No dia Internacional
das Mulheres homenageamos à comunista revolucionária e internacionalista
Elise Berger (nome como ficou conhecida no Brasil).
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| Elise Berger, passaporte americano em que utiliza o codinome Machla Lenczycki, 1935. |
Elisabeth (Elise) Saborovsky,
conhecida como “Sabo” (Hanôver, 27 de julho de 1907 — Ravensbrück, 9 de fevereiro de
1940), militante comunista alemã que participou do levante de
1935 no Brasil. Elise era esposa de Arthur Ernest Ewert — ex-deputado alemão que
usava o codinome Harry Berger. Com a derrota do movimento Elise e Arthur foram
presos e barbaramente torturados pela polícia de Getúlio Vargas.
Elise acabou deportada com
Olga Benário, de quem era a melhor amiga, para um campo de concentração da
Alemanha nazista, onde foi submetida a trabalhos forçados, torturada e
assassinada.
*Em 27 de julho de 1907, na
cidade alemã de Hanôver nasce Elise Saborovsky, descendente de judeus
poloneses. Elise sempre foi mais conhecida por seu apelido, "Sabo",
fragmento do seu sobrenome, Saborovsky. Sabo nasceu na Alemanha, mas aos 4 anos
de idade, se mudou com seus pais para o Império Austro-Húngaro. Em 1914, com o
início da Primeira Guerra Mundial, seus pais saíram do Império Austro-Húngaro e
mudaram-se para a Bélgica, que de momento estava fora da guerra. Mas com os
ataques do Império Otomano, aliado da Tríplice Aliança à Bélgica, a família de
Sabo teve de se mudar para a Holanda. Em 1918, após o fim da guerra, Sabo, já
com 11 anos de idade, se mudou com seus pais para seu país natal, a Alemanha,
onde começou a ter seus primeiros contatos com políticas antiguerra, dentre
elas o comunismo. Em 1925, com 18 anos, Sabo abandonou sua casa e sua família,
e mudou-se para a antiga União Soviética, onde estudou melhor o comunismo e se
uniu ao Komintern. Apesar de ser uma novata no Komintern, Sabo foi
experimentada em uma missão em Portugal. Foi quando conheceu Arthur Ernest
Ewert, seu futuro marido. No ano seguinte, Sabo se casou com Arthur Ewert e,
devido a sua experiência na militância, foi designada para várias missões em
vários países, dentre eles, Bélgica, Polônia, Noruega, Itália, Iugoslávia,
Tchecoslováquia, Alemanha e Prússia Oriental. Durante sua última missão na
Prússia Oriental, Sabo ainda ficou alguns meses morando com Arthur Ewert em
Königsberg, capital do país. Em 1928, com 21 anos, Sabo retornou à União
Soviética, onde conheceu sua melhor amiga, Olga Benário, também militante comunista.
Em 1935, Sabo foi designada pelo Komintern em sua missão mais difícil:
instaurar o comunismo no Brasil.
