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quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

Saudação da Juventude Comunista da Bolívia pelo 73º Aniversário do Partido Comunista da Bolívia

        Neste dia 17 de janeiro comemoram-se 73 anos da fundação do Partido Comunista da Bolívia, vanguarda combativa da classe trabalhadora boliviana.

Juventude Comunista da Bolívia


A história do nosso Partido atravessa transversalmente a história da Bolívia. Desde os feitos históricos dos trabalhadores durante a revolução de abril de 1952, na qual os militantes comunistas estiveram nas ruas junto aos mineiros, operários das fábricas, trabalhadores, estudantes e camponeses lutando contra o imperialismo e o exército da oligarquia entreguista; passando pelas sangrentas lutas contra as ditaduras dos assassinos Barrientos, Banzer e García Meza, nas quais a militância comunista teve coragem de enfrentá-los empregando as diversas formas de luta necessárias para deter a tirania das ditaduras militares e dirigindo as massas populares na luta pela recuperação da soberania, da democracia e da liberdade.

Nosso Partido esteve nas ruas não só nas épocas das ditaduras militares, mas também nos combates contra as políticas neoliberais impulsionadas principalmente pelo imperialismo norte-americano e novamente através da oligarquia nacional. Fomos uma das poucas organizações que se mantiveram na luta contra este modelo que ainda perdura em nossa sociedade e cujas bases ainda não foram alteradas no fundamental.

Durante o último episódio sombrio de nossa história, durante a ditadura de Añez, sobretudo os jovens comunistas, lutamos em todos os níveis contra a brutal repressão do governo Añez.

Estivemos com nossos companheiros que resistiam em El Alto, Senkata, Sacaba, Cochabamba, Santa Cruz e outros lugares onde era necessário estar presente, demonstrando a qualidade e a audácia do militante comunista.

O processo vivido durante esse período demonstra a importância fundamental da reorganização do Partido e de sua integração com as massas populares, nas minas, nas fábricas, nos centros educativos e no campo, assim como a necessidade da formação da militância comunista no marxismo-leninismo para travar as batalhas necessárias tanto contra os representantes diretos do capital, como contra o oportunismo que se mascara sob a imagem de falsos socialismos levando a cabo uma luta reformista e criando confusão e desorganização no seio da classe operária.

O Partido Comunista tem dado à Bolívia seus melhores filhos, camaradas lúcidos intelectualmente, militantes aguerridos e combativos que devem ser lembrados por todo o povo como titãs da luta pelo socialismo que dedicaram a vida à construção de um país de e para os trabalhadores. Entre eles destacamos os camaradas Roberto Alvarado, Nilo Soruco, René Zavaleta Mercado, Luis Lucksic, Oscar Alfaro, Rosendo García, Jorge Kolle, Jorge Alejando Ovando Sanz, Javier Baldiviezo, Sinforoso Escobar, Clara Torrico.

Rosendo Osorio, Jorge Ibañez, Guillermo Torrelio, Marcos Domic, René Rocabado e tantos outros camaradas caídos em combate que dedicaram toda sua existência e suas forças ao Partido e à revolução.

Hoje, em que vivemos tempos de grande adversidade a nível mundial, a  missão presente para nosso Partido deve ser seguir sendo a luta pela revolução socialista sob os princípios do marxismo-leninismo com a classe operária como guia de todo o povo trabalhador. A dissolução da União Soviética abriu as portas a um período de profunda crise ideológica e confusão em muitos Partidos Comunistas, que resultou em muitos casos na negação de nossos princípios e história e finalmente na degeneração.

Existe, porém, uma vasta militância que se mantém firme na posição que corresponde um verdadeiro comunista, ‘de pé sobre a terra como uma árvore’. Nosso desejo é que o Partido Comunista da Bolívia esteja na primeira fila, trabalhando pela reorganização da classe operária nacional e do movimento comunista internacional, na confrontação aberta contra o oportunismo, o revisionismo e o reformismo. Agora nossa tarefa como jovens militantes comunistas é contribuir com a reconstrução e reorganização do Partido Comunista.

Nós, da Juventude Comunista da Bolívia, saudamos com punho ao alto a história de nossa organização e reafirmamos nosso compromisso de seguir lutando nas filas do Partido da revolução, da classe operária, até a construção do socialismo-comunismo.

Camaradas,

ADIANTE PELA RECONSTRUÇÃO E REORGANIZAÇÃO DO PARTIDO COMUNISTA DA BOLÍVIA!

