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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Confrontar o capitalismo em sua fase imperialista, unindo trabalhadores e povos na luta pelo socialismo-comunismo.

Pavel Blanco Cabrera , Primeiro Secretário do Comitê Central do Partido Comunista do México -PCM



Agradecemos o convite da revista Escena Contemporánea, do Partido Comunista do Peru, para apresentar algumas reflexões sobre a situação na América Latina. Aproveito esta oportunidade para observar que José Carlos Mariátegui, ao intitular um de seus livros com o mesmo nome desta revista, no qual reúne suas observações sobre importantes questões internacionais que presenciou, considera-as “elementos primordiais de um esboço interpretativo”. Com base nisso, antecipo que, embora apresente as posições oficiais do Partido Comunista do México, será o Oitavo Congresso do PCM — a ser realizado nos primeiros quatro meses do próximo ano — que apresentará as conclusões sobre alguns elementos da nova conjuntura política nas Américas. Essas conclusões não estão de modo algum dissociadas da luta de classes internacional, onde uma das características essenciais é o antagonismo interimperialista entre as economias capitalistas dos EUA e da China, e a guerra imperialista em curso que acumula condições para sua generalização.

 I

Há apenas um ano, uma das características definidoras do cenário regional era o papel proeminente da gestão social-democrata do capitalismo, o que se conhece como progressismo. Esse movimento chegou ao poder em quase toda a região em um processo que começou no final da década de 1990 com a vitória eleitoral de Hugo Chávez na Venezuela e, posteriormente, no Brasil, Argentina, Equador, El Salvador, Uruguai, Bolívia e Honduras. Governos social-democratas semelhantes, embora não exatamente iguais, também surgiram no Chile, na Colômbia e, mais tarde, no México. Essa corrente de pensamento consolidou suas forças e venceu eleições apresentando-se como uma oposição ao neoliberalismo, outra forma de gestão capitalista, e focando-se, em vez disso, em administrá-lo de uma maneira diferente, sem questioná-lo ou tentar acabar com ele.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Atualmente, existem mais de 55 zonas de guerra ativas em todo o mundo, o maior número desde a Segunda Guerra Mundial.

Nikos Ambatielos, membro do Conselho Executivo do Comitê Central do KKE

Em 25 de setembro de 2026, as delegações internacionais participantes do 52º Festival KNE-“Odigitis” visitaram a sede do KKE. Durante a visita, Nikos Ambatielos, membro do Conselho Executivo do Comitê Central do KKE, fez um discurso de abertura no qual mencionou o seguinte:

Camaradas,

Sob o lema “ Um KKE poderoso, firme em todas as provações, pronto para atender ao chamado da história pelo socialismo!” , nosso Partido concluiu com sucesso seu 22º Congresso há alguns meses. Hoje, estamos em um período em que intensificamos nossos esforços para alinhar as ações e o funcionamento do Partido com seus objetivos revolucionários, seu Programa e Estatutos, e com a luta para mobilizar e preparar as forças da classe trabalhadora e do povo para a derrubada do sistema capitalista.

De forma geral, consideramos que a capacidade e a preparação do nosso Partido dizem respeito não apenas à prontidão estratégica e programática correspondente, mas também à sua política e ação organizacional atuais, nas condições de hoje, em uma unidade ininterrupta.

Afinal, mesmo em uma situação não revolucionária como a atual, devemos realizar um trabalho preparatório revolucionário com uma perspectiva de longo prazo.

Estamos lutando para persuadir cada vez mais trabalhadores – homens e mulheres, dos setores público e privado – assim como as camadas populares em geral, a romperem de vez com a ideologia burguesa e todas as suas variantes (liberal, social-democrata, etc.), o oportunismo e todos os partidos burgueses, qualquer que seja a sua aparência; e a consolidar e fortalecer, com todas as suas forças, as lutas, as reivindicações, as greves, as manifestações e o movimento revolucionário. Nesse esforço, não poupamos esforços, nem impomos limites à nossa contribuição, organizando uma preparação persistente e de longo prazo.

É crucial perceber exatamente em que fase nos encontramos agora que já se passaram os primeiros vinte e cinco anos do século XXI.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

O enclave colonial extrativista dos EUA na Venezuela

Gustavo Márquez Marín *

23/09/2026

A vassala Delci Rodrigues em reunião com seu Senhor.


"O que o imperialismo do século XXI busca não é necessariamente a anexação territorial permanente, mas a abertura de novos campos para a acumulação por meio da desapropriação [...] Isso implica em privatizações forçadas, a apropriação de bens comuns e recursos naturais, e a criação de regimes de direitos de propriedade que permitam ao capital transnacional extrair rendas sem as restrições da soberania local."

