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quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Da ilusão de uma "Internet Livre" aos Caminhos da Cibercensura

Manuel Gouveia

28-09-23


    

Existe ainda um espaço de liberdade real na internet. Onde uma diferente perspectiva do mundo pode ser e é apresentada. De uma forma não massificada, mas acessível, na teoria, por todos. É aqui que agora os poderes políticos estão a intervir para colocar – de forma mais clara – mecanismos de censura.

Há muitos, muitos anos, uma geração foi levada a acreditar que a Internet representava o acesso livre e universal de todos os cidadãos à produção, publicação e consulta de informação. A quantidade de disparates que então se escreveu dava uma excelente obra cômica.

Quem alertava para a realidade material, e para as implicações dessa realidade material, foi taxado de "Velho do Restelo"*, e antevia-se a sua rápida descredibilização pela vertiginosa liberdade provocada pela Internet. Como sempre, a materialidade impôs-se.

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

O Massacre de Gaza não Pode Continuar

Ney Nunes

11/10/2023

Um verdadeiro massacre, similar em covardia e crueldade ao holocausto praticado pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial, está em curso contra o povo palestino em Gaza.


Misseis explodem em Gaza (Foto: Mohammed Salem)

Os bombardeios acontecem há quatro dias seguidos, causando milhares de mortos e feridos entre a população civil, explodindo residências, prédios públicos e destruindo grande parte da precária infraestrutura do gueto onde estão confinados cerca de dois milhões de palestinos.

Há 75 anos o povo palestino sofre com a invasão e ocupação israelense em seu território, respaldada política e militarmente pelas potências imperialistas. Perderam tudo, casas, terras, direitos, liberdade e soberania. Tornaram-se prisioneiros a céu aberto, vítimas de um bloqueio econômico que sufocou sua economia. Convivem com repressão violenta, assassinatos, prisões ilegais, inclusive de crianças. 

As resoluções aprovadas pela ONU contra as barbaridades cometidas por Israel se converteram em letra morta. Foram sempre ignoradas e descumpridas pelo Estado sionista com a cobertura total dos EUA e a omissão das demais potências capitalistas.

Ao povo palestino não restou alternativa que não seja lutar de todas as formas possíveis contra esta situação terrível que suportam há mais de sete décadas. Ainda sim, sua resistência é classificada pela mídia a serviço da máquina de propaganda imperialista como "terrorismo".

A rebelião contra a ocupação militar estrangeira é um direito de todos os povos. Desse modo foi reconhecida a resistência dos países europeus contra as forças de ocupação nazifascistas na Segunda Guerra. Agora querem negar, de forma cínica e desprezível, o direito do povo palestino de resistir contra a invasão e ocupação do seu território pelas tropas israelenses.

O colonialismo econômico persiste num mundo dominado pelo sistema capitalista em sua fase imperialista. A legitima luta pela libertação do povo palestino faz parte da luta contra a barbárie imperialista. 

A continuidade desse massacre em Gaza se insere na escalada internacional de conflitos bélicos que aumentam significativamente os riscos de uma nova confrontação mundial nos jogando em definitivo na barbárie.

A solidariedade à luta pela libertação da Palestina é de fundamental importância nesse momento. É necessário um poderoso movimento popular para denunciar e exigir a suspensão imediata dos bombardeios e do cerco da população palestina pelas tropas sionistas.

A paz só é possível com a derrota do imperialismo!

Edição: Página 1917


 


  

segunda-feira, 9 de outubro de 2023

O Povo Palestino tem o Direito de Defender os Seus Direitos

E precisa de maior apoio e solidariedade popular.

Partido Comunista da Grécia (KKE)09.10.2023


Militantes do Hamas tomam tanque israelense.

O Gabinete de Imprensa do Comitê Central do KKE, na sua declaração sobre os acontecimentos na Palestina e em Israel, destaca o seguinte:

O KKE denuncia a ocupação de longa duração pelo Estado israelense e os crimes sistematicamente cometidos contra o povo palestino - com apoio dos EUA, da UE e dos seus aliados - que deixaram milhares de palestinos mortos, feridos e encarcerados, cidades e populações destroçadas, assentamentos em territórios palestinos.

Os acontecimentos atuais não são “trovões num céu claro” e aqueles que procuram as suas causas devem olhar de frente para a verdade, que revela os ataques das forças israelenses escalando diariamente, provocando a morte de dezenas de palestinos, incluindo adultos e crianças. Estes são crimes que se intensificaram no último período, como o KKE vem denunciando repetidamente. A agressividade do Estado de Israel, em última instância, se voltou contra o próprio povo israelense.

