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domingo, 16 de agosto de 2026

Contribuição do Partido Comunista da Grécia (KKE) no 24º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários

 (Havana, agosto de 2026)



Gostaríamos de começar agradecendo ao Partido Comunista de Cuba pela organização do 24º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários (EIPCO), apesar das imensas dificuldades impostas ao povo cubano pela intensificação do bloqueio e da agressão dos EUA.
Aqui em Havana, condenamos mais uma vez o longo bloqueio imperialista contra Cuba. Denunciamos todas as novas medidas pelas quais o governo Trump tenta sufocar o povo cubano, em particular o bloqueio energético imposto nos últimos oito meses.
Desde o primeiro momento da vitória da Revolução Cubana em 1959, o KKE tem-se posicionado consistentemente ao lado de Cuba e do seu povo, expressando firmemente a sua solidariedade.”

Caros camaradas,

Os meios diplomáticos estão a tornar-se cada vez menos importantes para os Estados burgueses, e as guerras comerciais e económicas estão a ganhar prioridade; a transição para a chamada economia de guerra está a generalizar-se; os orçamentos e armamentos de guerra estão a aumentar; novos sistemas de armas estão a ser testados e os arsenais nucleares estão a ser modernizados; e, no geral, a preparação dos Estados burgueses para um confronto militar generalizado está a acelerar-se.”

As promessas feitas pelos governos imperialistas e burgueses de que os golpes contrarrevolucionários de 1989-1991 inaugurariam um novo mundo de paz e prosperidade para os povos provaram ser exatamente o oposto da realidade. Em vez disso, trouxeram novas guerras e intervenções imperialistas; intensificação da exploração da classe trabalhadora ao nível internacional; aprofundamento do empobrecimento relativo e absoluto; crises capitalistas cujo peso é suportado pelos povos; e ondas de milhões de migrantes e refugiados como consequência da barbárie imperialista.

Trinta e cinco anos depois, a correlação de forças permanece desfavorável à luta de classes em todo o mundo, apesar dos problemas que o capitalismo enfrenta e da intensificação das suas contradições. Ao mesmo tempo, os acontecimentos apontam cada vez mais para um sistema em decadência, um sistema que se tornou historicamente obsoleto.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Cuba não negocia nem vende sua Revolução

Que tem custado o sangue e o sacrifício de seus filhos.

Fidel Castro Ruz
22 de junho de 2000

"Não é preciso simplificar no tema das privatizações. Como princípio geral, em Cuba não será privatizado nada que seja conveniente e possível de manter como propriedade de todo o povo ou de um coletivo de trabalhadores.

Nossa ideologia e a nossa preferência é socialista, nada afim ao egoísmo, os privilégios e as desigualdades da sociedade capitalista. Na nossa Pátria não passará nada ao poder de um alto funcionário, e nada será dado como presente a cúmplices e amigos. Nada que possa ser explorado com eficiência e um rendimento elevado para nossa sociedade passará às mãos de nacionais ou estrangeiros. Ao mesmo tempo posso te afirmar que nenhum investimento está mais garantido no mundo do que aquele que, protegidos pelas leis e a honra do país, foram autorizadas em Cuba."

Fidel Alejandro Castro Ruz (Birán, 13 de agosto de 1926 – Havana, 25 de novembro de 2016)



RESPOSTAS AO QUESTIONÁRIO DE F. MAYOR

FEDERICO MAYOR.- Junto da China, o Vietname e a Coréia do Norte, Cuba é considerada como o último bastião do socialismo. Mas, dez anos depois da queda do muro de Berlim, a palavra "socialismo" por acaso faz ainda sentido?

FIDEL CASTRO.- Hoje estou mais convencido do que nunca de que faz um grande sentido.

O que aconteceu há dez anos foi a destruição ingênua e inconsciente de um grande processo social e histórico que deveria ter sido aperfeiçoado, mas nunca destruído. Isso não o conseguiram fazer nem as hordas do Hitler, nem sequer matando mais de vinte milhões de soviéticos e arrasando a metade do país. O mundo ficou sob a égide de uma única super-potência que, na luta contra o fascismo, não contribuiu nem sequer com 5 por cento dos sacrifícios que fizeram os soviéticos.

Em Cuba temos um país unido e um Partido que guia, mas não postula nem elege. Os vizinhos, reunidos em assembléias abertas, propõem, postulam e elegem os delegados de 14 686 circunscripções, que são a base do nosso sistema eleitoral. Eles conformam as assembléias de seus respectivos municípios e postulam os candidatos às assembléias provinciais e nacional, máximos órgãos de poder do Estado nesses níveis, os quais devem ser eleitos em votação secreta por mais de 50 por cento dos votos válidos em suas jurisdições correspondentes.

