O PCP submete-se ao PS e
continua a afastar-se da luta pelo socialismo!
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| Que Fazer? |
“Um Partido de classe, revolucionário,
marxista-leninista e internacionalista ... existe para elevar a consciência
política das massas ao nível da luta pela revolução socialista, criadas as
devidas condições objetivas e subjetivas. As condições objetivas não dependem
só da classe e do partido de classe, mas as condições subjetivas, essas,
dependem só e apenas desse partido de vanguarda da classe”.
Entendimentos do
PCP com o PS e apelo ao regresso de “renovadores” que se afastaram:
Na entrada em funções do novo secretário-geral do PCP foram dadas várias
entrevistas a órgãos de comunicação social em que ele teve oportunidade de
manifestar o seu pensamento político. Claro que, nessa qualidade de
secretário-geral, não deu as suas opiniões pessoais, mas, pelo menos as da
direção do seu partido. E essas opiniões, nas várias entrevistas, refletem um
evoluir e uma clarificação de posições relativas à linha política do PCP, mais
explícitas, até, em relação às expressas pelo anterior secretário-geral.
Pode dizer-se, e é verdade, que essas opiniões respeitam a linha
aprovada no XXI Congresso e até
de congressos anteriores, mas daí só pode concluir-se que essa linha não só
estava errada, como continha nas entrelinhas, em potência, as interpretações
que, agora com mais clareza, são expressas pelo atual secretário-geral.
E essa interpretação foca-se agora em três direções que não tinham antes
sido mencionadas e explicitadas: a abertura ao regresso dos “renovadores” -
aqueles membros do PCP afastados, por decisão própria ou sanção disciplinar que
queriam subverter a natureza de classe do Partido, podemos acrescentar, que
traíram o Partido; e a abertura de portas a futuros entendimentos com o PS com
vistas à governação do país. A terceira direção, que referiremos adiante é a
linha política do PCP na qual o PS desempenha um papel de protagonista.
Posteriormente vem a saber-se que o apelo ao regresso se dirige também
àqueles que ficaram “zangados” com o fim da “geringonça”, responsabilizando o
PCP por esse divórcio e aos que, imbuídos de ideologia burguesa discordaram da
posição do PCP em relação à guerra imperialista na Ucrânia. Isto não se pode
aceitar, ou, de outro modo, só é aceite porque o PCP está transformado numa
panela onde tudo cabe: tudo o que seja ideologicamente degenerado e a caminhar
para o desvio de direita, ou para a social-democratização do PCP. A ideologia
burguesa e pequeno-burguesa infiltra-se a cada instante na ideologia
partidária. E só se fôssemos tolos é que não veríamos que existem mecanismos,
devidamente organizados, virados para a destruição, por todas as vias, a
ideológica incluída, dos partidos comunistas, como aconteceu em Espanha, na
França, na Itália, ou na União Soviética.
Abrir as portas a traidores do Partido, chamar os que ficaram
descontentes com o fim da “geringonça”, rebaixar-se ao PS são três atitudes
inseparáveis que revelam o estado de decomposição do PCP.
Um partido que não renegue a sua natureza de classe e a sua missão
histórica, tem de lutar todos os dias pela unidade ideológica no seu seio
através da educação marxista-leninista dos seus militantes e quadros, contra a
ideologia burguesa e pequeno-burguesa. Para quem não sabe ou já se esqueceu,
unidade ideológica é o oposto de unanimismo e imposição de opiniões únicas.
Um Partido de classe, revolucionário, marxista-leninista e internacionalista, não é um negociador social, não é um sindicato ainda por cima fraco, que considera boas as migalhas que o PS “deu” para obter a aprovação de dois orçamentos de Estado. Um tal partido existe para elevar a consciência política das massas ao nível da luta pela revolução socialista criadas as devidas condições objetivas e subjetivas. As condições objetivas não dependem só da classe e do partido de classe, mas as condições subjetivas, essas, dependem só e apenas desse partido de vanguarda da classe.
O novo secretário-geral e a direção do PCP não sabem nem querem medir as consequências dessa “geringonça” traduzida no atraso histórico provocado na consciencialização das massas e no enfraquecimento da sua luta.
O PCP submete-se ao PS e continua a afastar-se da
luta pelo socialismo
A terceira direção em que as declarações do novo secretário-geral abrem
o jogo em relação às ideias implícitas nos documentos programáticos e de
orientação é aquela que se refere à linha política geral do PCP, ou se
quisermos, à tática. Paulo Raimundo fez afirmações que, não levando mais longe
o que consta desses documentos, em si altamente problemáticos, desvendam
claramente o sentido neles contido, e dá passos políticos em frente nos “desafios”
que lança ao PS.
Na entrevista que deu ao DN2, PR afirma que o PCP “propõe” uma
alternativa patriótica de esquerda – como, de resto, há muito “propõe” - e
considera que “o PS não pode estar de fora desta solução”. Parece ser a
primeira vez que, explicitamente (implicitamente está tudo mais que dito nos
documentos de referência) o PCP integra o PS na sua “política patriótica e de
esquerda”.
