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sexta-feira, 7 de junho de 2024

Renovação no PCB?

Leôncio Basbaum*

10 de Setembro de 1957

A imprensa comunista do país acaba de publicar um informe do Sr. L. C. Prestes à última reunião do CC do PCB, verificada em meados de agosto p.p. Trata-se, como diz o documento, de “um primeiro e modesto passo no sentido de vencer as dificuldades que hoje enfrentamos”.

Leôncio Basbaum

Há sem dúvida muita coisa interessante nesse documento, e a mais importante delas é o reconhecimento da péssima e lamentável situação a que chegou o PCB: “uma pequena seita desligada das massas”, num momento em que mais do que nunca sua presença se fazia necessária. Desapareceu quase totalmente o sentido baluartista dos documentos anteriores, nos quais se falsificava simplesmente a real situação do PCB perante a base do Partido e perante as massas. Esse é, sem dúvida, o lado positivo do documento. A autocrítica, o reconhecimento de erros antigos e profundos de catastróficas consequências, ainda que insuficiente, é também um lado positivo.

Não vamos examinar aqui as causas que levaram o CC a cometer toda essa longa série de erros. Isto poderá ser objeto de um estudo futuro. No momento nos interessa examinar o que significa o documento, o que lhe falta, o que falta ao CC para que se coloque à altura das necessidades do Partido e dos interesses do povo brasileiro.

quarta-feira, 5 de junho de 2024

Sobre o resultado das eleições no México

Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista do México

04/06/2024

O processo eleitoral no México foi concluído com a votação no domingo, 2 de junho, para eleger o Presidente da República, Câmaras de Deputados e Senadores, Governos da Cidade do México e outras entidades, diversas legislaturas locais e governos municipais de vários estados.

Manifestação do PCM

O processo eleitoral foi marcado pela intervenção governamental em favor do seu partido MORENA, pela utilização de programas sociais, ou seja, pelo lucro da pobreza extrema, pela demagogia dos dois grandes blocos burgueses e das suas candidatas, Claudia Sheinbaum e Xóchitl Gálvez, as campanhas sujas, pelo desperdício obsceno de dinheiro, tanto das prerrogativas do Instituto Nacional Eleitoral (INE), como de fontes estranhas (ou de grupos empresariais ou do crime organizado), pela violência.

Ficou visível o rol de traição governamental do Partido do Movimento Cidadão ; também é um elemento notável que, desde o ponto de vista programático, Sheinbaum e Gálvez estivessem enquadrados na mesma plataforma, com diferenças menores e não essenciais. Fundamentalmente, ambas ratificaram o compromisso de levar a frente a gestão do capitalismo.

Os resultados são claros: foi eleita Claudia Sheinbaum, que terá maioria qualificada para levar a cabo o conjunto de medidas legislativas que considera necessárias uma vez que o PRI e o PAN não terão uma correlação de forças que as dificulte. Será implementado o chamado Plano C, que entre outras medidas visa colocar a Guarda Nacional sob controlo militar. Desde o início da campanha, os empresários ditaram as suas prioridades. Hoje é verificável a satisfação da classe dominante, do poder dos monopólios, com este resultado, com as felicitações imediatas dos banqueiros e das câmaras patronais.

domingo, 2 de junho de 2024

Países árabes e muçulmanos hipócritas ajudam Israel a matar mais palestinos enquanto o condenam

Mustafa Fetouri*

02/06/2024

A maioria dos países do mundo, grandes e pequenos, expressou sua condenação e indignação com o genocídio israelense na Faixa de Gaza, que ocorre há mais de 194 dias. Em linguagem diplomática ou apenas com palavras diretas, como na África do Sul, cada Estado disse a Israel o que pensa de sua invasão militar do enclave palestino. Por outro lado, alguns países também foram claros ao expressar seu apoio ao Estado de Ocupação do apartheid, como os EUA, por exemplo, cujo presidente, Joe Biden, em muitas ocasiões descreveu seu apoio a Israel como um apoio “firme”. Isso tem sido repetido em muitas ocasiões e é um fato desde que Israel foi criado há 75 anos.

Palestinos fogem dos bombardeios em Rafah. (AP - Abdel Kareem Hana)

Apesar de alguma hipocrisia evidente nessas posições declaradas, elas foram mantidas de modo geral, embora com mudanças na linguagem diplomática, pois enfrentam a gravidade e o genocídio multifacetado e as crescentes manifestações de fome em Gaza. Em outras palavras: os países que apoiam Israel, em grande parte, não reverteram suas posições, apesar de atenuarem seu discurso quando as expressaram publicamente.

Surpreendentemente, ou talvez não, a maior parte da hipocrisia política e da inconsistência entre palavras e ações vem, na verdade, de onde, infelizmente, a Palestina esperava algum tipo de solidariedade: o mundo árabe e muçulmano.

sábado, 1 de junho de 2024

Crise climática capitalista e luta de classes no RS

Luta Operária

maio 2024



O Rio Grande do Sul (RS) enfrenta a maior catástrofe climática de sua história. No dia 16 de maio de 2024, os números oficiais indicavam 151 mortos e 104 desaparecidos, além de mais de 538 mil desalojados. Cidades inteiras foram devastadas pela força das águas e outras tantas ficaram isoladas devido aos problemas nas estradas causados pela água.

Apesar de todas essas consequências sobre a população, em sua maioria trabalhadora, a principal preocupação do capital e seu Estado tem sido, como sempre, de garantir seus lucros. Com inúmeras estradas bloqueadas, as grandes empresas estão sendo impactadas sobretudo pela dificuldade de garantir a circulação de mercadorias. Por exemplo, o complexo da GM em Gravataí está parado desde o dia 1º de maio, por falta de matéria-prima e retorna a operar dia 20/05 com apenas um turno. A REFAP, em Canoas, seguiu operando durante a enchente, apesar de estar a 2 quilômetros da entrada do bairro Mathias Velho, um dos mais atingidos. Só reduziu a produção porque não estava conseguindo escoar a produção e ficaram com os estoques lotados. A Tramontina deu férias coletivas para 4 mil trabalhadores em Carlos Barbosa. A Gerdau paralisou sua produção em Charqueadas e Sapucaia do Sul. A Dalleaço, em São Leopoldo, foi uma das poucas grandes empresas do RS que foi diretamente afetada pela enchente. Outras empresas fora do estado também estão sendo impactadas. A Volkswagen estuda dar férias coletivas para os trabalhadores de três fábricas em [São Paulo] devido à falta de peças. A montadora Stellantis, precisou paralisar pontualmente a produção da sua planta em Córdoba, na Argentina, também devido ao impacto da enchente na cadeia logística.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS) tem falado que 94,3% da atividade econômica foi afetada. O que o presidente da FIERGS, Arildo Bennech Oliveira, não diz é que esse impacto é indireto. Em fala publicada pelo jornal Zero Hora, Oliveira mente descaradamente:

“Nós temos hoje 90% do nosso PIB industrial alagado. A situação das empresas é muito difícil e precisamos destas medidas com a maior brevidade possível. Um dos pontos altos da nossa conversa, hoje, foi garantir empregos (se referindo a reunião da FIERGS com o vice-presidente Geraldo Alckmin). Então o crédito e as medidas trabalhistas são as questões mais urgentes para que as empresas possam manter os mais de 500 mil empregos diretos.”

Sabemos que apenas uma pequena parcela das grandes empresas foi atingida diretamente pelas águas. A maior parte destas fica em polos produtivos em locais mais altos que o nível dos rios. Bem diferente do local de moradia dos trabalhadores, dos pequenos comerciantes e das empresas de pequeno e médio porte.

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