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quinta-feira, 3 de outubro de 2024

Os bem-intencionados

Ney Nunes


O autoengano é uma prática comum entre militantes de esquerda "bem-intencionados". Eles seguem atrelados aos partidos e líderes que, há décadas, se passaram para a trincheira do capitalismo e governam a serviço dos exploradores.

Rio, 02/10/2024.


 

terça-feira, 1 de outubro de 2024

O comunismo não baixa as armas

Francisco Martins Rodrigues
1984

"Criar um mundo novo, sem imperialismo, sem capitalismo, sem exploração nem opressão, sem guerras, sem fome, sem ignorância, não é uma aspiração utópica de visionários, é uma exigência premente da época atual, que só uma classe pode levar a cabo — o proletariado."



A crise do movimento marxista serviu para mostrar a ausência de alternativa ao marxismo. O pensamento burguês, espraiando-se livremente sobre o refluxo das ideias marxistas, produziu uma enorme variedade de escolas e correntes obscurantistas, utópicas, desesperadas, mas nenhuma teoria social coerente.

A dissolução das ideias marxistas abriu campo a uma confusão eclética de posições reformistas, cujo traço comum é o esforço para negar a luta de classes, diluir a luta entre proletariado e burguesia, entre esquerda e direita, entre reação e revolução.

A burguesia continua a revelar criatividade no domínio da ciência, da técnica, da exploração do trabalho, da destruição — no plano social, político e filosófico limita-se a servir num molho novo velhas teorias há muito refutadas pelo marxismo. A ideologia burguesa é uma ideologia morta que já nada pode produzir senão aberrações e estreiteza mental.

Nem podia ser de outro modo. Depois do “Manifesto Comunista” ter feito a autópsia das sociedades de classes como pré-história da Humanidade, depois de a revolução russa ter ensaiado uma ordem social mais avançada, nada no mundo pode voltar a ser como antes.

No fundo do pensamento burguês atual está o medo. Medo à expropriação dos exploradores, à revolta dos povos miseráveis do “terceiro mundo”, à democracia de massas, à emancipação da mulher ao fim dos privilégios do trabalho intelectual sobre o trabalho manual. Medo ao fim da propriedade privada, do Estado, das nacionalidades, da religião, da família. Medo à sociedade livre e igualitária do comunismo, como a única forma de organização social possível no mundo moderno que o capitalismo criou.

Bem pode a burguesia clamar que a propriedade privada é um “direito natural”, que o coletivismo gera o totalitarismo, que a ditadura do proletariado é uma loucura sanguinária, que o regime liberal oferece iguais oportunidades para todos. Por muito que estas mentiras confundam temporariamente as massas, elas estão já historicamente condenadas. Nesta época de tremenda explosão do potencial produtivo e destrutivo da sociedade, a vida exige que sejam enterradas as velharias da burguesia.

A burguesia alegra-se por ter conseguido deter a marcha da revolução proletária no último meio-século. Mas quanto mais êxito obtém nos seus esforços, mais aprofunda o conflito entre as relações sociais petrificadas e a capacidade produtiva em expansão contínua. Chegará o dia em que nenhum expediente surtirá efeito face a esta contradição.

Criar um mundo novo, sem imperialismo, sem capitalismo, sem exploração nem opressão, sem guerras, sem fome, sem ignorância, não é uma aspiração utópica de visionários, é uma exigência premente da época atual, que só uma classe pode levar a cabo — o proletariado. Comunismo ou caos — tal é a alternativa a que o capitalismo conduziu a Humanidade.


Edição: Página 1917

segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Eles não poderão parar a marcha da história

Declaração da Coordenação dos Núcleos Comunistas (CNC - Espanha) sobre os assassinatos de líderes do Eixo da Resistência por Israel.

Estado terrorista israelense bombardeia Beirute.


A série de assassinatos perpetrados pelo Estado Sionista contra líderes da Resistência (do Hezbollah, do Hamas, da FPLP, da Jihad Islâmica), e especialmente de Hasan Nasrallah, chocou as suas organizações e o seu povo, e também todos os que sabem disso. Como o sangue de Qasem Suleimani, e como o de centenas de líderes militares e cientistas árabes e muçulmanos, fluiu para a libertação dos povos do mundo do imperialismo sionista na sua fase mais feroz.

A sofisticação dos meios utilizados e a brutalidade dos explosivos utilizados contra a população civil e líderes desarmados é, paradoxalmente, também um grande exemplo de fraqueza.

Ao longo deste ano, a Resistência Palestina, que continua a assediar um exército incomparavelmente melhor armado, revelou o que é exatamente Israel: um monstro pré-fabricado, uma monstruosidade agonizante que só sobrevive com base em enormes transfusões de dinheiro, armas, respaldo midiático, comerciais e acadêmicos do imperialismo dos EUA e da UE.

domingo, 29 de setembro de 2024

Não é 7 de outubro ou qualquer outra data – isso é tudo sobre 1948 agora

Por Jeremy Salt - 27/9/2024

Israel está fora de controle, mas nunca esteve no controle. O ocidente permitiu isso também, e terá que pagar as consequências.

Isso tudo é sobre 1948. Não 7 de outubro ou 1967 ou 1982 ou 2008 ou qualquer uma das outras datas em que Israel tem cometido atrocidades horrendas dentro e ao redor da Palestina, mas 1948. A guerra e o colapso total de todos os esforços para estabelecer uma paz razoável empurraram a Palestina de volta a esta data primordial. Os 76 anos entre eles foram uma perda de tempo no que diz respeito à "paz". Tudo o que eles fizeram foi dar a Israel quatro décadas para reforçar seu domínio exclusivo sobre a Palestina.


Ibtihaj Dawlah, 98 anos, sobrevivente da Nakba. (Foto: Mahmoud Ajjour, The Palestine Chronicle)


Isso é tudo sobre história. Somente por meio da história a luta pela Palestina pode ser entendida e as respostas certas encontradas. A história moderna começa com a Grã-Bretanha usando os sionistas (e sendo usada de volta) para estabelecer uma cabeça de ponte imperial no Oriente Médio, mais ou menos transformando Israel no pilar central de uma ponte conectando o Egito e o Nilo ao Iraque, seu petróleo e o golfo. Não havia certo ou errado em seus cálculos, apenas interesse próprio.

A Grã-Bretanha não tinha o direito de doar parte da terra que estava ocupando – Palestina – para outro ocupante e a ONU também não tinha o direito de doá-la. A resolução de partição da Assembleia Geral de 1947 era uma resolução dos EUA de qualquer forma, os números fixados pela Casa Branca assim que ficou claro que ela falharia.

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