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domingo, 17 de maio de 2026

O criadouro do fascismo é o capitalismo

Por  Ney Nunes*


Muitos indagam com perplexidade: como a extrema direita cresceu tanto a ponto de ganhar o peso político-social que alcançou na atual conjuntura brasileira? O que teria acontecido para favorecer tal desenvolvimento? A "democracia" instaurada com a constituição de 1988 estaria ameaçada pelo fascismo? Só poderemos responder adequadamente a estas preocupações se buscarmos as determinações estruturais por trás da superfície dos fatos da politicagem burguesa.

Já são quase quarenta anos vivendo sob o regime político democrático burguês, onde o que prevalece é a alternância de governos que funcionam como gerentes do capital e se equilibram entre os interesses das diversas facções burguesas. Essa situação é agravada pela crise capitalista que esses governos administram sempre jogando as consequências nas costas da classe trabalhadora e das massas populares. 

As seguidas derrotas como as reformas da previdência e trabalhista, as privatizações e a precarização do trabalho contribuíram pesadamente para a desmoralização e ceticismo da classe trabalhadora, mergulhada cada vez mais na desorganização e no individualismo. Tudo potencializado por uma ofensiva ideológica burguesa realizada através do governo, parlamento, judiciário, empresas, escolas e oligopólios midiáticos, auxiliados pelo crescimento exponencial da influência das seitas pentecostais. Todos, de forma articulada, trabalham diuturnamente pelo retrocesso na consciência de classe e no fomento das expectativas de saídas individuais por dentro do capitalismo.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Guerra contra o Irã: capricho de Trump ou parte da estratégia do imperialismo americano?

Por Eliseos Vagenas, membro do CC do KKE e diretor da Seção de Relações Internacionais do CC.

Data:
09/05/26


Os desdobramentos críticos na região do Golfo Pérsico, marcados pelo ataque militar dos EUA e de Israel contra o Irã, que começou em 28 de fevereiro, lançaram sua sombra sobre os acontecimentos globais.

Todos os meios de comunicação e analistas burgueses tentam adivinhar: "Trump atacará novamente ou não?". Essa abordagem, contudo, deixa de lado aspectos importantes dos planos imperialistas e cultiva a percepção equivocada de que os povos são reféns de uma personalidade (Trump) que pode não se manter firme em sua lógica. A realidade, porém, é que por trás das análises psicanalíticas da personalidade do magnata americano e atual presidente do país, silenciam-se os planos criminosos do imperialismo estadunidense.

terça-feira, 12 de maio de 2026

Trabalho proletário: origem de toda riqueza na sociedade capitalista

Sergio Lessa*




[...] Em uma sociedade em que as pessoas contam com dinheiro em suas carteiras, é possível que um burguês, através de uma "fábrica de ensinar", se enriqueça vendendo as aulas dos professores que ele explora. A questão que se impõe é de onde viria, qual a origem do dinheiro que está no bolso dos pais dos alunos. Ou, colocando em outra palavras, como a riqueza produzida pelo proletariado se esparrama por todo o tecido social, possibilitando que, em um dado momento da reprodução da sociedade burguesa, compareça sob a forma dinheiro no bolso dos pais dos alunos?

Já vimos que o trabalho proletário, ao converter a substância natural (ou a matéria-prima) em uma mercadoria, produz um novo quantum de riqueza. O tempo de trabalho "cristalizado" (Marx, 1983:48) no corpo da nova mercadoria significa que um novo "conteúdo material" de riqueza foi gerado e que a sociedade teve acrescida, ao "capital social global" já existente, uma nova parcela. Capital foi "produzido". Ao converter em carro uma chapa de aço, o tempo de tabalho dispendido pelo proletário se consubstancia em uma "coisa" (Ding) (Marx, 1983: 46) que é, agora, portadora objetiva de uma nova quantidade de riqueza, antes inexistente. É por essa mediação que, ao transformar a natureza, o proletário "produz" o "capital".

sábado, 9 de maio de 2026

A Base Material de um Espectro: Por que a Juventude Chinesa Está Redescobrindo Mao

Por

04/2026

Pôster de Mao Tsé-Tung e Lin Biao Cartaz de Mao Zedong e Lin Biao (por volta de 1967). Crédito: 人民画报 - 《人民畫報》1967年, Domínio Público, Link .
*Yinhao Zhang  é  doutor pelo Departamento de Estudos Asiáticos da Universidade de Adelaide e administra uma popular conta nas redes sociais sobre teoria marxista e história revolucionária chinesa.

O Retorno de um Espectro

Um espectro assombra a China: Mao Tsé-Tung. Não se trata da imagem fossilizada do fundador da nação encontrada nas histórias oficiais do partido, mas de uma ideia viva e pulsante redescoberta pela juventude do país. As evidências desse ressurgimento são inesperadas e inegáveis, e seu palco mais dramático são as universidades de elite da China, onde se cultiva a liderança política, acadêmica e empresarial do país.

