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domingo, 14 de janeiro de 2024

Alguns Aspectos da Crise Estrutural do Capitalismo

Sergio Moebus

Janeiro/2024



A crise estrutural do capital como a crise da produção, da absorção dos excedentes e a realização do valor.

O excesso de capitais acumulados, a economia ultraliberal para manter a mais valia e a taxa de lucro, gerando uma concorrência predatória entre os capitalistas e resultando em arrocho salarial, desemprego e privatização de empresas estratégicas.

Um grande exemplo de excedente de capitais são os investimentos bilionários feitos pela China em mais de 130 países, gerando uma incapacidade de pagamento das dividas por parte da maioria dos países e, uma dependência política desses países com relação a China.

Não existe solução para a crise global do capitalismo, nem solução keinesiana, não havendo portanto solução nacional para a crise.

Para Keynes, nas crises, o Estado deve intervir para garantir o emprego, seja em empresas estatais ou em obras públicas. Para isso seria necessária uma classe trabalhadora organizada em seus sindicatos e, uma burguesia com interesses minimamente nacionalistas, o que está longe de ser o nosso caso.

Os grandes capitalistas sempre repassam as consequências da crise para os trabalhadores e para o pequeno capital, modificando as relações capital-trabalho, como por exemplo a contrarreforma trabalhista no Brasil.

A crise se agravou em 2008 quando o governo Obama impôs uma política de administração da crise atacando seus efeitos segundo o interesse do grande capital em relação ao trabalho, do centro em relação à periferia e do grande capital em relação ao médio e pequeno capital.

Obama apostou na globalização e no multilateralismo.

Com a globalização e através de políticas ultraliberais e suas consequências para os trabalhadores,  especialmente nos países periféricos, o capital recupera as margens de lucratividade e, as corporações acumulam imensa massa capital/dinheiro, que impulsionam a financeirização da riqueza capitalista.

Num cenário de superprodução, sobreacumulação e subconsumo, a dinâmica capitalista não consegue operar a produção de valor, tendo a valorização uma forma fictícia.

As crises cíclicas do capitalismo passam a uma crise pandêmica, crônica e permanente.

Ao contrário das crises cíclicas, na crise estrutural o Estado perde sua capacidade de deslocar os efeitos negativos da crise, agravando o poder destrutivo do capital e, podo fim às ilusões socialdemocratas da "humanização do capitalismo".

A crise estrutural do sistema capitalista é a mais grave crise social da história da humanidade.

Desafios da classe operária:

- Resgate da crítica radical do sistema capitalista.

- Necessidade da organização de um partido Revolucionário.

- Necessidade de uma práxis revolucionária.

A bandeira histórica dos trabalhadores se impõe como condição de existência da própria humanidade.


Referências:

* Sobre a Crise Atual do Capital - Plínio de Arruda Sampaio Junior - Entrevista concedida a TV A Comuna.

* A crise Estrutural do Capitalismo - István Mészáros, por Cesar Henrique Maranhão - Universidade Federal da Paraíba.

* A crise estrutural do capital e sua fenomenologia histórica - Giovanni Alves - Blog da Boitempo.


Edição: Página 1917


quarta-feira, 10 de janeiro de 2024

Inconsistências de uma Inédita Agressão

Claudio Katz*

28/12/2023

Argentinos vão as ruas contra o governo Milei


Nas primeiras semanas de governo, Milei deixou claro o enorme descalabro que pretende implementar. Nenhuma denominação exagera essa ofensiva. É “um plano de guerra contra a classe trabalhadora”, uma “motosserra contra os despossuídos” e uma “contra-reforma abrangente da sociedade argentina”. Aplica a doutrina neoliberal do choque com uma virulência nunca antes vista. Martínez de Hoz, Rodrigazo, Menem ou Macri são antecedentes mornos da brutalidade em curso.

Milei espera concluir em um ano a cirurgia nos gastos públicos que o FMI propôs realizar durante um período de cinco anos. Ele proclama a conveniência do sofrimento e prevê um colapso ainda maior no rendimento popular, antes de alcançar a prometida recuperação econômica. Ele omite que estes sofrimentos não se estenderão ao punhado de pessoas poderosas que enriquecem na sua administração. Esconde também o carácter desnecessário e premeditado dos danos que está a causar a toda a população.

O libertário apresenta o seu golpe como a única contenção possível de uma catástrofe econômica iminente. Mas ele baseia esse diagnóstico em números malucos. Inventa uma hiperinflação de 15 mil por cento, déficits gêmeos de 17% do PIB e alerta contra o aumento do preço do litro do leite de 400 para 60 mil pesos. Ele exagera descontroladamente os desequilíbrios da herança recebida para disfarçar a atrocidade das suas medidas.

