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domingo, 2 de junho de 2024

Países árabes e muçulmanos hipócritas ajudam Israel a matar mais palestinos enquanto o condenam

Mustafa Fetouri*

02/06/2024

A maioria dos países do mundo, grandes e pequenos, expressou sua condenação e indignação com o genocídio israelense na Faixa de Gaza, que ocorre há mais de 194 dias. Em linguagem diplomática ou apenas com palavras diretas, como na África do Sul, cada Estado disse a Israel o que pensa de sua invasão militar do enclave palestino. Por outro lado, alguns países também foram claros ao expressar seu apoio ao Estado de Ocupação do apartheid, como os EUA, por exemplo, cujo presidente, Joe Biden, em muitas ocasiões descreveu seu apoio a Israel como um apoio “firme”. Isso tem sido repetido em muitas ocasiões e é um fato desde que Israel foi criado há 75 anos.

Palestinos fogem dos bombardeios em Rafah. (AP - Abdel Kareem Hana)

Apesar de alguma hipocrisia evidente nessas posições declaradas, elas foram mantidas de modo geral, embora com mudanças na linguagem diplomática, pois enfrentam a gravidade e o genocídio multifacetado e as crescentes manifestações de fome em Gaza. Em outras palavras: os países que apoiam Israel, em grande parte, não reverteram suas posições, apesar de atenuarem seu discurso quando as expressaram publicamente.

Surpreendentemente, ou talvez não, a maior parte da hipocrisia política e da inconsistência entre palavras e ações vem, na verdade, de onde, infelizmente, a Palestina esperava algum tipo de solidariedade: o mundo árabe e muçulmano.

sábado, 1 de junho de 2024

Crise climática capitalista e luta de classes no RS

Luta Operária

maio 2024



O Rio Grande do Sul (RS) enfrenta a maior catástrofe climática de sua história. No dia 16 de maio de 2024, os números oficiais indicavam 151 mortos e 104 desaparecidos, além de mais de 538 mil desalojados. Cidades inteiras foram devastadas pela força das águas e outras tantas ficaram isoladas devido aos problemas nas estradas causados pela água.

Apesar de todas essas consequências sobre a população, em sua maioria trabalhadora, a principal preocupação do capital e seu Estado tem sido, como sempre, de garantir seus lucros. Com inúmeras estradas bloqueadas, as grandes empresas estão sendo impactadas sobretudo pela dificuldade de garantir a circulação de mercadorias. Por exemplo, o complexo da GM em Gravataí está parado desde o dia 1º de maio, por falta de matéria-prima e retorna a operar dia 20/05 com apenas um turno. A REFAP, em Canoas, seguiu operando durante a enchente, apesar de estar a 2 quilômetros da entrada do bairro Mathias Velho, um dos mais atingidos. Só reduziu a produção porque não estava conseguindo escoar a produção e ficaram com os estoques lotados. A Tramontina deu férias coletivas para 4 mil trabalhadores em Carlos Barbosa. A Gerdau paralisou sua produção em Charqueadas e Sapucaia do Sul. A Dalleaço, em São Leopoldo, foi uma das poucas grandes empresas do RS que foi diretamente afetada pela enchente. Outras empresas fora do estado também estão sendo impactadas. A Volkswagen estuda dar férias coletivas para os trabalhadores de três fábricas em [São Paulo] devido à falta de peças. A montadora Stellantis, precisou paralisar pontualmente a produção da sua planta em Córdoba, na Argentina, também devido ao impacto da enchente na cadeia logística.

A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS) tem falado que 94,3% da atividade econômica foi afetada. O que o presidente da FIERGS, Arildo Bennech Oliveira, não diz é que esse impacto é indireto. Em fala publicada pelo jornal Zero Hora, Oliveira mente descaradamente:

“Nós temos hoje 90% do nosso PIB industrial alagado. A situação das empresas é muito difícil e precisamos destas medidas com a maior brevidade possível. Um dos pontos altos da nossa conversa, hoje, foi garantir empregos (se referindo a reunião da FIERGS com o vice-presidente Geraldo Alckmin). Então o crédito e as medidas trabalhistas são as questões mais urgentes para que as empresas possam manter os mais de 500 mil empregos diretos.”