Para compreender a importância dessa mudança, é preciso primeiro entender o clima intelectual que ela substituiu. Durante décadas após o início das reformas de mercado em 1978, e apesar de uma visão positiva persistente de Mao e da Revolução Cultural entre muitos trabalhadores e camponeses, a atitude predominante em relação a Mao entre a classe instruída era de profundo ceticismo. Uma pesquisa oficial de 1993, realizada em conjunto por diversos órgãos de pesquisa do Partido e do Estado, fornece uma medida clara desse sentimento. Quando os entrevistados foram solicitados a avaliar Mao, apenas 8% dos intelectuais seniores acreditavam que seus méritos superavam seus defeitos, enquanto impressionantes 67% tinham a opinião oposta. Entre professores e alunos universitários, 40% acreditavam que seus defeitos eram maiores, mais do que os 34% que concordavam com o veredicto oficial de “70% bom, 30% ruim”. Além disso, quando essas mesmas elites foram questionadas sobre a “febre de Mao” que já surgia entre as massas na época, uma esmagadora maioria — entre 63 e 72% dos entrevistados — a descartou como um fenômeno “anormal”, considerando-a produto da ignorância popular.²  Essa visão prevaleceu entre a elite intelectual após 1978: Mao era uma figura do passado cujo legado era visto como um obstáculo à modernização.

Em 2006, a maré começou a virar. Uma pesquisa na Universidade Sun Yat-sen, uma instituição de prestígio, revelou uma mudança geracional. Entre os estudantes nascidos durante o boom econômico, o consenso de 1993 havia enfraquecido significativamente. Agora, 47% acreditavam que os méritos de Mao superavam seus defeitos, enquanto apenas 6% tinham a opinião contrária. Essa era uma reavaliação discreta, no entanto, e não um endosso completo de todo o seu projeto político. Os mesmos estudantes continuavam sendo extremamente críticos da Revolução Cultural, com quase 90% considerando-a negativa. Eles estavam começando a separar Mao, o construtor da nação, de Mao, o radical.

domingo, 19 de abril de 2026

Marxismo sem estudo, revolução sem organização: a armadilha digital

Por: Guillermo Uc


As contradições do capitalismo se intensificam constantemente e, como consequência, mergulham um grande número de jovens na pobreza e na incerteza quanto ao futuro. Inevitavelmente, essas condições levam a juventude proletária a se aproximar das ideias do marxismo-leninismo e a buscar formação dentro dessa corrente. Contudo, o capital está ciente disso e utiliza uma de suas ferramentas de dominação ideológica, as redes sociais, não apenas para lucrar com essa ideologia, mas também para introduzir distorções burguesas nos ideais do socialismo.


Um excelente exemplo disso é o número sem precedentes de influenciadores que, sob o disfarce de “marxistas” ou “comunistas”, criam conteúdo para as redes sociais, produzindo vídeos curtos e visualmente impactantes, onde a forma prevalece sobre o conteúdo. Esses vídeos são direcionados especificamente a um público jovem, pouco acostumado ao estudo rigoroso e, portanto, suscetível a consumir esse tipo de conteúdo. No entanto, é preciso perguntar: quem financia a produção desses materiais? Quais são seus interesses? O conteúdo teórico é supervisionado por alguma organização marxista-leninista? Ou simplesmente reflete as interpretações individuais do intelectual que aparece diante das câmeras?

Uma breve análise desses vídeos, infográficos e publicações em geral fornece uma resposta clara: longe de oferecerem uma teoria sólida, contêm sérios desvios teóricos, típicos do oportunismo. Entre eles, destacam-se a promoção do chamado "socialismo de mercado", a caracterização da China como um país "socialista", o uso de categorias como "império", "globalização" e "neoliberalismo", o apoio político ao movimento do chamado "socialismo do século XXI", uma mistura de chauvinismo e parafernália socialista e uma vulgarização de elementos filosóficos marxistas. Além disso, para se apresentarem como pensadores "inovadores" que desenvolvem o marxismo, inventam uma série de conceitos e categorias "totalmente novos", mas estes são vazios de conteúdo. Há tudo, menos marxismo-leninismo sério.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Cuba na encruzilhada do multilateralismo hipócrita

 Por Josué Veloz Serrade

17/03/2026

Combatentes cubanos celebram vitória contra a invasão da Baia dos Porcos


O cerco perfeito: quando a asfixia se torna política.

A atual crise energética em Cuba não é um acidente da natureza nem uma mera falha de infraestrutura. É o culminar de um cerco geopolítico orquestrado cirurgicamente ao longo de seis décadas. O que a ilha vivencia hoje é a convergência letal da guerra econômica tradicional — o bloqueio — e um novo contexto internacional em que os atores que deveriam equilibrar a balança optaram pelo que poderíamos chamar de geopolítica minimalista.

