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quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

A “Transição Longa” ou a Reabilitação do Reformismo

Francisco Martins Rodrigues

Novembro/1998 

A propósito das opiniões de Samir Amin

Transição longa ou capitalismo eterno?


Na entrevista que publicamos no número anterior desta revista, Samir Amin deduz do fracasso das revoluções na União Soviética e na China que o mundo caminha para uma “transição longa” do capitalismo ao socialismo, durante a qual os fatores de mudança social ganharão gradualmente preponderância no seio das instituições, segundo uma via muito diferente da daquelas revoluções.

Não pretendendo colocar em causa o conjunto dos pontos de vista de Samir Amin, justamente prestigiado pela sua longa militância anti-imperialista, parece-me necessário contudo comentar as ideias que desenvolveu na entrevista referida.

Em si, a ideia de que será necessário um período relativamente longo (um, dois séculos ou até mais) para passar do capitalismo ao socialismo presta-se a muita discussão, dada a rapidez com que o capitalismo processa a sua marcha para a catástrofe global. Mas é uma hipótese que não pode ser excluída e nem sequer é o que mais importa para os que lutam pela revolução social.

Muito mais contestável é, a meu ver, a perspectiva que Amin associa a este conceito de “transição longa” e que desenvolveu na citada entrevista. Diz ele que o socialismo pode desenvolver-se no seio do capitalismo, através de “um conflito permanente entre a lógica da acumulação do capital e lógicas não capitalistas, anticapitalistas, lógicas sociais, culturais, mais ou menos totais, mais ou menos parciais, mais ou menos radicais de recusa da alienação mercantil…”. E mais explicitamente: “Ponho em causa a convicção de que o socialismo não se pode desenvolver no seio do capitalismo, de que é preciso previamente tomar o poder”.

Eis uma afirmação assombrosa, partindo de quem parte. A nós parece-nos indiscutível, pelo contrário, que o socialismo não pode desenvolver-se no seio do capitalismo, justamente porque é a sua negação. O capitalismo pôde desenvolver-se no seio da sociedade feudal, invadir gradualmente as instituições e o aparelho de Estado, ao longo de séculos, antes de tomar o poder, porque era uma forma de exploração moderna em competição com uma outra arcaica (a servidão). Mas como poderia o socialismo, supressão do trabalho assalariado e da propriedade privada, conviver numa mesma sociedade com o capitalismo? Basta colocarmos a hipótese para nos apercebermos do seu absurdo.

Demais, quando se conhece o caráter totalitário das relações capitalistas, que invadem todos os recantos da vida social e aniquilam ou assimilam qualquer outro tipo de relações (tenha-se em vista a experiência das cooperativas), só pode causar-nos estupefação este ponto de vista de Samir Amin. É como se recuássemos 150 anos e voltássemos ao tempo dos socialismos utópicos.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Das Disputas Interburguesas à Luta de Classes

 Por Editorial Ande 

Há pouco mais de dois anos, em 15 de novembro de 2020, as lutas interburguesas fechavam um ciclo. Com a destituição do governo de Manuel Merino, que acabava de substituir Martín Vizcarra, os representantes políticos da burguesia no Estado restabeleceram a ordem da capital. Os mártires deste processo, assassinados pela polícia, foram Inti Sotelo (24 anos) e Jack Pintado (22 anos). Francisco Sagasti tomou o poder e trouxe tranquilidade à burguesia peruana. Instantaneamente, as lutas do proletariado do setor agroexportador estouraram nas regiões de Ica e La Libertad. A CONFIEP emitiu um comunicado em 30 de novembro que dizia: "o protesto deve ser pacífico e não afetar o estado de direito". Sagasti cumpriu sua função como representante da grande burguesia: implantou a repressão policial. Reynaldo Reyes Ulloa (28 anos) foi assassinado em Virú pelo suboficial Víctor Bueno, com um tiro na cabeça. Jorge Yener Muñoz Jiménez (20 anos) foi assassinado pelo suboficial superior José Hoyos Agip. Kauner Niller Rodríguez De la Cruz (16 anos) também foi vítima do ataque policial. O papel de Sagasti foi claro: proteger os interesses do grande capital agroexportador. As estradas foram liberadas para que a mercadoria circulasse, os trabalhadores voltaram a ser explorados nas fazendas de produção. A ordem do capital impôs-se a sangue e fogo, a liberdade de compra e venda e a acumulação de capital prevaleceram sobre a vida dos trabalhadores e, com isso, continuaram as disputas interburguesas.


