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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Chega de ilusões democráticas, basta de fantasias fascistas!

Este artigo, de Sergio Lessa, que ora publicamos, datado de 2018, guarda atualidade e coloca reflexões pertinentes sobre as ilusões reformistas quanto a democracia burguesa. (Página 1917)

Sergio Lessa*

maio de 2018



É preciso iniciar e terminar esse artigo com uma afirmação categórica: nunca, desde o fim da Ditadura Militar, fomos tão ameaçados por um recrudescimento da repressão. Deus queira que eu esteja errado: a ameaça é maior do que normalmente se avalia, e está mais próxima do que se imagina.

As forças de repressão se aperfeiçoam, crescem, se especializam e ganham novos e mais eficazes instrumentos de controle da população (embora, claro, jamais tão eficientes que não possam ser superados). A tortura vai perdendo sua função tradicional de coletar informações e se converte também em meio de domínio pelo terror. Articula-se um consenso generalizado, tanto entre conservadores quanto entre democratas de todos os matizes, tanto no país quanto no exterior, ao redor da tese de que a democracia necessita ser protegida por uma repressão mais intensa e eficaz.

Talvez o mecanismo dessa intensificação da repressão e da tortura se revele mais claramente no caso de Guantánamo, o centro de torturas mais (se me permitem a expressão) desenvolvido da atualidade.

Por ser uma base militar estadunidense, Guantánamo não se submete ao regime jurídico de Cuba. Como não está em território estadunidense, lá também não vale a Constituição dos EUA. Isto é o que se chama de “extra-territorialidade”: os militares-carrascos fazem de seu prisioneiros o que quiserem.

terça-feira, 7 de julho de 2026

O Partido Comunista da Turquia (TKP) desafia a proibição geral de protestos antes da Cúpula da OTAN e realiza manifestações em toda a Turquia.

Partido Comunista da Turquia (TKP)

6/7/2026

O TKP liderou manifestações contra a cúpula da OTAN.


O Partido Comunista da Turquia (TKP) desafiou a proibição geral de manifestações imposta em toda a região central de Ancara antes da cúpula da OTAN, liderando protestos contra a OTAN em seis cidades no sábado, apesar da forte presença policial e das detenções em massa. 

Centenas de membros do TKP reuniram-se no centro de Ancara, no local e hora previamente anunciados pelo partido, apesar das medidas de segurança extraordinárias que, na prática, colocaram partes da capital sob um estado de emergência. Enquanto os manifestantes marchavam em direção à Praça Kızılay, entoando slogans anti-OTAN e anti-imperialistas, a polícia interveio e deteve mais de 100 participantes. 

Mais tarde, o TKP anunciou que sete membros do partido sofreram graves ferimentos na cabeça durante a violência policial em Ancara, enquanto vários outros sofreram fraturas nos braços e nas costelas. Um membro do partido foi submetido a uma angiografia de emergência após suspeita de ataque cardíaco. O partido afirmou estar acompanhando de perto o estado de saúde dos feridos e detidos, exigindo a libertação imediata de todos os que foram levados sob custódia. 

Na sequência do protesto em Ancara, milhares de pessoas juntaram-se a marchas simultâneas contra a OTAN, organizadas pelo TKP em Istambul, Esmirna, Adana, Samsun e Çanakkale, exigindo a saída da Turquia da OTAN e o fechamento das bases militares estrangeiras no país. 

Discursando em um comício em Istambul após uma marcha de Taksim a Dolmabahçe, o secretário-geral do TKP, Kemal Okuyan, afirmou que o partido continuaria sua luta contra a OTAN para além da própria cúpula. 

Estamos reunidos aqui para protestar contra uma organização militarista e sangrenta, construída sobre a ocupação, golpes de Estado e massacres”, disse Okuyan. Ele argumentou que, durante os dias que antecederam a cúpula, comunistas, patriotas da classe trabalhadora e militantes anti-imperialistas em toda a Turquia foram submetidos a detenções e intimidações para garantir que os líderes da OTAN pudessem se reunir sem oposição. 