Cuba não enfrenta apenas a hostilidade do império, mas também o abandono silencioso daqueles que, em teoria, deveriam desafiar a ordem unipolar.

Mas antes de analisar as coordenadas geopolíticas, é necessário examinar o mapa psíquico subjacente a esta situação. Porque o que está acontecendo com Cuba não é apenas um problema de equilíbrio de poder; é também um problema de desejo, de um fantasma político, daquilo que Freud chamou de Verneinung , a negação como forma de reconhecimento velado. Aqueles que abandonam Cuba negam-na, mas ao negá-la, confirmam-na e, sobretudo, confirmam aquilo que negam sobre si mesmos. O bloqueio existe porque Cuba continua a desafiar, permanece um sintoma incômodo dentro do sistema capitalista global. Se Cuba não representasse nenhuma ameaça real, bastaria ignorá-la. O fato de ter de ser destruída demonstra que a sua mera existência continua intolerável à ordem do Mestre.

A questão que paira sobre este texto pode irritar mais de uma pessoa, mas é necessária: o que resta da solidariedade internacional quando gestos simbólicos substituem ações concretas? O que significa realmente apoiar Cuba quando o cerco se aperta e a asfixia se torna palpável? E, sobretudo: o que isso revela sobre as forças geopolíticas que afirmam desejar um mundo diferente, o fato de serem capazes de assistir a essa asfixia sem mover um dedo?

segunda-feira, 30 de março de 2026

Lenin contra o etapismo democrático

Francisco Martins Rodrigues

Excerto do terceiro capítulo do livro Anti-Dimitrov: 1935-1985, meio século de derrotas da revolução.

Lenin em seu escritório.


A luta pela democracia

As justificações “bolcheviques” e “leninistas” em torno do governo de frente única destinavam-se apenas a dourar a pílula amarga. A essência da nova política era a retirada para as trincheiras da democracia burguesa.

Hoje, numa série de países capitalistas disse Dimitrov, naquela que é a frase-chave, do seu relatório “as massas trabalhadoras têm que escolher concretamente e para já, não entre a ditadura do proletariado e a democracia burguesa, mas entre a democracia burguesa e o fascismo.” [1]

Assim, dando como inexistente a terceira alternativa – por que não escolher entre fascismo e ditadura do proletariado? – Dimitrov amarrou os partidos à inevitabilidade da defesa reformista da democracia.

O argumento último desta lógica, não confessado, mas insinuado, era a impotência do proletariado para fazer a revolução:

O fundo da questão reduz-se a saber se o proletariado se encontra preparado no momento decisivo para derrubar imediatamente a burguesia e instaurar o seu poder, e se consegue nesse caso conquistar o apoio dos seus aliados, ou se apenas o movimento de frente única se encontrará à altura, na etapa dada, de esmagar ou derrubar o fascismo, sem passar imediatamente à liquidação da ditadura da burguesia. [2]

E como o proletariado podia não estar preparado no momento decisivo, e como, mesmo se o estivesse, podia não conquistar o apoio dos seus aliados – o mais seguro era optar pela frente única, para derrubar o fascismo sem se meter a querer derrubar a burguesia.

sexta-feira, 13 de março de 2026

Quatro Anos Sob o Olhar Voraz da Morte

 Partido Comunista da Grécia (KKE)

27/02/2026




O conflito no leste da Ucrânia não foi uma surpresa para o KKE. Ele marcou o início de um confronto que vinha se gestando há tempos — meticulosamente preparado na panela de pressão do choque de poderosos interesses — e é uma consequência direta da restauração capitalista que levou à dissolução da União Soviética. Vale lembrar que, na época, todo o espectro do establishment político grego, da extrema direita à chamada “esquerda renovada” — com exceção do KKE — proclamava que “os caminhos da paz e da prosperidade” estavam se abrindo para os povos.

A longa sequência de guerras — Iugoslávia, Afeganistão, Iraque, Líbia, Síria, Sudão, Ucrânia, Irã e outras — juntamente com as crises capitalistas que se seguiram, confirmou claramente quem estava certo em suas previsões.

segunda-feira, 9 de março de 2026

Venezuela: o fim do jogo

Michael Roberts

17 de fevereiro de 2026

"O capital privado continuou a dominar a Venezuela durante as presidências de Chávez e Maduro. A esmagadora maioria dos meios de produção permaneceu nas mãos da esfera privada e da classe capitalista. De fato, sob Chávez, entre 1999 e 2011, a participação do setor privado na atividade econômica aumentou de 65% para 71%. A produção e a distribuição da maioria dos bens e serviços, incluindo setores-chave como as principais operações de importação e processamento de alimentos, produtos farmacêuticos e autopeças, ainda são controladas pelo setor privado."


O secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum e Delcy Rodriguez presidente da Venezuela.


O sequestro do presidente venezuelano Maduro e de sua esposa pelas forças militares dos EUA, a subsequente tomada de poder pela vice-presidente Rodríguez e seu acordo para permitir que os EUA controlassem as receitas de exportação de petróleo da Venezuela e para atrair multinacionais americanas do setor energético para investir – tudo isso sinaliza o desfecho da revolução chavista que começou há mais de 25 anos. Portanto, é muito oportuno que um novo livro tenha sido publicado sobre o que aconteceu na Venezuela para chegar a esse ponto.

Intitulado Venezuela em Crise e publicado pela Haymarket Books, este livro reúne “alguns dos mais importantes pensadores marxistas, socialistas e anticapitalistas da Venezuela, representando uma gama de tradições e organizações políticas de esquerda”.   Esses autores de língua espanhola foram traduzidos para que falantes de inglês possam ler os argumentos e as experiências daqueles que se encontram na esquerda venezuelana. Alguns dos colaboradores fizeram parte do gabinete de Chávez e agora se tornaram críticos do governo Maduro. “Levar essas vozes a um público de língua inglesa permitirá que os leitores se envolvam com os debates e perspectivas atuais da esquerda venezuelana”.

quinta-feira, 5 de março de 2026

O circo chegou

 Ney Nunes


 

Este ano teremos circo, quer dizer, teremos eleições. Um espetáculo que tem dono, a burguesia. E o dono controla todo o processo, garantindo que a gerência política do Estado burguês continue em mãos hábeis e confiáveis aos seus interesses de classe. E para obter sucesso nessa empreitada, a burguesia prepara o terreno muito antes de armar a barraca do circo. Em suas mãos estão o judiciário, o congresso e o governo, além disso, conta com o oligopólio midiático, o poder econômico dos grandes grupos empresariais e, se tudo falhar, tem a garantia das forças armadas e policiais. 

No picadeiro os atores principais se esforçam para dar credibilidade ao espetáculo. Inventaram até uma rede de proteção fantástica, o tal fundo eleitoral, que seria uma garantia contra o abuso do poder econômico nas eleições, mas na verdade é a forma de fazer campanha com dinheiro público, que falta para as necessidades básicas da população. Esse dinheiro fica concentrado nos partidos majoritários no congresso, os dez maiores recebem oitenta e quatro por cento desses recursos, (1), garantindo assim a continuidade do seu controle.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Na declaração dos capituladores do governo a palavra imperialismo desaparece.

Por José Antonio Hernández*, 03/03/2026.

"O que chama a atenção não é apenas o que o texto diz, mas o que omite: não há qualquer menção ao imperialismo, nem uma condenação explícita da potência imperialista que, durante meses, interveio militarmente no país, sequestrou o seu presidente e reconfigurou o seu aparelho estatal. O mesmo imperialismo que apoiou o genocídio em Gaza."


O chefe imperialista e sua nova serviçal.


Marxismo e agressão imperialista contra o Irã

Em 28 de fevereiro de 2026, a liderança submissa do governo publicou uma declaração sobre o ataque dos EUA e de Israel ao Irã, sem jamais usar a palavra imperialismo ou apontar diretamente para a potência imperialista agressora que transformou a Venezuela em uma colônia de fato. A declaração condena os ataques e "lamenta profundamente" a abordagem militar adotada em meio às negociações, ou, para ser mais preciso, à chantagem; lamenta as baixas civis, expressa consternação com as mortes de meninas em uma escola primária iraniana e apela para a "solução pacífica de disputas" e o respeito à Carta das Nações Unidas. Chamam uma ameaça imperialista de "controvérsia". A ameaça do imperialismo contra Cuba é uma controvérsia? A agressão dos EUA contra a Venezuela em 3 de janeiro foi uma controvérsia ou uma intervenção imperialista?

Essa linguagem não é ingênua. Quando uma potência imperialista utiliza bombardeios, sanções e força militar, não estamos diante de uma disputa entre iguais, mas sim da imposição violenta de interesses imperialistas. Chamar isso de qualquer outra coisa é obscurecer a relação de dominação.

O que chama a atenção não é apenas o que o texto diz, mas o que omite: não há qualquer menção ao imperialismo, nem uma condenação explícita da potência imperialista que, durante meses, interveio militarmente no país, sequestrou o seu presidente e reconfigurou o seu aparelho estatal. O mesmo imperialismo que apoiou o genocídio em Gaza.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Epstein, Barak, Chomsky e os outros: a eugenia da elite

Além de ser um estuprador de mulheres e meninas e um chantagista em série, Jeffrey Epstein era um ideólogo da superioridade racial. Com seu círculo de interlocutores, ele perseguia uma visão eugenista.