Os governos da ND e do SYRIZA, que com os seus comunicados inaceitáveis​​a poiam as forças de ocupação, foram duplamente expostos porque desde 2015 fecham os olhos e se recusam a reconhecer o Estado Palestino de acordo com a respectiva resolução unânime do parlamento grego.

O povo palestino tem o direito de defender os seus direitos e necessita de maior apoio popular e solidariedade para continuar a sua luta para por fim à ocupação israelense, por um Estado independente nas fronteiras de 1967, com Jerusalém Oriental como capital.”

Fonte: https://inter.kke.gr/es/articles/El-pueblo-palestino-tiene-derecho-a-defender-sus-derechos-y-necesita-un-mayor-apoyo-popular-y-solidaridad/

Edição: Página 1917
















09.10.2023

sábado, 7 de outubro de 2023

Holocausto Palestino em Gaza*

Fidel Castro 

08/2014



[...] "A Inglaterra foi a primeira real potência colonial que usou seus domínios sobre grande parte da África, do Oriente Médio, da Ásia, Austrália, América do Norte e muitas das ilhas antilhanas, na primeira metade do século 20.

Não falarei, nesta ocasião, das guerras e dos crimes cometidos pelo império dos Estados Unidos ao longo de mais de cem anos, mas só registrarei o que quis fazer com Cuba, o que fez com muitos outros países no mundo e só serviu para provar que “uma ideia justa desde o fundo de uma caverna pode mais do que um Exército”.

A história é muito mais complicada do que tudo o que foi dito, mas foi assim, em grandes traços, como a conheceram os habitantes da Palestina e, é lógico, igualmente, que nos meios modernos de comunicação se reflitam as notícias que diariamente chegam; assim ocorreu com a vexatória e criminosa guerra na Faixa de Gaza, um pedaço de terra onde vive a população do que restou da Palestina independente até apenas meio século atrás.

A agência francesa AFP informou, no sábado (2): “A guerra entre o movimento islamita palestino Hamas e Israel causou a morte de cerca de 1.800 palestinos (…), a destruição de milhares de lares e a ruína de uma economia já debilitada”, ainda que não assinale, à partida, quem iniciou a terrível guerra.

Depois adiciona: “(…) no sábado, ao meio-dia, a ofensiva israelense havia matado 1.712 palestinos e ferido 8.900. As Nações Unidas puderam verificar a identidade de 1.117 mortos, majoritariamente civis. (…) A Unicef contabilizou ao menos 296 menores [de idade] mortos”.

“As Nações Unidas estimaram (…) (cerca de 58.900 pessoas) sem casas na Faixa de Gaza.”

“Dez dos 32 hospitais fecharam e outros 11 foram afetados.”

“Este enclave palestino de 362 quilômetros quadrados não dispõe tampouco das infraestruturas necessárias para os 1,8 milhão de habitantes, sobretudo em termos de distribuição de eletricidade e de água.”

“Segundo o Fundo Monetário Internacional, a taxa de desemprego ultrapassa 40% na Faixa de Gaza, território submetido, desde 2006, a um bloqueio israelense. Em 2000, o desemprego afetava cerca de 20% e, em 2011, cerca de 30%. Mais de 70% da população depende da ajuda humanitária em tempos normais, segundo o Gisha [Centro Legal para a Liberdade de Movimentação].”

O governo de Israel declara uma trégua humanitária em Gaza às 07h00 (hora de Greenwich) desta segunda-feira (4), entretanto, às poucas horas rompeu a trégua ao atacar uma casa em que 30 pessoas, em sua maioria mulheres e crianças, foram feridas e, entre elas, uma menina de oito anos, que morreu.

Na madrugada deste mesmo dia, 10 palestinos morreram como consequência dos ataques israelenses em toda a Faixa e já subiu a quase dois mil o número de palestinos assassinados.

A matança chegou a tal ponto que o “ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, anunciou nesta segunda-feira que o direito de Israel à segurança não justifica o ‘massacre de civis’ que está perpetrando”.

O genocídio dos nazistas contra os judeus colheu o ódio de todos os povos da terra. Por que acredita o governo desse país que o mundo será insensível a este macabro genocídio que hoje está cometendo contra o povo palestino? Por acaso se espera que ignore quanto há de cumplicidade por parte do império norte-americano neste massacre desavergonhado?

A espécie humana vive uma etapa sem precedentes na história. Um choque de aviões militares ou aeronaves de guerra que se vigiam estreitamente ou outros fatos similares podem desatar uma contenda com o emprego das sofisticadas armas modernas que se converteria na última aventura do conhecido Homo sapiens."

*A íntegra deste artigo foi publicada no Granma. 

Edição: Página 1917

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