Referindo-se à manifestação em Ancara, Okuyan afirmou que, apesar das restrições impostas à capital, “milhares de comunistas desafiaram a OTAN no centro de Ancara, exatamente como havíamos prometido”. Ele acrescentou que centenas de participantes foram detidos durante a operação policial. 

Okuyan também lembrou os protestos históricos de 1968 contra a chegada da Sexta Frota dos EUA a Istambul, quando estudantes revolucionários expulsaram marinheiros americanos para o mar. "Assim como aqueles que confrontaram a Sexta Frota décadas atrás defenderam a dignidade deste país e o compromisso com a independência, os revolucionários de hoje em toda a Turquia estão levando adiante a mesma luta", disse ele. 

Ele condenou o governo do AKP por estender o tapete vermelho para os líderes da OTAN enquanto o genocídio apoiado pelos EUA na Palestina continua e a agressão dos EUA e de Israel contra o Irã ameaça arrastar a região para uma guerra mais ampla. Okuyan disse que o TKP acompanharia de perto todas as decisões tomadas na cúpula e continuaria se mobilizando contra a OTAN após a reunião. Ele pediu “uma Turquia independente, soberana, livre e socialista” e reiterou a exigência do partido: “Tomem as bases, fora da OTAN”. 

Além de Ancara e Istambul, manifestações contra a OTAN também ocorreram em Esmirna, Samsun, Adana e Çanakkale. Em Esmirna, Senem Doruk İnam, membro do Comitê Central do TKP, afirmou que o partido não permitiria que a Turquia se tornasse “um campo de batalha para uma organização terrorista sanguinária”, descrevendo a luta contra a OTAN como “uma questão de dignidade e soberania nacional”. Em Çanakkale, Savaş Sarı, também membro do Comitê Central, disse aos manifestantes que a oposição à OTAN era indissociável da luta por uma Turquia independente. Apelos semelhantes pela saída da Turquia da OTAN e pelo fechamento de bases militares estrangeiras foram feitos em comícios do TKP por todo o país.

Fonte:https://www.tkp.org.tr/en/agenda/tkp-defies-blanket-protest-ban-ahead-of-nato-summit-holds-demonstrations-across-turkey/

Edição: Página 1917

sábado, 4 de julho de 2026

Sepulcro caiado: a nova/velha candidatura Bolsonaro (parte 2)

Coletivo Cem Flores

25.06.2026

A crítica radical à extrema-direita, fascista – nos dias de hoje em nosso país principalmente o bolsonarismo – é um dever de primeira ordem dos Comunistas. Essa facção radicalizada da burguesia é, como toda a burguesia, inimiga de classe do proletariado e das classes trabalhadoras. Historicamente, sempre foram os Comunistas que estiveram na linha de frente do combate ao fascismo e daqueles que o derrotaram – e esse desafio permanece atualmente.

Não será uma disputa eleitoreira entre distintas facções burguesas, fascistas e não fascistas, que representará os interesses mais profundos da classe operária e das massas exploradas. Pelo contrário, deixar o combate ao fascismo ser hegemonizado por posições burguesas e ser travado unicamente nos meios institucionais significa a continuidade da ofensiva de classe da burguesia sobre os trabalhadores, sob uma ou outra forma; a continuidade do baixo nível de organização e da falta de uma posição política proletária própria e com força de massas; e a continuidade da sujeição da nossa classe aos patrões, com toda a exploração e o sofrimento que isso traz.

É preciso nos opormos a isso e construir o caminho das resistências e das lutas!


À esquerda, os irmãos Bolsonaro visitam Netanyahu em Israel, no final de 2025. À direita, Bolsonaro pai recebe o líder israelense, no final de 2018.

  1. O novo Bolsonaro é o velho autoritarismo brasileiro e a velha facção burguesa de extrema-direita

Desde a ascensão do bolsonarismo no Brasil, como força eleitoral nacional e movimento de massas reacionário, não hesitamos em designá-lo de autoritário, de extrema-direita, fascista. Tal designação parte da análise concreta da nossa realidade e é fundamental para termos nitidez sobre o caráter desse inimigo burguês na luta de classes e sobre todos os riscos que ele representa. Isso também é necessário para traçarmos a melhor e mais eficaz tática de combate a ele – e, como já adiantamos e vimos na prática, esta não é a tática hegemônica na “esquerda” de ficar a reboque das instituições e das forças eleitorais burguesas rivais ao bolsonarismo.

