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segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Morte e Destruição em Gaza

John Mearsheimer*

13/12/2023

"Os Estados Unidos não só foram o único país a votar contra uma recente resolução do Conselho de Segurança da ONU que exigia um cessar-fogo imediato em Gaza, mas também têm fornecido a Israel as armas necessárias para levar a cabo este massacre."

Não creio que nada do que eu diga sobre o que está a acontecer em Gaza vá afetar a política israelense ou americana nesse conflito. Mas quero que fique registado para que, quando os historiadores olharem para trás e para esta calamidade moral, vejam que alguns americanos estavam do lado certo da história.


O que Israel está a fazer em Gaza à população civil palestina – com o apoio da administração Biden – é um crime contra a humanidade que não serve nenhum propósito militar significativo. Como afirma a J-Street, uma importante organização de lobby de Israel: “A dimensão do desastre humanitário e das vítimas civis que estão a ocorrer é quase incompreensível.”[1]

Permitam-me explicar.

Primeiro, Israel está a massacrar propositadamente um grande número de civis, dos quais aproximadamente 70% são crianças e mulheres. A alegação de que Israel está a fazer todo o possível para minimizar as vítimas civis é desmentida por declarações de altos funcionários israelenses. Por exemplo, o porta-voz das FDI disse em 10 de outubro de 2023 que “a ênfase está nos danos e não na precisão”. Nesse mesmo dia, o ministro da Defesa, Yoav Gallant, anunciou: “Eu aliviei todas as restrições: mataremos todos os que combatermos; Usaremos todos os meios"[2].

Além disso, os resultados da campanha de bombardeamento mostram claramente que Israel está a matar civis indiscriminadamente. Dois estudos detalhados da campanha de bombardeamento das FDI – ambos publicados nos meios de comunicação israelitas – explicam detalhadamente como Israel está a assassinar um grande número de civis. Vale citar os títulos dos dois artigos, que resumem sucintamente o que diz cada um deles:

"Uma fábrica de assassinatos em massa: por dentro do bombardeio calculado de Israel em Gaza"[3].

"O exército israelense abandonou a contenção em Gaza e os dados mostram uma carnificina sem precedentes"[4].

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Conflito Venezuela-Guiana: por uma posição internacionalista!

Lucha de Clases (CMI/Venezuela) 12/12/2023


No dia 3 de dezembro, foi realizado na Venezuela um referendo público consultivo, convocado pela Assembleia Nacional, sobre a disputa territorial da região de Essequibo, na Guiana. A escalada do conflito nesta região tem implicações profundamente reacionárias para ambos os povos. É imperativo que os comunistas adotem uma posição internacionalista.

O referendo assumiu a forma de cinco perguntas, que (em ordem) perguntavam aos eleitores se eles: 1) rejeitavam o despojo “fraudulento” da Venezuela de Essequibo na Arbitragem de Paris de 1899; 2) apoiavam o Acordo de Genebra de 1966 para resolver a questão; 3) concordavam com a recusa histórica da Venezuela em reconhecer a “jurisdição do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ)” sobre a questão; 4) rejeitavam a reivindicação territorial da Guiana; e 5) concordavam com o desenvolvimento de um “plano acelerado” para restabelecer a soberania venezuelana.

Essequibo: petróleo e outras riquezas minerais atiçam cobiça capitalista.

A votação ocorreu em meio a relatos de baixa participação nas seções eleitorais. Segundo os dados oficiais, os percentuais de aprovação foram: 97,83% para a primeira questão; 98,11% para a segunda; 95,40% para a terceira; 95,94% para a quarta; e 95,93% para a quinta. A participação oficial foi de 10,5 milhões, o que representa 50% do censo eleitoral.

Embora todos antecipassem uma vitória do “Sim”, o governo do PSUV esperava uma maior participação, dada a sua intensa campanha chauvinista, ao custo de US$ 1 milhão, o que reflete uma apatia geral em relação a todos os processos e instituições políticas, enquanto os trabalhadores e os pobres lutam pelos fundamentos básicos da vida e enfrentam ataques contínuos aos seus direitos.

domingo, 10 de dezembro de 2023

A Economia Brasileira no Final de 2023

Coletivo Cem Flores

05.12.2023

Depois de um primeiro semestre com crescimento acima do esperado, a economia brasileira desacelera nesse final de ano. Para os/as trabalhadores/as, tem sido mais um ano de exploração e carestia.

O crescimento econômico em 2023

No ano passado, o Brasil cresceu 2,9%. Foi mais um ano de recuperação econômica após a enorme crise em 2020. E tal crescimento se deu, dentre outros fatores como a demanda internacional pelas commodities brasileiras, pelo novo patamar de exploração que os patrões têm imposto às classes trabalhadoras do país.

Seguindo a tendência internacional, a expectativa era que, em 2023, o Brasil desacelerasse e “crescesse” em torno de 1%. Ou seja, estagnação. Afinal, o cenário geral era de agravamento das contradições interimperialistas, de persistente inflação surgida em 2021 e de grande aumento das taxas de juros.

No entanto, alguns fatores levaram à economia brasileira ter um desempenho muito acima do esperado no primeiro semestre. Lá fora, a desaceleração não foi tão forte como esperado, e o maior parceiro comercial do Brasil, a China, cresceu a ritmo maior, apesar de enfrentar sérios problemas econômicos. Já os preços das commodities, principais produtos exportados pelo Brasil, estiveram em alta no primeiro semestre.

sábado, 2 de dezembro de 2023

Classe / identidades

João Bernardo*

20/03/2019

João Bernardo Maia Viegas Soares



A classe trabalhadora pode ser definida no plano econômico ou no plano sociológico. É indispensável não confundir estes dois planos.

Eu defino o tempo como a substância do capitalismo, porque a mais-valia, ou seja, o processo de exploração, ocorre no tempo e resulta de contradições operadas no tempo. Aqueles que controlam o seu próprio tempo de trabalho, ou participam nesse controle, e simultaneamente controlam o tempo de trabalho alheio constituem as classes exploradoras (burgueses e gestores). Aqueles que não controlam o seu próprio tempo de trabalho nem o tempo de trabalho alheio constituem a classe trabalhadora. Aqueles que controlam o seu tempo de trabalho e não controlam o tempo de trabalho de mais ninguém são exteriores ao modo de produção capitalista, com o qual se relacionam apenas através do mercado (artistas, artesãos individuais e o que resta das velhas profissões liberais).

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