Sem ser um fato obrigatório, nessas eleições participam mais de 95 por cento dos eleitores. Muitos no mundo nem sequer se preocuparam por se informar a respeito dessa realidade.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Centralismo Democrático e Direção Coletiva

Giocondo Dias*
20/27 de novembro de 1981

Nota do editor:
Reproduzimos este interessante artigo de Giocondo Dias, militante comunista de larga trajetória revolucionária que esteve entre as lideranças do levante de 1935 em Natal. Suas premissas estão corretas e são úteis na atualidade, sem esquecermos a contradição com a prática do PCB nos anos oitenta do século passado, do qual Giocondo era Secretário Geral, quando prevalecia o centralismo burocrático e o desrespeito à democracia interna.

Giocondo Dias


    Há cerca de 14 anos, em dezembro de 1967, os comunistas brasileiros realizavam os trabalhos finais de seu VI Congresso. Efetivado sob duras condições de clandestinidade e repressão, e no calor de uma ardorosa luta ideológica contra as formas com que, à época, se apresentava o “esquerdismo”, o VI Congresso do PCB marcou um indiscutível momento de avanço nas concepções dos comunistas brasileiros.

Na resolução política daquele congresso, entre outras tematizações, deu-se especial importância à questão orgânica; em certa passagem, afirma-se explicitamente a necessidade de “assegurar o pleno funcionamento da democracia e da disciplina partidárias, com base no centralismo democrático e na prática da direção coletiva”. Temos a mais firme convicção de que esta proposta, legítima ao tempo do seu enunciado, é hoje tanto mais válida. E temos mesmo a certeza de que a mais radical democracia partidária só pode ser garantida se se mantém os pressupostos leninistas do partido novo: o centralismo democrático e a direção coletiva.

sábado, 1 de agosto de 2026

O sujeito "ausente"

Ney Nunes*
01/08/2026

Rússia, 1917, o proletariado na vanguarda da revolução.

Em tempos de hegemonia acachapante da burguesia e das suas classes auxiliares, quase não se houve falar da única classe em condições de liderar uma autêntica revolução anticapitalista: o proletariado.

Com certeza, não será das hostes da pequena-burguesia reformista que fala em revolução no discurso, mas almeja apenas um lugar ao sol na gerência do capitalismo, que iremos ouvir menção ao proletariado como sujeito revolucionário. Muito pelo contrário, a tal "revolução" desses sacripantas não tem nada a ver com lutas de classe. Os múltiplos "sujeitos revolucionários" deles são todos  pertencentes a segmentos identitários, desprovidos do qualquer caráter classista.

Mesmo fora de moda, esse sujeito "ausente" segue sua existência, porque é imprescindível ao capitalismo.  Sem ele não se cria nem se acumula capital, é dele que a burguesia extrai a mais valia que sustenta toda a engrenagem econômica do sistema de exploração do homem pelo homem. Pode estar fragmentado, apático, derrotado politicamente, mas não desapareceu do cenário da luta de classes. Nas empresas desenvolve muitas vezes uma resistência surda contra a exploração, sabedor da conjuntura desfavorável e do cerco dos inimigos de classe e seus colaboradores.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Fascismo Antigo e Moderno

Francisco Martins Rodrigues
Setembro/Outubro de 1994



Dezoito milhões de desempregados, ascenso de greves e conflitos sociais, entrada dos fascistas no governo de Itália – estaremos perante uma reposição do filme dos anos trinta? Esta parece ser a opinião de Alex Calinicos, conhecido marxista inglês, o qual, num artigo dedicado à luta de classes na Europa(1), julga divisar uma “polarização de classe” semelhante à dessa época, com a diferença, porém, de que o movimento operário estaria agora “em muito melhor posição para resistir aos futuros assaltos” do inimigo, porque disporia de “força e combatividade” e contaria com os sindicatos para a defesa dos seus interesses de classe. Discordamos da comparação e ainda mais da pretensa situação de vantagem do proletariado.

domingo, 26 de julho de 2026

A Faísca em Tell: Como a Resistência de uma Aldeia Interrompeu a Estratégia de Israel na Cisjordânia

Ramzy Baroud*

25/07/2026

Familiares e moradores lamentam a morte de um dos palestinos durante o ataque do exército israelense e de colonos à cidade de Tell, a sudoeste de Nablus, na Cisjordânia ocupada. (Foto: QNN)

Durante uma incursão militar na pequena cidade de Tell, a sudoeste de Nablus, um momento de desafio direto destruiu a ilusão de submissão total palestina.

Diante das incursões militares implacáveis, da confiscação de terras e do assédio e violência dos colonos, os moradores e agricultores locais se recusaram a recuar.  

No confronto que se seguiu, um único palestino desarmou um soldado israelense e abriu fogo contra as forças invasoras perto do assentamento ilegal de Havat Gilad, matando dois soldados e ferindo outros três.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

A Socialização da Sociedade

Rosa Luxemburgo
Dezembro de 1918


A revolução do proletariado, que acaba de começar, não pode ter nenhum outro fim nem nenhum outro resultado a não ser a realização do socialismo. Antes de tudo, a classe operária precisa tentar obter todo o poder político estatal. Mas para nós, socialistas, o poder político é apenas meio. O fim para o qual precisamos utilizar o poder é a transformação radical da situação econômica como um todo.

