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sábado, 14 de janeiro de 2023

Sobre as Ações Reacionárias no Brasil

Seção Internacional do CC do Partido Comunista do México (PCM)

11/01/2023

 


O Partido Comunista do México expressa sua solidariedade com a classe operária e os setores populares no Brasil, frente aos acontecimentos do último 8 de janeiro, em Brasília, onde as forças reacionárias seguidoras do ex-presidente Bolsonaro atacaram edifícios governamentais, em uma tentativa de incitar grupos de militares e policiais a não reconhecer os resultados das últimas eleições.

O fortalecimento destas forças reacionárias na América Latina, como o evidenciam os casos recentes no Brasil, Peru e Bolívia, se dá ante uma agudização das contradições inter-burguesas, a intervenção de diferentes polos imperialistas; assim como ante o desencanto das massas populares com a traição e a corrupção dos governos progressistas na última década, e sobretudo a clara incapacidade de – nos marcos do capitalismo – resolver o drama da exploração, da fome, da miséria e da infelicidade dos trabalhadores e dos povos.

Só a luta independente da classe operária e dos setores populares contra o capitalismo e suas diferentes gestões poderá cortar a fonte de oxigênio das forças reacionárias e permitir uma alternativa ao ciclo sem fim de governos social-democratas e reacionários em nosso continente.

Proletários de todos os países, unam-se!

Edição: Página 1917


sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Cem Anos do Testamento de Lenin (1923-2023)

CARTA AO CONGRESSO ¹

Lenin convalescendo em 1923.

Eu aconselharia fortemente a empreender neste congresso uma série de modificações na nossa estrutura política.

Desejaria comunicar-vos as considerações que penso serem mais importantes.

Em primeiro lugar, coloco o aumento do número de membros do CC para várias dezenas ou mesmo uma centena. Penso que se não empreendêssemos essa reforma, o nosso Comitê Central se veria ameaçado de grandes perigos, caso o curso dos acontecimentos não fosse de todo favorável para nós (e não podemos contar com isso).

Em seguida penso propor à atenção do congresso que, dentro de certas condições, se dê caráter legislativo às decisões da Gosplan, indo neste aspecto ao encontro do camarada Trotsky, até certo ponto e em certas condições.

No que se refere ao primeiro ponto, isto é, ao aumento do número de membros do CC, penso que tal coisa é necessária tanto para elevar o prestígio do CC como para um trabalho sério para melhorar o nosso aparelho e para evitar que os conflitos de certas pequenas partes do CC possam adquirir uma importância excessiva para os destinos do partido.

Parece-me que o nosso partido está no direito de pedir à classe operária 50 a 100 membros para o Comitê Central, e que pode recebê-los dela sem uma tensão excessiva das suas forças.

Esta reforma aumentaria consideravelmente a solidez do nosso partido e facilitar-lhe-ia a sua luta, rodeado de Estados hostis, luta que em meu entender pode e deve agudizar-se muito nos próximos anos. Penso que a estabilidade do nosso partido ganharia mil vezes com esta medida.

Lenin 23/12/1922


Por estabilidade do Comitê Central, de que falava mais acima, entendo as medidas contra a cisão, se é que tais medidas podem, em geral, ser tomadas. Porque, naturalmente, o guarda branco da Rússkaia Misl (parece que era S. S. Oldenburg) tinha razão quando, no jogo dessa gente contra a Rússia Soviética, apostava em primeiro lugar numa cisão do nosso partido e quando, em segundo lugar, apostava para essa cisão em divergências muito sérias no partido.

O nosso partido apoia-se em duas classes, e por isso é possível a sua instabilidade e inevitável a sua queda se essas duas classes não pudessem estabelecer um acordo. Nesse caso, seria inútil tomar tais ou tais medidas e, em geral, tecer considerações acerca da estabilidade do nosso CC. Nenhuma medida seria capaz, neste caso, de prevenir a cisão. Mas eu espero que isto seja um futuro demasiado distante e um acontecimento demasiado improvável para falar dele.