David Harvey , O Novo Imperialismo (2003, Capítulo 4)


O território nacional não é simplesmente um mapa ou um contorno; é o controle efetivo dos recursos naturais e a capacidade soberana de decidir sobre a vida e o futuro de seus habitantes. Quando um Estado cede o controle real sobre seus recursos não renováveis ​​a potências estrangeiras e corporações transnacionais, ocorre nada menos que uma desterritorialização de fato : o espaço físico permanece formalmente dentro das fronteiras mapeadas do país, mas a gestão, o valor econômico e o destino de sua riqueza ficam sujeitos a prioridades, interesses e lógicas que fogem ao controle da nação.

Para decifrar o que o Acordo Bilateral de Energia entre Venezuela e EUA (AE), os Contratos de Participação Produtiva em Hidrocarbonetos (CPPH) e a reforma da Lei de Hidrocarbonetos Orgânicos de 2026 realmente significam para a Venezuela, basta examinar os elementos-chave que revelam a transformação do país em um enclave petrolífero subordinado aos Estados Unidos.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

A ofensiva imperialista de Trump na América Latina (Parte 2)

Cem Flores
17.09.2026


Fotos das manifestações da extrema-direita entreguista bolsonarista no dia da independência do Brasil, em São Paulo, em 7 de setembro de 2025 (esquerda) e 2026 (direita). A existência e o fortalecimento de governos vassalos ao imperialismo dos EUA na América Latina também fazem parte da ofensiva imperialista de Trump na região.

 

A ofensiva imperialista de Trump 2 na América Latina é ampla, múltipla, direta e explícita, atropelando qualquer princípio da diplomacia ou norma internacional e deixando de lado os hipócritas floreios retóricos liberais. Composta por diversas e sucessivas ameaças, chantagens, campanhas ideológicas, intervenções e ações nos âmbitos militar, econômico-financeiro e político, essa ofensiva visa, de forma abertamente declarada, expandir ainda mais o poder e a influência dessa potência imperialista e de seus capitais em todo o continente.

Dobrar todas as nações da América Latina aos pés dos EUA e seus atuais interesses, com o apoio interno das classes dominantes desses países dominados e de governos submissos e alinhados política e ideologicamente ao trumpismo, eis o objetivo maior do imperialismo dos EUA nesse novo round de competição interimperialista com a China na região.

Logo no início desse segundo governo, a postura de Trump sobre o canal do Panamá demonstrou de forma cristalina sua política para o continente. O canal é uma hidrovia de 82 quilômetros que liga os oceanos Pacífico e Atlântico, trajeto comercial estratégico para o mundo. Durante quase um século, ele foi controlado diretamente pelos EUA. Desde os anos 2000, a China vinha ampliando sua presença no canal. Assim que retornou ao poder, Trump afirmou que “a China está operando o Canal do Panamá, e nós não o demos à China. Nós o demos ao Panamá, e vamos tomá-lo de volta”. Em poucos meses, por meio de pressões e ameaças, os EUA enquadraram o governo do Panamá, que cancelou acordos com a China e permitiu o reforço da presença militar ianque no canal e condições mais proveitosas para os seus capitais monopolistas – o que tem sido revidado pelo imperialismo chinês.

domingo, 20 de setembro de 2026

Mais evidente do que nunca




Publicado em “Rizospastis”, órgão do CC do Partido Comunista da Grécia (KKE), em 18/09/2026

As operações militares e a expansão dos campos de batalha são mais visíveis do que nunca, da Ucrânia e do Mar Negro ao Irã, Golfo Pérsico, Iêmen, Líbano e Síria. Isso constitui prova irrefutável da escalada da guerra imperialista.

Não há dois dias iguais no campo de batalha. A guerra está se espalhando, às vezes lentamente, às vezes mais rapidamente. Aqui estão apenas alguns exemplos de acontecimentos recentes...

No conflito entre a OTAN e a Rússia na Ucrânia, os dois lados estão trocando ataques com mísseis e veículos não tripulados em território inimigo, bem como no Mar Negro.

sábado, 19 de setembro de 2026

Boicotar as eleições da república burguesa corrupta e antidemocrática!

