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quarta-feira, 3 de abril de 2024

Macron: a lógica da guerra imperialista

Partido Revolucionário Comunista* (França)
01/04/2024

O desenvolvimento da guerra imperialista no território da Ucrânia que inicia o seu terceiro ano é marcado por uma escalada nas políticas de rearmamento, preparação das populações para uma extensão do conflito, para uma militarização das atividades sociais e econômicas e uma tendência acentuada para restringir as liberdades.


O editorial do jornal Les Echos de 6 de março dá o tom ao afirmar: “Por mais horrível que seja, devemos fazer da guerra uma oportunidade da qual retiraremos dividendos”. Tudo é dito em poucas palavras nesta curta frase: a guerra deve ser um meio para os capitalistas aumentarem as taxas de lucro em detrimento, é claro, do trabalho assalariado. Esta realidade não é nova, está na própria lógica do capitalismo para o qual a guerra é um meio de destruir o excesso de capital, empobrecer os trabalhadores e abrir um novo período de crescimento dos lucros e acumulação de capital. O que Jean Jaurès resumiu na sua época com a famosa fórmula: “O capitalismo carrega dentro de si a guerra como a nuvem carrega a tempestade”.

segunda-feira, 1 de abril de 2024

Silêncio Nunca Mais!

Ney Nunes

01/04/2024

O Governo João Goulart foi deposto há sessenta anos, em 01/04/1964, pelo golpe empresarial-militar, um explícito conluio da burguesia brasileira com o imperialismo norte-americano. Mas os golpistas preferiram deixar registrado o dia 31 de março como aniversário do golpe, receavam a identificação com o primeiro de abril, popularmente conhecido como "dia da mentira".

Gregório Bezerra, preso e torturado logo após o golpe de 1964.

O receio fazia sentido, afinal, a propaganda política que antecedeu o golpe tinha entre eixos principais "salvar a democracia" e "combater a corrupção". O que logo se revelaria uma grande mentira. A democracia foi enterrada e os novos governantes se fartaram na corrupção. As prisões, torturas e assassinatos dos opositores do regime tornaram-se rotina. De imediato os alvos principais foram comunistas, sindicalistas e militares legalistas. O golpe tinha um endereço certo: silenciar o movimento operário-camponês e qualquer ameaça de contestação.

sexta-feira, 29 de março de 2024

Cúmplice do Genocídio: Quem deu a Israel a arma do crime?

Ramzy Baroud*

 

"Embora muitos dos aliados tradicionais de Israel no Ocidente rejeitem abertamente o seu comportamento em Gaza, as armas de vários países ocidentais e não ocidentais continuam a fluir."

 

Mais de 9.000 mulheres palestinas foram mortas desde o início da guerra israelense na Faixa de Gaza. As mães foram a maior parte desses assassinatos cometidos por Israel, com uma média de 37 mães por dia desde 7 de outubro.

Fornecedores de armas são cúmplices do genocídio em Gaza.


Os números acima, do Ministério da Saúde Palestino em Gaza e da Sociedade do Crescente Vermelho, respectivamente, apenas transmitem parte do sofrimento vivido por 2,3 milhões de palestinos na Faixa de Gaza.

Não há um único sector da sociedade palestina que não tenha pago um preço elevado pela guerra, embora as mulheres e as crianças sejam as que mais sofreram, constituindo mais de 70 por cento de todas as vítimas do genocídio israelense em curso.

É verdade que estas mulheres e os seus filhos são mortos às mãos dos militares de Israel, mas são assassinados com armas fornecidas pelos EUA e outros países.

quinta-feira, 28 de março de 2024

Francisco Martins Rodrigues, Última Entrevista

Esta entrevista foi concedida ao Blog Caminhos da Memória no final de janeiro de 2008, pouco antes de Francisco Martins Rodrigues* falecer, em 22 de abril de 2008, vítima de câncer. Nela o dirigente comunista revolucionário percorre os principais momentos da sua trajetória política até a Revolução dos Cravos.

Francisco Martins Rodrigues


Nascido em Moura, em 1927, Francisco Martins Rodrigues começou a interessar-se pela política na sequência da prisão do seu irmão José Leonel, vindo posteriormente a ingressar no MUD–Juvenil e no PCP. Fez parte do Comité Central e da Comissão Executiva deste partido a seguir à famosa evasão da cadeia de Peniche a 3 de Janeiro de 1960, da qual tomou parte. Nos anos seguintes entraria em ruptura com o PCP, fundando a FAP e o CMLP. Torna-se então na principal referência teórica do maoísmo desta primeira fase. Em Janeiro de 1966 é preso pela PIDE e condenado a dezanove anos de cadeia. Permanecerá nos calabouços da ditadura até ao dia 27 de Abril de 1974. Posteriormente, fez parte do PCP(R) e da UDP, de onde viria a sair, em meados da década de oitenta, para constituir o coletivo Política Operária.

O excerto que a seguir se apresenta trata dos anos de militância no MUD-J e no PCP. Aproveita-se para informar que um texto autobiográfico sobre o período será em breve lançado pela Dinossauro e a Abrente, com o título Os Anos do Silêncio. Mas avancemos para a conversa.

Nasceu no Alentejo, uma região onde o Partido Comunista sempre teve um peso particular. Foi aí que entrou na política?

Não. Os meus pais vieram para Lisboa, teria eu seis ou sete anos, e desde essa altura que passei a viver aqui.

O que é que os seus pais faziam?

O meu pai era funcionário público e a minha mãe era doméstica. O meu pai tinha sido opositor ao regime e, por isso, tinha muitos problemas. Durante a Guerra de Espanha, era eu criança, ele comprou, de propósito, um rádio e um grande mapa de Espanha. Punha-se a ouvir e dizia-nos para procurar no mapa as terras… Éramos crianças e estas coisas marcam.

Ele chegou a estar preso?
Não.

Nem ligações ao Partido Comunista?

Não, era uma pessoa que tinha seis filhos, preocupadíssimo em sustentar a família. Só que em casa desbobinava as suas opiniões. Ouvia por vezes a Rádio Moscou – era um pesadelo, o barulho que aquilo fazia, cheio de interferências… Não seria nenhum entusiasta da Rússia, mas dizia que aquilo era «um país diferente»…

Depois, o meu irmão mais velho – o único que ainda é vivo, os outros já morreram todos – foi preso, mais ou menos no tempo do Norton de Matos. Comecei a ir vê-lo à prisão, no Aljube e em Caxias, e isso aí marcou-me muito, porque ele lá dentro começou a ficar um bocado perturbado. Apanhou ano e meio por ter sido preso com outros a escrever nas paredes. Foi suficiente para darem cabo dele. Foi aí que comecei o meu tirocínio, a frequentar amigos que ele também tinha, a participar em encontros em cafés, a ter ligação ao MUD-Juvenil.

A entrada para o PCP é posterior?

Muito posterior. Eu estava interessado em entrar, mas não se entrava facilmente. Muito secretamente, um rapaz que era barbeiro nos Anjos e que já tinha estado preso, começou a dar-me uns Avantes¹, mas que dizia que não tinha ligação nenhuma. Todos diziam que não tinham ligação nenhuma… A malta mais nova era canalizada para o MUD-Juvenil para ver o que é que valia. A minha militância aí deve ter rondado os três anos. Fui da Comissão Central do MUD Juvenil e tornei-me funcionário do MUD-J na clandestinidade Ainda sou preso algumas vezes…

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