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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Como Forjar um Partido Bolchevique*

Osip Piatnitsky**

Osip Piatnitsky (1882-1938)


As formas bolcheviques e social-democratas de organização do Partido

     Até 1905 não houve na Rússia czarista eleições nem campanha eleitoral. Nem os camponeses nem os operários participavam das eleições dos zemstvos ou das municipalidades urbanas. Não possuíam o direito de voto. Depois de 1905, quando, em razão das eleições para a Duma se elaboraram condições especiais para os operários, foram criadas divisões especiais e os operários votavam por empresa e por fábrica.

     Uma situação ilegal de todos os partidos até 1905, uma ausência de campanhas eleitorais e ao mesmo tempo (o qual é essencial) uma posição justa dos bolcheviques na questão da organização do Partido (o recrutamento para o Partido de operários de fábricas e de empresas, a criação de círculos de estudos políticos e gerais, tais foram na Rússia czarista as particularidades da formação do Partido bolchevique. A situação ilegal do Partido bolchevique, além das razões já mencionadas, o impulsionava a criar os grupos do Partido nas empresas, pelo fato de que era mais fácil e cômodo militar. A edificação do Partido começou, pois, nas fábricas e nas empresas. Isso deu brilhantes resultados, tanto nos anos de reação e depois da revolução de fevereiro como, particularmente, no curso da revolução de outubro, em 1917, da guerra civil e da grande construção do socialismo.

     Durante a reação, depois de 1908, quando os comitês locais do Partido e sua direção (o Comitê Central) eram aniquilados periodicamente, nem por isso sua base deixava de se manter firme nas fábricas e empresas. As células do Partido continuavam a ação. Depois da revolução de fevereiro, as eleições dos sovietes de deputados operários também eram realizadas por fábrica e por empresa. É importante destacar que as eleições para as dumas das cidades e bairros e para a Assembleia Constituinte tinham lugar não por empresa, mas por domicílio dos eleitores. Mesmo assim, depois das revoluções de fevereiro e de outubro o Partido bolchevique obteve os mesmos êxitos apesar de não ter organizações de bairro e de concentrar sua agitação nas empresas e nos quartéis. As células, os comitês de zona, e os comitês de cidade fizeram a campanha eleitoral sem constituir organizações especiais para as eleições por bairro. O Partido Bolchevique sempre tinha suas organizações de base no local de trabalho de seus membros.

     Outra coisa ocorria no estrangeiro. Ali as eleições ocorriam não por empresa, mas por distrito, pelo domicílio dos eleitores. A tarefa principal que os partidos socialistas se propunham era de organizar bem a campanha eleitoral e de lutar pela cédula eleitoral. Por esta razão, o Partido estava igualmente organizado no local de habitação de seus membros, a fim de facilitar seu agrupamento para realizar a campanha nas circunscrições eleitorais.

Ligação dos partidos social-democratas com as empresas

Mas não se pode dizer que os partidos social-democratas não estavam ligados às fábricas e empresas. Estavam ligados por intermédio dos sindicatos, à cabeça dos quais se encontravam membros do Partido Social-Democrata. Apesar de que os sindicatos não estivessem organizados sobre a base das empresas, elas tinham seus delegados, seus tesoureiros, e como em sua maioria eles eram delegados e tesoureiros sindicais social-democratas, os partidos social-democratas, por intermédio destes delegados, pelos sindicatos, estavam ligados às empresas. Quando apareceram os partidos comunistas (em certos países, em consequência da cisão e da saída dos partidos social-democratas; em outros, como na Tchecoslováquia e na França, depois que a maioria decidiu aderir à Internacional Comunista, a minoria teve que se organizar em partido social-democrata) formaram suas organizações sobre o modelo social-democrata. E isso apesar dos partidos comunistas terem se proposto, a partir de sua existência, objetivos distintos dos partidos social-democratas. Eles se propunham derrubar a burguesia e conquistar o poder pelo proletariado, enquanto a social-democracia internacional, depois de ter apoiado a burguesia durante a guerra, havia se convertido em sua principal sustentação depois da guerra.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Trabalhadores das Minas de Carvão Mobilizados para a Greve

 Estar ombro a ombro com os demais trabalhadores nas suas lutas é um dever para todo comunista proletário! 