VIVA O MARXISMO-LENINISMO!

VIVA O PARTIDO COMUNISTA DA BOLÍVIA!

VIVA DA JUVENTUDE COMUNISTA DA BOLÍVIA!

17 de janeiro de 2023

Comitê Nacional

Juventude Comunista da Bolívia

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Imperialismo, Dogma Orientalista e a Missão Civilizatória

Edward W. Said*

2003



      [...] Nos Estados Unidos, o endurecimento das atitudes, o estreitamento da tenaz da generalização desencorajante e do clichê triunfalista, a supremacia da força bruta aliada a um desprezo simplista pelos opositores e pelos “outros” encontraram um correlativo adequado no saque, na pilhagem e na destruição das bibliotecas e dos museus do Iraque. O que nossos líderes e seus lacaios intelectuais parecem incapazes de compreender é que a história não pode ser apagada, que ela não fica em branco como uma lousa limpa para que “nós” possamos inscrever nela nosso próprio futuro e impor nossas próprias formas de vida para que esses povos menores os adotem.

    [...] Mesmo com todos os seus terríveis fracassos e seu ditador lamentável parcialmente criado pela política americana de duas décadas atrás, o fato é que, se o Iraque fosse o maior exportador mundial de bananas ou laranjas, sem dúvida não teria havido guerra nem histeria em torno de armas de destruição em massa misteriosamente desaparecidas, e efetivos de proporções descomunais do exército, da marinha e da aeronáutica não teriam sido transportados a uma distância de mais de 11 mil quilômetros com o objetivo de destruir um país que nem os americanos cultos conhecem direito, tudo em nome da “liberdade”. Sem um sentimento bem organizado de que aquela gente que mora lá não é como “nós” e não aprecia “nossos” valores  –  justamente o cerne do dogma orientalista tradicional, tal como descrevo seu surgimento e sua circulação neste livro – , não teria havido guerra. 

      Portanto, da mesmíssima mesa diretora de acadêmicos a soldo – aliciados pelos conquistadores holandeses da Malásia e da Indonésia, pelas armadas britânicas da Índia, da Mesopotâmia, do Egito e da África Ocidental, pelas armadas francesas da Indochina e do Norte da África – vieram os consultores americanos que assessoram o Pentágono e a Casa Branca usando os mesmos clichês, os mesmos estereótipos mortificantes, as mesmas justificativas para o uso da força e da violência (afinal de contas, diz o coro, a força é a única linguagem que aquela gente entende), tanto no caso atual como nos que o precederam. Agora foi juntar-se a essas pessoas, no Iraque, um verdadeiro exército de empreiteiros privados e empresários ávidos a quem serão confiadas todas as coisas – da elaboração de livros didáticos e da Constituição nacional à remodelagem da vida política iraquiana e da indústria petrolífera do país. Todos os impérios que já existiram, em seus discursos oficiais, afirmaram não ser como os outros, explicaram que suas circunstâncias são especiais, que existem com a missão de educar, civilizar e instaurar a ordem e a democracia, e que só em último caso recorrem à força. Além disso, o que é mais triste, sempre aparece um coro de intelectuais de boa vontade para dizer palavras pacificadoras acerca de impérios benignos e altruístas, como se não devêssemos confiar na evidência que nossos próprios olhos nos oferecem quando contemplamos a destruição, miséria e a morte trazidas pela mais recente mission civilisatrice.

Fonte: Orientalismo; 2007; Companhia das Letras.

*Edward Wadie Said (árabe:إدوارد سعيد; Jerusalém, 1 de Novembro de 1935 – Nova Iorque, 25 de Setembro de 2003) foi um professor, crítico literário e ativista político palestino-estadunidense. Docente de literatura na Universidade de Columbia, foi um dos fundadores do campo acadêmico de estudos pós-coloniais. Também foi um dos principais intelectuais da causa palestina e de outras questões do mundo árabe de um modo geral. Sua obra mais importante é Orientalismo [en], publicada em 1978 e traduzida em 36 línguas, que é considerada como um dos textos fundadores dos estudos pós-coloniais.

Em 1977 Said foi eleito membro do Conselho Nacional Palestiniano, o parlamento da Palestina no exílio. Inicialmente partidário da criação de dois estados como forma de solucionar o conflito israelo-árabe, tendo votado nesse sentido num encontro da OLP em 1988 em Alger, Said acabaria por considerar mais oportuna a criação de um único estado binacional que englobasse Israel, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, no qual os judeus e os árabes gozassem dos mesmos direitos.