O fascismo não é uma “exceção” que surgiu uma única vez na história, nem serve apenas para barrar um processo revolucionário em curso. Na era do imperialismo, ele é uma tendência constante, mais ou menos intensa, pois vinculada a essa fase do próprio capital, que tende à guerra e à degeneração social. Como dizia Lênin, no aspecto político o imperialismo é, em geral, uma tendência para a violência e para a reação”. No mundo, após a crise de 2008, o fascismo tem ressurgido em todos os poros da sociedade burguesa e servido de instrumento da burguesia para impor uma violenta ofensiva do capital, desfazer conquistas na limitada democracia burguesa, destroçar as resistências e organizações proletárias e revolucionárias, canalizar demagogicamente a revolta difusa na massa para objetivos reacionários e mobilizar setores inteiros para a corrida armamentista e os esforços de guerras imperialistas que atravessam o mundo.

Como no passado, o reformismo convive, alterna e mesmo se alia com tais forças na gestão burguesa. Além disso, o reformismo e o oportunismo são, eles próprios, jogados cada vez mais à direita por essa tendência do sistema imperialista, inclusive dirigindo com louvor a mesma ofensiva de classe que o fascismo visa cumprir sob formas específicas. Não por acaso, também como dizia Lênin, “a luta contra o imperialismo é uma frase oca e falsa se não for indissoluvelmente ligada à luta contra o oportunismo”.

Mais especificamente no Brasil, o bolsonarismo, suas lideranças e ideólogos, possui uma longa linhagem reacionária e autoritária e representa uma continuação, sob novas formas organizacionais, de forças fascistas presentes no Brasil desde as décadas de 1930-40. Além disso, herda e se vincula aberta e organicamente ao golpismo e à herança ditatorial das corporações militares e de alas burguesas e pequeno-burguesas que construíram a ditadura militar de 1964-85. Suas marcas políticas e ideológicas são um radical anti-comunismo e uma oposição feroz às conquistas e organizações dos trabalhadores, a proteção sem rodeios dos interesses da burguesia, a submissão ao imperialismo ianque, além da defesa de formas mais autoritárias e repressivas de dominação burguesa e de valores reacionários e racistas.

terça-feira, 30 de junho de 2026

CUBA: Mudanças econômicas adotadas representam sérios riscos

Na semana passada, a liderança cubana prosseguiu com importantes reformas econômicas e sociais (um total de 176 medidas organizadas em 23 categorias). Após uma sessão extraordinária do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, a Assembleia Nacional aprovou medidas que afetam todos os setores da economia.

Publicado em Rizospastis, órgão do CC do Partido Comunista da Grécia (KKE)

30 de junho de 2026



Na semana passada, a liderança cubana prosseguiu com importantes reformas econômicas e sociais (um total de 176 medidas organizadas em 23 categorias). Após uma sessão extraordinária do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, a Assembleia Nacional aprovou medidas que afetam todos os setores da economia. Estas foram apresentadas como resposta à situação extremamente difícil criada pelo brutal embargo dos EUA, em vigor há mais de 60 anos, e, em particular, pelo bloqueio energético imposto desde janeiro deste ano, que tem exercido imensa pressão sobre o povo cubano.

As medidas aprovadas dão continuidade às diretrizes e reformas adotadas após o 6º Congresso do Partido Comunista de Cuba, em 2011. Um ponto central é a promoção do investimento de capital privado estrangeiro em todos os setores da economia e a adoção de mecanismos de mercado como meio de alocação de recursos. Entre as mudanças mais significativas, destacam-se: as empresas estatais terão maior autonomia e, assim como as empresas privadas, poderão ser convertidas em sociedades anônimas, enquanto todas as entidades — incluindo pessoas físicas e investidores estrangeiros — poderão deter ações em quantas empresas desejarem.

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