Chomsky e Epstein

Tahar Lamri*

Este não é um escândalo como qualquer outro. Os arquivos de Epstein — milhares de páginas de e-mails, transcrições e gravações de áudio divulgadas entre o final de 2025 e fevereiro de 2026 — de fato falam de poder, dinheiro e violência sexual. Mas eles também, e talvez acima de tudo, falam de um pensamento que circula entre as mentes mais brilhantes da academia e da política ocidental: um pensamento sobre a hierarquia humana, a qualidade do material biológico, a possibilidade — aliás, a necessidade — de selecionar, controlar e  aprimorar  a composição das populações. Em uma palavra: eugenia. Só que ninguém a chamou assim.

A gravação de uma conversa entre Ehud Barak, ex-primeiro-ministro israelense, Jeffrey Epstein e o ex-secretário do Tesouro dos EUA, Larry Summers – com três horas e meia de duração, privada e aparentemente de 2015 – tornou-se a porta de entrada para esse universo.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Confusão ideológica em meio às tempestades das guerras imperialistas

Eliseos Vagenas

Diretor da Seção de Relações Internacionais do CC do KKE

Sobre as posições anti-históricas dos representantes da "esquerda" europeia e da chamada "Plataforma Mundial Anti-Imperialista"

18 de fevereiro de 2026


Os recentes acontecimentos na Venezuela e no Irã refletem uma escalada da agressão imperialista dos EUA nas regiões mais amplas da América Latina, Caribe e Golfo Pérsico, alertas que o KKE emitiu aos povos em tempo oportuno.

Nosso Partido rejeitou os falsos pretextos dos imperialistas de “restaurar a democracia”, destacando, em vez disso, as verdadeiras causas subjacentes. No caso da Venezuela, o conflito centra-se no controle dos recursos energéticos e na dominância geopolítica na região, impulsionada pela competição dos EUA com a Rússia e a China. Da mesma forma, em relação ao Irã, o KKE destacou que o verdadeiro objetivo é impor os planos imperialistas de Israel e dos EUA na região em geral, vinculando os acontecimentos atuais à criação do espaço econômico e geopolítico do “Novo Oriente Médio” e à implementação do “Corredor Índia-Oriente Médio-Europa” (IMEC), em oposição à “Iniciativa Cinturão e Rota” da China e aos planos do Irã.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Venezuela: Treze pontos-chave para entender o que está em jogo com a reforma da Lei dos Hidrocarbonetos

 André Izarra*

28/01/26



1. O que é a Lei dos Hidrocarbonetos Orgânicos e porque é que ela é importante?

É a lei que regula a forma como o petróleo é explorado, produzido, comercializado e distribuído na Venezuela. Define quem pode extraí-lo, em que condições, quanto resta para o país e quanto para as empresas e onde os conflitos são resolvidos.

O petróleo representa mais de 90% das exportações venezuelanas. É literalmente o único activo estratégico que o país tem para financiar a sua reconstrução. A lei que o regula determina se essa riqueza beneficia os venezuelanos ou outros.

2. O que muda com a reforma que está sendo aprovada?

As mudanças fundamentais são cinco:

a) Quem opera: Anteriormente, a PDVSA precisava ter controle operacional. Agora, o parceiro privado minoritário pode assumir completa “gestão técnica e operacional”.

b) Quem vende o petróleo: Antes, apenas a PDVSA poderia comercializar o petróleo bruto. Agora, as empresas privadas podem “realizar marketing direto” e administrar fundos em contas bancárias no exterior.

c) Quanto recebe a Venezuela: Os royalties – o que pagam aqueles que extraem petróleo pelo direito de extraí-lo – são reduzidos de 30% para 20% nos contratos de serviços e até 15% nas empresas mistas. Isso significa bilhões de dólares a menos para o país a cada ano.

d) Onde os conflitos são resolvidos: Antes, nos tribunais venezuelanos. Agora, através de “arbitragens independentes” – isto é, tribunais internacionais onde a Venezuela está subordinada às capacidades políticas de terceiros.

e) Quem aprova os contratos: Anteriormente, a Assembleia Nacional tinha que aprová-los. Agora, ela será apenas “notificada”.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Georges Abdallah: “Juntos, somente juntos venceremos”

Por Lisandro Brusco / Masar Badil / Middle East Summary, 12 de janeiro de 2026.

Georges Abdallah


Beirute (18/12/2025). Entrevista conduzida por um camarada do Masar Badil Argentina com Georges Abdallah.

No dia 18 de dezembro de 2025, na cidade de Beirute (Líbano), juntamente com camaradas do Masar Badil (Movimento Palestino pela Rota Revolucionária Alternativa), tivemos a oportunidade de conversar e entrevistar Georges Ibrahim Abdallah.