Refiro-me à estabilidade como garantia contra a cisão num futuro próximo, e tenciono expor aqui uma série de considerações de ordem puramente pessoal.

Penso que o fundamental na questão da estabilidade, deste ponto de vista, são membros do CC como Stalin e Trotsky. As relações entre eles, em minha opinião, constituem mais de metade do perigo dessa cisão que se poderia evitar, e para evitar a qual, em minha opinião, deve servir, entre outras coisas, o aumento do número de membros do CC para 50, para 100 pessoas.

O camarada Stalin, tendo-se tornado secretário-geral, concentrou nas suas mãos um poder imenso e não estou certo de que saiba sempre utilizar este poder com suficiente prudência. Por outro lado, o camarada Trotsky, como o demonstrou já na sua luta contra o CC a propósito da questão do Comissariado do Povo das Vias de Comunicação, não se distingue apenas pela sua destacada capacidade. Pessoalmente é talvez o homem mais capaz do atual CC, mas peca por excessiva confiança em si próprio e deixa-se arrastar excessivamente pelo aspecto puramente administrativo das coisas.

Estas duas qualidades de dois destacados chefes do CC atual podem levar involuntariamente à cisão, e se o nosso partido não toma medidas para o impedir, a cisão pode surgir inesperadamente.

Não continuarei a caracterizar os outros membros do CC pelas suas qualidades pessoais. Recordarei apenas que o episódio de Zinoviev e Kamenev em outubro² não é, naturalmente, acidental, mas que se não pode culpá-los pessoalmente disso, como a Trotsky do seu não bolchevismo.

Dos jovens membros do CC, quero dizer algumas palavras acerca de Bukharin e de Piatakov. São, em meu entender, os mais destacados (dos mais jovens), e, a propósito deles, dever-se-ia ter em conta o seguinte: Bukharin não só é um valiosíssimo e grande teórico do partido, como, além disso, é legitimamente considerado o favorito de todo o partido, mas as suas concepções teóricas só com grandes reservas se podem qualificar de inteiramente marxistas, pois há nele qualquer coisa de escolástico (nunca estudou e penso que nunca compreendeu inteiramente a dialética).

Lenin 24/12/1922


Seguidamente, Piatakov, homem sem dúvida de grande vontade e de grandes capacidades, mas que se deixa arrastar demasiado pela administração e pelo aspecto administrativo das coisas para que se possa confiar nele para uma questão política séria.

Naturalmente, faço uma e outra observação apenas para o presente, na hipótese de que ambos estes destacados e fiéis militantes não encontrem ocasião de completar os seus conhecimentos e de corrigir a sua unilateralidade.

Lenin 25/12/1922


Aditamento à carta de 24 de dezembro de 1922

Stalin é demasiado rude e este defeito, plenamente tolerável no nosso meio e nas relações entre nós, comunistas, torna-se intolerável no cargo de secretário-geral. Por isso proponho aos camaradas que pensem na forma de transferir Stalin deste lugar e de nomear para este lugar outro homem que em todos os outros aspectos se diferencie do camarada Stalin apenas por uma vantagem, a saber: que seja mais tolerante, mais leal, mais cortês e mais atento para com os camaradas, menos caprichoso, etc. Esta circunstância pode parecer uma fútil ninharia. Mas penso que, do ponto de vista de prevenir a cisão e do ponto de vista do que escrevi mais acima acerca das relações entre Stalin e Trotsky, isto não é uma ninharia, ou é uma ninharia que pode adquirir importância decisiva.

Lenin 04/01/1923


Notas

1 - Em Maio de 1924 a Carta ao Congresso foi lida aos delegados ao XIII congresso do Partido, mas somente em 1956, por decisão do CC do PCUS, essas cartas foram levadas ao conhecimento do XX Congresso do Partido, enviadas às organizações do Partido e amplamente divulgadas.

2 - Lenin se refere a atitude de Zinoviev e Kamanev, às vésperas da insurreição de 1917, de se posicionarem publicamente contra o levante após serem derrotados no CC do partido bolchevique.

