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quinta-feira, 5 de março de 2026

O circo chegou

 Ney Nunes


 

Este ano teremos circo, quer dizer, teremos eleições. Um espetáculo que tem dono, a burguesia. E o dono controla todo o processo, garantindo que a gerência política do Estado burguês continue em mãos hábeis e confiáveis aos seus interesses de classe. E para obter sucesso nessa empreitada, a burguesia prepara o terreno muito antes de armar a barraca do circo. Em suas mãos estão o judiciário, o congresso e o governo, além disso, conta com o monopólio da mídia, o poder econômico dos grandes monopólios empresariais e, se tudo falhar, tem a garantia das forças armadas e policiais. 

No picadeiro os atores principais se esforçam para dar credibilidade ao espetáculo. Inventaram até uma rede de proteção fantástica, o tal fundo eleitoral, que seria uma garantia contra o abuso do poder econômico nas eleições, mas na verdade é a forma de fazer campanha com dinheiro público, que falta para as necessidades básicas da população. Esse dinheiro fica concentrado nos partidos majoritários no congresso, os dez maiores recebem oitenta e quatro por cento desses recursos, (1), garantindo assim a continuidade do seu controle.

No teatrinho do circo os atores candidatos aparecem como adversários, muitas vezes raivosos, vociferando acusações e promessas para a plateia. Mas, na verdade, nos bastidores fazem os entendimentos necessários para manter a ordem burguesa em funcionamento. É dessa forma que, entra eleição, sai eleição, os problemas que a grande maioria do povo enfrenta vão se agravando. O teatrinho eleitoral não se destina a resolvê-los, mas sim, a iludir o povo, fazendo crer na possibilidade de soluções e melhorias mantendo o sistema capitalista a que estamos submetidos.

Nesse teatro de horrores e comédia do circo eleitoral burguês, os atores principais querem fazer a plateia acreditar que estão disputando o poder, quando o poder está concentrado nas mãos dos monopólios empresariais. Eles sabem muito bem que disputam apenas a gerência do Estado burguês, nada além disso. O vencedor vai ter que comer na mão do dono do circo, a burguesia. Caso vacilem no cumprimento dos interesses burgueses, logo são defenestrados por manobras parlamentares ou golpes de Estado.

Papel deprimente cumprem também os atores coadjuvantes, a chamada "esquerda radical". Partidos que se dizem socialistas, comunistas, mas estão imersos na institucionalidade burguesa. Com influência eleitoral cada vez mais reduzida, alguns não chegam a 1% nas votações, correm açodados para lançar seus candidatos e participar do circo eleitoral, buscando eleger parlamentares para manter seus diminutos espaços no gueto da pequena-burguesia. O resultado dessa linha política oportunista é justamente o contrário do que pregam na sua retórica radical, acabando por legitimar processos eleitorais antidemocráticos e fortalecendo a hegemonia burguesa.

Diferentemente dessa comportada "esquerda radical", cabe ao comunismo revolucionário desmoralizar o circo, levantar a plateia e chutar o pau da barraca! Denunciar a farsa da democracia burguesa, do controle absoluto pelos donos do poder, que são os monopólios empresariais da indústria, comércio, serviço e finanças. São eles que determinam, com grande antecedência, quais partidos e candidatos são viáveis de acordo com seus interesses para exercer a gerência governamental.

É decisivo caminhar junto com o proletariado estimulando a auto-organização e a luta sem tréguas contra a exploração capitalista, defendendo a insubordinação contra o Estado burguês e suas injustiças. Sem essas premissas, como já ficou demonstrado, qualquer participação eleitoral serve apenas para jogar água no moinho da burguesia, prorrogando ad aeternum sua dominação.

(1)https://www.fundacao1demaio.org.br/artigo/fundo-especial-de-financiamento-de-campanha-projecao-de-distribuicao-aos-partidos-politicos-eleicoes-2026/

Edição: Página 1917

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