CCP - Coletivo Comunista Proletário
15/09/2026

Há muito tempo vem crescendo em amplos setores populares um sentimento de desprezo e mesmo de ódio contra as instituições da república burguesa e suas eleições. Sentimentos mais do que justificáveis face aos ataques e injustiças cometidas por essa república carcomida, que outra coisa não faz do que defender e perpetuar os interesses de classe dos exploradores em nosso país, resultando na piora contínua das condições de vida do povo. Não por acaso, a abstenção e o voto nulo crescem a cada eleição.

Governo, congresso e judiciário são os  denominados "três poderes" da democracia burguesa, são eles os responsáveis pelas medidas prejudiciais aos trabalhadores e, portanto, em favor da burguesia. Mais recentemente, foi o que ocorreu com as reformas da previdência e trabalhista, onde todas essas instituições estiveram envolvidas no sentido de fazer passar goela abaixo do povo a perda de direitos duramente conquistados, intensificando a super exploração da classe trabalhadora.

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

A ofensiva imperialista de Trump na América Latina (Parte 1)

Coletivo Cem Flores
14/09/26



Os subservientes lambe-botas representantes políticos das burguesias vassalas da América Latina assistem o representante da burguesia imperialista dos EUA assinar seu novo pacto colonial (de novo tipo). Na foto: Irfaan Ali (Guiana), Bukele (El Salvador), Bessent (Secretário do Tesouro dos EUA), Abinader (República Dominicana), Kast (Chile), Persad-Bissessar (Trinidad e Tobago), Hegseth (Secretário da Guerra dos EUA), Mulino (Panamá), Trump (EUA), Milei (Argentina), Peña (Paraguai), Paz (Bolívia), Chaves (Costa Rica). Ficaram fora da foto, mas estavam presentes nessa vassalagem, Noboa (Equador) e Asfura (Honduras).

O sistema imperialista mundial é constituído por um complexo e contraditório conjunto de tendências e contra-tendências, com violentas disputas (econômicas, ideológicas, políticas e militares) por hegemonia entre as potências imperialistas, concorrência entre os grandes monopólios transnacionais e dominação sobre a absoluta maioria dos países. O atual e prologado cenário de crise do imperialismo agrava ainda mais essas contradições, com impactos diferenciados da crise nas distintas potências imperialistas e nos países dominados. Tendo como pano de fundo essa crise, desdobra-se a principal contradição interimperialista dos nossos tempos, a que opõe os EUA, a principal potência imperialista mundial, porém em declínio relativo, à China, potência imperialista ascendente, que desafia a hegemonia dos EUA em todos os terrenos.

Ao declínio relativo dos EUA no sistema imperialista mundial corresponde uma (desesperada) ofensiva dos seus monopólios e do seu estado e governos para manter/retomar sua hegemonia. Essa ofensiva se radicaliza e se torna mais autoritária e agressiva com a ausência de evidências do alcance dos seus objetivos. Os EUA lideram globalmente o processo no qual o imperialismo recorre a políticas internas e externas de extrema-direita, cada vez mais repressivas e violentas – sobretudo contra as classes trabalhadoras de seus próprios países e as dos demais países dominados. De forma crescente, e novamente, o imperialismo adota o fascismo como sua política.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Rússia: comunistas contra a guerra imperialista




As eleições para a Duma Estatal ocorrerão em breve, de 18 a 20 de setembro. As autoridades, a serviço da oligarquia capitalista, estão fazendo de tudo para transformar isso em um referendo que apoie a continuação da guerra imperialista na Ucrânia. Apesar das dificuldades e da repressão, os comunistas se recusam a desistir e estão agindo para combater as políticas anti-operárias e nacionalistas das autoridades. Nos solidarizamos com nossos camaradas comunistas russos da OK (Organização Comunista). Publicamos a análise deles sobre a situação e expressamos nosso apoio internacionalista: Abaixo a guerra imperialista!

 Partido Comunista Revolucionário (França)

 


Declaração da Organização dos Comunistas Russos
de 10 de setembro sobre as eleições

De 18 a 20 de setembro de 2026, a Rússia realizará eleições para a Duma Estatal, a câmara baixa do Parlamento. A mídia estatal as apresenta como o evento político mais importante do ano. Diversos grupos, partidos e movimentos — tanto os que se declaram de esquerda quanto os comunistas — reagem de maneiras diferentes a essas eleições. Alguns defendem o voto nos candidatos comunistas oficiais, enquanto outros convocam um voto de protesto. No entanto, a grande maioria dos trabalhadores se mostra apática ou cética em relação a essas eleições. Analisando a situação da economia e da sociedade russa, a Organização dos Comunistas observa o seguinte: ao longo de 2026, a economia russa se deteriora em ritmo acelerado. O principal motivo é o crescente impacto da guerra. O déficit orçamentário federal para 2026 foi estimado em 3,786 trilhões de rublos (1,6% do PIB), mas em julho daquele ano já havia atingido 6,455 trilhões de rublos (2,8% do PIB). O Banco Central reduziu sua previsão de crescimento do PIB para 2026 para uma faixa entre 0,0% e 1,0%.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

O KKE sobre os resultados das eleições na Alemanha

Somente um movimento operário e popular revitalizado pode dar resposta à extrema-direita e às falsas polarizações.