O presente é análogo, mas se reconfigura de maneira muito distinta. A mudança fundamental é a radicalização da luta dos trabalhadores contra os representantes da grande burguesia peruana: o Estado. Agora os trabalhadores não reconhecem este governo e declaram, com razão, em insurgência. Como uma chama num campo, a luta incendiou todos os cantos do Peru. As rodovias Panamericana Sur em La Joya e em Ica foram fechadas quase permanentemente nestes dias de combate, isso ocorreu de forma mais intermitente em Majes.

Na quinta-feira, dia 8, a cidade de Canchis, em Cusco, não reconheceu o governo e declarou uma insurreição popular. Em Cajamarca e Cusco, as praças de armas foram ocupadas por milhares de trabalhadores, situação que se repetiu em várias regiões do país nos dias seguintes. A CURROCAP (Central Única Regional de Rondas Campesinas de Puno) e a CUNARC (Central Única Nacional de Rondas Campesinas) se declararam em mobilização. Na sexta-feira, 9, Espinar pediu a dissolução do Congresso e a renúncia do governo, que não reconheceram; Nesse mesmo dia houve protestos em Chumbivilcas, Arequipa, Alto Siguas, Huaraz, Huánuco e Huancavelica e outras cidades. No sábado, dia 10, Apurímac declarou insurgência e convocou greve para segunda-feira, dia 12. A Convenção, em Cusco e Ilave, em Puno, também anunciou greve por tempo indeterminado para o mesmo dia. Hoje, domingo 11, a rodovia nacional que liga as regiões de Ayacucho e Andahuaylas acordou bloqueada. A rodovia do distrito de Chicmo, setor Moyabamba Baja, também está bloqueada.

Por sua vez, o Centro Populacional Secocha  se dirigiu para o distrito de Ocoña, em Arequipa, para bloquear estradas. A FENATE (Federação Nacional de Trabalhadores em Educação do Peru) anunciou uma greve nacional para 15 de dezembro. Em Chanchamayo, comunidade localizada na Selva Central, foi anunciado o bloqueio da ponte Pichanaki e a convocação de 5.000 moradores para marchar até Lima. Em Azangaro, Puno, reservistas das Forças Armadas se juntaram aos protestos dos moradores. Em Yuramayo, Arequipa, trabalhadores fecharam o túnel Vitor.

Além disso, nestes quatro dias (de 8 a 11) um número considerável de comitês de luta, organizações de base, sindicatos, etc. aderiram à luta. Por que está ocorrendo a radicalização do protesto popular? Uma explicação fundamental encontra-se no agravamento da crise do capital, suas expressões na escalada militar mundial e sua manifestação mais clara na guerra russo-ucraniana, que levou ao aumento dos preços globalmente, tornando mais precária a vida de milhões de trabalhadores no mundo. O Estado pouco fez para neutralizar os impactos desses choques externos sobre as famílias trabalhadoras, seu papel tendeu a ser o de salvaguardar os interesses burgueses, enquanto a crise foi lançada diretamente sobre os ombros dos trabalhadores, que sofrem diariamente com o aumento dos preços, a escassez de materiais para a produção agrícola (como fertilizantes), o alto preço do combustível, etc. Problemas que, somados às secas violentas (SENAMHI) e ao surto de Covid-19, agravam a condição do campesinato e encarecem os alimentos.

