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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Gato por lebre

Ney Nunes*

11/07/26



No seu manifesto de lançamento a autodenominada "bancada da esquerda radical" oferece uma receita para mudar os rumos da política e da economia, praticando um incrível contorcionismo político ao fazer críticas ao neoliberalismo e a política econômica do governo, enquanto omite que faz parte da base de sustentação deste mesmo governo no parlamento e apoia, já no primeiro turno, a chapa Lula/Alckmin.

Ao afirmar que "O modelo econômico neoliberal no Brasil atingiu um nível de destruição social, ambiental e nacional que, para continuar existindo, dependerá cada vez mais de autoritarismo, repressão e violência social." e não relacionar esse modelo com quase duas décadas de governos liderados pelo PT, tentam encobrir uma realidade que a história recente demonstra de forma cabal: o PT e seus satélites não fizeram mais do que ao longo desse tempo aplicar e aprofundar esse modelo.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Chega de ilusões democráticas, basta de fantasias fascistas!

Este artigo, de Sergio Lessa, que ora publicamos, datado de 2018, guarda atualidade e coloca reflexões pertinentes sobre as ilusões reformistas quanto a democracia burguesa. (Página 1917)

Sergio Lessa*

maio de 2018



É preciso iniciar e terminar esse artigo com uma afirmação categórica: nunca, desde o fim da Ditadura Militar, fomos tão ameaçados por um recrudescimento da repressão. Deus queira que eu esteja errado: a ameaça é maior do que normalmente se avalia, e está mais próxima do que se imagina.

As forças de repressão se aperfeiçoam, crescem, se especializam e ganham novos e mais eficazes instrumentos de controle da população (embora, claro, jamais tão eficientes que não possam ser superados). A tortura vai perdendo sua função tradicional de coletar informações e se converte também em meio de domínio pelo terror. Articula-se um consenso generalizado, tanto entre conservadores quanto entre democratas de todos os matizes, tanto no país quanto no exterior, ao redor da tese de que a democracia necessita ser protegida por uma repressão mais intensa e eficaz.

Talvez o mecanismo dessa intensificação da repressão e da tortura se revele mais claramente no caso de Guantánamo, o centro de torturas mais (se me permitem a expressão) desenvolvido da atualidade.

Por ser uma base militar estadunidense, Guantánamo não se submete ao regime jurídico de Cuba. Como não está em território estadunidense, lá também não vale a Constituição dos EUA. Isto é o que se chama de “extra-territorialidade”: os militares-carrascos fazem de seu prisioneiros o que quiserem.

terça-feira, 7 de julho de 2026

O Partido Comunista da Turquia (TKP) desafia a proibição geral de protestos antes da Cúpula da OTAN e realiza manifestações em toda a Turquia.

Partido Comunista da Turquia (TKP)

6/7/2026

O TKP liderou manifestações contra a cúpula da OTAN.


O Partido Comunista da Turquia (TKP) desafiou a proibição geral de manifestações imposta em toda a região central de Ancara antes da cúpula da OTAN, liderando protestos contra a OTAN em seis cidades no sábado, apesar da forte presença policial e das detenções em massa. 

Centenas de membros do TKP reuniram-se no centro de Ancara, no local e hora previamente anunciados pelo partido, apesar das medidas de segurança extraordinárias que, na prática, colocaram partes da capital sob um estado de emergência. Enquanto os manifestantes marchavam em direção à Praça Kızılay, entoando slogans anti-OTAN e anti-imperialistas, a polícia interveio e deteve mais de 100 participantes. 

Mais tarde, o TKP anunciou que sete membros do partido sofreram graves ferimentos na cabeça durante a violência policial em Ancara, enquanto vários outros sofreram fraturas nos braços e nas costelas. Um membro do partido foi submetido a uma angiografia de emergência após suspeita de ataque cardíaco. O partido afirmou estar acompanhando de perto o estado de saúde dos feridos e detidos, exigindo a libertação imediata de todos os que foram levados sob custódia. 

Na sequência do protesto em Ancara, milhares de pessoas juntaram-se a marchas simultâneas contra a OTAN, organizadas pelo TKP em Istambul, Esmirna, Adana, Samsun e Çanakkale, exigindo a saída da Turquia da OTAN e o fechamento das bases militares estrangeiras no país. 

Discursando em um comício em Istambul após uma marcha de Taksim a Dolmabahçe, o secretário-geral do TKP, Kemal Okuyan, afirmou que o partido continuaria sua luta contra a OTAN para além da própria cúpula. 

Estamos reunidos aqui para protestar contra uma organização militarista e sangrenta, construída sobre a ocupação, golpes de Estado e massacres”, disse Okuyan. Ele argumentou que, durante os dias que antecederam a cúpula, comunistas, patriotas da classe trabalhadora e militantes anti-imperialistas em toda a Turquia foram submetidos a detenções e intimidações para garantir que os líderes da OTAN pudessem se reunir sem oposição. 

Referindo-se à manifestação em Ancara, Okuyan afirmou que, apesar das restrições impostas à capital, “milhares de comunistas desafiaram a OTAN no centro de Ancara, exatamente como havíamos prometido”. Ele acrescentou que centenas de participantes foram detidos durante a operação policial. 

Okuyan também lembrou os protestos históricos de 1968 contra a chegada da Sexta Frota dos EUA a Istambul, quando estudantes revolucionários expulsaram marinheiros americanos para o mar. "Assim como aqueles que confrontaram a Sexta Frota décadas atrás defenderam a dignidade deste país e o compromisso com a independência, os revolucionários de hoje em toda a Turquia estão levando adiante a mesma luta", disse ele. 