Hoje, todas as riquezas, as maiores e melhores terras, as minas e empresas, assim como as fábricas, pertencem a alguns poucos latifundiários e capitalistas privados. A grande massa dos trabalhadores, por um árduo trabalho, recebe apenas desses latifundiários e capitalistas um parco salário para viver. O enriquecimento de um pequeno número de ociosos é o objetivo da economia atual.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

A tragédia do Brasil

Ney Nunes*

 19 de julho de 2026


Brasil, miséria secular.

Como entender que um país tido desde sempre como promissor, dotado de variados recursos naturais, entre eles, enorme potencial energético, terras férteis, riquezas minerais, clima diversificado, água abundante, um grande território, cortado por bacias hidrográficas, e banhado por extenso litoral, após dois séculos da sua independência, continua enredado em problemas econômico-sociais crônicos e de tamanha magnitude?

Não faltam diagnósticos elaborados por estudiosos e extensas reportagens detalhando estes problemas e suas consequências trágicas para a maioria da nossa população. Mas em sua grande maioria, essas iniciativas se mostram insuficientes e incompletas, basicamente porque não mergulham na pesquisa e elucidação de quais seriam as causas profundas de tamanha contradição. Ao não fazê-lo, repetem, propostas superficiais que não chegam ao cerne das questões, ficando limitadas à soluções insuficientes que acabam contribuindo, no decorrer do tempo, para o agravamento da situação.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

O Partido Comunista como organizador e líder da luta popular pela causa do poder operário no século XXI

Dimitris Koutsoumbas, Secretário Geral do Partido da Grécia (KKE)
Data:
1 de outubro de 2025



Com base em nossa visão de mundo e em nossos princípios constitucionais, o Partido Comunista é o partido da classe trabalhadora, sua vanguarda ideológica e política consciente e organizada, sua forma suprema de organização. É uma organização revolucionária de voluntários com ideias afins que luta pela derrubada do capitalismo e pela construção da sociedade socialista-comunista, na qual toda exploração do homem pelo homem e todas as formas de propriedade privada dos meios de produção serão abolidas, e um padrão de vida mais elevado e direitos para o povo, igualdade de oportunidades e direitos, e progresso social integral serão garantidos.

Seu objetivo estratégico é a conquista do poder revolucionário dos trabalhadores, a ditadura do proletariado, para a construção do socialismo. O Partido está plenamente consciente de que a construção do socialismo será tarefa da classe trabalhadora, à frente de todos aqueles que sofrem com o poder do capital, e de sua participação substancial tanto na luta para conquistá-lo quanto no processo de salvaguarda e consolidação do mesmo.

A classe trabalhadora, que é o veículo da mudança socialista e lidera a luta para derrubar o capitalismo, luta não apenas por sua própria libertação, mas pela libertação de todo povo trabalhador.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Gato por lebre

Ney Nunes*

11/07/26



No seu manifesto de lançamento a autodenominada "bancada da esquerda radical"(1) oferece uma receita para mudar os rumos da política e da economia praticando um incrível contorcionismo político ao fazer críticas ao neoliberalismo e a política econômica do governo, enquanto omite que faz parte da base de sustentação deste mesmo governo no parlamento e apoia, já no primeiro turno, a chapa Lula/Alckmin.

Ao afirmar que "O modelo econômico neoliberal no Brasil atingiu um nível de destruição social, ambiental e nacional que, para continuar existindo, dependerá cada vez mais de autoritarismo, repressão e violência social." e não relacionar esse modelo com quase duas décadas de governos liderados pelo PT, tentam encobrir uma realidade que a história recente demonstra de forma cabal: o PT e seus satélites não fizeram mais do que ao longo desse tempo aplicar e aprofundar esse modelo.

sexta-feira, 10 de julho de 2026

Chega de ilusões democráticas, basta de fantasias fascistas!

Este artigo, de Sergio Lessa, que ora publicamos, datado de 2018, guarda atualidade e coloca reflexões pertinentes sobre as ilusões reformistas quanto a democracia burguesa. (Página 1917)

Sergio Lessa*

maio de 2018



É preciso iniciar e terminar esse artigo com uma afirmação categórica: nunca, desde o fim da Ditadura Militar, fomos tão ameaçados por um recrudescimento da repressão. Deus queira que eu esteja errado: a ameaça é maior do que normalmente se avalia, e está mais próxima do que se imagina.

As forças de repressão se aperfeiçoam, crescem, se especializam e ganham novos e mais eficazes instrumentos de controle da população (embora, claro, jamais tão eficientes que não possam ser superados). A tortura vai perdendo sua função tradicional de coletar informações e se converte também em meio de domínio pelo terror. Articula-se um consenso generalizado, tanto entre conservadores quanto entre democratas de todos os matizes, tanto no país quanto no exterior, ao redor da tese de que a democracia necessita ser protegida por uma repressão mais intensa e eficaz.

Talvez o mecanismo dessa intensificação da repressão e da tortura se revele mais claramente no caso de Guantánamo, o centro de torturas mais (se me permitem a expressão) desenvolvido da atualidade.