Em um comunicado sobre os resultados das eleições na Alemanha, a Assessoria de Imprensa do Comitê Central do Partido Comunista da Grécia (KKE) observa o seguinte:

O ataque aos direitos dos trabalhadores e do povo pelas forças políticas burguesas, como o liberalismo, a social-democracia, a pseudoesquerda e outras, a intensificação das contradições sociais em todos os países num contexto de exploração capitalista e rivalidades imperialistas, aliada à ausência de um movimento operário e comunista forte e orientado para a classe, são os fatores que levam as forças populares desiludidas a aderirem ao populismo de extrema-direita e supostamente “anti-establishment” na Alemanha e em outros lugares.

Na verdade, em condições de preparação para a guerra, essas forças são ainda mais úteis ao sistema para disseminar o veneno do racismo e do nacionalismo entre os trabalhadores e o povo. Isso permite que o verdadeiro culpado, a política antipopular dominante, a UE do capital e da guerra — o próprio sistema capitalista — permaneça ileso. O povo, especialmente nas regiões da antiga República Democrática Alemã, sofreu as consequências dramáticas da queda do socialismo há 35 anos. É por isso que até mesmo forças populistas de extrema-direita, como o AfD, “vendem” nostalgia para cooptar a classe trabalhadora e as forças populares e integrá-las a planos reacionários. É nesse contexto que a UE cultiva a “teoria dos dois extremos”, uma teoria ahistórica que, em última análise, leva à absolvição das forças reacionárias e fascistas. Além disso, a UE apoia e fortalece consistentemente essas forças para servir a seus interesses geopolíticos e econômicos.

Somente um movimento operário e popular revitalizado, a luta de classes e a luta contra as causas profundas que alimentam essas correntes reacionárias e que têm a ver com a própria UE, as guerras imperialistas e as rivalidades imperialistas podem fornecer uma resposta à extrema-direita, bem como às dicotomias usuais, falidas e falsas que estão sendo estabelecidas.


Edição: Página 1917

Fonte: https://inter.kke.gr/en/m-article/The-KKE-on-the-election-results-in-Germany-Only-a-revitalized-workers-and-peoples-movement-can-provide-an-answer-to-the-far-right-and-falsepolarities/

domingo, 6 de setembro de 2026

Venezuela: os sionistas chegaram

Eva Garcia

Em termos de demonstrações de força, esta foi inesperada. Nada demonstra mais "músculo" do que realizar o impensável e colocar tropas das Forças de Defesa de Israel em solo venezuelano, antes um verdadeiro caldeirão antissionista, tudo sob o pretexto repugnante e claramente ardiloso de "reconstruir" a Venezuela.

 04.09.2026

 



Um antigo provérbio palestino adverte os necessitados contra o recurso a soluções prejudiciais: "Não bebas veneno para matar a sede", diz o provérbio.

Palavras sábias, sem dúvida. Mas apenas uma semana após o tremor de terra , alguns estavam com os ouvidos tão entupidos com estrelas e riscas que não o ouviram, preferindo engolir um veneno pútrido ao convidar sionistas genocidas para a Venezuela como parte da resposta pós-terremoto.

Em termos de demonstrações de força, esta foi inesperada. Nada demonstra mais "músculo" do que realizar o impensável e colocar tropas das Forças de Defesa de Israel em solo venezuelano, antes um verdadeiro caldeirão antissionista, tudo sob o pretexto repugnante e claramente ardiloso de "reconstruir" a Venezuela.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

O declínio da socialdemocracia na Venezuela


À luz da completa entrega dos recursos naturais da Venezuela aos EUA por meio do acordo assinado pelo governo socialdemocrata da presidente interina Delcy Rodríguez — que atuou como vice-presidente sob o governo de Nicolás Maduro, atualmente detido nos EUA após seu sequestro durante a inaceitável intervenção militar imperialista dos EUA em 3 de janeiro — surgiu uma profunda divisão entre os membros do Partido Social Democrata da Venezuela.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Que democracia?