Piquetes, bloqueios de estradas e marchas são as respostas legítimas e espontâneas da classe trabalhadora ao reposicionamento dos partidos burgueses que dirigem o Estado. As lutas, até agora, podem ser divididas de acordo com sua composição e objetivos principais: enquanto em Lima é formada por grupos de esquerda, organizações tradicionais, coordenadores, etc., e pouquíssima base operária, nas demais regiões a composição é majoritariamente trabalhadores autoconvocados. Enquanto em Lima prevalece como palavra de ordem a libertação de Pedro Castillo, nas províncias prevalece o fechamento do Congresso; ambos concordam com a renúncia do Executivo, as novas eleições e o pedido de mudança da Constituição.

Nas regiões radicalizadas da serra sul, se evidencia uma crítica mais além do mero ato de reivindicação do governo anterior, o qual é acusado de traidor. As razões são claras, Castillo não representava a classe trabalhadora, mas sim a uma burguesia nacional emergente. Nesse sentido, o grosso das lutas lideradas pelos trabalhadores autoconvocados se mobiliza contra o decadente pacto intercapitalista que mantém a oportunista Dina Boluarte na presidência. Tal luta marca uma mudança no cenário político peruano: passamos das disputas interburguesas para a luta de classes. Embora ainda apareça como uma manifestação concreta incipiente da contradição capital-trabalho, os trabalhadores começam a tomar medidas para lutar contra os representantes da classe capitalista no Estado. Também, é verdade que ainda é uma mobilização contra uma fração dos representantes dos capitalistas, e que as principais palavras de ordem se restringem a mudanças democratizantes. Conscientes disso, não subestimamos o poder dessas ações, pois podem levar a um processo de radicalização que permita à classe intervir defendendo seus interesses históricos contra a ordem do capital. Já está mencionado nas palavras de ordem que o Congresso representa apenas a CONFIEP, órgão máximo de organização da grande burguesia peruana.

Eles também ameaçam tomar os corredores de mineração do sul, que são atualmente os maiores e mais importantes do Peru. Além disso, eles chamaram a parar a produção em Las Bambas, Compañía Minera Antapaccay, etc., além disso, eles começam a direcionar suas ações contra corporações peruanas como CORPAC  no Aeroporto de Andahuaylas.

É provável que amanhã, segunda-feira, 12 de dezembro, as lutas se tornem muito mais radicais. Um grande número de trabalhadores se autoconvocou em todas as regiões do Peru, aumentando as expectativas. Os trabalhadores de Andahuaylas não puderam esperar mais e se tornaram o centro e o exemplo da luta nacional. Desde o dia 10, pelo menos 5.000 trabalhadores fizeram sentir sua força e sua insatisfação com a ordem dominante; a tarde, os trabalhadores de Huancabamba ocuparam o aeroporto de Andahuaylas. Um avião das Forças Armadas chegou de Lima com mais contingentes militares. Hoje, 11 de dezembro, descem helicópteros cheios de contingentes policiais para continuar reprimindo e salvaguardando os interesses capitalistas. Em consequência, a morte de David Arequipa Quispe (15 anos) com uma bala alojada na cabeça e de Atoche Bekam Romário Quispe Garfias (18 anos) como resultado do impacto de uma bomba de gás lacrimogêneo na cabeça. A forma como o capital faz prevalecer sua ordem demonstra o desprezo vil que seus representantes têm pela classe trabalhadora.

A radicalização do protesto nesta província pode ser explicada por sua forte tradição de luta pela terra no século XX e por representar a situação geral de crise e empobrecimento da população camponesa. Enquanto, do lado político, temos a rejeição das instituições corruptas, a centralização de Lima e o racismo generalizado, aspectos mais midiáticos. Do lado econômico, fator essencial, encontramos uma província que é o grande centro de abastecimento agrícola e uma importante área comercial da região de Apurima. Os trabalhadores camponeses e comerciantes sofrem os estragos da alta geral de preços causada pela crise capitalista e pela guerra; a produção agrícola tornou-se insustentável devido ao aumento de fertilizantes, enquanto a dinâmica comercial desacelerou pela própria precariedade dos trabalhadores, que sofreram demissões e nenhum reajuste salarial. Por seu lado, a grande exploração mineira na região de Apurímac em nada contribui para o seu desenvolvimento, pois não representa um fator determinante de emprego, pelo contrário, com a tão elogiada mineração em grande escala, os níveis de pobreza aumentaram. A maior parte da população trabalhadora de Apurima (70%) continua trabalhando como autônomo ou dentro da pequena atividade agrícola, são eles que mantêm uma renda de 816 e 714 soles, respectivamente, salários que não chegam para cobrir o mínimo para sua sobrevivência. Esta é uma figura que se repete em outras regiões baluartes da penetração imperialista saqueando nossos recursos. Mais miséria para o povo a custa da exploração dos trabalhadores e da devastação da natureza.

