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terça-feira, 26 de março de 2024

Lenin: Usos e Abusos

Lenin: Usos e Abusos


Ney Nunes*

26/03/2024





Ainda está para surgir quem faça um estudo aprofundado a respeito dos usos e abusos da obra de Lenin pelos embusteiros de todos os matizes. Será, com certeza, um trabalho hercúleo, uma obra que não poderá ser reunida num único livro, mas necessitará de vários volumes. Depois de um século do seu falecimento, Lenin continua a ser citado por inúmeros oportunistas, na tentativa de camuflar com verniz de esquerda as mais torpes e escabrosas manobras políticas. Manobras estas, em geral, visando sempre colocar o proletariado a reboque dos interesses burgueses.

É justamente o que vem ocorrendo na atual conjuntura. O crescimento de partidos de extrema-direita em vários países e sua ascensão ao governo via eleições, como por exemplo, Jair Bolsonaro no Brasil e Javier Milei na Argentina, suscitam as mais estapafúrdias análises por parte desses ideólogos do oportunismo e do reformismo. Seus artigos, na maioria das vezes, vêm acompanhados de comparações com os antecedentes da Revolução Russa e recheados de citações descontextualizadas do seu principal dirigente. Não satisfeitos em desvirtuar a trajetória política e a obra de Lenin, agregam frequentemente no rol das suas mistificações outros destacados revolucionários, como Trotsky, Gramsci e Mao.

quinta-feira, 21 de março de 2024

Armadilha Capitalista para Avanços Científicos

Prabhat Patnaik*

17/03/2024

Há um paradoxo no cerne do florescimento da ciência que ocorreu ao longo do último milênio. Em essência, esta eflorescência tem o potencial de aumentar imensamente a liberdade humana. Aumenta a capacidade do homem na dialética homem-natureza; a prática científica pretende ir além do “dado”, não apenas num sentido definitivo, mas como um movimento perpétuo através de um autoquestionamento incessante, de modo que esta prática seja potencialmente um ato coletivo de libertação. Mas esta promessa de liberdade continua significativamente por cumprir; e embora o seu potencial não tenha sido concretizado, esta eflorescência da ciência tem sido utilizada em grande medida para o domínio de alguns sobre outros seres humanos e outras sociedades. O paradoxo reside no fato de a prática científica que tem o potencial de aumentar a liberdade humana ter sido utilizada para aumentar a dominação, isto é, para atenuar a liberdade humana.




As raízes deste paradoxo residem no fato de que o desencadeamento do avanço científico exigiu a derrubada do domínio exercido sobre a sociedade pela Igreja (que, recorde-se, forçou Galileu a retratar-se); e esta derrubada só poderia ocorrer como parte da transcendência da ordem feudal, isto é, como parte da revolução burguesa, da qual a Revolução Inglesa de 1640 foi um excelente exemplo. O desenvolvimento da ciência moderna na Europa esteve, portanto, indissociavelmente ligado, desde o início, ao desenvolvimento do capitalismo; e isso deixou a sua marca indelével na utilização que foi dada aos avanços científicos.

Esta marca burguesa também teve importantes implicações epistêmicas com as quais os filósofos (como Akeel Bilgrami) se preocuparam, nomeadamente o tratamento da natureza como “matéria inerte” e a atribuição de uma “inércia” semelhante às populações indígenas em áreas remotas do mundo. (“gente sem história”) que “justificou” aos olhos europeus a aquisição de “domínio” tanto sobre a natureza como sobre populações tão distantes e, portanto, “justificou” o fenômeno do imperialismo.

segunda-feira, 18 de março de 2024

Boicotar a Mídia Burguesa !

Boicotar a mídia burguesa
Faixa de Gaza: genocídio e destruição.


A cobertura do oligopólio midiático brasileiro sobre o genocídio praticado por Israel na Faixa de Gaza evidencia sua total subordinação ao imperialismo norte-americano e europeu. Ao classificar como terrorismo a resistência do povo palestino contra uma ocupação que já dura 75 anos, ao mesmo tempo em que não reconhece estar ocorrendo um genocídio cometido pelas tropas israelenses, esse oligopólio está respaldando o assassinato de dezenas de milhares de seres humanos, a limpeza étnica e crimes de guerra.


Mais de 13 mil crianças mortas nos ataques israelenses em Gaza

Não alimentem os inimigos do proletariado!

Nenhum centavo para a máquina de propaganda capitalista!

Cancelem suas assinaturas do oligopólio midiático burguês!


domingo, 17 de março de 2024

A luta do proletariado e das massas na luta de classes contra a burguesia e seus atuais limites

Coletivo Cem Flores
2023
Jamais reduziremos nossas tarefas ao apoio às palavras de ordem da burguesia reformista mais em voga. Perseguimos uma política independente e apresentamos apenas as reformas que são, sem dúvida, favoráveis aos interesses da luta revolucionária, que sem dúvida aumentam a independência, a consciência de classe e a eficiência de luta do proletariado.
                              Lenin: Mais uma vez sobre o Ministério da Duma (1906)

 

Após a derrota das experiências revolucionárias socialistas do século 20, que se somaram às crises do marxismo e do movimento comunista internacional, e diante da violenta crise que o capital atravessa, o proletariado e as demais classes trabalhadoras em todos o mundo sofreram muitas derrotas e recuaram de forma intensa no terreno da luta de classes. Suas teoria e organizações revolucionárias foram em grande parte abandonadas, desorganizadas ou derrotadas. Sua unidade e suas lutas apresentam enormes dificuldades para se firmarem e serem vitoriosas contra seus inimigos de classe. Concomitantemente, a burguesia passou à ofensiva em várias frentes, retomando e conquistando posições, avançando sobre as grandes massas para impor ainda mais exploração e opressão.
 
A luta do proletariado e das massas no Brasil é parte desse cenário geral. As lutas concretas dos explorados e oprimidos, que brotam da piora das suas condições de vida, encontram diversos e significativos limites políticos, ideológicos e organizacionais, que barram e impedem uma ação mais incisiva e efetiva contra o inimigo burguês e seus aliados. Um dos maiores desafios dos comunistas nesta conjuntura é transformar a crise e a ofensiva burguesa em oportunidades de avanço da luta e organização proletária.

Brasil: democracia burguesa em ação.


De forma mais concreta, são vários os fatores que limitam e emperram a luta do proletariado atualmente no Brasil. O desemprego elevado e a deterioração do mercado de trabalho, um dos principais efeitos da crise, criam um ambiente desfavorável para a luta sindical por melhores condições de trabalho, salários e benefícios, seja pelo aumento  de  concorrência  entre  trabalhadores empregados (formais e informais) e os que compõem o exército de reserva, seja pelo avanço do poder patronal. O reforço da repressão, desde a vigilância à repressão sanguinária, coloca aos explorados a exigência de um patamar mais elevado de organização. A prolongada ausência da posição revolucionária abre espaço para a influência crônica do reformismo e do oportunismo, que desorganizam e corroem os instrumentos de luta das massas, tornando-se verdadeiras armas do inimigo, sendo o exemplo claro a grande maioria dos sindicatos hoje.

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