Editorial do Página 1917
03/09/2026




A democracia burguesa no Brasil vem sendo aperfeiçoada desde a constituição de 1988, mas não no sentido de ampliar e fortalecer as liberdades democráticas, muito pelo contrário, trataram de restringir através de uma série de medidas, qualquer possibilidade de ascensão via eleitoral de forças políticas hostis ao capitalismo. Essas forças anticapitalistas foram banidas dos espaços no rádio e televisão e dos debates entre candidatos, elas recebem migalhas do fundo eleitoral, enquanto os partidos burgueses dominantes no Congresso recebem fortunas. A isso chamam "democracia"?!!!

Qual o sentido dos partidos e organizações que se reivindicam comunistas e revolucionários, participarem dessa farsa eleitoral? Se o resultado tem sido legitimar este regime político corrupto e antidemocrático. Justamente quando a sucessão de escândalos torna as instituições desse regime político cada vez mais desprezadas pelas massas, o papel das forças da revolução deve ser o de expor todas as suas contradições, seu caráter de classe, demonstrando que o Estado burguês apodrecido serve ao domínio dos exploradores do proletariado, que é o inimigo a ser derrotado.

O chamado ao boicote dessas eleições, combinado com as reivindicações da classe trabalhadora e a denúncia sem tréguas de todo esse regime político burguês, poderia contribuir de maneira efetiva para o avanço da consciência de classe e da revolução proletária em nosso país.










terça-feira, 1 de setembro de 2026

Lênin: Marxismo e Reformismo (1913)

 Cem Flores 31.08.2026

Conselho de operários e operárias na fábrica Putilov, Rússia, 1920.

O capitalismo é a atual forma de exploração, dominação e repressão das massas trabalhadoras por uma pequena minoria de parasitas, que vivem no luxo, sem trabalhar. Nosso momento histórico é marcado, fundamentalmente, pela luta de classes da burguesia para sugar mais trabalho e riqueza alheios, de um lado, e pela luta de classes do proletariado e das massas dominadas para resistir e por um fim à sua vida de miséria e escravidão, de outro.

A história comprova que há apenas uma forma de vencer essa minoria e avançar para uma sociedade sem classes: a revolução rumo ao socialismo e ao comunismo. Essa revolução é resultado do aumento de organização e independência do proletariado e seus aliados, reforço de sua resistência e conquistas parciais, até a conquista do poder e a transição a outro modo de produção. Para os exploradores, essa revolução significa o fim de sua dominação, o risco maior a ser evitado. E, por isso, lançam mão de todo seu poder e violência, buscando reprimir ou desviar toda ação na luta de classes dos dominados que caminhe para a revolução.

Historicamente, surgiram diversos grupos e correntes políticos e ideológicos nas resistências e lutas das massas trabalhadoras que se colocam contrários à revolução. Na realidade, defendem a continuidade da dominação burguesa, do capitalismo. Isso ocorre por diversas razões: pela corrupção dos dominantes no seio dos dominados; pela ideologia burguesa que penetra e é propagada de diversas formas nas massas; pela presença e influência das camadas médias na luta do proletariado etc. Esses grupos e correntes são, objetivamente, inimigos a serem denunciados e combatidos pelo proletariado, entraves à sua luta e aos seus objetivos.

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Os Ensinamentos de Mao Tse-Tung e a Guerra Revolucionária no Brasil

Eder Sader*
Outubro de 1968

Em 1949 a Revolução triunfa na China.


A história recente do movimento comunista tem revelado uma desconcertante relação entre a força do pensamento de Mao na China e a pobreza de seus seguidores oficiais no resto do mundo. Enquanto o PC da China soube traçar a sua estratégia, independente dos modelos de Stalin, os partidos pro-chineses têm-se mostrado profundamente ineficientes do ponto de vista revolucionário. O PC Indonésio pagou caro sua politica de “unidade nacional" com Sukarno, o PC do Brasil nunca soube aplicar ao país uma política adaptada às condições locais, os organismos pró-chineses da Europa não se revelaram capazes de traçar uma estratégia para o velho continente e o mesmo se pode dizer de quase todos os agrupamentos latino-americanos que se reúnem sob a bandeira do maoísmo.

Certamente a grande força do pensamento político de Mao adveio de seu esforço para aplicar o marxismo ao estudo da realidade chinesa. Combatendo aqueles que só sabiam recitar “um estoque de frases estrangeiras mal digeridas", ele apontava paro o partido a necessidade de se enraizar nas condições nacionais.