Enquanto a luta se radicalizava, os parlamentares se reuniram em seus confortáveis ​​assentos hoje às 18h. Longe de dar atenção às lutas, os representantes do capital manifestam seu desprezo pela classe trabalhadora convocando a imposição violenta da ordem democrática burguesa. Esdras Medina Minaya, congressista de Somos Perú, destaca que: "A culpa é de Castillo, ele cometeu o crime de rebelião que foi flagrante". Gladys Echaiz, deputada da Renovação Popular, é mais intransigente: “[...] Eles nos chamam de golpistas como se tivéssemos feito isso. […] Há terroristas lá fora”. Juan Bartolome Burgos Oliveros, sem partido, disse: "manifestações violentas típicas de bandas de militantes de Pedro Castillo." A laia desses políticos só enfurece mais o clamor das lutas. Enquanto isso, uma das mídias mais reacionárias, conclama a polícia para disparar na cabeça dos manifestantes.

Por outro lado, no sábado, dia 10, a não reconhecida presidente Dina Boluarte evidenciou o pacto interburguês na posse de seu ministério; chama a atenção a eleição de Pedro Angulo Arana como primeiro-ministro, personagem ligado à máfia do Colarinho Branco e ex-candidato à presidência pelo partido liberal Contigo, além de ser denunciado por assédio sexual.

Se o verdadeiro gatilho da mobilização proletária é o descontentamento com a decadência burguesa e o agravamento da crise (em suas dimensões políticas e econômicas), a solução não pode passar por mudanças dentro do sistema. As palavras de ordem que pedem o fechamento do Congresso e a convocação de novas eleições só podem dar uma pausa em um processo corrosivo que só pode tender a mais miséria. O mesmo vale para outras medidas aparentemente radicais. Nem os partidários da Assembleia Constituinte, nem o pseudo-radicalismo etnocacerista se propõem a questionar as relações sociais de produção e de dominação do capital, que estão na origem da miséria que nos aflige. E mais, limitando as lutas às reivindicações institucionalistas, servem de freio a alguma proposta mais radical da classe trabalhadora.

Diante de um problema que finca suas raízes no sistema, só restam opções radicais: a própria emancipação dos trabalhadores. Apostamos na continuidade da mobilização dos proletários do campo e da cidade, bem como sua proposta de radicalizar seus métodos de luta. Já conhecemos os procedimentos repressivos do braço armado do Estado. Querer dialogar com eles só enfraquecerá as lutas empreendidas. Somente essas ações podem garantir e fazer frente a crise. O governo dos capitalistas (com Castillo ou sem ele) mostrou-se incapaz de resolver os problemas básicos dos trabalhadores: o aumento do custo de vida, a falta de fertilizantes ou o aumento dos preços dos combustíveis. Estes problemas cotidianos não se podem solucionar sem uma luta ferrenha contra os capitalistas que se servem da riqueza produzida pelos trabalhadores através do controle do Estado.

Nesse sentido, é urgente unificar as lutas de todos os setores explorados com uma agenda que vá além das disputas políticas interburguesas e das mudanças no pessoal que dirige o Estado. Organizar comitês que articulam locais de trabalho e bairros é fundamental, assim como reorientar as organizações já existentes nesse sentido. Frentes de defesa, associações e sindicatos de transportadores devem pautar seus interesses comuns acima das mudanças institucionais. Os proletariados com sua unidade e sua força podem organizar os destacamentos necessários para enfrentar a atual miséria institucional com novas formas de organizar a economia, a política e a cultura. Somente superando as limitações das consignas atuais a partir de uma prática radicalmente nova é que poderemos por um fim as constantes crises que afligem os trabalhadores desde que a república burguesa se constituiu.