Edição: Página 1917

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

Nosso Caminho Leva à Vitória

Partido Comunista Argentino - PCA 

Janeiro/2023



“El Partido Comunista tiene una misión histórica y nada ni nadie podrá impedir que se cumpra” Victorio Codovilla

Há mais de 105 anos na Rússia Czarista, a classe operária e os camponeses, com seu partido de vanguarda, o Partido Bolchevique, instauraram pela primeira vez o poder operário e empreenderam a construção do socialismo enterrando o capitalismo. A bandeira da Revolução de Outubro foi engrandecida na Argentina em 6 de janeiro de 1918 por Victorio Codovilla, Rodolfo Ghioldi, José F. Penelón, Recabarren, anunciando ao mundo que no continente americano também se levantaria um destacamento de vanguarda do proletariado que luta pelo novo mundo socialista.

Nos 105 anos de história que hoje completa o Partido Comunista da Argentina, é necessário recordar que foi exemplo da luta dos trabalhadores pelo socialismo, impulsionando a formação dos primeiros sindicatos operários e das grandes greves de trabalhadores que foram integradas e dirigidas por militantes comunistas. Exemplos destas últimas são a “Patagônia Rebelde” com os camaradas Soto e Albino Argüelles na direção, a famosa greve da construção civil onde o camarada Rubens Íscaro teve uma participação ativa, e também o trabalho de José Peter na defesa dos trabalhadores do setor da carne. O Partido Comunista também esteve à frente da luta pela emancipação da mulher trabalhadora com camaradas como Alcira de la Peña, na luta internacionalista com grandes militantes como Benigno “Boris” Mochkofsky, Raquel Levenson, Marcelo Feito e as Brigadas do Café.

Porém, nos últimos anos aquele Partido que nasceu sob a influência da Grande Revolução Socialista de Outubro, borrou sua identidade revolucionária frente a atuação e predomínio de distintas correntes oportunistas, o que o fez perder seus vínculos com a classe operária e o povo, paralisou sua vida política e orgânica, assumindo de fato um programa que não contempla a luta pelo socialismo como a tarefa imediata da classe operária. Mas as posições revolucionárias não podem ser extintas enquanto existir a classe operária, por isso o Partido no passado fez várias tentativas para aperfeiçoar e preservar sua política revolucionária, foi o caso do XVI Congresso, mesmo que tenha sido um processo inconcluso que não terminou por concretizar-se, é exemplo de política para uma reconstrução revolucionária do Partido Comunista na Argentina.

O Partido Comunista da Argentina há muito tempo desenvolveu uma política errática, produto da falta de clareza e do ecletismo impregnado pelo oportunismo, por exemplo, passou de uma política de crítica e confronto ao kirchnerismo por considerá-lo expressão do “neoliberalismo K” em princípios de 2000 e, a partir de 2008, procedeu à integração e subordinação dos comunistas a uma das principais forças burguesas da Argentina: o peronismo.

O kirchnerismo, versão do progressismo na Argentina, é um governo gestor do capitalismo que perpetuou a infelicidade de nosso povo, mostra disso é que existem 18 milhões de pessoas na pobreza e 3,3 milhões de famintos, cerca de 2 milhões de trabalhadores com renda abaixo da linha de pobreza devido à precarização do trabalho, a cesta básica é de $ 145,900 e o salário mínimo é de quase $ 70.000, existe um índice de 60% de crianças pobres, durante a pandemia 11 milhões de trabalhadores ocupados e desocupados comiam em restaurantes e cozinhas populares. Está claro que o progressismo não pode resolver os problemas da classe trabalhadora e do povo argentino, a única maneira de dar uma solução efetiva para o povo é abrir caminho para a sociedade socialista.