Em 1991 ele demitiu-se do Conselho Nacional Palestiniano em protesto pelo apoio de Yasser Arafat a Saddam Hussein durante a guerra do Golfo. Foi um grande crítico da actuação de Arafat durante as negociações que conduziram aos Acordo de Paz de Oslo, que na sua opinião não favoreciam o retorno dos refugiados palestinianos aos locais que habitavam antes da guerra de 1967.

Em 2002 Edward Said, junto como Haidar Abdel-Shafi, Ibrahim Dakkak e Mustafa Barghouti, participou na criação da Iniciativa Nacional Palestina (ou Al-Mubadara), numa tentativa de criar uma terceira força política palestiniana que se afirmasse como alternativa à Autoridade Nacional Palestiniana e ao Hamas.

Edição: Página 1917


 

sábado, 14 de janeiro de 2023

Sobre as Ações Reacionárias no Brasil

Seção Internacional do CC do Partido Comunista do México (PCM)

11/01/2023

 


O Partido Comunista do México expressa sua solidariedade com a classe operária e os setores populares no Brasil, frente aos acontecimentos do último 8 de janeiro, em Brasília, onde as forças reacionárias seguidoras do ex-presidente Bolsonaro atacaram edifícios governamentais, em uma tentativa de incitar grupos de militares e policiais a não reconhecer os resultados das últimas eleições.

O fortalecimento destas forças reacionárias na América Latina, como o evidenciam os casos recentes no Brasil, Peru e Bolívia, se dá ante uma agudização das contradições inter-burguesas, a intervenção de diferentes polos imperialistas; assim como ante o desencanto das massas populares com a traição e a corrupção dos governos progressistas na última década, e sobretudo a clara incapacidade de – nos marcos do capitalismo – resolver o drama da exploração, da fome, da miséria e da infelicidade dos trabalhadores e dos povos.

Só a luta independente da classe operária e dos setores populares contra o capitalismo e suas diferentes gestões poderá cortar a fonte de oxigênio das forças reacionárias e permitir uma alternativa ao ciclo sem fim de governos social-democratas e reacionários em nosso continente.

Proletários de todos os países, unam-se!

Edição: Página 1917


sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Cem Anos do Testamento de Lenin (1923-2023)

CARTA AO CONGRESSO ¹

Lenin convalescendo em 1923.

Eu aconselharia fortemente a empreender neste congresso uma série de modificações na nossa estrutura política.

Desejaria comunicar-vos as considerações que penso serem mais importantes.

Em primeiro lugar, coloco o aumento do número de membros do CC para várias dezenas ou mesmo uma centena. Penso que se não empreendêssemos essa reforma, o nosso Comitê Central se veria ameaçado de grandes perigos, caso o curso dos acontecimentos não fosse de todo favorável para nós (e não podemos contar com isso).

Em seguida penso propor à atenção do congresso que, dentro de certas condições, se dê caráter legislativo às decisões da Gosplan, indo neste aspecto ao encontro do camarada Trotsky, até certo ponto e em certas condições.

No que se refere ao primeiro ponto, isto é, ao aumento do número de membros do CC, penso que tal coisa é necessária tanto para elevar o prestígio do CC como para um trabalho sério para melhorar o nosso aparelho e para evitar que os conflitos de certas pequenas partes do CC possam adquirir uma importância excessiva para os destinos do partido.

Parece-me que o nosso partido está no direito de pedir à classe operária 50 a 100 membros para o Comitê Central, e que pode recebê-los dela sem uma tensão excessiva das suas forças.

Esta reforma aumentaria consideravelmente a solidez do nosso partido e facilitar-lhe-ia a sua luta, rodeado de Estados hostis, luta que em meu entender pode e deve agudizar-se muito nos próximos anos. Penso que a estabilidade do nosso partido ganharia mil vezes com esta medida.

Lenin 23/12/1922


Por estabilidade do Comitê Central, de que falava mais acima, entendo as medidas contra a cisão, se é que tais medidas podem, em geral, ser tomadas. Porque, naturalmente, o guarda branco da Rússkaia Misl (parece que era S. S. Oldenburg) tinha razão quando, no jogo dessa gente contra a Rússia Soviética, apostava em primeiro lugar numa cisão do nosso partido e quando, em segundo lugar, apostava para essa cisão em divergências muito sérias no partido.

