Em 09/03/2022.
1. O KKE, desde o primeiro momento, condenou a invasão russa na Ucrânia e manifestou a sua solidariedade com o povo da Ucrânia.
O povo ucraniano paga há pelo menos uma década pelos antagonismos e intervenções sobre a partilha de mercados e esferas de influência entre os EUA, a OTAN e a UE, e a estratégia de "alargamento euro-atlântico", por um lado, e por outro, a estratégia da Federação Russa capitalista para seus próprios planos de exploração contra os povos, a fim de fortalecer suas próprias coalizões imperialistas (União Econômica Eurasiática, Organização do Tratado de Segurança Coletiva) na região da ex-URSS.
A intervenção militar da Rússia, de fato, marca o início formal de uma guerra preparada pelo material combustível acumulado ao longo do tempo. No seu cerne está a distribuição de riqueza mineral, energia, terra e trabalho, oleodutos e redes de transporte de mercadorias, pilares geopolíticos, quotas de mercado.
Durante anos, os EUA, a OTAN e a UE vêm tramando e promovendo o cerco econômico, político e militar da Rússia, intervindo, transferindo forças militares poderosas e estabelecendo bases de morte, atirando lenha na fogueira.
Desde a dissolução do
Pacto de Varsóvia, a OTAN não apenas não foi desmantelada ou reduzida, mas
também se expandiu, incorporando outros países do Leste Europeu e ex-repúblicas
soviéticas em suas fileiras. Está montando forças militares modernas, bases e
armas em vários pontos no entorno da Rússia. Durante anos, houve planos de
guerra e exercícios militares no Mar do Norte, Europa Oriental, Mar Negro e Mar
Báltico visando a Rússia.
Esses últimos eventos
são o episódio mais recente de um longo impasse sobre a Ucrânia. Também implica
fortes rivalidades dentro da burguesia ucraniana, formada após a derrubada do
socialismo, sobre se o país deve aderir a uma aliança imperialista ou outra. No
contexto deste confronto, por um lado, os EUA, a OTAN e a UE apoiaram e
organizaram juntamente com parte da burguesia ucraniana a "Revolução
Laranja" de 2004 e o golpe sangrento de 2014, utilizando e apoiando as
forças de extrema direita com o objetivo de estabelecer um regime que lhes
fosse favorável. Por outro lado, a Rússia passou a tomar da Ucrânia partes de
seu território, anexando a Crimeia e fortalecendo os separatistas de língua
russa nas regiões de Donbas para seus próprios interesses.
