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sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Milei e Massa Não São Iguais, mas Representam os Mesmos Interesses de Classe

Nota do Comitê Central do Partido Comunista Argentino (PCA)* sobre as eleições de 2023.


Onda de saques precedeu as eleições argentinas.


No domingo (22) ocorreram as eleições gerais em plena crise que atravessa o nosso país, com uma inflação mensal de 12% e uma inflação anual de 138%; mais de 20 milhões de argentinos em situação de pobreza, quase 60% de crianças pobres, ou seja, 6 em cada 10 crianças vivem na pobreza, e com 10% da nossa população em situação de extrema pobreza; com o aprofundamento do plano de ajuste levado a cabo pelo governo nacional de Alberto Fernández, Cristina Kirchner e Sergio Massa, através da criação de um novo dólar e da corrida cambial, que se traduziu em especulação financeira e no aumento da inflação; aumento no preço dos combustíveis e das necessidades básicas; etc.

Como nós do Partido Comunista Argentino já vínhamos denunciando desde o anúncio das candidaturas, o período eleitoral foi marcado por uma agenda de extrema direita, alinhada ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e aos organismos financeiros. A Embaixada dos Estados Unidos colocou “um ovo em cada cesta”, já que tanto Javier Milei, Sergio Massa ou Patricia Bullrich são personagens alinhados aos interesses monopolistas e pretendem claramente continuar apoiando o modo de produção capitalista.

As Crianças de Gaza

Patrick Howlett-Martin

10.11.23

"Por que é que as crianças também devem sofrer? Dir-se-á que elas carregam na carne os pecados dos seus pais e, portanto, são cúmplices? Alguns podem  gracejar dizendo que a criança vai crescer e pecar por sua vez, quando chegar a hora. Mas este menino de 8 anos não teve a possibilidade de crescer;  foi dilacerado por cães. Nenhuma quantidade de harmonia futura redimirá uma única lágrima derramada por esta criança mártir. Se as lágrimas das crianças são necessárias para aperfeiçoar a quantidade de sofrimento que serve de resgate para a verdade, afirmo categoricamente que não merece ser pago tal preço."

– Dostoievski, Os Irmãos Karamazov

A Faixa de Gaza foi alvo de quatro ataques israelitas desde 2009: em 2009, 2012, 2014 e 2021. Desde 2000, as forças armadas israelitas mataram 7 759 palestinos em Gaza, incluindo 1 741 crianças e 572 mulheres, de acordo com a organização humanitária israelita B'Tselem. Nesta quinta ofensiva militar israelita desde 09 de outubro de 2023, em retaliação pela morte de 1 400 israelitas, a grande maioria civis, e pelo rapto de 200 reféns, dos quais 30 crianças, por elementos armados do Hamas a partir de Gaza, morreram mais de 7 028 pessoas, incluindo 2 913 crianças e 1 709 mulheres, sob 7 000 bombas de Israel (até 26 de outubro) [Edição Página 1917: dados atualizados em 10/11 registram um total de 11 mil palestinos mortos pelos ataques israelenses.]


Em apenas 18 dias, os bombardeamentos israelitas mataram mais crianças palestinas em Gaza do que nos últimos 23 anos. Os hospitais de Gaza relataram 18 484 feridos. Quando irá acabar essa contabilidade macabra? As crianças israelitas e palestinas são responsáveis pela atual situação na Palestina? Como é que as crianças palestinianas podem ser responsáveis pela intervenção militar levada a cabo pelo braço armado do Hamas, que é brandido pelas autoridades israelitas para justificar a destruição de Gaza? Com que finalidade estas crianças estão a ser mortas? A morte de crianças palestinas em anteriores bombardeamentos e ataques israelitas em Gaza, contribuiu, de alguma forma, para preservar a segurança do Estado israelita?