Por ser uma base militar estadunidense, Guantánamo não se submete ao regime jurídico de Cuba. Como não está em território estadunidense, lá também não vale a Constituição dos EUA. Isto é o que se chama de “extra-territorialidade”: os militares-carrascos fazem de seu prisioneiros o que quiserem.

terça-feira, 7 de julho de 2026

O Partido Comunista da Turquia (TKP) desafia a proibição geral de protestos antes da Cúpula da OTAN e realiza manifestações em toda a Turquia.

Partido Comunista da Turquia (TKP)

6/7/2026

O TKP liderou manifestações contra a cúpula da OTAN.


O Partido Comunista da Turquia (TKP) desafiou a proibição geral de manifestações imposta em toda a região central de Ancara antes da cúpula da OTAN, liderando protestos contra a OTAN em seis cidades no sábado, apesar da forte presença policial e das detenções em massa. 

Centenas de membros do TKP reuniram-se no centro de Ancara, no local e hora previamente anunciados pelo partido, apesar das medidas de segurança extraordinárias que, na prática, colocaram partes da capital sob um estado de emergência. Enquanto os manifestantes marchavam em direção à Praça Kızılay, entoando slogans anti-OTAN e anti-imperialistas, a polícia interveio e deteve mais de 100 participantes. 

Mais tarde, o TKP anunciou que sete membros do partido sofreram graves ferimentos na cabeça durante a violência policial em Ancara, enquanto vários outros sofreram fraturas nos braços e nas costelas. Um membro do partido foi submetido a uma angiografia de emergência após suspeita de ataque cardíaco. O partido afirmou estar acompanhando de perto o estado de saúde dos feridos e detidos, exigindo a libertação imediata de todos os que foram levados sob custódia. 

Na sequência do protesto em Ancara, milhares de pessoas juntaram-se a marchas simultâneas contra a OTAN, organizadas pelo TKP em Istambul, Esmirna, Adana, Samsun e Çanakkale, exigindo a saída da Turquia da OTAN e o fechamento das bases militares estrangeiras no país. 

Discursando em um comício em Istambul após uma marcha de Taksim a Dolmabahçe, o secretário-geral do TKP, Kemal Okuyan, afirmou que o partido continuaria sua luta contra a OTAN para além da própria cúpula. 

Estamos reunidos aqui para protestar contra uma organização militarista e sangrenta, construída sobre a ocupação, golpes de Estado e massacres”, disse Okuyan. Ele argumentou que, durante os dias que antecederam a cúpula, comunistas, patriotas da classe trabalhadora e militantes anti-imperialistas em toda a Turquia foram submetidos a detenções e intimidações para garantir que os líderes da OTAN pudessem se reunir sem oposição. 

Referindo-se à manifestação em Ancara, Okuyan afirmou que, apesar das restrições impostas à capital, “milhares de comunistas desafiaram a OTAN no centro de Ancara, exatamente como havíamos prometido”. Ele acrescentou que centenas de participantes foram detidos durante a operação policial. 

Okuyan também lembrou os protestos históricos de 1968 contra a chegada da Sexta Frota dos EUA a Istambul, quando estudantes revolucionários expulsaram marinheiros americanos para o mar. "Assim como aqueles que confrontaram a Sexta Frota décadas atrás defenderam a dignidade deste país e o compromisso com a independência, os revolucionários de hoje em toda a Turquia estão levando adiante a mesma luta", disse ele. 

Ele condenou o governo do AKP por estender o tapete vermelho para os líderes da OTAN enquanto o genocídio apoiado pelos EUA na Palestina continua e a agressão dos EUA e de Israel contra o Irã ameaça arrastar a região para uma guerra mais ampla. Okuyan disse que o TKP acompanharia de perto todas as decisões tomadas na cúpula e continuaria se mobilizando contra a OTAN após a reunião. Ele pediu “uma Turquia independente, soberana, livre e socialista” e reiterou a exigência do partido: “Tomem as bases, fora da OTAN”. 

Além de Ancara e Istambul, manifestações contra a OTAN também ocorreram em Esmirna, Samsun, Adana e Çanakkale. Em Esmirna, Senem Doruk İnam, membro do Comitê Central do TKP, afirmou que o partido não permitiria que a Turquia se tornasse “um campo de batalha para uma organização terrorista sanguinária”, descrevendo a luta contra a OTAN como “uma questão de dignidade e soberania nacional”. Em Çanakkale, Savaş Sarı, também membro do Comitê Central, disse aos manifestantes que a oposição à OTAN era indissociável da luta por uma Turquia independente. Apelos semelhantes pela saída da Turquia da OTAN e pelo fechamento de bases militares estrangeiras foram feitos em comícios do TKP por todo o país.