“Um comunista é um internacionalista marxista, mas o marxismo tem que assumir uma forma nacional antes de poder ser aplicado”.

Independente de alguns desvios de sua aplicação, este princípio é em si justo e foi ele que permitiu ao partido chinês recusar os caminhos propostos por Stalin mesmo durante a fase do culto à personalidade dele.(1)

Mas o que não podia ser feito era a transposição desse marxismo "sob uma forma nacional” chinesa para, todos os outros países. As táticas, as palavras de ordem, os objetivos dos chineses em sua revolução passaram a ser as táticas, as palavras de ordem e objetivos dos maoístas em todo o mundo, independente das particularidades de cada país. E assim, por estranho destino, os discípulos de Mao passaram a “recitar um estoque de frases estrangeiras mal digeridas”.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Por que os Marxistas se Opõem ao Terrorismo Individual

Leon Trotsky

Novembro de1911

Trotsky, fundador e comandante do Exército Vermelho.


Nossos inimigos de classe têm o costume de queixar-se de nosso terrorismo. Eles gostariam de por o rótulo de terrorismo a todas as ações do proletariado dirigidas contra os interesses do inimigo de classe. Para eles, o método principal de terrorismo é a greve. A ameaça de uma greve, a organização de piquetes de greve, o boicote econômico a um patrão super explorador, o boicote moral a um traidor de nossas próprias filas: tudo isso e muito mais é qualificado de terrorismo. Se por terrorismo se entende qualquer coisa que atemorize o prejudique o inimigo, então a luta de classes não é outra coisa senão terrorismo. E o único que resta considerar é se os políticos burgueses têm o direito de proclamar sua indignação moral acerca do terrorismo proletário, quando todo seu aparato estatal, com suas leis, polícia e exército não é senão um instrumento do terror capitalista.

No entanto, devemos assinalar que quando nos jogam na cara o terrorismo, tratam, ainda que nem sempre de forma consciente, de dar-lhe a esta palavra uma sentido mais estrito, menos indireto. Por exemplo, a destruição das máquinas por parte dos trabalhadores é terrorismo neste sentido estrito do termo. A morte de um patrão, a ameaça de incendiar uma fábrica ou matar o seu dono, o atentado a mão armada contra um ministro: todos estes são atos terroristas no sentido estrito do termo. Não obstante, qualquer um que conheça a verdadeira natureza da social-democracia(1) internacional deve saber que ela tem se colocado em oposição da maneira mais irreconciliável a esta classe de terrorismo.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Resolução apresentada pelo KKE ao 24º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários



Partidos comunistas e operários contra as guerras imperialistas:

A luta operária-popular se fortalecerá com uma linha independente, afastada de todos os planos burgueses e imperialistas. 

 

           Com esta Resolução, por ocasião do 24º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários em Havana, de 7 a 9 de agosto de 2026, expressamos nossa solidariedade a Cuba e ao seu povo, honramos a memória e a contribuição histórica do Comandante Fidel Castro Ruz, líder do Partido Comunista de Cuba e da Revolução Cubana, no centenário de seu nascimento, comemorado este ano. Expressamos nossa solidariedade e nos colocamos ao lado dos povos da Palestina, do Líbano e do Irã, e de todos os povos que enfrentam a barbárie do capitalismo, a exploração de classe, as proibições e restrições antidemocráticas à atividade sindical e política e, em particular, as intervenções e guerras imperialistas. 

          A guerra que se trava há cinco anos em território ucraniano, derramando o sangue de dois povos que viveram e prosperaram juntos durante décadas, construindo a nova sociedade socialista e que, com armas em punho, lutaram e derrotaram o fascismo — gerado pelo sistema capitalista — , baseia-se na derrubada do socialismo e na dissolução da União Soviética.  

          É uma guerra travada no âmbito do capitalismo por matérias-primas, energia, rotas de transporte de mercadorias, meios de produção, posição geopolítica, etc.

domingo, 16 de agosto de 2026

Contribuição do Partido Comunista da Grécia (KKE) no 24º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários

 (Havana, agosto de 2026)



“Gostaríamos de começar agradecendo ao Partido Comunista de Cuba pela organização do 24º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários (EIPCO), apesar das imensas dificuldades impostas ao povo cubano pela intensificação do bloqueio e da agressão dos EUA.
Aqui em Havana, condenamos mais uma vez o longo bloqueio imperialista contra Cuba. Denunciamos todas as novas medidas pelas quais o governo Trump tenta sufocar o povo cubano, em particular o bloqueio energético imposto nos últimos oito meses.
Desde o primeiro momento da vitória da Revolução Cubana em 1959, o KKE tem-se posicionado consistentemente ao lado de Cuba e do seu povo, expressando firmemente a sua solidariedade.”

