Por John Bellamy Foster
05/2026
Os Estados Unidos estão testemunhando hoje uma nova era de concentração e centralização do capital financeiro monopolista, marcada pelo boom da inteligência artificial (IA). Economistas da S&P Global estimam que “80% do aumento da demanda interna privada final” nos Estados Unidos no primeiro semestre de 2025 foi atribuído a gastos com “centros de dados e despesas de capital relacionadas à alta tecnologia”.¹ Esse investimento maciço em centros de dados está sendo realizado por gigantescas corporações de alta tecnologia, cujo número pode ser facilmente contado nos dedos de uma mão. Essas empresas são comumente chamadas no setor de “hiperescaladores”, abreviação das megacorporações que dominam a computação em nuvem. Classificadas de acordo com o investimento em centros de dados no início de 2026, elas incluem Microsoft, Amazon Web Services, Google (Alphabet) e Meta, formando “as Grandes Casas da IA”.² Essas gigantescas entidades monopolistas também estão entre as seis maiores corporações dos EUA, medidas por valor de mercado. (A Nvidia, a maior empresa em valor de mercado no início de 2026, não é líder em computação em nuvem, mas monopoliza de 80% a 90% dos chips de GPU para supercomputadores.) Segundo a Bloomberg, Microsoft, Amazon Web Services, Alphabet/Google e Meta tiveram um investimento combinado de US$ 150 bilhões em 2022 e US$ 360 bilhões em 2025, com previsão de investimento de US$ 650 bilhões em 2026. Em comparação, “as maiores montadoras de automóveis, fabricantes de equipamentos de construção, ferrovias, empreiteiras de defesa, operadoras de telefonia móvel, empresas de entrega de encomendas, juntamente com a ExxonMobil Corp., Intel Corp., Walmart Inc. e as empresas derivadas da General Electric — 21 empresas — devem investir um total de US$ 180 bilhões em 2026.” ³
O investimento em IA atingiu uma escala que permite compará-lo com o boom ferroviário dos EUA no século XIX. 4 Assim como no caso das ferrovias, a expansão da IA hoje é sustentada por centros financeiros que manipulam o apoio governamental, libertando-o da dependência de lucros reais e confiando, em vez disso, no que John Maynard Keynes chamou de "espíritos animais", ou seja, lucros esperados em novos investimentos. Levaria muitos anos para os hiperescaladores aumentarem seus investimentos em data centers ao nível atual com base apenas no acúmulo de lucros reais, enquanto o financiamento monopolista por meio do sistema de crédito e dívida permitiu que essa transformação ocorresse "num piscar de olhos".5 A riqueza social, proveniente da população como um todo, está sendo canalizada para as Grandes Casas da IA por meio de diversos mecanismos financeiros e políticas econômicas neoliberais, concentrando ainda mais o excedente econômico produzido pela sociedade nas mãos de um número infinitesimalmente pequeno de bilionários, localizados nos setores de alta tecnologia, energia e finanças da economia. Nove dos quinze maiores bilionários da lista da Forbes de 2026 são bilionários do setor de tecnologia. 6
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