Fonte:https://www.tkp.org.tr/en/agenda/tkp-defies-blanket-protest-ban-ahead-of-nato-summit-holds-demonstrations-across-turkey/

Edição: Página 1917

sábado, 4 de julho de 2026

Sepulcro caiado: a nova/velha candidatura Bolsonaro (parte 2)

Coletivo Cem Flores

25.06.2026

A crítica radical à extrema-direita, fascista – nos dias de hoje em nosso país principalmente o bolsonarismo – é um dever de primeira ordem dos Comunistas. Essa facção radicalizada da burguesia é, como toda a burguesia, inimiga de classe do proletariado e das classes trabalhadoras. Historicamente, sempre foram os Comunistas que estiveram na linha de frente do combate ao fascismo e daqueles que o derrotaram – e esse desafio permanece atualmente.

Não será uma disputa eleitoreira entre distintas facções burguesas, fascistas e não fascistas, que representará os interesses mais profundos da classe operária e das massas exploradas. Pelo contrário, deixar o combate ao fascismo ser hegemonizado por posições burguesas e ser travado unicamente nos meios institucionais significa a continuidade da ofensiva de classe da burguesia sobre os trabalhadores, sob uma ou outra forma; a continuidade do baixo nível de organização e da falta de uma posição política proletária própria e com força de massas; e a continuidade da sujeição da nossa classe aos patrões, com toda a exploração e o sofrimento que isso traz.

É preciso nos opormos a isso e construir o caminho das resistências e das lutas!


À esquerda, os irmãos Bolsonaro visitam Netanyahu em Israel, no final de 2025. À direita, Bolsonaro pai recebe o líder israelense, no final de 2018.

  1. O novo Bolsonaro é o velho autoritarismo brasileiro e a velha facção burguesa de extrema-direita

Desde a ascensão do bolsonarismo no Brasil, como força eleitoral nacional e movimento de massas reacionário, não hesitamos em designá-lo de autoritário, de extrema-direita, fascista. Tal designação parte da análise concreta da nossa realidade e é fundamental para termos nitidez sobre o caráter desse inimigo burguês na luta de classes e sobre todos os riscos que ele representa. Isso também é necessário para traçarmos a melhor e mais eficaz tática de combate a ele – e, como já adiantamos e vimos na prática, esta não é a tática hegemônica na “esquerda” de ficar a reboque das instituições e das forças eleitorais burguesas rivais ao bolsonarismo.

O fascismo não é uma “exceção” que surgiu uma única vez na história, nem serve apenas para barrar um processo revolucionário em curso. Na era do imperialismo, ele é uma tendência constante, mais ou menos intensa, pois vinculada a essa fase do próprio capital, que tende à guerra e à degeneração social. Como dizia Lênin, no aspecto político o imperialismo é, em geral, uma tendência para a violência e para a reação”. No mundo, após a crise de 2008, o fascismo tem ressurgido em todos os poros da sociedade burguesa e servido de instrumento da burguesia para impor uma violenta ofensiva do capital, desfazer conquistas na limitada democracia burguesa, destroçar as resistências e organizações proletárias e revolucionárias, canalizar demagogicamente a revolta difusa na massa para objetivos reacionários e mobilizar setores inteiros para a corrida armamentista e os esforços de guerras imperialistas que atravessam o mundo.

Como no passado, o reformismo convive, alterna e mesmo se alia com tais forças na gestão burguesa. Além disso, o reformismo e o oportunismo são, eles próprios, jogados cada vez mais à direita por essa tendência do sistema imperialista, inclusive dirigindo com louvor a mesma ofensiva de classe que o fascismo visa cumprir sob formas específicas. Não por acaso, também como dizia Lênin, “a luta contra o imperialismo é uma frase oca e falsa se não for indissoluvelmente ligada à luta contra o oportunismo”.

Mais especificamente no Brasil, o bolsonarismo, suas lideranças e ideólogos, possui uma longa linhagem reacionária e autoritária e representa uma continuação, sob novas formas organizacionais, de forças fascistas presentes no Brasil desde as décadas de 1930-40. Além disso, herda e se vincula aberta e organicamente ao golpismo e à herança ditatorial das corporações militares e de alas burguesas e pequeno-burguesas que construíram a ditadura militar de 1964-85. Suas marcas políticas e ideológicas são um radical anti-comunismo e uma oposição feroz às conquistas e organizações dos trabalhadores, a proteção sem rodeios dos interesses da burguesia, a submissão ao imperialismo ianque, além da defesa de formas mais autoritárias e repressivas de dominação burguesa e de valores reacionários e racistas.

terça-feira, 30 de junho de 2026

CUBA: Mudanças econômicas adotadas representam sérios riscos

Na semana passada, a liderança cubana prosseguiu com importantes reformas econômicas e sociais (um total de 176 medidas organizadas em 23 categorias). Após uma sessão extraordinária do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, a Assembleia Nacional aprovou medidas que afetam todos os setores da economia.

Publicado em Rizospastis, órgão do CC do Partido Comunista da Grécia (KKE)

30 de junho de 2026



Na semana passada, a liderança cubana prosseguiu com importantes reformas econômicas e sociais (um total de 176 medidas organizadas em 23 categorias). Após uma sessão extraordinária do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, a Assembleia Nacional aprovou medidas que afetam todos os setores da economia. Estas foram apresentadas como resposta à situação extremamente difícil criada pelo brutal embargo dos EUA, em vigor há mais de 60 anos, e, em particular, pelo bloqueio energético imposto desde janeiro deste ano, que tem exercido imensa pressão sobre o povo cubano.

