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terça-feira, 15 de julho de 2025

Carga letal destinada a continuar o massacre em Gaza foi bloqueada no Pireu

Partido Comunista da Grécia (KKE)


Manifestação liderada pelos estivadores de solidariedade ativa aos palestinos.


Em 14 de julho, membros do sindicato dos estivadores do Pireu, juntamente com sindicatos e organizações de massa do Pireu, realizaram uma grande manifestação, começando cedo pela manhã nos píeres 2 e 3 do porto do Pireu, para bloquear o transporte de carga militar para Israel.

Falando no comício, Markos Bekris , presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Movimentação de Contêineres nos Píeres do Pireu (ENEDEP) e do Centro Trabalhista do Pireu, deixou claro que o porto do Pireu não se tornaria um palco para o massacre do povo palestino ou para o envolvimento em guerras imperialistas.

Nos últimos dias, surgiram informações de que o navio Ever Golden estava pronto para zarpar com cinco contêineres com destino a Haifa. É provável que a carga tenha sido transferida e agora esteja no Cosco Shipping Pisces, que deve chegar na quarta-feira à noite. Faremos novas verificações como União ENEDEP”, afirmou. “Nossas mãos serão manchadas apenas pelo nosso trabalho árduo, não pelo sangue dos palestinos. Da última vez, quando paramos o navio que transportava balas, deixamos claro que o porto não se tornará um centro de transporte de material bélico, uma questão que diz respeito a todos nós, a toda a população da região”, acrescentou, anunciando que os manifestantes convocam uma nova manifestação na quarta-feira, às 22h. “Temos a responsabilidade de não nos tornarmos vítimas da guerra. Uma delegação irá confirmar que esta carga não está no Ever Golden. Faremos o mesmo com o outro navio. É importante que todos estejam presentes. Sem envolvimento, sem participação na guerra! Liberdade para a Palestina!”, concluiu M. Bekris.


Edição: Página 1917

Vivendo o inimaginável: um testemunho sobre Gaza

Dr. Yasser Abu Jamei *

"Não é aceitável que os líderes da comunidade internacional estejam apenas a observar e a falar. Eles não fazem nada além de anúncios ou declarações ou enviar relatórios e não tomam nenhuma atitude séria."  

   

Crianças palestinas nas ruas de Deir al Balah. Foto: UNICEF.


Como você oferece cuidados de saúde mental a pessoas que estão sendo aniquiladas? É uma pergunta que me fazem constantemente como psiquiatra em Gaza, e que assombra todas as interações que eu e outros clínicos temos com as crianças e famílias que atendemos. A resposta, aprendi após 20 meses de genocídio, é ao mesmo tempo mais simples e mais complexa do que qualquer um imagina.

Nos meus 20 anos como profissional de saúde mental em Gaza, pensei que entendia o trauma. Então, chegou outubro de 2023, e tudo o que eu sabia sobre cura, resiliência e esperança foi testado contra uma máquina de aniquilação que opera 24 horas por dia, 365 dias por ano.

sexta-feira, 11 de julho de 2025

Uma verificação da realidade sobre Trump e o fascismo

Stansfield Smith*

11.07.25

Milícia fascista na Itália de Mussolini, os Camisas Negras.


Com o segundo mandato de Trump, muita gente que exibe credenciais de esquerda proclama novamente que o fascismo está de volta, depois de termos  votado contra  o fascismo (!) em 2020. A cada quatro anos, ouvimos a história repetir-se: "esta eleição é a mais importante da nossa vida". Os republicanos são o novo fascismo, os democratas são o mal menor. Não importa que interesses monopolistas financiem ambos os partidos e ditem as suas políticas. Não importa que o democrata Biden tenha dado sinal verde para o massacre em curso em Gaza. Não importa que  Biden tenha deportado mais  do que Trump. Não importa que todos os anos a polícia tenha matado mais sob Biden  do que sob Trump. Trump é a figura de Hitler, não Biden.  

Então, mais uma vez , é hora de uma verificação da realidade do fascismo efetivamente existente.  

O fascismo realmente existente na Alemanha de Hitler  

O governo de Hitler começou em 30 de janeiro de 1933 mas, mesmo antes disso, o clima político da Alemanha não se assemelhava ao nosso. No verão de 1932, a Alemanha, então com 66 milhões de habitantes, tinha 30% de desemprego, acima dos 8,5% de 1929; a produção industrial tinha caído 42% e 40% dos trabalhadores estava desempregado ou a trabalhar com jornada reduzida.  

Os três partidos concorrentes às eleições de julho de 1932 eram o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães [nazis], os sociais-democratas e os comunistas – cada um conquistando milhões de votos. O Partido Comunista Alemão, o maior da Europa, contava com 360 000 membros e possuía as suas próprias organizações paramilitares. O Partido Social-Democrata  tinha um milhão de membros,  muitos no seu próprio grupo paramilitar. Os nazis somavam 1,5 milhão de membros, com 445 000 paramilitares, os camisas-castanhas.  

Claramente, essa realidade não tem relação com os EUA de hoje: não temos desemprego em massa, muito menos partidos fascistas, comunistas e social-democratas como principais candidatos ao poder. Na Alemanha, socialismo ou fascismo – ou três versões de "socialismo" – apresentaram-se como alternativas nas eleições. Aqui, podemos escolher um partido tradicional dos monopólios comandado pelo 1% e escolher outro "do outro lado do corredor".

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Ofensiva imperialista e burguesia subalterna

Ney Nunes


Ofensiva imperialista e burguesia subalterna

A mais recente ameaça, enviada através de uma carta do Presidente dos EUA, Donald Trump, ao governo Lula, comunicando a imposição da tarifa de 50% aos produtos brasileiros, agitou os meios políticos, empresariais e midiáticos em todo o país. Ela se insere no contexto da persistente crise da economia capitalista que se arrasta desde 2008 com o estouro da bolha imobiliária norte-americana e das suas consequências, entre as quais, a mais determinante é a crescente e acirrada disputa interimperialista entre as principais potências mundiais.

A imposição de sanções econômicas e o protecionismo desenfreado fazem parte do arsenal da disputa pela hegemonia no sistema imperialista. A União Europeia e os EUA vêm fazendo uso desse arsenal com cada vez mais intensidade, configurando a antessala do conflito bélico mundial que se desenha no horizonte geopolítico. Não por acaso, os gastos militares das grandes potências apresentaram vertiginosa subida nos últimos anos e os planos são de continuarem aumentando, num claro preparativo para a próxima etapa da disputa interimperialista.

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