Outubro, 2024.
"Como é possível que forças políticas que governaram o país por uma década e meia, considerando os mandatos de Lula (2003-2010); Dilma (2011-2016) e o atual de Lula, sem tocar em nenhum dos fundamentos econômicos e políticos da dominação burguesa, pelo contrário, seguiram aprofundando a relação de subordinação e dependência com as potências capitalistas, ainda serem definidas como "esquerda"?"
A mídia burguesa faz questão de definir como "de esquerda" partidos e lideranças que podem ser tudo, menos detentores de propostas de ação e programas políticos identificados com o que, até os anos oitenta do século XX, tradicionalmente era caracterizado como sendo esquerda do espectro político-ideológico: anarquistas, socialistas, comunistas e anticapitalistas em geral.
No caso brasileiro, isso chega a ser patético. Comentaristas de aluguel, obviamente a soldo da burguesia, repetem à exaustão que o PT e seus satélites "defendem pautas de esquerda", ou "Lula é a maior liderança da esquerda" e coisas do tipo. Agora mesmo, repercutindo os resultados das recentes eleições municipais, ouvimos novamente que "a esquerda foi derrotada na maioria das capitais".
Como é possível que forças políticas que governaram o país por uma década e meia, considerando os mandatos de Lula (2003-2010); Dilma (2011-2016) e o atual de Lula, sem tocar em nenhum dos fundamentos econômicos e políticos da dominação burguesa, pelo contrário, seguiram aprofundando a relação de subordinação e dependência com as potências capitalistas, ainda serem definidas como "esquerda"?
Quais os objetivos de tamanha fraude?
Sem dúvida, o principal objetivo dessa operação de falsificação histórica e ideológica é desmoralizar toda e qualquer ideia vinculada ao que se denominava "esquerda" no século passado, vendendo para as novas gerações a versão de que a esquerda se transformou numa mera variante na forma de gerir o Estado burguês, mantendo todos os seus pressupostos intactos. Limitando-se a distribuir migalhas que sobram dos banquetes da burguesia, tentando evitar explosões sociais típicas em situações de pré-barbárie como a que estamos vivendo.
Mas, além disso, visa também demonstrar que não existiria alternativa fora dos três blocos da política burguesa denominados "direita", "centro" e "esquerda". Blocos que se alternam nos governos de eleição em eleição, formando alianças partidárias que monopolizam mais de 90 % do fundo eleitoral e da cobertura midiática. Reproduzem-se também através das emendas parlamentares e dos milhares de cargos de confiança nos poderes executivo e legislativo.
Levando em conta tudo isso, é de extrema importância termos um posicionamento público e claro daqueles que se reivindicam partidários da revolução socialista, diferenciando-se por completo dos partidos e líderes do bloco político falsamente apresentado como "esquerda", que não passam de sociais-liberais perfeitamente integrados à democracia burguesa. Eles não são simplesmente nossos adversários, são inimigos de classe, estão na trincheira dos exploradores.
Edição: Página 1917
"Eles não são simplesmente nossos adversários, são inimigos de classe, estão na trincheira dos exploradores." - Perfeito, camarada. Predisamos sempre e sempre denunciar os inimigos da revolução para que o proletariado tenha clareza de quem é quem na luta de classes. Hoje, a luta de classes está na reerva, o proletariado está acuado, o seu P, o PC está recuado, tudo está como o diabo gosta. Essa denúncia faz parte do que é preciso fazer para sairmos dessa situação penosa para todos nós. Esse pequeno texto é valoroso e precisa ser divulgado o mais possível.
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