Pela unidade da classe trabalhadora do campo e da cidade!

Viva a luta do proletariado em todo o país!

Abaixo as saídas burguesas para a crise política e econômica!

Edição: Página 1917

Fonte: https://www.editorialande.com/post/de-las-disputas-interburguesas-a-la-lucha-de-clases

domingo, 11 de dezembro de 2022

LANÇAMENTO DA REVISTA COMUNISTA INTERNACIONAL

Debate: “A conjuntura mundial e a transição de governo no Brasil”, com abertura de Ivan Pinheiro.

NESTA SEGUNDA FEIRA, 12 de dezembro, às 18 horas, no auditório da Associação Cultural José Marti.

Av. Treze de Maio, 23 (salas 1623/4) – Centro – Rio de Janeiro

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

A expansão do levante popular contra a ditadura no poder, o mesquinho “Líder Supremo” do regime e outro novembro sangrento!

Partido Comunista do Irã (Tudeh)

19 de novembro de 2022 

Os gritos de “Morte ao Líder Supremo” e “Morte a Khamenei”, que foram ouvidos em todo o Irã nas últimas semanas, devem, sem dúvida, ser uma reminiscência dos gritos de “Morte ao Xá” que ressoaram em todo o Irã em 1977 e 1978, – [em um movimento] que eventualmente levou à derrubada da polícia do xá e do governo antipopular. Naquela época, assim como agora, os líderes do regime do xá e sua agência de inteligência SAVAK rotularam os muitos milhares daqueles que saíram às ruas para protestar contra a opressão e a injustiça – e que caíram sob as balas do regime – como “terroristas” “estrangeiros”. agentes” e “desordeiros”, mas eventualmente a tempestade de raiva de milhões de pessoas dominou o governo desonrado do xá e seu regime.


Crescem os protestos anti-governo no Irã


A semana passada marcou o terceiro aniversário do levante de novembro de 2019 e a repressão violenta desses protestos populares. Na sexta-feira, 15 de novembro daquele ano, uma série de protestos populares e antiteocráticos irrompeu em todo o Irã após outro súbito racionamento de gasolina no país, acompanhado por um aumento de 200% nos preços da gasolina. Esses protestos ocorreram principalmente em áreas da classe trabalhadora e favelas urbanas, e repercutiram em 29 [das 31 províncias do Irã] e centenas de cidades em todo o país. Centenas de pessoas foram mortas e feridas na repressão sangrenta do regime criminoso a esses protestos populares, com milhares de pessoas presas e jogadas nas masmorras do regime ou desaparecidas à força.

Nos últimos dias, em meio à onda de protestos populares em massa que entrou em sua décima semana, confrontos sangrentos e violentos ocorreram em vários campi universitários e cidades de todo o país – inclusive em Teerã, Shiraz, Arak, Ardabil, Marivan, Oshnavieh, Piranshahr , Malekan, Paveh, Sardasht, Kermanshah, Abadan, Mahabad, Bukan, Saqqez, Divandarreh e Khoy. Especialmente em Mahabad, os protestos foram recebidos com um ataque sangrento das forças da República Islâmica. A Rede de Direitos Humanos do Curdistão relatou a morte de 25 curdos durante o aniversário que marca os massacres de novembro de 2019 nos dias 15, 16 e 17 de novembro.

Milhares do aparato repressivo da República Islâmica foram mobilizados para atacar os manifestantes em Mahabad em um movimento coordenado, de acordo com vários relatos publicados nas redes sociais à medida que o evento se desenrolava. Tiros pesados ​​podiam ser ouvidos por toda a cidade. Relatórios iniciais [e filmagens] indicam que vários manifestantes foram mortos e feridos no ataque do regime contra civis em Mahabad e quedas de energia generalizadas foram causadas, afetando muitas áreas da cidade. [Todas as indicações apontam para uma resposta militar por parte do IRGC e outras forças do regime adotadas em Mahabad.]