As medidas aprovadas dão continuidade às diretrizes e reformas adotadas após o 6º Congresso do Partido Comunista de Cuba, em 2011. Um ponto central é a promoção do investimento de capital privado estrangeiro em todos os setores da economia e a adoção de mecanismos de mercado como meio de alocação de recursos. Entre as mudanças mais significativas, destacam-se: as empresas estatais terão maior autonomia e, assim como as empresas privadas, poderão ser convertidas em sociedades anônimas, enquanto todas as entidades — incluindo pessoas físicas e investidores estrangeiros — poderão deter ações em quantas empresas desejarem.

domingo, 28 de junho de 2026

Sepulcro caiado: a nova/velha candidatura Bolsonaro (parte 1)

Cem Flores

20.06.2026 

À esquerda, o novo Bolsonaro pede bênção (e mais sanções) ao patrão Trump. À direita, o velho Bolsonaro, com o mesmo Trump, em 2019.


Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Sois como sepulcros caiados:

por fora parecem belos, mas por dentro estão

cheios de ossos de cadáveres e de toda podridão!

Assim também vós: por fora, pareceis justos diante dos outros,

mas por dentro estais cheios de hipocrisia e injustiça.

Matheus 23: 27-28.


A candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, substituta hereditária da candidatura de Jair Bolsonaro – inelegível, condenado e preso – é a exata expressão da mesma linha política e dos mesmos setores reacionários da extrema-direita, fascista, golpista e apologista da ditadura militar, vassala do imperialismo dos EUA, defensora da ofensiva de classe burguesa e do ataque e repressão aos trabalhadores, miliciana e corrupta. Sua estratégia eleitoreira pode tentar dar uma demão de cal em toda a podridão bolsonarista, aproveitando sua juventude e sua vacinação contra a Covid, dancinhas de TikTok e frases em camisetas, na busca hipócrita de fingir uma pseudo moderação. Mas suas posições e sua trajetória política reacionária, de extrema-direita, de capacho do imperialismo dos EUA, de defensor da ditadura militar e da repressão e dos ataques aos trabalhadores, além da corrupção de muitos milhões por décadas, são sua definição mais exata.

Esse candidato Bolsonaro oscila oportunisticamente entre mostrar sua verdadeira cara e usar máscaras. “Sou esse Bolsonaro mais moderado, equilibrado e centrado”, disse à imprensa, em dezembro de 2025, após se reunir com empresários e agentes do mercado financeiro em São Paulo. Essa hipócrita encenação de Bolsonaro buscava (ainda busca) minimizar a frustração daqueles que falharam em emplacar a candidatura do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), atrair alas menos extremistas da direita e da burguesia, assim como se desviar de sua rejeição eleitoral, já consolidada em quase metade dos eleitores.

sexta-feira, 19 de junho de 2026

A guerra é um modo de vida para a burguesia.

Publicado em Rizospastis, Órgão do Comitê Central do Partido Comunista da Grécia (KKE)

19 de junho de 2026



Declarações de representantes de diversos quadros burgueses, expressando preocupação com a escalada da competição imperialista e alertando para a tendência irreversível de generalização dos conflitos, estão se tornando cada vez mais frequentes.

Referindo-se às sucessivas crises dos últimos quinze anos, o diretor-gerente do FMI afirmou há alguns dias que “ainda não assimilamos que o mundo será assim daqui para frente”. De maneira semelhante, o presidente do BCE falou de “um período de crises sucessivas, da pandemia e da guerra terrestre na Europa à crise energética e aos aumentos generalizados de tarifas”.

Em maio passado, o presidente do Comitê Militar da OTAN declarou que “já estamos no olho do furacão” e alertou que “os países da OTAN não podem mais considerar um período de estabilidade e paz como garantido”. O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio afirmou igualmente que “o mundo caminha para uma recessão global devido a múltiplas crises sobrepostas”.

O marxismo (3ª parte, final)