Em poucos dias negou todas as mensagens da campanha eleitoral. Os seus decretos penalizam a maior parte da população e não um punhado de políticos. Já substituiu as menções à “casta” em todo o Estado como destinatária da redução. Agora confessa que a sua tesoura se estenderá ao setor privado, mas omite que os grandes grupos capitalistas estão isentos deste ajustamento.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

O Cazaquistão seguiu o caminho dos Estados Bálticos e da Ucrânia na reabilitação dos colaboradores nazis!

Conselho Político do Movimento Socialista do Cazaquistão

08/01/24

Em 2022 tropas russas reprimiram protestos no Cazaquistão.*

O Movimento Socialista do Cazaquistão condena a decisão final da Comissão Estatal para a Reabilitação Final das Vítimas da Repressão Política de absolver 311 mil pessoas, muitas das quais são  criminosos ou  terroristas  armados , Basmachi1, membros da Legião do Turquestão e unidades das SS muçulmanas orientais que lutaram contra o Exército Vermelho e o governo soviético.

Todos estão agora a ser apresentados como "vítimas do regime estalinista dos anos 20-50 do século XX", embora entre eles houvesse muita gente condenada por banditismo, sabotagem, roubo de património público, ataques a comboios e veículos motorizados com o objetivo de roubar, crimes que, nos anos 20 e início dos anos 30, eram equiparados a crimes políticos.

Entre os absolvidos, como esperávamos, estavam membros de organizações terroristas, espiões, combatentes de gangues Basmach, orquestradores de levantamentos antissoviéticos do período da coletivização, bem como colaboradores que se juntaram ao serviço da Alemanha nazi e estavam na Legião do Turquestão da Wehrmacht e unidades muçulmanas das SS. Muitos deles têm nas mãos  o sangue de cidadãos soviéticos, militantes do partido e do Komsomol.

Deve-se notar que o próprio decreto sobre a formação da Comissão de Reabilitação do Estado é, na verdade, uma cópia do projeto de lei sobre a reabilitação final no vizinho Quirguistão, preparado pela Fundação Soros-Quirguistão local e pelo Governo Aberto financiado pela USAID.

Por outras palavras, isto sugere que tal reabilitação, bem como o lançamento de "livros de memórias" financiados por fundações americanas, é um esquema geral para reescrever a história no Cazaquistão e na Ásia Central, a fim de condenar o período soviético e apresentá-lo como um "genocídio" permanente dos povos locais pelos bolcheviques.

Antes de a Comissão Estatal anunciar, em 27 de dezembro, que tinha absolvido 311 mil condenados que não tinham sido anteriormente submetidos à reabilitação, uma edição de sete volumes de A História do Cazaquistão foi publicada no Cazaquistão, em outubro deste ano, na qual a URSS é representada como um Estado que realizou o genocídio do povo cazaque  durante 70 anos.

Com esta decisão de reabilitação, a disposição sobre o papel criminoso da União Soviética e do Partido Comunista foi oficialmente consagrada na ideologia, o que logicamente levará em breve à proibição dos símbolos comunistas e do marxismo-leninismo no país.

Além disso, desde 2018, está em vigor no Cazaquistão o decreto do presidente Nursultan Nazarbayev sobre a mudança de "nomes ideologicamente desatualizados de ruas e povoados", segundo o qual dezenas de monumentos a Lenin e figuras soviéticas já foram demolidos e dezenas de milhares de nomes de praças, avenidas e povoações foram rebatizadas.

A próxima etapa será o reconhecimento definitivo do Holodomor2, uma vez que tal projeto de lei está pronto há muito tempo no parlamento, e haverá também a glorificação dos reabilitados, através da construção de monumentos a eles dedicados, o lançamento de filmes e livros. No Cazaquistão, 15 ruas já foram rebatizadas em homenagem ao fundador da Legião do Turquestão da Wehrmacht e unidades muçulmanas da SS Mustafa Shokai e vários monumentos lhes foram erguidos .

Certamente depois disso, seguindo o exemplo da Polônia, dos Estados Bálticos e da Ucrânia, serão destruídos monumentos aos heróis do Exército Vermelho. E as primeiras tentativas já estão a ser feitas, o que aconteceu durante a mudança dos nomes de ruas em várias regiões do país, e há pedidos constantes para desmantelar o monumento aos 28 Guardas Panfilov em Almaty e remover o nome do general Ivan Panfilov do nome do distrito da região de Almaty.

