o pleno funcionamento da democracia e da disciplina partidárias, com base no centralismo democrático e na prática da direção coletiva”. Temos a mais firme convicção de que esta proposta, legítima ao tempo do seu enunciado, é hoje tanto mais válida. E temos mesmo a certeza de que a mais radical democracia partidária só pode ser garantida se se mantém os pressupostos leninistas do partido novo: o centralismo democrático e a direção coletiva.

sábado, 1 de agosto de 2026

O sujeito "ausente"

Ney Nunes*
01/08/2026

Rússia, 1917, o proletariado na vanguarda da revolução.

Em tempos de hegemonia acachapante da burguesia e das suas classes auxiliares, quase não se houve falar da única classe em condições de liderar uma autêntica revolução anticapitalista: o proletariado.

Com certeza, não será das hostes da pequena-burguesia reformista que fala em revolução no discurso, mas almeja apenas um lugar ao sol na gerência do capitalismo, que iremos ouvir menção ao proletariado como sujeito revolucionário. Muito pelo contrário, a tal "revolução" desses sacripantas não tem nada a ver com lutas de classe. Os múltiplos "sujeitos revolucionários" deles são todos  pertencentes a segmentos identitários, desprovidos do qualquer caráter classista.

Mesmo fora de moda, esse sujeito "ausente" segue sua existência, porque é imprescindível ao capitalismo.  Sem ele não se cria nem se acumula capital, é dele que a burguesia extrai a mais valia que sustenta toda a engrenagem econômica do sistema de exploração do homem pelo homem. Pode estar fragmentado, apático, derrotado politicamente, mas não desapareceu do cenário da luta de classes. Nas empresas desenvolve muitas vezes uma resistência surda contra a exploração, sabedor da conjuntura desfavorável e do cerco dos inimigos de classe e seus colaboradores.

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