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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Para que o povo vença, o capital precisa perder

Dimitris Koutsoumbas 

Secretário-Geral do Partido Comunista da Grécia (KKE)

11/06/2026

Dimitris Koutsoumbas

O fato de o KKE ter denunciado desde o início tanto as propostas reacionárias do governo para a revisão constitucional quanto o procedimento inaceitável que estava sendo seguido foi destacado pelo Secretário-Geral do Comitê Central do KKE, Dimitris Koutsoumbas, durante seu discurso no parlamento em 10 de junho de 2010, no debate sobre o processo de revisão constitucional.

Ele salientou que, por trás de falsos dilemas — sejam eles relativos ao suposto fortalecimento do Estado de Direito ou ao retorno à normalidade europeia e à mudança de governo — reside uma tentativa de ocultar o amplo consenso entre o governo e a oposição. Os dois lados estão envolvidos em um confronto conveniente e em um debate enganoso que pouco tem a ver com os problemas reais enfrentados pela população, os quais se tornam cada vez mais agudos em meio ao crescente envolvimento do país em guerras imperialistas e à possibilidade de uma nova crise econômica capitalista. Ele enfatizou que todos os partidos do sistema compartilham objetivos comuns que são perigosos para a população, incluindo o apoio a planos de investimento destinados a aumentar a lucratividade, a crescente supremacia de legislação inaceitável da UE e a manutenção da imunidade ministerial.

Ele acrescentou que o avanço desses objetivos reacionários exige “estabilidade política”, o que, na realidade, significa insegurança e instabilidade para a população. Denunciou propostas que visam um controle mais rígido sobre o funcionamento dos partidos políticos, maior censura na mídia e novos ataques aos direitos e liberdades sociais do povo.

Para que o povo vença, o capital deve perder”, enfatizou. Ele defendeu a revogação das disposições reacionárias que apoiam a transformação do país em uma vasta base EUA-OTAN, bem como a abolição do artigo que concede amplas isenções e privilégios fiscais para o capital de exportação. Ele também defendeu a garantia de saúde, educação e seguridade social universais, públicas e gratuitas; a proteção ambiental; a defesa dos direitos trabalhistas e sindicais; e emprego permanente e estável para todos.

Tudo isso será imposto pelo próprio povo, intensificando suas dificuldades, aumentando a instabilidade do sistema e fortalecendo a crescente corrente de ceticismo em relação a ele. Através de sua luta organizada e fortalecendo o KKE, eles varrerão este sistema decadente de exploração, pobreza e guerras”, declarou o Secretário-Geral do Comitê Central do KKE.


Fonte: https://inter.kke.gr/en/m-article/For-the-people-to-win-capital-must-lose/


Edição: Página 1917

domingo, 14 de junho de 2026

O marxismo (2ª parte)

Lenin

Novembro/1914



A Doutrina Econômica de Marx

"O objetivo final desta obra, diz Marx no seu prefácio a O Capital, é descobrir a lei econômica do movimento da sociedade moderna", isto é, da sociedade capitalista, da sociedade burguesa. O estudo das relações de produção de uma sociedade historicamente determinada e concreta no seu nascimento, desenvolvimento e declínio, tal é o conteúdo da doutrina econômica de Marx. O que domina na sociedade capitalista é a produção de mercadorias; por isso a análise de Marx começa pela análise da mercadoria. 