 

     Cerca de três mil mineiros do Sul de Santa Catarina estão em estado de greve. A paralização poderá atingir seis empresas carboníferas nas cidades de Içara, Lauro Müller, Siderópolis, Treviso e Urussunga. Essas empresas são fornecedoras do carvão para as termelétricas, que por sua vez, vêm sendo cada vez mais utilizadas face a redução do volume d’água nos reservatórios das hidrelétricas.

Mineiros: trabalho insalubre e periculoso que enriquece os empresários.
Foto: Bruno Alves

     Os representantes sindicais da categoria apresentaram a pauta de reivindicações em setembro do ano passado, mas os empresários responderam somente em dezembro, oferecendo apenas o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do período e se recusando a discutir o restante da pauta apresentada pelos trabalhadores, que inclui, entre outras demandas: pagamento do vale leite para os trabalhadores afastados por doença ou acidente de trabalho; assistência médica ao trabalhador acidentado enquanto durar o tratamento e a unificação do salário profissional nas diversas  empresas.

    Diante do impasse, o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Carvão de Siderópolis, Cocal do Sul e Treviso e a Federação Interestadual dos Trabalhadores na Indústria da Extração do Carvão dos Estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (Fitiec – PR/SC/RS), convocaram assembleia para o próximo sábado, 05/02, quando a categoria poderá decidir pela greve por tempo indeterminado a partir de segunda-feira, 07/02, caso não seja apresentada uma nova proposta pela patronal.

     Toda nossa solidariedade e apoio à luta dos mineiros de Santa Catarina contra a intransigência patronal, marca típica da época de superexploração capitalista.


Edição: Página 1917

 

segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

Aspectos da Luta Política e Ideológica nas Fileiras do Movimento Comunista Internacional*

*Artigo da Seção de Relações Internacionais do CC do Partido Comunista da Grécia (KKE) sobre a recente teleconferência internacional dos Partidos Comunistas

 



O reflexo do debate político-ideológico no 

Movimento Comunista Internacional

 

É claro que questões político-ideológicas importantes continuam a atormentar o movimento comunista internacional. Cabe dizer que dos encontros internacionais participam partidos como o Partido Comunista Francês e o Partido Comunista Espanhol, que tiveram um papel de liderança na corrente oportunista do chamado "Eurocomunismo", assim como outros partidos que participam do “pilar” do centro oportunista europeu atual, o chamado “European Left” (Partido da Esquerda Europeia) e o GUE/NGL, o grupo europeu de "esquerdas" no Parlamento Europeu, que, como temos avaliado, chegou a funcionar como um tipo de representação do European Left  no Parlamento Europeu. Inclusive participam partidos que rejeitaram o marxismo-leninismo, a foice e o martelo, e a construção do socialismo na URSS.

 

O debate sobre a questão da participação nos governos burgueses

 

A questão da participação ou apoio dos partidos comunistas em governos “de esquerda”, “progressistas” que surgem no âmbito da gestão do capitalismo continua sendo um ponto-chave na polêmica política-ideológica. Em primeiro lugar, porque os partidos que têm essa posição política com construções ideológicas diversas como a "humanização" do capitalismo, a "democratização" da UE ou as "etapas rumo ao socialismo", a chamada "ruptura com a política da direita” alimentam ilusões sobre a gestão do sistema. Eles estão lavando o papel sujo da socialdemocracia e focando suas críticas em uma forma de gestão burguesa, o neoliberalismo. Tais forças ignoram e subestimam as leis que regem a economia capitalista e o caráter concreto e irreversivelmente reacionário do Estado burguês que não é anulado por nenhuma forma de gestão burguesa. Essas forças remetem a luta pelo socialismo para uma “perspectiva de longo prazo” e na prática assumem grandes responsabilidades perante os povos, pois se recusam a realizar o trabalho árduo diário de agrupar forças sociais que se chocam com os monopólios e o capitalismo.

 

Portanto, vemos que eles se concentram em soluções de gestão governamental, votando a favor até de gastos militares destinados às necessidades da OTAN, as missões imperialistas por exemplo na zona do Sahel, ou substituindo a demanda pela retirada do país da OTAN pela demanda por sua "dissolução" indefinida e abstrata. O resultado de tal política pode ser visto na Espanha, onde o Partido Comunista da Espanha participa de um governo que está gerenciando a pandemia de maneira bárbara e antipopular, está tomando novas medidas antioperárias com base nas orientações da UE, ao mesmo tempo em que atinge o ponto de tomar medidas para prejudicar Cuba e, claro, participar dos planos da OTAN

 

A confusão em torno do conceito de imperialismo

 

Basicamente são as mesmas forças que tratam o imperialismo não com critérios leninistas, ou seja, como capitalismo em sua fase de monopólio, mas meramente como uma política externa agressiva. Assim, eles ignoram que em nosso tempo os monopólios, os estados capitalistas e suas alianças estão em conflito por matérias-primas, energia, recursos minerais, rotas de transporte, fatias de mercado. Ainda mais porque alguns partidos rejeitam o fato de que o antagonismo entre os monopólios seja a base para o acirramento das contradições em escala internacional.

