Comitê Central do Partido Comunista Argentino
No dia 12 de junho, entre balas de borracha e gás lacrimogêneo contra o proletariado e o povo argentino, foram aprovadas a Lei de Bases, que representa uma nova e imensa ofensiva da burguesia contra a nossa classe, bem como uma ferramenta para maximizar os lucros dos monopólios locais e estrangeiros, à custa dos trabalhadores que continuam a carregar nos ombros a crise agravada pelo governo antioperário e antipopular de Javier Milei e Victoria Villarruel.
| Protestos massivos marcaram a votação do projeto da Lei de Bases. |
A Lei de Bases representou um enorme passo em frente na implementação do plano econômico do Fundo Monetário Internacional. Enquanto o FMI exige a lei do imposto sobre o rendimento, a racionalização dos subsídios, o controle das despesas e uma política cambial mais flexível, no dia 13 de Junho, um dia depois da sessão do Senado, foi aprovado o desembolso de 800 milhões de dólares para o nosso país, numa gesto claro de aprovação da gestão e dos resultados ferozes do governo de Javier Milei. Esta aprovação faz parte das verificações aprofundadas que o Fundo tem realizado em nosso país a partir dos acordos firmados por Sergio Massa, então SuperMinistro da Economia; e hoje constitui a abertura de uma nova fase na Argentina, consolidando o plano econômico que o governo de Javier Milei, liderado por Luis Caputo, decidiu implementar.
Entre negociações, subornos e apoio de diferentes facções da burguesia, conseguiram aprovar uma das piores leis desde o regresso da democracia, o que significa um grande retrocesso em termos de direitos conquistados. Isto pode ser visto com o Regime de Incentivos a Grandes Investimentos (RIGI), que beneficia diretamente o capital com um projeto extrativista. Embora a burguesia local também se oponha, denunciando a concorrência desleal, nós, comunistas, não tomamos o partido dos empresários argentinos, pois a exploração não distingue entre capital estrangeiro e capital local; nem reconhecemos as suas tentativas de proclamar a defesa da "soberania", uma vez que procuram assim manter a exploração do nosso solo exclusivamente nas mãos dos monopólios locais. Pelo contrário, denunciamos que o RIGI abre caminho à maximização dos lucros capitalistas, neste caso do capital estrangeiro. É por isso que a proposta dos comunistas perante o RIGI e em vários pontos da Lei de Bases é que as alavancas da economia sejam nacionalizadas sob o poder dos trabalhadores, mas não neste sistema de exploração e pilhagem, mas sim num sistema em que os recursos são utilizados dentro de um planejamento em benefício das maiorias.


