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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Mineiros no Sul catarinense: Greve Vitoriosa

Movimento grevista iniciado no dia 07/02 conseguiu dobrar intransigência patronal, que depois de três meses se negando a negociar, apresentou finalmente uma proposta de acordo.


Na tarde desta quinta-feira, dia 10, a greve dos trabalhadores das carboníferas do Sul catarinense chegou ao fim. Os trabalhadores aprovaram o acordo proposto pelos empresários em assembleia realizada na sede do Sindicato. Esse desfecho só foi possível devido a disposição de luta dos mineiros, o que resultou numa grande adesão à greve.

Entre outras reivindicações os mineiros conquistaram: reajuste geral de salários: 13,10%; reajuste Abono Anual de Férias: 15%; reajuste Vale Alimentação: 15%; Assistência ao Trabalhador Acidentado: estender de 90 para 120 dias.

Os mineiros do sul catarinense trilharam o caminho da organização e da luta, o único possível para o proletariado enfrentar a exploração dos capitalistas!

Edição: Página 1917

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Apolonio de Carvalho: Exemplo de Combatente Internacionalista


Apolonio de Carvalho (Corumbá, 9 de fevereiro de 1912 — Rio de Janeiro, 23 de setembro de 2005)


Nossa homenagem a Apolonio de Carvalho, herói do proletariado brasileiro, comunista e combatente internacionalista, na passagem dos 110 anos do seu nascimento.


"Ao longo do século XX, Apolônio de Carvalho sempre lutou por aquilo em que acreditava, numa longa e duradoura militância por transformação social. A partir da década de 1930, esteve presente nas mais importantes lutas políticas do Brasil e da Europa: serviu no exército brasileiro e depois foi expulso pela ditadura Vargas; ingressou no Partido Comunista Brasileiro; foi voluntário nas Brigadas Internacionais da Guerra Civil Espanhola contra os fascistas; e atuou na resistência francesa, na luta contra o nazismo na Segunda Guerra Mundial. Foi, por assim dizer, um exemplo de militante internacionalista, chamado pelo escritor Jorge Amado de “um herói de três pátrias”.

Quando voltou ao Brasil, em 1946, envolveu-se ativamente na vida política do país. Durante a ditadura militar, participou da resistência e passou a viver na clandestinidade. Em 1964, com divergências com o Comitê Central do Partido Comunista, rompeu com o partido e fundou, em 1969, o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), juntamente com Jacob Gorender e Mário Alves. Em 1970, foi preso e torturado pelo regime militar. Em junho daquele ano, Apolônio e outros 39 presos políticos brasileiros foram banidos para a Argélia, trocados em decorrência do sequestro do embaixador da Alemanha.

Em outubro de 1979, com a promulgação da Lei de Anistia, retornou ao Brasil, e participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), sendo um dos primeiros filiados." *

* https://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-resistencia/apolonio-de-carvalho/

Edição: Página 1917

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

O Marxismo-Leninismo Como Teoria do Proletariado

Charles Bettelheim

Novembro/1971

 


     O marxismo-leninismo é a teoria do proletariado porque é a expressão teórica da existência do proletariado no modo de produção capitalista: o marxismo desenvolveu-se colocando-se do ponto de vista do proletariado, único ponto de vista a partir do qual é possível compreender o significado das lutas proletárias. Devem recordar-se aqui as palavras de Marx, que, ao analisar o alcance histórico da Comuna de Paris, declarava que, para a burguesia e para os que se colocam na posição desta, o sentido das lutas proletárias de classe é uma “esfinge”, ou seja, um “enigma”.

     O marxismo e o leninismo partem não só das lutas proletárias de classe, mas também de uma análise das contradições objetivas do modo de produção capitalista, do estabelecimento da especificidade da posição do proletariado neste modo de produção. Esta posição é a de uma classe produtora inteiramente desprovida de meios de produção, totalmente separada das suas condições de existência pelo processo de reprodução capitalista, de uma classe que só se pode libertar da exploração capitalista se suprimir não só o capitalismo, mas todas as formas de exploração do homem pelo homem, destruindo totalmente as relações sociais existentes e substituindo-as por relações radicalmente novas.