 Lenin

Novembro/1914

O Socialismo

Pelo exposto, vê-se que Marx conclui pela transformação inevitável da sociedade capitalista em sociedade socialista a partir única e exclusivamente da lei econômica do movimento da sociedade moderna. A socialização do trabalho - que avança cada vez mais rapidamente sob múltiplas formas e que, no meio século decorrido depois da morte de Marx, se manifesta sobretudo pela extensão da grande indústria, dos cartéis, dos sindicatos, dos trusts capitalistas e também pelo aumento imenso das proporções e do poderio do capital financeiro - , eis a principal base material para o advento inelutável do socialismo. O motor intelectual e moral, o agente físico desta transformação, é o proletariado, educado pelo próprio capitalismo. A sua luta contra a burguesia, revestindo-se de formas diversas e de conteúdo cada vez mais rico, torna-se inevitavelmente uma luta política tendente à conquista pelo proletariado do poder político ("ditadura do proletariado"). A socialização da produção não pode conduzir senão à transformação dos meios de produção em propriedade social, à "expropriação dos expropriadores". O aumento enorme da produtividade do trabalho, a redução da jornada de trabalho, a substituição dos vestígios, das ruínas, da pequena produção primitiva e disseminada, pelo trabalho coletivo aperfeiçoado, tais são as consequências diretas desta transformação. O capitalismo rompe definitivamente a ligação da agricultura com a indústria, mas prepara simultaneamente, pelo seu desenvolvimento a um nível superior, elementos novos desta ligação, a união da indústria com a agricultura na base de uma aplicação consciente da ciência, de uma coordenação do trabalho coletivo, de uma nova distribuição da população (pondo fim tanto ao isolamento do campo, ao seu estado de abandono e atraso cultural, como à aglomeração antinatural de uma enorme população nas grandes cidades). As formas superiores do capitalismo moderno criam condições para uma nova forma da família, novas condições para a mulher e para a educação das novas gerações; o trabalho das mulheres e das crianças, a dissolução da família patriarcal pelo capitalismo, tomam inevitavelmente, na sociedade moderna, as formas mais horríveis, mais miseráveis e repugnantes. Contudo, "a grande indústria, pelo papel decisivo que confere às mulheres, aos jovens e às crianças dos dois sexos nos processos de produção socialmente organizadas e fora da esfera familiar, cria uma nova base econômica para uma forma superior da família e das relações entre ambos os sexos. É, naturalmente, tão absurdo considerar como absoluta a forma germano-cristã da família como as antigas formas romana, grega ou oriental, que constituem, de resto, uma só linha de desenvolvimento histórico. E igualmente evidente que a composição do pessoal operário por indivíduos de ambos os sexos e de todas as idades - que na sua forma primária, brutal, capitalista, em que o operário existe para o processo de produção, e não o processo de produção para o operário, constitui uma fonte envenenada de ruína e de escravidão - deve transformar-se, inevitavelmente, em condições adequadas, numa fonte de progresso humano" (O Capital, fim do 13.º capítulo). O sistema fabril mostra-nos "o germe da educação do futuro, que unirá, para todas as crianças acima de certa idade, o trabalho produtivo ao ensino e à ginástica, não só como método de aumento da produção social, mas também como único método capaz de produzir homens desenvolvidos em todos os aspectos" (Ibid.) É sobre a mesma base histórica que o socialismo de Marx coloca os problemas da nacionalidade e do Estado, não só para explicar o passado, mas também para prever ousadamente o futuro e conduzir uma ação audaciosa para a sua realização. As nações são um produto e uma forma inevitável da época burguesa do desenvolvimento social. A classe operária não pode fortalecer-se, amadurecer, formar-se, "sem se organizar no quadro da nação", sem ser "nacional" ("embora de nenhuma maneira no sentido burguês da palavra"). Ora, o desenvolvimento do capitalismo destrói cada vez mais as fronteiras nacionais, acaba com o isolamento nacional, substitui os antagonismos nacionais por antagonismos de classe. Por isso, nos países capitalistas desenvolvidos é perfeitamente verdadeiro que "os operários não têm pátria" e que a sua "ação unitária, pelo menos nos países civilizados, é uma das primeiras condições da sua libertação" (Manifesto do Partido Comunista). O Estado, essa violência organizada, surgiu como algo inevitável numa determinada fase do desenvolvimento da sociedade, quando esta, dividida em classes irreconciliáveis, não teria podido subsistir sem um "poder" aparentemente colocado acima dela e diferenciado até certo ponto dela. Nascido dos antagonismos de classe, o Estado torna-se "o Estado da classe mais poderosa, da classe economicamente dominante, a qual, por meio dele, se torna também a classe politicamente dominante e adquire assim novos meios para reprimir e explorar a classe oprimida. Assim, o Estado antigo era, acima de tudo, o Estado dos escravistas, para manter os escravos submetidos, o Estado feudal era o órgão de que se valia a nobreza para sujeitar os camponeses servos, e o moderno Estado representativo é o instrumento de que se serve o capital para explorar o trabalho assalariado”. (Engels, A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, obra em que o autor expõe as suas ideias e as de Marx.) Mesmo a forma mais livre e progressiva do Estado burguês, a república democrática, de maneira alguma elimina este fato; ela modifica apenas a sua forma (ligação do governo com a Bolsa, corrupção direta e indireta dos funcionários e da imprensa, etc.). O socialismo, conduzindo à supressão das classes, conduz por isso mesmo à abolição do Estado. "O primeiro ato - escreve Engels no seu Anti-Dühring - em que o Estado atua efetivamente como representante de toda a sociedade - a expropriação dos meios de produção em nome de toda a sociedade - é, ao mesmo tempo, o seu último ato independente como Estado. A intervenção do poder de Estado nas relações sociais tornar-se-á supérflua num domínio após outro, e cessará então por si mesma. O governo das pessoas dá lugar à administração das coisas e à direção do processo de produção. O Estado não é "abolido", extingue-se." "A sociedade, que reorganizará a produção na base de uma associação livre de produtores iguais, enviará toda a máquina do Estado para o lugar que lhe corresponderá então: o museu de antiguidades, ao lado da roca de fiar e do machado de bronze." (F. Engels, A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado.)

quinta-feira, 18 de junho de 2026

Epílogo para um Romance à Revelia do Autor

Jacob Gorender

1987

   Quando Joaquim Câmara Ferreira — já na roupagem de Toledo — o procurou em 1968, Hermínio Saccheta deve ter sentido surpresa e desconcerto. Apesar da tarimba, não esperaria que lhe batesse à porta o homem com o qual trocara os pesadíssimos insultos habituais nas dissensões internas dos comunistas.