Georges Ibrahim Abdallah é um militante comunista, anti-imperialista, antissionista e internacionalista nascido no Líbano em 1951. Até hoje, Georges permanece um fedayeen (um combatente), um “pecado” que o sistema capitalista jamais perdoou. Apesar de ter passado 41 anos preso na França, torturado e mantido em confinamento solitário, e de ter sido libertado em julho de 2025 e
deportado para o Líbano, ele continua a afirmar que sua identidade é a de um militante revolucionário: “Na realidade, eu era um militante dentro da prisão. Nunca fui um prisioneiro que aspirava a se tornar um militante; eu sou um militante e, como tal, luto mesmo em condições excepcionais…”

A vida de Georges Ibrahim Abdallah é a história de um jovem libanês que se juntou às fileiras da revolução palestina e global ainda muito jovem.
Conta a história da revolução palestina no Líbano, a revolução que começou após 1967 e que, infelizmente, foi interrompida por uma liderança política palestina que capitulou; mas que continuou com novas gerações de palestinos em Gaza, na Cisjordânia, em Jerusalém, na Palestina de 1948 e na diáspora. A história de Georges não começou com sua prisão em 1984, mas muito antes disso. As décadas de 1960 e 70 foram aquelas em que a identidade política internacionalista de Georges foi forjada.
As mobilizações massivas contra a Guerra do Vietnã, os movimentos estudantis e sociais de 1968, a mensagem de Ernesto Che Guevara na Conferência Tricontinental de 1967, as lutas de libertação nacional e muito mais convergiram na formação militante de um camarada internacionalista que, até hoje, mantém as mesmas convicções.
O mundo mudou, mas os ideais e a força de George Abdallah permanecem os mesmos. Ele ainda se apega à essência do projeto revolucionário de libertação árabe, que tem a Palestina como seu centro: “A libertação da Palestina tem valor histórico e estratégico: é a alavanca histórica do processo revolucionário árabe.”

Entrevistador: Para nós, sua história é um exemplo: quarenta e um anos na prisão sem que seus ideais fossem abalados. Como você conseguiu mantê-los?

Georges: Na verdade, eu era ativista enquanto estava na prisão. Nunca fui um prisioneiro aspirando a ser ativista; sou um ativista e, como tal, luto mesmo em condições excepcionais, como as do cativeiro. A questão central para mim sempre foi a luta; minha situação pessoal é secundária. Na medida em que minha situação me permite afirmar a luta, sinto que estou em uma posição adequada. Foi assim que aconteceu.
Minhas convicções foram sustentadas pela prática diária, ao lado de camaradas que me procuraram consistentemente ao longo de 41 anos. A solidariedade comigo era entendida como um meio de se unir à luta ao lado do povo palestino e suas massas, e também como uma forma de expressar a posição das massas palestinas dentro da luta na França. Quando os trabalhadores se mobilizam para exigir melhorias em suas condições ou para expressar posições políticas, aqueles que demonstram solidariedade comigo participam diretamente das mobilizações da CGT (Confederação Geral do Trabalho da França) e de outras organizações sindicais. Eu participava regularmente — aproximadamente uma vez por mês, ou a cada 20 ou 25 dias — dessas mobilizações. Nas manifestações, alguns camaradas assumiram a tarefa de discursar, e assim as minhas palavras, enquanto militante palestino e árabe preso, foram lidas por um deles. Dessa forma, o tempo passou dentro do contexto da luta, e não fora dela. Quando fui libertado, a decisão judicial baseou-se num argumento jurídico fundamental: que a minha prisão continuada prejudicava a segurança nacional mais do que a minha liberdade. Com base nisso, a minha libertação foi concedida. A minha presença na prisão foi, portanto, uma presença militante. Eu relacionava-me com o cativeiro a partir da perspectiva das condições e princípios da luta, e não como um fim em si mesmo. Eu não estava na prisão para exigir melhorias pessoais, nem para exigir a minha libertação, nem para proclamar a minha inocência. Essa lógica é inaceitável para mim. Perante os tribunais, respondi à questão central, relativa às operações estrangeiras em França e na Europa. Não há provas que me incriminem. O que me criticam é a minha posição política. Afirmei que essas operações militares eram justificadas e deveriam continuar, não apenas na França, mas em todo o mundo, especialmente nas regiões que constituem o cerne do sistema imperialista, o mesmo sistema que está em guerra contra o nosso povo. Não apenas hoje, mas desde a década de 1980. Hoje, essa realidade é ainda mais profunda.

A posição e a atitude do KKE em nossa região, na Europa e em todo o mundo, em um contexto de correlação negativa de forças, preparativos de guerra e guerra imperialista.

Trecho do Relatório do Comitê Central do KKE ao 22º Congresso , que foi aprovado por unanimidade pelos seus delegados.