Antes do ataque sangrento do regime contra o povo, realizado por seus mercenários repressores, Ali Khamenei, em seus últimos comentários, chamou os manifestantes de “mesquinhos” e afirmou que seus protestos não poderiam “prejudicar o regime”. No entanto, claramente temeroso com a potencial propagação dos protestos – especialmente a participação ativa da classe trabalhadora no movimento popular de protesto – ele acrescentou: “Até esta hora, o inimigo foi derrotado, mas o inimigo tem uma manobra todos os dias. E com a derrota de hoje, é possível [para se espalhar] para diferentes estratos da sociedade, como trabalhadores e mulheres - embora a dignidade de nossas honradas mulheres e trabalhadores seja tal que eles não irão capitular facilmente aos mal-intencionados e não ser enganado por eles.”

Antes de Khamenei fazer seus comentários, seu representante em Mashhad, Ahmad Alam al-Huda, reiterou a alegação do regime de um relacionamento entre os manifestantes e os EUA e afirmou que “o plano dos americanos em suas conspirações recentes é, por um lado, , matar o povo com assassinos e bandidos e, por outro lado, infectá-lo com prostitutas”. Ele acrescentou: “Aqueles que removem seus lenços de cabeça e revelam seu hijab para agradar aos EUA devem saber que os EUA os olham da mesma forma que fizeram com as prostitutas do golpe de estado de 19 de agosto [1953].” É claro que Alam al-Huda omite convenientemente a menção de que uma parte significativa do clero da época, incluindo os aiatolás Kashani e Behbahani, juntamente com Sha'ban Jafari [Sha'ban “Bi-mokh”;

Ali Khamenei nas suas declarações, que indicavam o desespero e inferioridade do regime, mais do que nunca, na repressão dos protestos populares em várias cidades do país, destacou essencialmente a maior preocupação do regime – nomeadamente a adesão dos trabalhadores e trabalhadoras a estes protestos. O regime tem plena consciência de que já enfrenta um grande número de mulheres e jovens que, parafraseando Marx e Engels, nada têm a perder a não ser suas correntes!

Protestos e greves de curto prazo, específicos da indústria e locais em áreas dependentes de mão-de-obra – como a greve de dois dias dos metalúrgicos de Esfahan e, antes disso, as greves de fome e protestos dos trabalhadores permanentes da indústria petrolífera do país – podem ser considerados sinais de um deslocamento da classe trabalhadora para um confronto decisivo com a ditadura, apesar de todas as dificuldades e riscos envolvidos. A ligação entre esses crescentes protestos trabalhistas e as possíveis greves de pequenas e médias empresas é uma das principais preocupações dos líderes do regime atualmente.

O ataque generalizado e sangrento do regime teocrático aos manifestantes nos últimos dias sem dúvida sublinha o esforço coordenado e organizado do regime para intensificar a repressão e silenciar, de uma vez por todas, os protestos populares que assolam o país. Com o início de alguns protestos trabalhistas em várias cidades; a solidariedade apaixonada dos iranianos residentes no exterior com a luta corajosa de seus compatriotas; bem como a adesão de outros grupos sociais, incluindo professores, trabalhadores da educação e aposentados [ao movimento]; há sinais positivos de um movimento em direção a uma greve geral nacional que poderia desempenhar um papel crucialmente importante na oposição ao plano do regime de reprimir sangrenta os protestos populares. Em 18 de novembro, o Conselho de Coordenação das Associações de Professores Iranianos (CCITTA) condenou veementemente o assassinato de pessoas inocentes – especialmente o de quatro estudantes inocentes, um trabalhador educacional aposentado em Saqqez e todos os que foram mortos na busca por “liberdade e igualdade” – e reiterou sua solidariedade com uma nova onda de greves de protesto de trabalhadores, estudantes, empresas, comerciantes de bazares e público em geral em todo o país. A CCITTA convocou todos os professores, atuais e aposentados, e seus alunos a fecharem as escolas no domingo, 20 de novembro e na segunda-feira, 21 de novembro, e se absterem de assistir às aulas, para comemorar as recentes – e de fato todas – vítimas do massacre [dos manifestantes ] nos últimos dois meses. e todos aqueles que lutam pela “liberdade e igualdade” – e reiterou sua solidariedade com uma nova onda de greves de protesto de trabalhadores, estudantes, empresas, bazares e público em geral em todo o país. A CCITTA convocou todos os professores, atuais e aposentados, e seus alunos a fecharem as escolas no domingo, 20 de novembro e na segunda-feira, 21 de novembro, e se absterem de assistir às aulas, para comemorar as recentes – e de fato todas – vítimas do massacre [dos manifestantes ] nos últimos dois meses. e todos aqueles que lutam pela “liberdade e igualdade” – e reiterou sua solidariedade com uma nova onda de greves de protesto de trabalhadores, estudantes, empresas, bazares e público em geral em todo o país. A CCITTA convocou todos os professores, atuais e aposentados, e seus alunos a fecharem as escolas no domingo, 20 de novembro e na segunda-feira, 21 de novembro, e se absterem de assistir às aulas, para comemorar as recentes – e de fato todas – vítimas do massacre [dos manifestantes ] nos últimos dois meses.

