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domingo, 28 de julho de 2024

A multipolaridade é a alternativa para continuar a pilhagem dos povos do mundo

Jonathan N. Rodríguez*
15/07/2023


Introdução

Neste ensaio, a questão da chamada multipolaridade como alternativa ao unilateralismo económico será abordada a partir do método dialético. Ou seja, revelará o viés oportunista de tal estratégia política. Um ou outro bloco não representa a bandeira da classe trabalhadora, não representa a bandeira dos povos originários. Ao defender a multipolaridade no caso dos BRICS, esconde-se a característica do imperialismo, ou seja, o capitalismo monopolista.

As duas faces da hipocrisia imperialista.

A análise neste artigo preocupou-se em contrastar as teses de que o mal do presente é um único imperialismo (norte-americano), distorcendo – no caso dos marxistas da academia ou do marxismo revisionista – as teses de Lenin expostas no seu Imperialismo Estágio Superior do Capitalismo. O imperialismo não é exclusivo de alguns países, sendo o resto países coloniais dos primeiros. A China não é uma alternativa que os países devam imitar para acabar com a exploração. O caso da economia chinesa é uma forma diferente de gerir o capital.


A China também é um país imperialista


Os temas atuais de debate são se o Estado deve ou não gerir os recursos naturais. A essa pergunta soma-se outro elemento: que tipo de Estado construir? Uma aliança interestatal (UE-EUA) diz que é o mercado, outra coligação (BRICS) dá ênfase ao Estado; no entanto, ambas as opções são alternativas de gestão para preservar a burguesia como classe social dominante.

Horacio Cao cita Oszlak na relação entre o mercado e o Estado. A sua visão coloca o mercado no centro da análise e, como continuidade lógica dessa decisão, pensa em sistemas organizacionais que visam a redução de gastos e a otimização dos serviços prestados pelo Estado. O Estado deixou de ser visto como o grande organizador, como o "cimento" – nas palavras de Oscar Oszlak – que une o tecido conjuntivo da sociedade (Oszlak in Cao, H. 2015: 27).

No plano internacional, tanto os partidos políticos como a intelectualidade estabelecem a luta contra um inimigo. O terreno do revisionismo continua a ganhar força, inclusive nas organizações revolucionárias, sob a seguinte formulação: quem deve dirigir as rédeas do setor público e que tipo de Estado se deve ter. Se é a iniciativa privada que dirige e/ou um Estado, onde o fator nacional tem maior relevância, bem como um maior peso para as burguesias nacionais.

quinta-feira, 25 de julho de 2024

Argentina: meio ano do governo Javier Milei

Rolando Astarita*

18/07/2024

Neste artigo revisamos alguns dos principais dados referentes à situação da economia argentina nestes primeiros sete meses do governo "La Libertad Avanza". Começamos destacando a profundidade da crise.

Argentina: meio ano do governo Javier Milei


A economia, no fundo e estagnada

O primeiro trimestre de 2024 foi o pior desde a cris  e de saída da convertibilidade em 2002. O PIB caiu 5,1% em termos homólogos; o consumo privado caiu 6,7%; A formação bruta de capital fixo (inclui construção, máquinas e equipamentos, equipamentos de transporte) caiu 23,4% (INDEC, também a seguir). No primeiro trimestre, em termos homólogos, a Construção variou -19,7%; Indústria de Transformação -13,7%; Intermediação financeira -13%, Comércio atacadista, varejista e de reparos -8,7%. A contrapartida foi o crescimento da Agricultura, pecuária e silvicultura (+10,2%).

No segundo trimestre, a economia estagnou nesses níveis. O estimador mensal da atividade econômica de abril caiu 0,1% frente a março, e caiu 1,7% frente ao mesmo período do ano anterior. O índice de produção industrial manufatureira em maio caiu 14,8% em termos anuais. No acumulado de janeiro a maio foi negativo em 15,2% em termos homólogos. O indicador da atividade de construção em Maio caiu, em termos homólogos, 32%.