O Movimento Socialista do Cazaquistão opõe-se inequivocamente a esta reabilitação daqueles que lutaram contra o governo soviético,  e que reprimiram as forças populares de resistência e a restante população local na Bielorrússia, Ucrânia, Polónia, Grécia, Itália, França e Bélgica ocupadas pelos fascistas alemães!

Opomo-nos à glorificação dos Basmachi, dos membros da Legião do Turquestão da Wehrmacht e das unidades muçulmanas das SS e às tentativas de apresentá-los como "combatentes pela libertação da ditadura bolchevique"!

 

Basmachi, a Revolta Basmachi,  foi uma revolta contra o controle do Império Russo e posteriormente contra a Rússia soviética na Ásia CentralO movimento começou em 1916 durante a Primeira Guerra Mundial como uma reação contra os russos, então sob o regime czarista, por causa do recrutamento de muçulmanos para a guerra,  e levou depois a uma guerra civil contra o regime soviético. Com a influência soviética e a coletivização, a luta cessou e os Basmachi perderam o apoio popular. Como na atualidade, as questões étnicas, culturais e nacionais na Ásia central no início do século XX eram então extremamente complexas e estavam sujeitas também a influências chinesas e turcas.

Holodomor: mito anticomunista criado pela propaganda burguesa segundo o qual, nos anos 30-32 do século passado, Estaline seria responsável  pela organização de um genocídio de milhões de ucranianos pela fome. Para cabal esclarecimento, consultar: Golodomor-Acortinadefumodoregime.pdf (hist-socialismo.com)

*http://www.solidnet.org/article/SM-of-Kazakhstan-Statement-of-the-Socialist-Movement-of-Kazakhstan-on-the-situation-in-the-country/

Fonte: https://pelosocialismo.blogs.sapo.pt/o-cazaquistao-seguiu-o-caminho-dos-284914

Edição: Página 1917

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

O caráter anticomunista da chamada “Plataforma Mundial Anti-imperialista”

Guillermo Uc*

29/11/23


Texto completo en: https://elcomunista.nuevaradio.org/el-caracter-anticomunista-de-la-llamada/

Se converte em uma tarefa obrigatória dos partidos comunistas que sustentam posições revolucionárias desmascarar o caráter profundamente anticomunista e oportunista da PMA e como ela, por trás de uma retórica “antiimperialista”, termina sendo um espaço de articulacão para a defesa de um dos polos imperialistas em conflito.

 


"Toda a história da democracia burguesa põe a nu essa ilusão: para enganar o povo, os democratas burgueses lançaram e lançam sempre todas as ‘palavras de ordem’ que querem. O problema é verificar a sua sinceridade, comparar palavras com fatos, não se contentar com frases idealistas ou vãs, mas ver a realidade de classe. A guerra imperialista não deixa de ser imperialista quando charlatães ou filisteus pequeno-burgueses lançam um doce “slogan”, mas apenas quando a classe que dirige a guerra imperialista e está ligada a ela com milhões de fios (até cordas) de natureza econômica, é realmente derrubada e substituída no poder pela classe verdadeiramente revolucionária, o proletariado. Caso contrário, é impossível livrar-se de uma guerra imperialista, bem como de uma paz imperialista e predatória."

(Lenine, A revolução proletária e o renegado Kautsky.)

A guerra imperialista que eclodiu primeiro na Ucrânia, mas que ameaça se tornar uma guerra imperialista generalizada, força os polos imperialistas não apenas a manter o apoio da burguesia dos seus respetivos países, que são, na realidade, os promotores da guerra, mas também considera urgente obter o apoio de um setor da classe trabalhadora, a favor de um ou outro lado imperialista.

Assistimos à atitude vergonhosa de outrora gloriosos partidos comunistas na Europa durante o século passado, mas que acabaram no pântano do eurocomunismo e estão atualmente ao lado do polo imperialista liderado pelos Estados Unidos/OTAN/UE, cumprindo os acordos firmados com a socialdemocracia através da participação nos seus governos de coligação. Não é segredo para ninguém que esses partidos já não representam os interesses da classe trabalhadora, mas sim os da burguesia e do polo imperialista já mencionado.

No entanto, o polo imperialista liderado pela China, ao qual a Rússia pertence, também procura conquistar a simpatia de um certo número de partidos. Não só um amálgama de organizações de todos os tipos aderiu ativamente a esse polo, aproveitando-se do ecletismo proporcionado por termos como “anti-imperialismo”, “multipolaridade”, “anticolonialismo”, “libertação nacional”, etc., mas também uma série de partidos e organizações que se dizem comunistas e dos trabalhadores se tornaram promotores da defesa desse polo imperialista.

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