Caros camaradas,

“Os meios diplomáticos estão a tornar-se cada vez menos importantes para os Estados burgueses, e as guerras comerciais e económicas estão a ganhar prioridade; a transição para a chamada economia de guerra está a generalizar-se; os orçamentos e armamentos de guerra estão a aumentar; novos sistemas de armas estão a ser testados e os arsenais nucleares estão a ser modernizados; e, no geral, a preparação dos Estados burgueses para um confronto militar generalizado está a acelerar-se.”

As promessas feitas pelos governos imperialistas e burgueses de que os golpes contrarrevolucionários de 1989-1991 inaugurariam um novo mundo de paz e prosperidade para os povos provaram ser exatamente o oposto da realidade. Em vez disso, trouxeram novas guerras e intervenções imperialistas; intensificação da exploração da classe trabalhadora ao nível internacional; aprofundamento do empobrecimento relativo e absoluto; crises capitalistas cujo peso é suportado pelos povos; e ondas de milhões de migrantes e refugiados como consequência da barbárie imperialista.

Trinta e cinco anos depois, a correlação de forças permanece desfavorável à luta de classes em todo o mundo, apesar dos problemas que o capitalismo enfrenta e da intensificação das suas contradições. Ao mesmo tempo, os acontecimentos apontam cada vez mais para um sistema em decadência, um sistema que se tornou historicamente obsoleto.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Cuba não negocia nem vende sua Revolução

Que tem custado o sangue e o sacrifício de seus filhos.

Fidel Castro Ruz
22 de junho de 2000

"Não é preciso simplificar no tema das privatizações. Como princípio geral, em Cuba não será privatizado nada que seja conveniente e possível de manter como propriedade de todo o povo ou de um coletivo de trabalhadores.

Nossa ideologia e a nossa preferência é socialista, nada afim ao egoísmo, os privilégios e as desigualdades da sociedade capitalista. Na nossa Pátria não passará nada ao poder de um alto funcionário, e nada será dado como presente a cúmplices e amigos. Nada que possa ser explorado com eficiência e um rendimento elevado para nossa sociedade passará às mãos de nacionais ou estrangeiros. Ao mesmo tempo posso te afirmar que nenhum investimento está mais garantido no mundo do que aquele que, protegidos pelas leis e a honra do país, foram autorizadas em Cuba."

Fidel Alejandro Castro Ruz (Birán, 13 de agosto de 1926 – Havana, 25 de novembro de 2016)



RESPOSTAS AO QUESTIONÁRIO DE F. MAYOR

FEDERICO MAYOR.- Junto da China, o Vietname e a Coréia do Norte, Cuba é considerada como o último bastião do socialismo. Mas, dez anos depois da queda do muro de Berlim, a palavra "socialismo" por acaso faz ainda sentido?

FIDEL CASTRO.- Hoje estou mais convencido do que nunca de que faz um grande sentido.

O que aconteceu há dez anos foi a destruição ingênua e inconsciente de um grande processo social e histórico que deveria ter sido aperfeiçoado, mas nunca destruído. Isso não o conseguiram fazer nem as hordas do Hitler, nem sequer matando mais de vinte milhões de soviéticos e arrasando a metade do país. O mundo ficou sob a égide de uma única super-potência que, na luta contra o fascismo, não contribuiu nem sequer com 5 por cento dos sacrifícios que fizeram os soviéticos.

Em Cuba temos um país unido e um Partido que guia, mas não postula nem elege. Os vizinhos, reunidos em assembléias abertas, propõem, postulam e elegem os delegados de 14 686 circunscripções, que são a base do nosso sistema eleitoral. Eles conformam as assembléias de seus respectivos municípios e postulam os candidatos às assembléias provinciais e nacional, máximos órgãos de poder do Estado nesses níveis, os quais devem ser eleitos em votação secreta por mais de 50 por cento dos votos válidos em suas jurisdições correspondentes.

Sem ser um fato obrigatório, nessas eleições participam mais de 95 por cento dos eleitores. Muitos no mundo nem sequer se preocuparam por se informar a respeito dessa realidade.