     A especificidade da posição do proletariado no modo de produção capitalista obriga-o, para se libertar, a desenvolver uma ideologia revolucionária radical. Com efeito, a libertação do proletariado da exploração e da opressão exige a sua radicalização ideológica, a sua adesão crescente a uma ideologia completamente revolucionária que é fundamentalmente a sua, diferente daquela a que a enorme pressão dos aparelhos ideológicos da burguesia tende permanentemente a submetê-lo.(5)

     A ideologia proletária é a que corresponde à posição do proletariado no modo de produção capitalista; esta ideologia é o marxismo-leninismo, que, precisamente, se desenvolveu e se desenvolve a partir de uma análise da posição objetiva  do proletariado, a partir de uma tomada em consideração das contradições no seio das quais se desenvolve espontaneamente a luta proletária de classe e das posições que espontaneamente toma o proletariado todas as vezes que as suas próprias lutas atingem uma certa intensidade.

     É neste sentido muito preciso que o marxismo-leninismo é a teoria revolucionária do proletariado. É por esta razão que ele tem a capacidade de penetrar com uma velocidade avassaladora na classe operária todas as vezes que as contradições objetivas em que o proletariado é envolvido atingem uma certa acuidade. É também por esta razão que, todas as vezes que as lutas proletárias de classe atingem uma certa intensidade, o proletariado encontra por si mesmo formas de organização de massa que Marx e Lenin mostraram corresponderem ao papel revolucionário do proletariado: estas formas de organização são as da Comuna de Paris, dos Sovietes de 1905 e de 1917, dos Comités Revolucionários num grande número de países e nomeadamente na China durante a Revolução Cultural.

     Ao mesmo tempo, a natureza das contradições em que o proletariado é envolvido explica que estas formas de organização, que podem designar-se pelo termo de “realização espontânea da ideologia proletária”, sejam por si sós instáveis e frágeis, donde a necessidade da construção de um aparelho ideológico e político especificamente proletário, de um partido marxista-leninista portador da ideologia proletária. Só um tal aparelho permite, ao mesmo tempo, concentrar as iniciativas das massas que correspondem às exigências da libertação das classes dominadas de todas as formas de exploração e de opressão e permite que estas classes, através das lutas que travam, se apropriem da ideologia proletária de que a ação da burguesia tende permanentemente a separá-las. Como o sublinha Marx, é através das lutas revolucionárias e só através destas lutas que o proletariado consegue transformar-se a si próprio ideologicamente. Tal como ele escreve na Ideologia Alemã: “...A revolução não é necessária apenas porque não há outros meios de derrubar a classe dominante, mas ainda porque a classe que derruba a outra só por uma revolução pode conseguir desembaraçar-se de toda a velha mixórdia e tornar-se assim capaz de realizar uma nova fundação da sociedade.”(6)

     O marxismo-leninismo é a teoria revolucionária do proletariado porque tira até ao fim as conclusões que a análise das lutas do proletariado e da posição deste no modo de produção capitalista impõe, quando nos colocamos do ponto de vista dos explorados e não do ponto de vista dos exploradores. O marxismo-leninismo pôde assim mostrar, ao mesmo tempo, o papel radicalmente revolucionário do proletariado e o carácter histórico mundial da revolução proletária, carácter este ligado ao desenvolvimento do modo de produção capitalista como um sistema mundial de exploração e de opressão de que os povos só à escala mundial podem definitivamente libertar-se.

Notas:

 5 - A Ideologia a que o proletariado está deste modo submetido não é evidentemente a ideologia do proletariado, mas sim a que sobre ele pesa ou, como diz Rivenc num texto não publicado sobre «A filosofia de Mao Tsé-tung», «a ideologia entre o proletariado».

6 - Cf. K. Marx, A Ideologia Alemã, citação de acordo com: Marx, Oeuvres philosophiques, Ed. Costes, t. VI, p. 184.

Edição: Página 1917

Fonte: Sociedades de Transição: Luta de Classes e Ideologia Proletária; Paul Sweezy e Charles Bettelheim.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

A luta de classes não pode ser ocultada. Ela é, e continuará a ser, o “motor” do desenvolvimento social.

Giorgos Marinos*

22/01/2022

 

Giorgos Marinos

As grandes greves e as massivas manifestações operárias e populares que sacudiram o Cazaquistão no início do ano mostraram que, inclusive em condições de contrarrevolução, duras perseguições, legislação política e sindical draconiana, proibição de 600 sindicatos, de partidos e organizações comunistas, as contradições sociais transcendem os acontecimentos e podem explodir quando se formam as condições necessárias, podem intensificar-se e transformar-se em conflito social entre a classe trabalhadora e a burguesia, confirmando que "o que não acontece em um ano acontece em pouco tempo". A luta de classes, como motor do desenvolvimento social, tem uma base objetiva e expressa o conflito intratável entre exploradores e explorados. Isso foi vivenciado no Cazaquistão, localizado em uma área de grande importância estratégica, confirmando que “o que não acontece em um ano, pode acontecer em uma hora”. A luta de clases, como motor do desenvolvimento social tem base objetiva e expressa o conflito inconciliável entre os exploradores e os explorados. Isto foi experimentado no Cazaquistão, situado em uma zona de grande importância estratégica, com papel importante na economia global, acesso ao mar Cáspio, dotado de enormes reservas de hidrocarbonetos, produtor de 70% do PIB dos Estados da Ásia Central, possuidor de fontes de riqueza importantes, como gás natural, petróleo, urânio, ouro e outros minerais.