Otto Ohlendorf, um dos líderes dos Einsatzgruppen [esquadrões da morte nazis], admitiu durante os Julgamentos de Nuremberga ter executado 90 000 pessoas na Ucrânia, incluindo judeus e comunistas, sem qualquer necessidade militar, não poupando crianças por medo de que elas se vingassem quando crescessem. Justificando a execução das crianças, Ohlendorf afirmou:

"Acredito que é muito fácil explicar se partirmos do fato de que essa ordem não estava apenas a tentar garantir segurança temporária, mas segurança permanente. Por essa razão, essas crianças cresceriam e, com os seus pais mortos, certamente representariam um perigo tão significativo como os seus pais" ("Die jüdischen Kinder von heute unsere Gegner von morgen seien")

terça-feira, 7 de novembro de 2023

A Nossa Revolução*

A Nossa Revolução

Ney Nunes

09/11/2017

 Um acontecimento que, decorrido um século, ainda provoca análises, debates e paixões ao redor do mundo, não pode de forma alguma ser desprezado, ou corre-se o risco de ficar prisioneiro da ignorância sobre o passado e da cegueira em relação ao presente e ao futuro.

A Revolução Russa de 1917 nasceu das profundezas de uma crise terminal do sistema autocrático vigente na Rússia, combinada e potencializada pelas disputas interimperialistas que resultaram na Primeira Guerra Mundial. O componente mais especificamente russo dessa crise já tinha se manifestado com força na revolução derrotada de 1905, quando a tirania do regime dos Czares foi colocada em xeque pela mobilização dos camponeses e operários. Apesar da derrota da revolução, o regime dos Czares não teria longa sobrevida, os reveses militares da Rússia na guerra iniciada em 1914 e a situação miserável da maioria esmagadora do povo forneceram o combustível que reacendeu a chama que fora apagada pela repressão em 1905.


Manifestação na Rússia em 1917.

Mas nem só de revolta popular é tecida uma revolução vitoriosa, é preciso bem mais. A indignação e a disposição das massas para lutar necessitavam de uma base sólida, essa base foi construída pela teoria marxista, pela estratégia e táticas elaboradas e levadas a prática por um disciplinado partido revolucionário que soube se ligar de forma orgânica ao proletariado russo. Esse partido nasceu da cisão no interior da social-democracia, então a corrente política majoritária no movimento operário internacional, ela se deu a partir das divergências sobre as concepções de construção e funcionamento do partido e também do posicionamento diante da Primeira Guerra Mundial.

No entendimento da maioria da sua direção, o partido bolchevique não deveria ficar limitado às disputas eleitorais e lutas por reformas no interior do capitalismo, pelo contrário, ela compartilhava a compreensão de que a violência da ditadura do capital só poderia ser derrotada por um partido centralizado e inserido em todas as lutas do proletariado, preparado para operar sob as mais difíceis condições.

Iniciada a guerra, Lenin e seus camaradas denunciaram o oportunismo da social-democracia que capitulava diante das suas burguesias nacionais, apoiando no parlamento créditos para sustentar a guerra interimperialista.

domingo, 5 de novembro de 2023

Israel é uma Força de Ocupação Militar

Ney Nunes

05/11/2023


Soldado israelense agride palestino durante protesto na  Cisjordânia, 20/10/2022.
 Crédito: EFE/ABED AL HASHL AMOUN


Há 75 anos, Israel se constituiu como força invasora e de ocupação militar sobre o território palestino, fundamentada pela ideologia sionista e graças ao respaldo político, econômico e militar que recebe dos Estados Unidos, Alemanha, França e Inglaterra.

Os apoiadores da ocupação na Palestina e das barbaridades ali cometidas tentam, de forma cínica, confundir sionismo com judaísmo. Quando sabemos que judaísmo é uma religião milenar com todo o direito de existir, da mesma forma que o catolicismo, budismo, islamismo e outras. Já o sionismo, não passa de uma ideologia política burguesa elaborada para legitimar a expulsão dos palestinos das suas terras, objetivando  a construção de um Estado racista no território ocupado.

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