O Valor

A mercadoria é, em primeiro lugar, uma coisa que satisfaz uma qualquer necessidade do homem; em segundo lugar, é uma coisa que se pode trocar por outra. A utilidade de uma coisa faz dela um valor de uso. O valor de troca (ou simplesmente o valor) é, em primeiro lugar, a relação, a proporção na troca de um certo número de valores de uso de uma espécie contra um certo número de valores de uso de outra espécie. A experiência quotidiana mostra-nos que, através de milhões, de bilhões de trocas deste tipo se comparam incessantemente os valores de uso mais diversos e mais díspares. Que há de comum entre estas coisas diferentes, que são tornadas constantemente equivalentes num determinado sistema de relações sociais? O que elas têm de comum é serem produtos do trabalho. Trocando os seus produtos, os homens criam relações de equivalência entre os mais diferentes gêneros de trabalho. A produção das mercadorias é um sistema de relações sociais no qual os diversos produtores criam produtos variados (divisão social do trabalho) e em que todos estes produtos se equiparam uns aos outros na troca. Por conseguinte, o que é comum a todas as mercadorias não é o trabalho concreto de um ramo de produção determinado, não é um trabalho de um gênero particular, mas o trabalho humano abstrato, o trabalho humano em geral. Numa dada sociedade, toda a força de trabalho representada pela soma dos valores de todas as mercadorias constitui uma só e mesma força de trabalho humano; bilhões de atos de troca o demonstram. Cada mercadoria considerada isoladamente não representa portanto senão uma certa parte do tempo de trabalho socialmente necessário. A grandeza do valor é determinada pela quantidade de trabalho socialmente necessário ou pelo tempo de trabalho socialmente necessário para a produção de determinada mercadoria, de determinado valor de uso. "Ao equiparar os seus diversos produtos na troca como valores, os homens equiparam os seus diversos trabalhos como trabalho humano. Não se dão conta, mas fazem-no."(N27) O valor é uma relação entre duas pessoas, disse um velho economista; mas deveria acrescentar: uma relação entre pessoas escondida sob a envoltura das coisas. Só partindo do sistema de relações sociais de produção de uma formação histórica determinada, relações que se manifestam na troca, fenômeno generalizado que se repete bilhões de vezes, é que se pode compreender o que é o valor. "Como valores, todas as mercadorias são apenas quantidades determinadas de tempo de trabalho cristalizado."(N28) Depois de uma análise detalhada do duplo caráter do trabalho incorporado nas mercadorias, Marx passa à análise da forma do valor e do dinheiro. A principal tarefa que Marx se atribui é investigar a origem da forma dinheiro do valor, estudar o processo histórico do desenvolvimento da troca, começando pelos atos de troca particulares e fortuitos (forma simples, particular ou acidental do valor: uma quantidade determinada de uma mercadoria é trocada por uma quantidade determinada de outra mercadoria), para passar à forma geral do valor, quando várias mercadorias diferentes são trocadas por outra mercadoria determinada e concreta sempre a mesma, e acabar na forma dinheiro do valor, quando o ouro se torna esta mercadoria determinada, o equivalente geral. Produto supremo do desenvolvimento da troca e da produção de mercadorias, o dinheiro encobre e dissimula o caráter social dos trabalhos parciais, a ligação social entre diversos produtores unidos uns aos outros pelo mercado. Marx submete a uma análise extremamente minuciosa as diversas funções do dinheiro, e é especialmente importante notar que também aqui (como nos primeiros capítulos de O Capital) a forma abstrata de exposição que, por vezes, parece puramente dedutiva, reproduz na realidade uma documentação imensamente rica sobre a história do desenvolvimento da troca e da produção de mercadorias. "O dinheiro supõe certo nível de troca de mercadorias. As formas particulares do dinheiro, simples equivalente de mercadorias, meio de circulação, meio de pagamento, tesouro ou dinheiro universal, indicam, conforme o diferente alcance e a preponderância relativa de uma dessas funções, graus muito diversos do processo social de produção" (O Capital, I)(N29)

segunda-feira, 8 de junho de 2026

O marxismo (1ª parte)

Lenin 

Novembro/1914

Vladimir Ilyich Ulianov, o Lenin.