Os monopólios do Cazaquistão exploram a classe trabalhadora junto com os monopólios estadunidenses da "Chevron" e "ExxonMobil", os europeus da "Eni", "Shell", "Total", a China National Oil Company (CNPC) e outras grandes empresas chinesas, russas, holandesas, belgas, francesas que investiram bilhões de dólares no país.

A burguesia do Cazaquistão segue a chamada "política multidimensional". Dá prioridade às relações com a Rússia e mantém relações fortes com a China, EUA e outros países capitalistas fortes, para garantir da forma mais eficaz seus próprios interesses e fortalecer sua posição na região. Participa da Organização de Cooperação de Xangai, na Organização do Tratado de Segurança Coletiva e faz parte da “Nova Rota da Seda” promovida pela China. Ao mesmo tempo, participa da chamada "Cooperativa para a Paz" da OTAN, em exercícios da OTAN, tem reforçado a colaboração e a relação com os Estados Unidos, que, além disso, mantém na região laboratórios de guerra biológica , assim como com a UE, para a qual exporta a maior parte de sua riqueza energética, faz parte da "Organização dos Estados Turcos", promovida pela Turquia que, por sua vez, integra a OTAN.

Os interesses dos EUA, Rússia, China, União Europeia e da Turquia são intensos, os antagonismos inter-imperialistas e as contradições inter-burguesas estão colocadas, porém isso não oculta o peso das mobilizações populares, da luta de classes, não se pode subestimar sua importância. Ao contrário, esse fato destaca ainda mais a importância das lutas desenvolvidas sob estas duras condições.

As mobilizações populares se desenvolveram em um determinado terreno

No Cazaquistão, assim como em todos os estados da antiga União Soviética, as marcas da derrubada do socialismo e da restauração do capitalismo são indeléveis, com duras consequências contra a classe trabalhadora e as camadas populares. O poder do capital e a propriedade capitalista nos meios de produção, o desenvolvimento apenas com critérios de lucro e a política antipopular implementada pelos governos de Nazarbayev, após a contrarrevolução, pioraram o padrão de vida ano após ano. Grandes massas populares se viram em condições de pobreza e desemprego, os serviços sociais foram degradados, o grau de exploração atingiu níveis elevados, os capitalistas locais e estrangeiros que entraram dinamicamente em ramos de importância estratégica aumentaram sua riqueza.

A classe trabalhadora reagiu e, em 2011, no oeste do Cazaquistão, na cidade de Zanaozen, foram organizadas greves na indústria de mineração que duraram meses inteiros, enfrentaram uma repressão brutal, tiveram mortos, feridos e um grande número de presos. O Estado burguês baniu o Partido Comunista e centenas de sindicatos.

Essa luta foi um legado para a classe trabalhadora e impactou o período seguinte. Com a entrega do controle por Nazarbayev a seu sucessor na presidência Tokaev e a mudança no governo burguês em 2019, a política antipopular continuou, a polarização entre riqueza e pobreza se multiplicou, a contradição entre capital e trabalho tornou-se ainda mais aguda.

Nos dois anos anteriores aconteceram novas greves promovidas por sindicatos ou comitês de greve não reconhecidos oficialmente pelas autoridades, enquanto o aumento do preço do gás natural, anunciado no início o ano, que objetivamente levaria a uma carestia geral de alimentos e bens amplamente consumidos, foi a faísca que acendeu o fogo das grandes lutas operárias-populares, da insurreição que ocorreu no começo de janeiro.

As manifestações começaram no oeste do Cazaquistão, na região de Magistau, em Aktau e Zanaozen por iniciativa dos trabalhadores da indústria do petróleo que protagonizaram a luta. Surgiram formas de auto-organização, formaram-se conselhos de trabalhadores. Esse exemplo dirigiu e deu início à generalização das mobilizações que se expandiram para regiões críticas e atravessaram o país.

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