Ele condenou o governo do AKP por estender o tapete vermelho para os líderes da OTAN enquanto o genocídio apoiado pelos EUA na Palestina continua e a agressão dos EUA e de Israel contra o Irã ameaça arrastar a região para uma guerra mais ampla. Okuyan disse que o TKP acompanharia de perto todas as decisões tomadas na cúpula e continuaria se mobilizando contra a OTAN após a reunião. Ele pediu “uma Turquia independente, soberana, livre e socialista” e reiterou a exigência do partido: “Tomem as bases, fora da OTAN”. 

Além de Ancara e Istambul, manifestações contra a OTAN também ocorreram em Esmirna, Samsun, Adana e Çanakkale. Em Esmirna, Senem Doruk İnam, membro do Comitê Central do TKP, afirmou que o partido não permitiria que a Turquia se tornasse “um campo de batalha para uma organização terrorista sanguinária”, descrevendo a luta contra a OTAN como “uma questão de dignidade e soberania nacional”. Em Çanakkale, Savaş Sarı, também membro do Comitê Central, disse aos manifestantes que a oposição à OTAN era indissociável da luta por uma Turquia independente. Apelos semelhantes pela saída da Turquia da OTAN e pelo fechamento de bases militares estrangeiras foram feitos em comícios do TKP por todo o país.

Fonte:https://www.tkp.org.tr/en/agenda/tkp-defies-blanket-protest-ban-ahead-of-nato-summit-holds-demonstrations-across-turkey/

Edição: Página 1917

sábado, 4 de julho de 2026

Sepulcro caiado: a nova/velha candidatura Bolsonaro (parte 2)

Coletivo Cem Flores

25.06.2026

A crítica radical à extrema-direita, fascista – nos dias de hoje em nosso país principalmente o bolsonarismo – é um dever de primeira ordem dos Comunistas. Essa facção radicalizada da burguesia é, como toda a burguesia, inimiga de classe do proletariado e das classes trabalhadoras. Historicamente, sempre foram os Comunistas que estiveram na linha de frente do combate ao fascismo e daqueles que o derrotaram – e esse desafio permanece atualmente.

Não será uma disputa eleitoreira entre distintas facções burguesas, fascistas e não fascistas, que representará os interesses mais profundos da classe operária e das massas exploradas. Pelo contrário, deixar o combate ao fascismo ser hegemonizado por posições burguesas e ser travado unicamente nos meios institucionais significa a continuidade da ofensiva de classe da burguesia sobre os trabalhadores, sob uma ou outra forma; a continuidade do baixo nível de organização e da falta de uma posição política proletária própria e com força de massas; e a continuidade da sujeição da nossa classe aos patrões, com toda a exploração e o sofrimento que isso traz.

É preciso nos opormos a isso e construir o caminho das resistências e das lutas!


À esquerda, os irmãos Bolsonaro visitam Netanyahu em Israel, no final de 2025. À direita, Bolsonaro pai recebe o líder israelense, no final de 2018.

  1. O novo Bolsonaro é o velho autoritarismo brasileiro e a velha facção burguesa de extrema-direita

Desde a ascensão do bolsonarismo no Brasil, como força eleitoral nacional e movimento de massas reacionário, não hesitamos em designá-lo de autoritário, de extrema-direita, fascista. Tal designação parte da análise concreta da nossa realidade e é fundamental para termos nitidez sobre o caráter desse inimigo burguês na luta de classes e sobre todos os riscos que ele representa. Isso também é necessário para traçarmos a melhor e mais eficaz tática de combate a ele – e, como já adiantamos e vimos na prática, esta não é a tática hegemônica na “esquerda” de ficar a reboque das instituições e das forças eleitorais burguesas rivais ao bolsonarismo.

O fascismo não é uma “exceção” que surgiu uma única vez na história, nem serve apenas para barrar um processo revolucionário em curso. Na era do imperialismo, ele é uma tendência constante, mais ou menos intensa, pois vinculada a essa fase do próprio capital, que tende à guerra e à degeneração social. Como dizia Lênin, no aspecto político o imperialismo é, em geral, uma tendência para a violência e para a reação”. No mundo, após a crise de 2008, o fascismo tem ressurgido em todos os poros da sociedade burguesa e servido de instrumento da burguesia para impor uma violenta ofensiva do capital, desfazer conquistas na limitada democracia burguesa, destroçar as resistências e organizações proletárias e revolucionárias, canalizar demagogicamente a revolta difusa na massa para objetivos reacionários e mobilizar setores inteiros para a corrida armamentista e os esforços de guerras imperialistas que atravessam o mundo.

Como no passado, o reformismo convive, alterna e mesmo se alia com tais forças na gestão burguesa. Além disso, o reformismo e o oportunismo são, eles próprios, jogados cada vez mais à direita por essa tendência do sistema imperialista, inclusive dirigindo com louvor a mesma ofensiva de classe que o fascismo visa cumprir sob formas específicas. Não por acaso, também como dizia Lênin, “a luta contra o imperialismo é uma frase oca e falsa se não for indissoluvelmente ligada à luta contra o oportunismo”.

Mais especificamente no Brasil, o bolsonarismo, suas lideranças e ideólogos, possui uma longa linhagem reacionária e autoritária e representa uma continuação, sob novas formas organizacionais, de forças fascistas presentes no Brasil desde as décadas de 1930-40. Além disso, herda e se vincula aberta e organicamente ao golpismo e à herança ditatorial das corporações militares e de alas burguesas e pequeno-burguesas que construíram a ditadura militar de 1964-85. Suas marcas políticas e ideológicas são um radical anti-comunismo e uma oposição feroz às conquistas e organizações dos trabalhadores, a proteção sem rodeios dos interesses da burguesia, a submissão ao imperialismo ianque, além da defesa de formas mais autoritárias e repressivas de dominação burguesa e de valores reacionários e racistas.

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