A Doutrina de Marx

O marxismo é o sistema das ideias e da doutrina de Marx. Marx continuou e desenvolveu plena e genialmente as três principais correntes ideológicas do século XIX, nos três países mais avançados da humanidade: a filosofia clássica alemã, a economia política clássica inglesa e o socialismo francês, em ligação com as doutrinas revolucionárias francesas em geral. O caráter notavelmente coerente e integral das suas ideias, reconhecido pelos próprios adversários - e que, no seu conjunto, constituem o materialismo moderno e o socialismo científico moderno como teoria e programa do movimento operário de todos os países civilizados -, obriga-nos a fazer preceder a exposição do conteúdo essencial do marxismo, a doutrina económica de Marx, de um breve resumo da sua concepção do mundo em geral. 

O Materialismo Filosófico

Desde 1844-1845, época em que se formaram as suas ideias, Marx foi materialista; foi, em particular, partidário de L. Feuerbach, cujo único lado fraco foi para ele, mesmo mais tarde, a falta de coerência e de universalidade do seu materialismo. Marx via a importância histórica mundial de Feuerbach, que "fez época", precisamente na sua ruptura decisiva com o idealismo de Hegel e na sua afirmação do materialismo que já desde "o século XVIII e nomeadamente em França não foi apenas uma luta contra as instituições políticas existentes, assim como contra a religião e a teologia existentes, mas também ... contra toda a metafísica" (tomada no sentido de "especulação delirante" por oposição a uma "filosofia sensata") (A Sagrada Família(N19), no Literarischer Nachlass). "Para Hegel - escrevia Marx - o processo do pensamento, que ele personifica mesmo sob o nome de ideia num sujeito independente, é o demiurgo (o criador) da realidade ... Para mim, pelo contrário, o ideal não é senão o material transposto e traduzido no cérebro humano" (O Capital, I, posfácio da segunda edição). Perfeitamente de acordo com a filosofia materialista de Marx, F. Engels, expondo-a no Anti-Dühring (ver), que Marx lera ainda em manuscrito, escrevia: "A unidade do mundo não consiste no seu ser ... A unidade real do mundo consiste na sua materialidade e esta última está provada ... por um longo e laborioso desenvolvimento da filosofia e das ciências naturais ... O movimento é o modo de existência da matéria. Nunca e em parte alguma houve nem poderá haver matéria sem movimento ... Matéria sem movimento é impensável do mesmo modo que movimento sem matéria ... Mas, se se pergunta, depois disso, o que são o pensamento e a consciência, e donde provêm, conclui-se que são produtos do cérebro humano e que o próprio homem é um produto da natureza, o qual se desenvolveu no seu ambiente e com ele; daí se compreende por si só que os produtos do cérebro humano que, em última análise, são igualmente produtos da natureza, não estão em contradição, mas sim em correspondência com a restante conexão da natureza", "Hegel era idealista, isto é, para ele, as ideias do seu cérebro não eram reflexos (Abbilder, por vezes Engels fala de "reproduções") mais ou menos abstratos dos objetos e dos fenómenos reais, mas, pelo contrário, eram os objetos e o seu desenvolvimento que eram para ele os reflexos da ideia, que já existia, não se sabe onde, antes da existência do mundo." No seu Ludwig Feuerbach, livro onde expõe as suas ideias e as de Marx sobre a filosofia de Feuerbach e que só mandou imprimir depois de ter lido uma vez mais o velho manuscrito de 1844-1845, escrito em colaboração com Marx, sobre Hegel, Feuerbach e a concepção materialista da história, Engels escreve: "A grande questão fundamental de toda a filosofia, especialmente da filosofia moderna, é a da relação entre o pensamento e o ser, entre o espírito e a natureza ... Que é primeiro: o espírito ou a natureza?... Conforme respondiam de uma maneira ou de outra a esta questão, os filósofos dividiam-se em dois grandes campos. Aqueles que afirmavam que o espírito é primeiro em relação à natureza e que, por conseguinte, admitiam, em última instância, uma criação do mundo de qualquer espécie ... constituíam o campo do idealismo. Os outros, que consideravam a natureza como o elemento primordial, pertenciam às diversas escolas do materialismo." Qualquer outro emprego dos conceitos de idealismo e de materialismo (no sentido filosófico), não faz mais do que criar a confusão; Marx repudiou categoricamente não apenas o idealismo, sempre ligado, de uma maneira ou de outra, à religião, mas também o ponto de vista, particularmente difundido nos nossos dias, de Hume e de Kant, o agnosticismo, o criticismo, o positivismo(N20) sob os seus diferentes aspectos, considerando esse gênero de filosofia como uma concessão "reacionária" ao idealismo, e, no melhor dos casos, "uma maneira envergonhada de aceitar o materialismo às escondidas, renegando-a publicamente". A este respeito, é bom consultar, além das já citadas obras de Marx e Engels, a carta de Marx a Engels, datada de 12 de Dezembro de 1866, em que, falando de uma intervenção do célebre naturalista T. Huxley, que se mostrou "mais materialista" do que habitualmente e reconheceu que "enquanto observamos e pensamos realmente nunca podemos sair do materialismo", Marx o critica por ter "aberto uma porta" ao agnosticismo e à teoria de Hume. É importante, sobretudo reter a opinião de Marx sobre as relações entre a liberdade e a necessidade: "A necessidade só é cega enquanto não é compreendida. A liberdade consiste em conhecer a necessidade." (F. Engels, Anti-Dühring.) É o reconhecimento das leis objetivas que regem a natureza e da transformação dialética da necessidade em liberdade (da mesma maneira que a transformação da "coisa em si" não conhecida mas cognoscível, em "coisa para nós", da "essência das coisas" em "fenômenos"). O defeito essencial do "velho" materialismo, incluindo o de Feuerbach (e, com mais forte razão, o do materialismo "vulgar" de Buchner-Vogt-Moleschott), era para Marx e Engels: 1 - que este materialismo era "essencialmente mecanicista" e não tomava em conta os progressos mais recentes da química e da biologia (atualmente conviria acrescentar ainda a teoria elétrica da matéria); 2 - que o velho materialismo não tinha um caráter histórico nem dialético (sendo pelo contrário metafísico, no sentido de antidialético) e não aplicava a concepção do desenvolvimento de forma consequente e sob todos os seus aspectos; 3 - que concebia a "essência humana" como uma abstração e não como o "conjunto de todas as relações sociais" (concretamente determinadas pela história), não fazendo assim mais do que "interpretar" o mundo, enquanto aquilo de que se tratava era de o "transformar", ou, por outras palavras, não compreendia a importância da "atividade revolucionária prática".