Segundo a Câmara de Comércio e Serviços Argentina (CAC), a queda homóloga acumulada no Índice de Consumo, entre janeiro e maio, foi de 4,3%; A queda em maio, em termos reais, em termos homólogos, foi de 7,7%. O consumo representa 70% do PIB. Alguns itens foram particularmente afetados. O consumo de vestuário e calçado caiu 27% em maio, em termos homólogos; Transportes e veículos caíram 11,3%; Recreação e cultura despencaram 42,6%.

segunda-feira, 22 de julho de 2024

Os novos lacaios do imperialismo

Ney Nunes

22/07/2024

O festival de servilismo que assistimos aqui na periferia do sistema neste episódio da retirada do candidato do Partido Democrata dos EUA, Joe Biden, e sua provável  substituição pela Kamala Harris é de impressionar. E não falo do servos tradicionais que se expressam pela Globo, CNN e demais congêneres, mas sim daqueles que se manifestam atualmente pelas redes sociais.


kamala e trump
Kamala e Trump: duas faces da burguesia e do imperialismo


Quanto aos servos da mídia tradicional, subalternos até a medula, nenhuma novidade porque esses têm introjetados o vírus do colonizado desde sempre e são bem remunerados. Já nas mídias sociais observamos um pessoal que se reclama "de esquerda" comemorar a saída do Biden e se colocar como torcedores da Kamala sem nenhum pudor. Como se houvesse diferença qualitativa entre Democratas e Republicanos, principalmente quando se trata da forma como lidam com os trabalhadores em seu próprio país e com os povos da América Latina, África e Ásia.

Os novos servos parecem esquecer o óbvio, Donald Trump e Kamala Harris representam facções distintas de uma mesma classe social: a grande burguesia norte-americana. Exatamente por isso, os dois candidatos têm uma folha corrida de excelentes serviços prestados ao imperialismo. Os trabalhadores, tanto nos EUA como no resto do mundo, não têm absolutamente nada a ganhar com a vitória eleitoral de um ou outro.

Talvez os novos apoiadores do imperialismo acreditem que os mísseis lançados sobre os povos ao redor do mundo pelos  Democratas sejam mais "leves" do que os dos Republicanos, ou ainda, que a sua política econômica,  voltada sempre para respaldar os interesses dos oligopólios multinacionais, seja mais compreensiva com os países da periferia capitalista. 

Esses "esquerdistas" subalternos, que agem de forma similar aos seus oponentes "direitistas" vendendo doces ilusões acerca do imperialismo, são ainda mais perniciosos ao proletariado do que qualquer mídia vendida. Merecem com toda justiça o velho epíteto de lacaios do imperialismo.


Edição: Página 1917


sexta-feira, 19 de julho de 2024

A bela utopia marxista*

Francisco Martins Rodrigues**

Será que têm razão os que pensam, como o nosso leitor e assinante de primeira hora, Fernando Pulido Valente, que Marx errou quando considerou que o proletariado estaria em condições de desempenhar o papel revolucionário de abolir o sistema capitalista?

A bela utopia marxista


Talvez seja útil refletir sobre este tema a partir da conjuntura atual, na medida em que ela poderá dar-nos pistas para respondermos a esta interrogação e concluirmos algo mais, para assim irmos ao encontro das preocupações do nosso amigo leitor.

O que o momento atual nos diz com uma clareza cada vez maior é que o sistema não presta, o domínio da maioria é uma balela. A prova é que, apesar de se estarem sempre a queixar de não têm dinheiro para pagar centros de saúde, aumentos de salários, reformas, o buraco da segurança social, etc., os Estados são os primeiros a acorrer com milhares de milhões de euros aos bancos que, por irresponsabilidade e má gestão, fizeram evaporar num dia capitais que foram acumulados a partir do trabalho esforçado da mão-de-obra que os capitalistas controlam. Nesta operação internacional concertada de massiva apropriação privada de recursos públicos, o que vigora é o socialismo para os ricos e o capitalismo para os pobres, a privatização dos lucros e a socialização dos prejuízos. Não se ouviu ainda falar, nem se ouvirá, de multas, sanções ou prisão para nenhum dos executivos responsáveis por este colapso de dimensões globais.

Perante o fracasso do neoliberalismo, não há terceira via, pelo que, enquanto não desaparecer, o capitalismo declinante poderá ser ainda mais perigoso. O modelo econômico que gerou a atual crise é o mesmo que origina o aumento das desigualdades que empurram as classes mais desfavorecidas para um endividamento sem fim à vista. Apesar da sociedade do conhecimento da qual tanto se esperou, a pauperização não cessa de aumentar em todo o mundo e também nos países europeus. O perigo de uma catástrofe mundial pode mesmo arrastar-nos a todos para a barbárie, se entretanto não ocorrerem acontecimentos que invertam esta marcha para o abismo.

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