Com o governo de Alberto Fernández, assim como com Macri e Néstor e Cristina Kirchner, o que imperou na Argentina é a ditadura da burguesia sobre a classe trabalhadora, o poder dos monopólios com diferenças secundárias a respeito do tipo de administração do capitalismo. O capitalismo hoje implica necessariamente neoliberalismo, quer dizer pobreza estrutural crescente, mobilidade social descendente, desregulação da economia, planos sociais para contenção de possíveis explosões sociais. O governo da Frente de Todos, com sua política de adesão ao FMI e continuação do ajuste macrista, é a renúncia de parte do progressismo a qualquer aspiração “pós-neoliberal”. O progressismo, como expressão da socialdemocracia, apesar de querer “embelezar” o capitalismo e construir um rosto “humano”, não foi capaz, pois o capitalismo nasceu chorando lodo e sangue, e assim seguirá até que a classe operária e seu partido de vanguarda instaurem o poder operário na Argentina.

Entendemos que o atual governo da Frente de Todos, acordado com o FMI, significa um sincero compromisso com a aceitação do peronismo para governar com ajuste, para abraçar o neoliberalismo em lugar de combatê-lo ou superá-lo. Falamos de peronismo porque tende a atuar com unidade de ação, para além de idas e vindas e episódios que acabam sendo anedóticos. E essa unidade de ação desde a ditadura sempre trabalhou em prol de um programa capitalista e neoliberal (expresso na conhecida frase de que o pleno emprego nunca mais voltará, por isso devemos nos conformar com o desemprego e a massificação das políticas sociais). Qualquer um saberá porque se submete a uma liderança antioperária e antipopular de fato. Entendemos que, se o pleno emprego não voltará jamais, é o capitalismo que precisa ser descartado, não nossa dignidade.

O quadro da situação se completa com o predomínio do oportunismo nas organizações que dizem representar e defender os interesses da classe operária, o que deixou um vácuo de inexistência de uma organização revolucionária que guie a classe operária sob uma visão estratégica de luta pelo socialismo. Muitos só obtêm lucro imoral com a pobreza, o que converte as organizações comunistas e socialistas em um veículo do Estado burguês para implementar as políticas de assistencialismo e de contenção social das massas. Os comunistas devem trabalhar com os desocupados, com os trabalhadores precários, com a classe trabalhadora lançada à miséria pelo capitalismo, mas não com o interesse de administrar as migalhas que o Estado burguês cede, mas com a perspectiva de lutar para derrubar a ditadura do capitalismo.

Frente a inexistência na Argentina de um partido comunista com posições revolucionárias e disposição de enfrentar todo tipo de gestão do capitalismo para empreender a luta pelo socialismo, se faz necessária a reconstrução revolucionária de um Partido Comunista para a classe operária argentina. Contudo, o socialismo não é um processo automático nem espontâneo, mas requer a maturidade da consciência da classe trabalhadora pelo trabalho necessário de seu setor de vanguarda, isto é, tem como fator essencial a existência do Partido Comunista. Um firmemente baseado no marxismo-leninismo e convicto de que a revolução socialista é a tarefa imediata da classe, quer dizer que não existem etapas intermediárias que justifiquem a colaboração com a burguesia.

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Previsão 2023: A Queda Iminente

Michael Roberts*

30/12/2022

No final de cada ano, procuro fazer uma previsão do que acontecerá na economia mundial no próximo ano. É claro que as previsões estão envoltas em erros, dadas as muitas variáveis ​​envolvidas que impulsionam as economias. As previsões do tempo ainda são difíceis de fazer e aqui os meteorologistas estão lidando com eventos físicos e não (pelo menos diretamente) com ações humanas. No entanto, as previsões meteorológicas com até três dias de antecedência são bastante precisas. E as previsões de mudanças climáticas de longo prazo foram amplamente confirmadas nas últimas décadas. Portanto, se considerarmos que a economia é uma ciência (embora seja uma ciência social), e eu considero, fazer previsões também faz parte do teste de teorias e evidências na economia.

 


Como funcionaram as previsões que fiz no ano passado para 2022?   Em 2022, esperava-se que a economia mundial crescesse cerca de 3,5-4,0% em termos reais – uma desaceleração significativa em relação a 2021 (queda de 25% nessa taxa). Na verdade, 2022 parece ser pior do que a previsão de consenso, em apenas 3,2%. Esperava-se que as economias capitalistas avançadas crescessem menos de 4% em 2022 – agora parece que essas economias conseguirão apenas 2,4%. Esperava-se que as chamadas economias emergentes alcançassem um aumento médio de 4% em 2022 – novamente um toque otimista demais, com o resultado provável sendo de 3,7%. Portanto, as principais economias se saíram muito pior do que em 2021 – e pior do que as previsões de consenso. De fato, a queda no crescimento em 2022 em relação a 2021 foi uma das mais profundas já registradas.

