Agildo Barata
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| Preso após o levante de 1935, o capitão Agildo Barata, segundo da esquerda para a direita, é conduzido por policiais para prestar depoimento. |
Meu rompimento com o PCB
No dia 13 de maio de 1957 dirigi aos membros do CC um bilhete redigido nos seguintes termos:
"Camaradas do CC.:
Depois de 22 anos de militância ininterrupta nas fileiras do PCB, resolvi, baseado no art. 1º dos Estatutos, em caráter irrevogável, solicitar minha demissão de membro do partido e de membro efetivo do Comitê Central.
As razões que me levaram a tal decisão não cabem nos limites estreitos de um rápido bilhete e reservo-me o direito de voltar ao assunto quando julgue correto fazê-lo."
Uma semana depois, os jornais do PCB noticiaram que o CC resolvera me expulsar do partido e a partir de então, os órgãos do partido entraram a insultar-me e e caluniar-me da maneira mais torpe e soez. Apenas um exemplo: um dos números da "Voz Operária", tabloide de 16 páginas, e que, nessa época, era o órgão central do partido, dedicava 14 páginas a insultar-me. O núcleo dirigente qual uma professorinha que quisesse exercitar seus pupilos na prática de uma composição deu o assunto para os militantes que sabiam escrever: o tema é caluniar e insultar o "renegado" Agildo Barata; "vale tudo"; e, durante meses seguidos, foi um chorrilho de subliteratura no mais puro e requintado estilo de chavões e de insultos usados pelo sr. Prestes.
Todos buscavam imitar o mestre e - honra lhes seja feita - muitos o conseguiram e alguns o sobrepujaram.
Vou narrar como os fatos que cercaram essa minha decisão se passaram: Uma noite, eu realizava em São Paulo uma de minhas costumeiras reuniões num "círculo de amigos" na residência de um deles. Todos queriam saber se o famoso relatório Kruchev no XX Congresso do PCUS sobre o culto à personalidade de Stalin e as tremendas revelações que se continham no documento, eram verdadeiras ou não.