O Komintern designou Sabo
para ajudar Luís Carlos Prestes na missão ao Brasil. Junto com ela foram
enviados seu marido Arthur Ewert, Rodolfo Ghioldi, Victor Allen Barron, Paul
Gruber, Leon Jules Vallée, Carmen de Alfaya Ghioldi e Olga Benário, além de
outros. Após participar da Intentona Comunista em 1935, Sabo foi presa pela
polícia de Filinto Müller junto com seu marido Arthur Ewert. Sabo e seu marido
foram torturados durante semanas pela polícia de Müller. Sabo foi espancada,
eletrocutada e até mesmo estuprada diante do marido. Segundo Jorge Amado [1] [a
polícia] cortara a navalha os seios [dela]. Logo chegou a notícia interna da
polícia de Müller, de que Sabo e Ewert estavam sendo torturados. A notícia
estampou todos os jornais brasileiros, e depois de protestos do povo contra os
maus tratos à estrangeiros, Sabo e Ewert foram presos em prisões comuns. Mas,
algumas semanas depois, Filinto Müller retirou Ewert da prisão e começou a
torturá-lo novamente em segredo, e isto resultou na perda da sanidade mental de
Ewert. Em 1936, Getúlio Vargas deu ordem para deportar Sabo e Olga Benário
Prestes para a Alemanha Nazi, depois de a embaixada alemã pedir a deportação de
ambas. Sabo e Olga foram deportadas para a Alemanha Nazi no navio cargueiro La
Coruña, em setembro de 1936, com Olga grávida de 7 meses. Às 6 horas da manhã
do dia 18 de outubro, o navio atraca em Hamburgo. Para evitar protestos em
outros portos, oficiais da Gestapo, a polícia secreta alemã já esperavam pelas
duas no porto. De lá, Olga foi levada para a prisão de mulheres de
Barnimstrasse, em Berlim. Sabo foi levada para um centro de detenção para
comunistas em Lübeck. Mesmo com seus traumas de torturas, Sabo foi ainda mais
torturada em Lübeck, passou por interrogatórios sem revelar nada do que sabia e
foi punida com a falta de alimentação. Mas em outro interrogatório, Sabo estava
faminta e contou uma mentira sobre o Komintern: disse que ela e os outros
agentes foram enviados por um homem chamado Lwis Iukënn. Os carcereiros
pesquisaram sobre o homem mas não encontraram nada, e isto os levou a
torturarem Sabo mais ainda. Sabo foi espancada por três guardas, cada um com um
cacetete ao mesmo tempo 15 vezes. Quando foi mandada para a cela, Sabo estava
quase morrendo de falência pulmonar, mas foi levada a um hospital, pois os
carcereiros ainda a queriam para interrogá-la. Um tempo depois, Sabo foi
transferida para uma prisão em Colônia. Lá Sabo pôde ser alimentada
adequadamente. Mas em 1938, começara o cruel destino de Sabo: os campos de
concentração.
Sabo foi transferida junto
com Olga para o campo de concentração de Lichtenburg nos primeiros dias de
março de 1938.[2] A princípio Sabo era alimentada, mas por ordem de Hitler, os
prisioneiros de campos de concentração não deveriam mais ser alimentados. Sabo
foi submetida ao trabalho escravo algum tempo depois. Em 1939, com o começo da
Segunda Guerra Mundial, Sabo e Olga foram transferidas para o campo de
concentração feminino de Ravensbrück. Sabo chegou ao campo tuberculosa e com
seu corpo em pele e ossos, mas mesmo assim foi forçada a trabalhar
terrivelmente. Em 9 de fevereiro de 1940, enquanto carregava pedras, Sabo teve
um ataque de tuberculose e desmaiou. Assim que acordou, ela foi chutada pelos
guardas e mordida pelos cães que foram atiçados pelos guardas. Quando o ataque
à Sabo acabou, suas amigas, incluindo Olga, ainda tentaram socorrê-la, mas
apesar de seus esforços, Sabo não resistiu à fraqueza e à tuberculose e
faleceu, aos 32 anos de idade. Há uma teoria de que Sabo teria conseguido
escapar para a França antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial.
Suposições indicam que
mesmo que Sabo resistisse à tuberculose, morreria da mesma maneira. Sabo estava
muito fraca, seu corpo já não tinha tanta resistência, e como a cada dia, um
bloco de prisioneiras passava por torturas em Ravensbrück, Sabo algum dia seria
escolhida para ser torturada e em qualquer tortura morreria, pois não tinha
tanta resistência. Além das torturas, Sabo morreria no trabalho escravo, pois
não tinha força para trabalhos braçais e morreria de exaustão. Também vale
ressaltar que depois de Olga, Sabo era a comunista antinazista mais conhecida
na Alemanha. O provável destino de Sabo se ela resistisse seria o mesmo destino
de Olga: seria mandada para o campo de extermínio de Bernburg, e morreria
gaseada, como Olga. Ou também poderia ser gaseada na câmara de gás de
Ravensbrück, quando esta foi construída em outubro de 1944. Contam
sobreviventes do campo, que na câmara de gás de Ravensbrück, eram executadas as
prisioneiras incapazes para o trabalho. Era ocaso de Sabo.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Elise_Ewert
Edição: Página
1917