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quarta-feira, 7 de agosto de 2024

Quem possui e controla o capital globalmente?

Albina Gibadullina*

Desde a década de 1980, as finanças dos EUA cresceram desproporcionalmente em poder e influência, à medida que os fundos de investimento americanos se tornaram os maiores acionistas das corporações americanas, administrando dezenas de trilhões de dólares em investimentos. Este artigo fornece uma nova análise empírica da ascensão do capitalismo de gestores de ativos nos Estados Unidos.


De fato, ele explora a extensão de sua disseminação global, examinando o Formulário SEC de investidores institucionais dos EUA, juntamente com um extenso conjunto de dados de propriedade corporativa global fornecido pela Orbis. Este artigo conclui que as finanças dos EUA possuem aproximadamente 60% das empresas listadas nos EUA (era apenas 3% em 1945) e 28% do patrimônio de todas as empresas listadas globalmente.

Como maiores acionistas globais e gestores exemplares de ativos nos EUA, as Três Grandes detêm investimentos em 81% das empresas listadas nos EUA e possuem 17% do mercado de ações dos EUA, ao mesmo tempo em que aparecem como acionistas em 20% das empresas listadas em mercados de ações fora dos EUA e que possuem 4% das empresas não americanas mercado de ações.

terça-feira, 6 de agosto de 2024

Entre a ilusão de potência econômica e a realidade da exploração dos trabalhadores

Centro de Estudos Victor Meyer

03/08/2024

“Este país pode virar uma grande potência econômica”. Com essas palavras, Lula expressou, na cerimônia de inauguração da nova sede da Anfavea, o seu entusiasmo com os novos programas do governo de incentivo à indústria automobilística. Certamente levou em conta na avaliação ufanista a notícia vinda do FMI de que o Produto Interno Bruto (PIB) do país havia ultrapassado o do Canadá e o da Itália, figurando agora na oitava posição no ranking mundial.


Greve Renault Paraná
Trabalhadores da Renault no Paraná em greve, 06/2024, (foto:simec.com.br).


Mas como ser assim tão otimista, diante de alguns dados que revelam o fraco desempenho do país nos últimos anos no terreno econômico? O crescimento médio anual do PIB nos últimos dez anos foi de apenas 0,66%, compreendendo três anos em que simplesmente houve depressão econômica, ou seja, em 2015, 2016 e 2020 o país regrediu na produção de riquezas.

Sinal dessa fraqueza é a taxa que mede a proporção do investimento em relação ao PIB, que vem caindo, passando de uma média de 18,5%, de 2003 a 2013, para 16,4%, de 2014 a 2024. Isso mostra que a acumulação de capital no Brasil sofre de uma limitação crônica, especialmente quando comparada com a de outros países, estes sim pretendentes sérios ao título de “grande potência econômica”. A China, por exemplo, nunca apresentou uma taxa de investimento inferior a 40% em todos os anos, de 2010 até agora. Mesmo a Índia e a Indonésia têm taxas variando em torno de 30%, quase o dobro da brasileira.

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Venezuela, reboquismo ou revolução?

Editorial

A recente eleição presidencial na Venezuela se constitui em mais uma página vergonhosa da história de traições do reformismo e do oportunismo na América Latina. Com pequenas nuances, vemos a repetição da velha tática reboquista de submissão aos interesses burgueses, buscando dividendos eleitorais e migalhas no aparelho de Estado.


Venezuela reboquismo ou revolução
Foto: YURI CORTEZ / AFP


Temos de um lado os apoiadores do governo burguês de Maduro, aliado da China e da Rússia, um governo que ataca sistematicamente as lutas dos trabalhadores e a organização sindical, perseguindo e prendendo ativistas. De outro, uma oposição umbilicalmente ligada aos EUA, reacionária e patronal até a medula. Os dois blocos  disputam a gestão do capitalismo, disputam quem vai tirar mais vantagens da gestão estatal, disputam quais interesses dos oligopólios empresariais vão predominar.