Trinta e cinco anos após a contrarrevolução, a queda do socialismo e a restauração capitalista na União Soviética e em outros estados socialistas, o KKE continua a lutar firmemente em condições adversas, marcadas por uma correlação desfavorável de forças em nível internacional. A vitória da contrarrevolução e o estudo de suas causas confirmam a importância da teoria do comunismo científico, fortalecendo a capacidade do Partido de liderar a luta contra a burguesia. Ao mesmo tempo, o domínio do capitalismo em todo o mundo cria as condições para expor sua verdadeira natureza, incluindo o mito de sua invencibilidade. Estamos firmemente convencidos de que o capitalismo não é invencível; pelo contrário, é abalado por contradições insuperáveis. É um sistema explorador incapaz de atender às necessidades do povo, gerando pobreza, desemprego, crises e refugiados. O capitalismo é o inimigo do povo, indissoluvelmente ligado à competição e às guerras imperialistas travadas na busca de lucros monopolistas, controle sobre os mercados e recursos naturais, reservas de energia, rotas de transporte de mercadorias e a intensificação da exploração dos trabalhadores e dos povos.

domingo, 25 de janeiro de 2026

O Clube dos Poucos Sortudos

Artigo publicado na coluna "Nossa Opinião" do jornal Rizospastis do Partido Comunista da Grécia (KKE), em 20 de janeiro de 2026.

O povo da Venezuela é “sortudo”. Seu país possui as maiores reservas de petróleo do mundo e está situado sobre uma verdadeira mina de ouro — uma que poderia garantir a autossuficiência energética e muito mais, além de fornecer combustível e eletricidade baratos para sua população.


Groelândia: recursos minerais e localização estratégica na mira do imperialismo.


O povo da Groenlândia também é “afortunado”. Seu país detém vastas reservas de terras raras, cruciais na era das novas tecnologias. Sua posição geográfica o torna um ator fundamental na exploração das riquezas do Ártico e na abertura de novas rotas marítimas, à medida que o derretimento do gelo coloca o corredor norte em foco.

O povo da Ucrânia também teve “sorte”. O país é conhecido como o “celeiro da Europa”, com enorme capacidade produtiva que poderia garantir a segurança alimentar e o fornecimento de produtos baratos e de alta qualidade. Sua extensa rede de gasodutos faz da Ucrânia um polo energético, enquanto sua posição geográfica “altamente cobiçada” e o extenso litoral do Mar Negro aumentam sua importância estratégica.

Nos últimos dias, esses países têm dominado os acontecimentos internacionais.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Antonio Gramsci e os golpes "que menos podia esperar"

Antonio Gramsci (Ales, 22-01-1891 – Roma, 27-04-1937)


Em 22 de janeiro de 2026 celebramos os 135 anos do nascimento do comunista revolucionário italiano Antonio Gramsci. O tempo não apagou seu legado, que continua alimentando a luta pela emancipação do proletariado contra a exploração capitalista em todo o mundo!

Gramsci, nesta carta de 1930, ainda que de forma sutil, como não poderia deixar de ser face a situação que se encontrava, provavelmente se referia aos golpes, por ele inesperados, vindos dos seus próprios camaradas do PCI e da Internacional Comunista, na época já obedientes ao grupo dirigente que dominou completamente o PCUS após a morte de Lenin.

Penitenciária de Turi, 19 de maio de 1930.

Querida Tania,

[...] Você, creio, nunca refletiu bastante sobre o meu caso e não o sabe decompor em seus elementos. Eu me encontro submetido a vários regimes carcerários: o primeiro consiste nas quatro paredes, nas grades, nas bocas de lobo, etc.; etc.; já estava previsto por mim como possibilidade subordinada, porque a principal, de 1921 a novembro de 1926, não era a prisão, mas perder a vida. O que não tinha sido previsto por mim era o outro cárcere, que se acrescentou ao primeiro e se constitui em ser cortado não só da vida em sociedade, mas ainda da vida familiar, etc., etc.

    Podia prevenir os golpes dos adversários que combatia, mas não os que me seriam infligidos ainda por outros lados, dos quais menos podia esperar (golpes metafóricos, entende-se, mas até os códigos dividem os crimes em atos e omissões; isto é, também as omissões são golpe ou golpes). Eis tudo. [...]

Fonte: Cartas do Cárcere, 2ª edição, 1978, Civilização Brasileira.

Edição: Página 1917


    

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Foi a CIA que nomeou Delcy em vez de María Corina

Oscar J. Camero*

Helicópteros dos EUA sobrevoam livremente Caracas no sequestro de Maduro.

O diretor da CIA, John Ratcliffe, reuniu-se com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, na quinta-feira. Eles conversaram por algumas horas. Uma fonte anônima disse ao The New York Times, nos Estados Unidos, que discutiram inteligência, estabilidade econômica e a necessidade de a Venezuela deixar de ser "um refúgio seguro para adversários dos Estados Unidos, especialmente narcotraficantes.
(Nytimes.com,www.nytimes.com/es/2026/01/16/espanol/estados-unidos/cia-delcy-rodriguez-venezuela.html. Acesso em 17 de janeiro de 2026).