Sabemos que apenas uma pequena parcela das grandes empresas foi atingida diretamente pelas águas. A maior parte destas fica em polos produtivos em locais mais altos que o nível dos rios. Bem diferente do local de moradia dos trabalhadores, dos pequenos comerciantes e das empresas de pequeno e médio porte.

sexta-feira, 31 de maio de 2024

Contra a Barbárie Capitalista, Pela Paz e Pelo Socialismo!

Editorial do Página 1917

31/05/2024

"Nesse momento de crise do imperialismo capitalista a indústria armamentista se transforma em motor principal da economia. Esse motor precisa da guerra e da destruição para poder continuar prosperando sobre milhões de cadáveres."


Tudo indica que o genocídio de 36 mil civis na Palestina, a morte de cerca de 200 mil pessoas na Ucrânia (na grande maioria militares russos e ucranianos) e os mais de 17 mil mortos e oito milhões de deslocados no Sudão, poderão ficar registrados na História apenas como "pequenas escaramuças" que antecederam à hecatombe da Terceira Guerra Mundial. Os mais recentes acontecimentos apontam para uma dinâmica de escalada dos conflitos e das suas nefastas consequências que podem superar em muito as barbaridades já ocorridas nesses países.

Gaza destruída pelos bombardeios.

Na Palestina, a invasão israelense segue provocando um massacre da população civil, através do bombardeio por terra e ar das cidades e dos acampamentos de refugiados, sem que os principais fornecedores das bombas e misseis usados pelas tropas de Israel (EUA, Alemanha, Inglaterra e França) tomem qualquer atitude diante desses crimes de guerra, além das declarações patéticas de censura aos "exageros cometidos".

quinta-feira, 30 de maio de 2024

Sobre o Papel e as Tarefas dos Sindicatos nas Condições da Nova Política Econômica

Lenin

Resolução do CC do PCURSS

04/01/1922


Vladimir Ilyich Ulianov (Lenin)

nova política econômica e os sindicatos 

A nova política econômica introduz uma série de modificações substanciais na situação do proletariado e, por conseguinte, na dos sindicatos. A maioria esmagadora dos meios de produção na esfera da indústria e do transporte fica nas mãos do Estado proletário. Juntamente com a nacionalização da terra, esta circunstância demonstra que a nova política econômica não altera a essência do Estado operário, modificando, no entanto, essencialmente, os métodos e as formas da construção socialista, uma vez que admite a emulação econômica entre o socialismo em construção e o capitalismo, que aspira a ressurgir, à base de satisfazer, através do mercado, a muitos milhões de camponeses.

As mudanças de forma na construção socialista são motivadas pelo fato de que, em toda a política de transição do capitalismo ao socialismo, o Partido Comunista e o poder soviético empregam agora métodos especiais para esta transição, atuam em uma série de aspectos através de métodos diferentes dos anteriores, conquistam uma série de posições “mediante uma nova volta”, retrocedem, por assim dizer, para passar novamente, mais preparados, para a ofensiva contra o capitalismo. Particularmente, são hoje admitidos e se desenvolvem o livre comércio e o capitalismo, que devem estar subordinados a uma regulamentação por parte do Estado, e, de outro lado, as empresas estatais socializadas se reorganizam à base do chamado cálculo econômico, quer dizer, do princípio comercial, o que dentro das condições de atraso cultural e de esgotamento do país, fará surgir, inevitavelmente, em maior ou menor grau, na consciência das massas, a contraposição entre a administração de determinadas empresas e os operários que nelas trabalham.

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