sexta-feira, 5 de junho de 2026

As duas vias ilusórias do reformismo

Ney Nunes

Vejam a trajetória miserável do reformismo, que foi da falida "Via pacífica para o socialismo", até o descaramento atual da "Via pacífica  para a gestão do capitalismo".


Chile, 1973, golpe burguês derruba a via pacífica de Allende.


Na primeira "via", ainda mantinham o socialismo no horizonte, mesmo não passando de uma ilusão sepultada pelos acontecimentos. Ficando demonstrado, ao longo da História, que nenhuma classe dominante entrega o poder de bom grado, sem resistência armada. Exemplos não faltam, entre os mais clássicos, a guerra civil espanhola e o Chile de Salvador Allende.

Já na segunda 'via", a ilusão foi rebaixada ao limite de uma gestão humana do capitalismo, gestão que os seguidos governos de corte reformista ao redor do mundo comprovaram, de forma inequívoca, que só prestaram para fortalecer o poder da burguesia e manter o proletariado dividido e desorganizado, colaborando para prolongar a agonia do sistema de exploração do homem pelo homem.

Em tempos de crise crônica do capitalismo, de disputa entre as potências imperialistas pela hegemonia mundial, de guerras e genocídios que abrem as portas da barbárie, o papel miserável do reformismo é cada vez mais nefasto. Os reformistas de todos os matizes jogam água no moinho da contrarrevolução e do fascismo. São coveiros das possibilidades revolucionárias, são agentes da burguesia, são inimigos do proletariado e do socialismo.

RJ, 05/06/2026

Edição: Página 1917

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