 

Nessa questão, esses partidos se concentram na política externa agressiva dos EUA, da OTAN e de outras potências fortes, interpretando unilateralmente a “agressão imperialista” e propondo o chamado “mundo multipolar” como solução. No entanto, a posição que limita o imperialismo apenas aos EUA, bem como a posição de que a coexistência de muitos “polos” internacionais onde um polo controlará o outro, resultando em um “mundo pacífico”, é completamente desorientadora para os povos. Está escondendo a realidade. Está fomentando ilusões de que pode haver um imperialismo "não agressivo", um suposto capitalismo “amante da paz".

 

O KKE e os demais partidos criticaram visões similares que foram apresentadas no século passado, tanto por forças oportunistas na Europa, quanto pelo PCUS, especialmente após sua virada oportunista em seu XX Congresso, quando prevaleceu a linha da “competição pacífica” dos dois sistemas sociopolíticos

 

A cooperação “antifascista” com as forças burguesas

 

Alguns partidos ficam confusos pelo fato de o sistema capitalista em vários casos usar o cão de guarda do sistema, ou seja, várias forças fascistas e usá-las para promover vários planos das classes burguesas, como aconteceu na Ucrânia. Mesmo algumas forças que reconhecem que o fascismo "nasce e se cria" no capitalismo tendem a separar essa questão da luta contra o capitalismo; levam à percepção de cooperação “antifascista” com certas forças burguesas ou mesmo ao seu apoio.

 

Hoje, no que diz respeito aos eventos internacionais, destaca-se a extrema importância da avaliação do KKE como resultado do estudo da História da Segunda Guerra Mundial. Que esta guerra foi imperialista e injusta tanto para as potências capitalistas fascistas quanto para os países capitalistas "democráticos", que também cometeram grandes crimes contra a humanidade, como o bombardeio nuclear de Hiroshima e Nagasaki. Que esta guerra foi justa apenas para a URSS e os movimentos de guerrilha e libertação popular nos países ocupados, onde os comunistas desempenharam um papel fundamental.

 

Essa posição está diretamente relacionada ao presente, à manifestação das contradições interimperialistas na Ucrânia, quando os EUA, a OTAN e a UE usam as forças fascistas na Ucrânia para seus planos geopolíticos e, por outro lado, a Rússia capitalista promove os interesses de seus próprios monopólios. É óbvio que os EUA, as alianças imperialistas da OTAN e da UE, bem como as classes burguesas que as constituíram, têm grandes responsabilidades em relação a esses acontecimentos. Ao mesmo tempo, a burguesia russa também tem enormes responsabilidades pela situação atual. Todos que atualmente pertencem a essa buruesia, tiveram um papel de liderança na dissolução da URSS. O 30º aniversário da sua dissolução foi recentemente celebrado. Então, Yeltsin e as forças sociais e políticas que o seguiram se preocupavam em derrubar a URSS, eles não estavam interessados, por exemplo, no que iria acontecer com a Crimeia, quantos milhões de russos e falantes de russo viviam fora das fronteiras da Rússia, o que iria acontecer com eles. Portanto, é uma provocação ver os políticos que então apoiaram Yeltsin para derrubar a URSS, a denunciar constantemente Lenin pela dissolução da URSS e convocar para uma "luta antifascista" na Ucrânia.

 

domingo, 30 de janeiro de 2022

A Batalha de Moscou

A Batalha de Moscou foi uma campanha militar na Frente Oriental durante a Segunda Guerra Mundial. Se desenvolveu entre Outubro de 1941 e Janeiro de 1942. O Exército Vermelho da União Soviética barrou o ataque a Moscou, capital União Soviética. Ali estava um dos principais objetivos militares e de propaganda das forças do Eixo lideradas pela Alemanha nazista, que juntamente com a derrota em Stalingrado, foi o marco inicial da derrocada do nazifascismo na Segunda Guerra.



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