O PCP “propõe” uma política alternativa “patriótica e de esquerda”. Qual
o conteúdo desta palavra “propor” ? Lamentamos ter de chegar ao ABC da política
para responder à questão. P.R. e a direção do PCP não sabem que as
reivindicações, sejam elas de natureza sindical, sejam de natureza política,
neste caso por maioria de razão, não se resolvem com “propostas”, mas apenas
pela força, com a luta de classes? Não sabem eles que o PS se ri nas costas do
PCP exposto a tamanhos disparates dos seus dirigentes máximos quando estes lhe
“pedem batatinhas” no quadro de uma maioria absoluta que o PS tem na Assembleia
da República e um PCP enfraquecido e não apenas no plano eleitoral? Por que
haveria o PS, partido da burguesia, de atender às “propostas” dos fracos e,
quiçá, ingénuos representantes do inimigo de classe (o inimigo de classe do PS
são os trabalhadores e as suas organizações)? Não sabe qualquer dirigente
sindical, por mais atrasado que seja política e ideologicamente, que só se
conseguem aumentos salariais se o patronato tiver medo da força dos
trabalhadores ou não tiver forças para lhes resistir?
A linha da política “patriótica e de esquerda” que o PCP defende
coloca-o na dependência da vontade do PS, só será viável se o PS quiser. E,
para o PS, o PCP só lhe serve para obter maiorias absolutas, ou de bengala
quando só tem maioria relativa, como aconteceu agora e já tinha acontecido na
Câmara de Lisboa. Por isso dizemos que o PCP se coloca na dependência política
do PS ou, em termos de classe, que a classe operária fica na dependência da
burguesia com tal “alternativa”; que se arrasta na cauda da burguesia, como se
expressavam os teóricos fundadores do socialismo científico.
Como o PS defende o capitalismo com unhas e dentes, coisa que não é
necessário demonstrar, jamais haverá qualquer política “patriótica e de
esquerda”, tanto mais que o PCP fica na atitude de “propor” à sociedade e ao
PS. As propostas são ou não aceites, é o que a palavra quer dizer, e as
“propostas” políticas do PCP não o serão decerto junto do PS.
Em resumo, quem não quer mudar a sociedade capitalista “propõe”, quem
quer alcançar o socialismo destruindo o capitalismo, luta por isso.
A unidade do Partido
Alguns militantes podem ser tentados a interpretar o apelo ao regresso
de “renovadores” pela necessidade de unir e reforçar o Partido. É essa a
justificação dada pelo Secretário-geral e por consequência, pela direção.
É preciso desmistificar este
raciocínio e refletir sobre as consequências deste apelo.
Em primeiro lugar, o Partido não está unido. Para estar unido seriam
necessárias várias condições que não se verificam. Democracia interna não
existe, como temos vindo a insistir. Os militantes sabem que as reuniões,
quando as há, só servem para transmitir as opiniões dos organismos superiores.
Debate político-ideológico não existe. Quem discutiu a aliança com o PS na
“geringonça”? Quem discutiu os apelos ao PS para uma nova aliança
institucional? Quem discutiu o apelo ao regresso de traidores do Partido? Opiniões
expressas pelos militantes são ignoradas. Os militantes que discordam seja do
que for, desde a mais simples questão até à linha política, são afastados. A
organização desfaz-se, porque muitos militantes se vão afastando por muitas
razões: ou não sentem utilidade na sua participação – a sua opinião não conta -
, ou porque se sentem perseguidos, ou porque não sentem o Partido como o lugar
onde se luta pelos ideais mais nobres. A aparente unidade é só unanimismo
imposto ou consentido.
Inseparável da democracia interna, do centralismo democrático, é a linha
política. Um partido revolucionário, que luta pelo socialismo, age internamente
em conformidade com os princípios do centralismo democrático, indispensáveis à
unidade férrea do partido para derrubar o capitalismo. Um partido absorvido
pelo sistema, um partido socialdemocratizado, que não combate o capitalismo,
que luta apenas por uma política “patriótica de esquerda” e apela a alianças
com o PS, não precisa de centralismo democrático e não é democrático.
«A unidade do Partido fundamenta-se na justeza da análise da situação e
na justeza dos seus objetivos e da sua orientação política» e «A unidade fundamenta-se na assimilação e na educação ideológica
marxista-leninista», diz Álvaro Cunhal em O Partido com paredes de vidro
(pp. 231 e 233).
Um objetivo político claro, revolucionário, junta muitas forças,
mobiliza muita gente, gera força moral e anímica. Uma “alternativa patriótica
de esquerda”, uma “democracia avançada” não mobilizam ninguém. Quem é que já
ouviu ou viu, na luta de massas, palavras de ordem pela “alternativa patriótica
de esquerda” ou pela “democracia avançada”? Quem é que conhece o conteúdo
destas construções mentais sem pés assentes na realidade?
1. https://expresso.pt/politica/2022-11-16-Novo-lider-do-PCP-diz-que-uma-parte-dos-que-sairam-do-partido-na-crise-de-2000-faz-muita-falta-02c04d24
2. https://www.dn.pt/politica/pcp-desafia-ps-para-alternativa-patriotica-e-de-esquerda-15621592.html
Fonte: https://quefazerquefazer.wixsite.com/info
Edição: Página 1917