Oscar J. Camero*
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| Helicópteros dos EUA sobrevoam livremente Caracas no sequestro de Maduro. |
O diretor da CIA, John Ratcliffe, reuniu-se com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, na quinta-feira. Eles conversaram por algumas horas. Uma fonte anônima disse ao The New York Times, nos Estados Unidos, que discutiram inteligência, estabilidade econômica e a necessidade de a Venezuela deixar de ser "um refúgio seguro para adversários dos Estados Unidos, especialmente narcotraficantes.
(Nytimes.com,www.nytimes.com/es/2026/01/16/espanol/estados-unidos/cia-delcy-rodriguez-venezuela.html. Acesso em 17 de janeiro de 2026).
A visita não poderia ter sido mais sinistra. A Venezuela acabara de ser bombardeada pelos Estados Unidos, um evento que resultou no sequestro militar de seu presidente e na morte de 47 soldados venezuelanos e 32 cubanos, estes últimos executados. Em termos materiais, houve destruição de lançadores de mísseis Buk-M2, depósitos, um hospital e centros de comunicação militar (Cerro El Volcán, Observatório de Cagigal, Forte Tiuna, etc.).
Em termos geopolíticos, o país enfrenta a ameaça de um segundo ataque (segundo Donald Trump) para tomar o controle das áreas de produção de petróleo, com consequente perda quantitativa de soberania.
Assim, a reunião não é nada mais do que uma imposição típica de chantagem, mas uma que o aparelho estatal deve digerir em nome do plano do governo: (1) manter a paz, (2) resgatar o casal presidencial e (3) preservar o poder político.
Moralmente, esse contato é monstruoso. O enviado americano, por mais que tente disfarçar politicamente, é um inimigo da pátria bolivariana. É preciso muita coragem para apertar sua mão, assim como deve ter sido preciso para o Imperador Hirohito, em 1945, apertar a mão assassina de seu conquistador, MacArthur.
O funcionário compreende imediatamente a essência da "Operação Determinação Absoluta", concebida principalmente pela CIA. Essa agência liderou a campanha contra a Venezuela e, por fim, por meio de suas operações secretas (infiltração, ciberataques), incutiu em Trump a rejeição de María Machado, o desejo de preservar a liderança institucional de Delcy para evitar o caos e um tratamento preferencial para a Venezuela em comparação com o Iraque em 2003.
Da mesma forma, a CIA considerou o desmantelamento do governo iraquiano e do seu exército, bem como a criação de uma insurgência, um erro. De fato, em meio a esse caos, o Iraque atual não gera receitas petrolíferas.
Com a ajuda de Richard Grenell, a CIA aprimorou a imagem de Delcy: sua disposição para trabalhar em conjunto dissiparia o caos improdutivo que Machado representava. A arrogância de Trump ditava que o "pai" intelectual deveria ser quem abordasse sua "criação".
*Escritor e pesquisador, formado em Letras pela Universidade Central da Venezuela (UCV).
Fonte: https://www.aporrea.org/tiburon/a348997.html
Edição: Página 1917