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Centralismo Democrático e Direção Coletiva

Giocondo Dias*
20/27 de novembro de 1981

Nota do editor:
Reproduzimos este interessante artigo de Giocondo Dias, militante comunista de larga trajetória revolucionária que esteve entre as lideranças do levante de 1935 em Natal. Suas premissas estão corretas e são úteis na atualidade, sem esquecermos a contradição com a prática do PCB nos anos oitenta do século passado, do qual Giocondo era Secretário Geral, quando prevalecia o centralismo burocrático e o desrespeito à democracia interna.

Giocondo Dias


    Há cerca de 14 anos, em dezembro de 1967, os comunistas brasileiros realizavam os trabalhos finais de seu VI Congresso. Efetivado sob duras condições de clandestinidade e repressão, e no calor de uma ardorosa luta ideológica contra as formas com que, à época, se apresentava o “esquerdismo”, o VI Congresso do PCB marcou um indiscutível momento de avanço nas concepções dos comunistas brasileiros.

Na resolução política daquele congresso, entre outras tematizações, deu-se especial importância à questão orgânica; em certa passagem, afirma-se explicitamente a necessidade de “assegurar o pleno funcionamento da democracia e da disciplina partidárias, com base no centralismo democrático e na prática da direção coletiva”. Temos a mais firme convicção de que esta proposta, legítima ao tempo do seu enunciado, é hoje tanto mais válida. E temos mesmo a certeza de que a mais radical democracia partidária só pode ser garantida se se mantém os pressupostos leninistas do partido novo: o centralismo democrático e a direção coletiva.

sábado, 1 de agosto de 2026

O sujeito "ausente"

Ney Nunes*
01/08/2026

Rússia, 1917, o proletariado na vanguarda da revolução.

Em tempos de hegemonia acachapante da burguesia e das suas classes auxiliares, quase não se houve falar da única classe em condições de liderar uma autêntica revolução anticapitalista: o proletariado.

Com certeza, não será das hostes da pequena-burguesia reformista que fala em revolução no discurso, mas almeja apenas um lugar ao sol na gerência do capitalismo, que iremos ouvir menção ao proletariado como sujeito revolucionário. Muito pelo contrário, a tal "revolução" desses sacripantas não tem nada a ver com lutas de classe. Os múltiplos "sujeitos revolucionários" deles são todos  pertencentes a segmentos identitários, desprovidos do qualquer caráter classista.

Mesmo fora de moda, esse sujeito "ausente" segue sua existência, porque é imprescindível ao capitalismo.  Sem ele não se cria nem se acumula capital, é dele que a burguesia extrai a mais valia que sustenta toda a engrenagem econômica do sistema de exploração do homem pelo homem. Pode estar fragmentado, apático, derrotado politicamente, mas não desapareceu do cenário da luta de classes. Nas empresas desenvolve muitas vezes uma resistência surda contra a exploração, sabedor da conjuntura desfavorável e do cerco dos inimigos de classe e seus colaboradores.

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Fascismo Antigo e Moderno

Francisco Martins Rodrigues
Setembro/Outubro de 1994



Dezoito milhões de desempregados, ascenso de greves e conflitos sociais, entrada dos fascistas no governo de Itália – estaremos perante uma reposição do filme dos anos trinta? Esta parece ser a opinião de Alex Calinicos, conhecido marxista inglês, o qual, num artigo dedicado à luta de classes na Europa(1), julga divisar uma “polarização de classe” semelhante à dessa época, com a diferença, porém, de que o movimento operário estaria agora “em muito melhor posição para resistir aos futuros assaltos” do inimigo, porque disporia de “força e combatividade” e contaria com os sindicatos para a defesa dos seus interesses de classe. Discordamos da comparação e ainda mais da pretensa situação de vantagem do proletariado.

domingo, 26 de julho de 2026

A Faísca em Tell: Como a Resistência de uma Aldeia Interrompeu a Estratégia de Israel na Cisjordânia

Ramzy Baroud*

25/07/2026

Familiares e moradores lamentam a morte de um dos palestinos durante o ataque do exército israelense e de colonos à cidade de Tell, a sudoeste de Nablus, na Cisjordânia ocupada. (Foto: QNN)

Durante uma incursão militar na pequena cidade de Tell, a sudoeste de Nablus, um momento de desafio direto destruiu a ilusão de submissão total palestina.

Diante das incursões militares implacáveis, da confiscação de terras e do assédio e violência dos colonos, os moradores e agricultores locais se recusaram a recuar.  

No confronto que se seguiu, um único palestino desarmou um soldado israelense e abriu fogo contra as forças invasoras perto do assentamento ilegal de Havat Gilad, matando dois soldados e ferindo outros três.

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