A visita não poderia ter sido mais sinistra. A Venezuela acabara de ser bombardeada pelos Estados Unidos, um evento que resultou no sequestro militar de seu presidente e na morte de 47 soldados venezuelanos e 32 cubanos, estes últimos executados. Em termos materiais, houve destruição de lançadores de mísseis Buk-M2, depósitos, um hospital e centros de comunicação militar (Cerro El Volcán, Observatório de Cagigal, Forte Tiuna, etc.).

Em termos geopolíticos, o país enfrenta a ameaça de um segundo ataque (segundo Donald Trump) para tomar o controle das áreas de produção de petróleo, com consequente perda quantitativa de soberania.

Assim, a reunião não é nada mais do que uma imposição típica de chantagem, mas uma que o aparelho estatal deve digerir em nome do plano do governo: (1) manter a paz, (2) resgatar o casal presidencial e (3) preservar o poder político.

Moralmente, esse contato é monstruoso. O enviado americano, por mais que tente disfarçar politicamente, é um inimigo da pátria bolivariana. É preciso muita coragem para apertar sua mão, assim como deve ter sido preciso para o Imperador Hirohito, em 1945, apertar a mão assassina de seu conquistador, MacArthur.

O funcionário compreende imediatamente a essência da "Operação Determinação Absoluta", concebida principalmente pela CIA. Essa agência liderou a campanha contra a Venezuela e, por fim, por meio de suas operações secretas (infiltração, ciberataques), incutiu em Trump a rejeição de María Machado, o desejo de preservar a liderança institucional de Delcy para evitar o caos e um tratamento preferencial para a Venezuela em comparação com o Iraque em 2003.

Da mesma forma, a CIA considerou o desmantelamento do governo iraquiano e do seu exército, bem como a criação de uma insurgência, um erro. De fato, em meio a esse caos, o Iraque atual não gera receitas petrolíferas.

Com a ajuda de Richard Grenell, a CIA aprimorou a imagem de Delcy: sua disposição para trabalhar em conjunto dissiparia o caos improdutivo que Machado representava. A arrogância de Trump ditava que o "pai" intelectual deveria ser quem abordasse sua "criação".

*Escritor e pesquisador, formado em Letras pela Universidade Central da Venezuela (UCV). 

Fonte: https://www.aporrea.org/tiburon/a348997.html

Edição: Página 1917

sábado, 17 de janeiro de 2026

Aprender a Lidar com os Reformistas*

Francisco Martins Rodrigues

Maio/Junho de 2007

Estão amarrados por mil laços às instituições e, como escreveu uma vez Engels, à força de mentirem ao povo, acabam por acreditar nas suas próprias mentiras”.


[...] Faria incorre, a meu ver, num erro muito comum no que resta da nossa esquerda revolucionária. Esses camaradas discutem com toda a seriedade a linha tática correta que os comunistas deveriam aplicar, como se estes já existissem como força política real. Esquecem – o que é verdadeiramente extraordinário – que não existe, nem sequer em esboço, um campo proletário revolucionário no nosso país. Esquecem que os comunistas dos diversos países, entre os quais nos contamos, ainda estão a procurar reformular um programa e uma linha política no meio dos escombros deixados pela agonia do movimento do século XX.

Em vez de olhar de frente o grande recomeço que nos é imposto pelas transformações da luta de classes mundial, esses camaradas caem numa busca ansiosa de fórmulas táticas que, como por milagre, nos devolvessem a influência passada. Isso não existe. Nada pode substituir a reconstituição do comunismo revolucionário e este só renascerá de uma real vanguarda proletária desejosa de ajustar contas com a burguesia, animada por um projeto de tomada do poder. Nada pode substituir o trabalho direto dos comunistas entre as massas exploradas, pelas suas reivindicações diariamente desprezadas.

E aqui chego o último ponto desta nota. Atribuir aos comunistas, nesta situação caótica, capacidade para tirar proveito de manobras eleitorais é sonhar acordado. Se forças de esquerda, sem programa, sem intervenção política, sem implantação, apelarem ao voto no PCP ou no BE, tornar-se-ão, por muito que não o queiram, simples satélites desses partidos. A ânsia de inverter a relação de forças pelo recurso ao apoio aos reformistas, sem se dispor de forças próprias, conduz em linha reta à capitulação perante o reformismo – eu sei que para Faria este é mais um palavrão “estereotipado”, mas depois de tanta experiência desastrosa não posso dispensá-lo.

*Política Operária nº 110, Maio-Junho 2007

Fonte: https://www.marxists.org/portugues/rodrigues/2007/06/reformistas.htm

Edição: Página 1917

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