Na Venezuela vigora um sistema político em que os partidos identificados com o socialismo e as lutas operárias foram colocados na ilegalidade, impedidos de disputar a eleição. Diversas lideranças desses partidos foram perseguidas e presas. O brutal arrocho salarial favorece os patrões, sejam eles governistas ou opositores. A crise obrigou milhões de venezuelanos a saírem do país para não morrer de fome. É diante desse quadro terrível que o rebotalho reformista escolhe apoiar um ou outro bloco burguês. 

Ao proletariado venezuelano não interessa nenhuma dessas duas alternativas burguesas e imperialistas. Tanto uma, como outra, vão prosseguir no caminho de saquear os imensos recursos naturais do país e de super-explorar os trabalhadores. O caminho da revolução venezuelana passa longe dessa armadilha montada pelo oportunismo político e reformista. A crise entre as facções burguesas deve servir para fortalecer a organização independente da classe trabalhadora e das massas populares, para fazer avançar a revolução socialista.

Na Venezuela não se trata de defender uma democracia que, como vimos, não existe. O etapismo é a estratégia típica da pequena-burguesia, sempre subalterna aos interesses do patronato. Não semeemos ilusões, a crise só poderá ter um desfecho favorável para as grandes massas exploradas caso os dois blocos políticos da burguesia e do imperialismo sejam derrotados.

Na atual situação de crise imperialista mundial, conquistaremos uma verdadeira democracia quando for vitoriosa a luta pelo poder proletário e o socialismo.

domingo, 28 de julho de 2024

A multipolaridade é a alternativa para continuar a pilhagem dos povos do mundo

Jonathan N. Rodríguez*
15/07/2023


Introdução

Neste ensaio, a questão da chamada multipolaridade como alternativa ao unilateralismo económico será abordada a partir do método dialético. Ou seja, revelará o viés oportunista de tal estratégia política. Um ou outro bloco não representa a bandeira da classe trabalhadora, não representa a bandeira dos povos originários. Ao defender a multipolaridade no caso dos BRICS, esconde-se a característica do imperialismo, ou seja, o capitalismo monopolista.

As duas faces da hipocrisia imperialista.

A análise neste artigo preocupou-se em contrastar as teses de que o mal do presente é um único imperialismo (norte-americano), distorcendo – no caso dos marxistas da academia ou do marxismo revisionista – as teses de Lenin expostas no seu Imperialismo Estágio Superior do Capitalismo. O imperialismo não é exclusivo de alguns países, sendo o resto países coloniais dos primeiros. A China não é uma alternativa que os países devam imitar para acabar com a exploração. O caso da economia chinesa é uma forma diferente de gerir o capital.


A China também é um país imperialista


Os temas atuais de debate são se o Estado deve ou não gerir os recursos naturais. A essa pergunta soma-se outro elemento: que tipo de Estado construir? Uma aliança interestatal (UE-EUA) diz que é o mercado, outra coligação (BRICS) dá ênfase ao Estado; no entanto, ambas as opções são alternativas de gestão para preservar a burguesia como classe social dominante.

Horacio Cao cita Oszlak na relação entre o mercado e o Estado. A sua visão coloca o mercado no centro da análise e, como continuidade lógica dessa decisão, pensa em sistemas organizacionais que visam a redução de gastos e a otimização dos serviços prestados pelo Estado. O Estado deixou de ser visto como o grande organizador, como o "cimento" – nas palavras de Oscar Oszlak – que une o tecido conjuntivo da sociedade (Oszlak in Cao, H. 2015: 27).

No plano internacional, tanto os partidos políticos como a intelectualidade estabelecem a luta contra um inimigo. O terreno do revisionismo continua a ganhar força, inclusive nas organizações revolucionárias, sob a seguinte formulação: quem deve dirigir as rédeas do setor público e que tipo de Estado se deve ter. Se é a iniciativa privada que dirige e/ou um Estado, onde o fator nacional tem maior relevância, bem como um maior peso para as burguesias nacionais.

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