Minha própria previsão de crescimento real do PIB para 2022 também foi muito alta. Mas pelo menos reconheci por que haveria um recuo significativo. No ano passado, argumentei que “a  'corrida do açúcar' dos gastos reprimidos do consumidor , engendrada pelos subsídios em dinheiro da COVID de gastos fiscais dos governos e enormes injeções de dinheiro de crédito pelos bancos centrais havia acabado”.   Isso foi um eufemismo. Como sabemos, em meados de 2022, os bancos centrais estavam envolvidos em uma série de aumentos nas taxas de juros que aumentaram drasticamente o custo dos empréstimos para consumidores e empresas. A reversão do afrouxamento monetário (QE) para o aperto (QT) foi rápida e acentuada devido ao rápido aumento das taxas de inflação para os preços de bens, commodities e serviços globalmente. 

Discuti as razões para o pico inflacionário e a reação dos bancos centrais em muitos posts este ano.   Economias fracas e de baixa produtividade, bloqueios globais da cadeia de suprimentos devido à COVID e a crise energética, intensificada pelo conflito Rússia-Ucrânia, foram os motores da inflação – não a 'demanda excessiva', como argumentaram os keynesianos; ou muito "dinheiro barato", como argumentavam os monetaristas. Como resultado, os bancos centrais têm sido impotentes para conter a inflação, exceto destruindo receitas, elevando os custos da dívida e intensificando assim a probabilidade de uma queda total nas principais economias em 2023.

De fato, no ano passado eu esperava que uma crise de dívida global viesse à tona: “tal era o tamanho da dívida corporativa e o grande número de chamadas 'empresas zumbis' que não estavam tendo lucro suficiente nem para cobrir o serviço de suas dívidas (apesar das taxas de juros muito baixas), que pode ocorrer um colapso financeiro.”   Isso ainda não aconteceu nas economias capitalistas avançadas, em parte por causa da inflação, que baixou o fardo “real” dos custos dos empréstimos. A relação dívida global em relação ao PIB chegará a 352% até o final de 2022, de acordo com o mais recente Global Debt Monitor do Institute of International Finance (IIF), com sede em Washington. Isso inclui a dívida do setor financeiro, geralmente devida dentro do setor. Excluindo isso, a dívida global é superior a 250% do PIB mundial de acordo com o BIS.

Mas, como prevejo, as chamadas economias emergentes estão enfrentando uma grande crise de crédito – com calotes de dívidas já acontecendo no Sri Lanka, Zâmbia, Gana e outros como Egito e Paquistão à beira. Um dólar muito forte até 2022 tornou praticamente impossível o serviço da dívida em dólares para muitos dos países mais pobres. De acordo com o BIS, há cerca de US$ 65 trilhões em dívidas em dólares de não bancos em economias emergentes. Cerca de metade das economias de baixa renda (LIEs) estão agora em perigo de inadimplência. A dívida dos 'mercados emergentes' em relação ao PIB aumentou de 40% para 60% nesta crise. Há pouco espaço para aumentar os gastos do governo para aliviar o impacto. 

Os países mais pobres do mundo devem pagar 35% a mais em juros da dívida este ano para cobrir o custo extra da pandemia de Covid-19 e um aumento dramático no preço das importações de alimentos, segundo um relatório do Banco Mundial. América Latina enfrenta 'crise prolongada' após pandemia. Um relatório da ONU sobre a América Latina e o Caribe alerta que quase 45% dos jovens vivem abaixo do nível de pobreza. O relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) constatou que 56,5 milhões de pessoas na região foram afetadas pela fome. Estima-se que 45,4% das pessoas com 18 anos ou menos na América Latina viviam na pobreza.

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