O nosso partido apoia-se em duas classes, e por isso é possível a sua instabilidade e inevitável a sua queda se essas duas classes não pudessem estabelecer um acordo. Nesse caso, seria inútil tomar tais ou tais medidas e, em geral, tecer considerações acerca da estabilidade do nosso CC. Nenhuma medida seria capaz, neste caso, de prevenir a cisão. Mas eu espero que isto seja um futuro demasiado distante e um acontecimento demasiado improvável para falar dele.

Refiro-me à estabilidade como garantia contra a cisão num futuro próximo, e tenciono expor aqui uma série de considerações de ordem puramente pessoal.

Penso que o fundamental na questão da estabilidade, deste ponto de vista, são membros do CC como Stalin e Trotsky. As relações entre eles, em minha opinião, constituem mais de metade do perigo dessa cisão que se poderia evitar, e para evitar a qual, em minha opinião, deve servir, entre outras coisas, o aumento do número de membros do CC para 50, para 100 pessoas.

O camarada Stalin, tendo-se tornado secretário-geral, concentrou nas suas mãos um poder imenso e não estou certo de que saiba sempre utilizar este poder com suficiente prudência. Por outro lado, o camarada Trotsky, como o demonstrou já na sua luta contra o CC a propósito da questão do Comissariado do Povo das Vias de Comunicação, não se distingue apenas pela sua destacada capacidade. Pessoalmente é talvez o homem mais capaz do atual CC, mas peca por excessiva confiança em si próprio e deixa-se arrastar excessivamente pelo aspecto puramente administrativo das coisas.

Estas duas qualidades de dois destacados chefes do CC atual podem levar involuntariamente à cisão, e se o nosso partido não toma medidas para o impedir, a cisão pode surgir inesperadamente.

Não continuarei a caracterizar os outros membros do CC pelas suas qualidades pessoais. Recordarei apenas que o episódio de Zinoviev e Kamenev em outubro² não é, naturalmente, acidental, mas que se não pode culpá-los pessoalmente disso, como a Trotsky do seu não bolchevismo.

Dos jovens membros do CC, quero dizer algumas palavras acerca de Bukharin e de Piatakov. São, em meu entender, os mais destacados (dos mais jovens), e, a propósito deles, dever-se-ia ter em conta o seguinte: Bukharin não só é um valiosíssimo e grande teórico do partido, como, além disso, é legitimamente considerado o favorito de todo o partido, mas as suas concepções teóricas só com grandes reservas se podem qualificar de inteiramente marxistas, pois há nele qualquer coisa de escolástico (nunca estudou e penso que nunca compreendeu inteiramente a dialética).

Lenin 24/12/1922


Seguidamente, Piatakov, homem sem dúvida de grande vontade e de grandes capacidades, mas que se deixa arrastar demasiado pela administração e pelo aspecto administrativo das coisas para que se possa confiar nele para uma questão política séria.

Naturalmente, faço uma e outra observação apenas para o presente, na hipótese de que ambos estes destacados e fiéis militantes não encontrem ocasião de completar os seus conhecimentos e de corrigir a sua unilateralidade.

Lenin 25/12/1922


Aditamento à carta de 24 de dezembro de 1922

Stalin é demasiado rude e este defeito, plenamente tolerável no nosso meio e nas relações entre nós, comunistas, torna-se intolerável no cargo de secretário-geral. Por isso proponho aos camaradas que pensem na forma de transferir Stalin deste lugar e de nomear para este lugar outro homem que em todos os outros aspectos se diferencie do camarada Stalin apenas por uma vantagem, a saber: que seja mais tolerante, mais leal, mais cortês e mais atento para com os camaradas, menos caprichoso, etc. Esta circunstância pode parecer uma fútil ninharia. Mas penso que, do ponto de vista de prevenir a cisão e do ponto de vista do que escrevi mais acima acerca das relações entre Stalin e Trotsky, isto não é uma ninharia, ou é uma ninharia que pode adquirir importância decisiva.

Lenin 04/01/1923


Notas

1 - Em Maio de 1924 a Carta ao Congresso foi lida aos delegados ao XIII congresso do Partido, mas somente em 1956, por decisão do CC do PCUS, essas cartas foram levadas ao conhecimento do XX Congresso do Partido, enviadas às organizações do Partido e amplamente divulgadas.

2 - Lenin se refere a atitude de Zinoviev e Kamanev, às vésperas da insurreição de 1917, de se posicionarem publicamente contra o levante após serem derrotados no CC do partido bolchevique.

Edição: Página 1917

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