Enquanto isso, nas últimas semanas, o governo de Ebrahim Raisi continuou a implementar agressivamente um programa de liberalização econômica às custas dos interesses da maioria do povo iraniano comum. O resultado de tais programas – e, em geral, das políticas econômicas e sociais do regime teocrático – tem sido o crescimento maciço da taxa de inflação junto com uma lacuna cada vez maior entre as despesas [básicas de vida] e as rendas dos trabalhadores e todos aqueles que compõem a força de trabalho intelectual e manual do país. Além disso, a maioria das pequenas e médias empresas [no Irã] foram prejudicadas por essas políticas.

Ao condenar os crimes contínuos do regime teocrático contra as ondas de protestos de mulheres, jovens, trabalhadores e trabalhadores do país, o Partido Tudeh do Irã acredita que os estratos trabalhadores da nação, dos trabalhadores e outros trabalhadores ; a esmagadora maioria das mulheres de nossa pátria que foram alvo de opressão e humilhação por parte dos líderes do regime, e cujas vidas e destinos foram impostos pelas leis medievais desumanas e obsoletas do regime por décadas; assim como as fileiras de milhões de desempregados, geralmente compostas pela juventude sofredora do país, podem finalmente jogar o governo mais enfraquecido dos juristas islâmicos na lata de lixo da história - assim como fizeram com aquele de seus predecessores imperiais, e abrir caminho para o estabelecimento de um governo nacional e democrático. Ao lado de outras forças patrióticas e progressistas da pátria, o Partido Tudeh do Irã se posiciona com esta grande revolta popular e enfrentará, com todas as suas forças, quaisquer desígnios de intervenção externa e de imposição de alternativas reacionárias às exigidas pelo movimento popular de nossa nação.

O Partido Tudeh do Irã convoca todas as forças progressistas e defensoras da paz e da liberdade no mundo, especialmente os partidos comunistas e operários e defensores do socialismo, a declarar sua solidariedade com a luta do povo iraniano e apoiar seus objetivos legítimos enviando cartas de protesto às embaixadas do governo iraniano em todos os países, bem como aos chefes do judiciário, exigindo o fim dos ataques criminosos aos manifestantes, bem como apelando abertamente aos líderes e agentes do regime para libertar todos os presos nos últimos três meses de protestos.

Liberdade para todos os presos políticos, sindicais e de consciência!

Trabalhadores e trabalhadores do Irã, fortaleçam o levante popular por meio de uma ampla ação unida e organização de greves!

Avante para a ligação do movimento de protesto dos trabalhadores com as greves de pequenas e médias empresas, protestos estudantis e as lutas das mulheres unidas e determinadas do Irã!

Avante para a preparação e organização de greves trabalhistas e uma greve geral!

Avançamos para a construção de uma ampla frente anti-ditadura para estabelecer a liberdade, a paz, a independência, a justiça social e a instauração de uma república nacional e democrática!

 

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