Hermínio Sacchetta, preso político na ditadura de Getúlio em 1938.

O contencioso entre ambos remontava aos anos 30. Após a derrota do levante de novembro de 1935, o jornalista Sacchetta (nome de guerra Paulo) dirigia o Comitê Regional de São Paulo e foi cooptado para o Birô Político do Comitê Central do PCB. Mais jovem, Câmara Ferreira (nome de guerra Alberto) trocou o curso de engenharia pela profissão de revolucionário. Em 1937, o Comitê Regional Paulista divergiu da linha preconizada pelo Comitê Central a respeito das eleições presidenciais. A divergência se aprofundou e levou a discussões agressivas e intransigentes. Com o apoio da Internacional Comunista, Lauro Reginaldo da Rocha (Bangu), secretário-geral do Comitê Central, venceu a disputa: os divergentes de São Paulo foram expulsos do partido sob a acusação de renegados trotskistas, a mais infamante para um militante comunista. Acontece que, ao travar-se a luta interna — conforme relata Heitor Ferreira Lima — , nenhum dos divergentes do Comitê Regional paulista era trotskista e, em seguida, apenas um deles — Sacchetta, precisamente — aderiu ao trotskismo.

Tendo tomado posição ao lado do Comitê Central, Câmara Ferreira não podia mais continuar amigo de Sacchetta, com o qual se iniciara na vida partidária. A amizade se transformou em rancorosa inimizade. Da qual compartilhou Carlos Marighella, enviado a São Paulo pelo Comitê Central, em 1938, a fim de fortalecer a direção regional na luta contra os “fracionistas trotskistas”.

quarta-feira, 17 de junho de 2026

Para que o povo vença, o capital precisa perder

Dimitris Koutsoumbas 

Secretário-Geral do Partido Comunista da Grécia (KKE)

11/06/2026

Dimitris Koutsoumbas

O fato de o KKE ter denunciado desde o início tanto as propostas reacionárias do governo para a revisão constitucional quanto o procedimento inaceitável que estava sendo seguido foi destacado pelo Secretário-Geral do Comitê Central do KKE, Dimitris Koutsoumbas, durante seu discurso no parlamento em 10 de junho de 2010, no debate sobre o processo de revisão constitucional.

Ele salientou que, por trás de falsos dilemas — sejam eles relativos ao suposto fortalecimento do Estado de Direito ou ao retorno à normalidade europeia e à mudança de governo — reside uma tentativa de ocultar o amplo consenso entre o governo e a oposição. Os dois lados estão envolvidos em um confronto conveniente e em um debate enganoso que pouco tem a ver com os problemas reais enfrentados pela população, os quais se tornam cada vez mais agudos em meio ao crescente envolvimento do país em guerras imperialistas e à possibilidade de uma nova crise econômica capitalista. Ele enfatizou que todos os partidos do sistema compartilham objetivos comuns que são perigosos para a população, incluindo o apoio a planos de investimento destinados a aumentar a lucratividade, a crescente supremacia de legislação inaceitável da UE e a manutenção da imunidade ministerial.

Ele acrescentou que o avanço desses objetivos reacionários exige “estabilidade política”, o que, na realidade, significa insegurança e instabilidade para a população. Denunciou propostas que visam um controle mais rígido sobre o funcionamento dos partidos políticos, maior censura na mídia e novos ataques aos direitos e liberdades sociais do povo.

Para que o povo vença, o capital deve perder”, enfatizou. Ele defendeu a revogação das disposições reacionárias que apoiam a transformação do país em uma vasta base EUA-OTAN, bem como a abolição do artigo que concede amplas isenções e privilégios fiscais para o capital de exportação. Ele também defendeu a garantia de saúde, educação e seguridade social universais, públicas e gratuitas; a proteção ambiental; a defesa dos direitos trabalhistas e sindicais; e emprego permanente e estável para todos.

Tudo isso será imposto pelo próprio povo, intensificando suas dificuldades, aumentando a instabilidade do sistema e fortalecendo a crescente corrente de ceticismo em relação a ele. Através de sua luta organizada e fortalecendo o KKE, eles varrerão este sistema decadente de exploração, pobreza e guerras”, declarou o Secretário-Geral do Comitê Central do KKE.


Fonte: https://inter.kke.gr/en/m-article/For-the-people-to-win-capital-must-lose/


Edição: Página 1917

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