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quinta-feira, 8 de abril de 2021

Gramsci é o “Lenin de hoje”

Maria-Antonietta Macciocchi*

O marxismo de Gramsci, que para alguns não parece suficientemente “ortodoxo”, aborda uma direção de pesquisa fundamental: revelar o que existe de vivo e morto no marxismo, a luz das experiências de uma época histórica determinada, e dos objetivos e metas a atingir. Antes de mais nada é preciso refutar as teses acadêmicas que pretendem ver na tentativa gramscista “uma difícil abordagem do marxismo, sempre visto através de uma ótica idealista e espiritualista”. (Cortesi, Alcuni Problemi della Storia del PCI. Rivista storica del socialismo, 1967.) Sua relação com o marxismo foi, em primeiro lugar, política: partindo do Capital, ele refuta o economicismo de boutique, a interpretação positivista, todo pedantismo formalista, a utilização ideológica do marxismo com fins reformistas.



1891-2021: 130 anos do nascimento de Gramsci.


   A questão reside em ver em que reside o aporte maior, o mais original, de Gramsci ao marxismo e ao leninismo. Pode-se dizer que, se ele não conseguiu levar o movimento a sair do impasse, se suas ideias foram limitadas pela conjuntura histórica da crise política e conceitual que acompanhou a derrota dos anos vinte, Gramsci foi, entretanto, um teórico que, através da revalorização do conceito de práxis, demonstrou que o marxismo não deve ser considerado como uma “ciência da infra-estrutura”, mas como a articulação complexa da teoria e da prática na relação infra-estrutura-superestrutura. Ele enfrenta assim a relação entre objetividade e subjetividade num sentido revolucionário: é impossível preparar a revolução socialista se não se traduz em ideologia revolucionária o condicionamento que provém da objetividade. Ele retoma assim o hic Rhodus hic salta, que ainda hoje permanece sendo uma palavra de ordem para todo o movimento revolucionário. É através da revolução intelectual e moral que somos conquistados para uma linha política, isto é, para um comportamento prático, “como atividade humana sensível, como prática” (Marx, Teses sobre Feuerbach). De fato, em Gramsci, “a negação da negação não é o resultado da determinação econômica, mas o fato de assumir contradições estruturais na práxis consciente” (Badaloni, in Prassi Rivoluzionaria e Storicismo in Gramsci. E.R. p. 108). A interpretação prática da relação infra-estrutura-superestrutura é a pedra fundamental de onde Gramsci pode fazer partir sua teoria da hegemonia, da democracia proletária, conceito que sofreu tão grande golpe na experiência prática das sociedades de transição para o socialismo: o poder das massas se evaporou atrás dos pesados aparelhos dos burocratas, de governantes, de chefes de partido; o consenso, de que falava Gramsci, tornou-se uma terna passividade, ou mesmo uma despolitização das massas, pelo fato de que elas são privadas de uma fonte real de participação e controle.

   Eu ousaria dizer que Gramsci é o “Lenin de hoje”, no mundo das sociedades industrializadas para as quais caminhamos, buscando uma saída revolucionária entre as tentações reformistas ou mencheviques e as do ultra-esquerdismo infantil. Gramsci, e essa é a minha própria “formulação” do problema, pode, portanto, aparecer como o único pensador de uma revolução no Ocidente, na medida em que seu ensinamento teórico-político é estrategicamente o mais avançado, no que concerne à determinação do processo da revolução socialista, não apenas na Itália, como também no ocidente europeu, isto é, o do “capitalismo evoluído” tal como o entendemos hoje.


*Maria Antonietta Macciocchi (23 de julho de 1922 - 15 de abril de 2007) foi uma jornalista, escritora, feminista e política italiana.  Macciocchi nasceu em Isola del Liri , filho de antifascistas . Ela se juntou ao clandestino Partido Comunista Italiano (PCI) durante a ocupação alemã de Roma. Ela se juntou a l'Unità , o jornal fundado por Antonio Gramsci , tornando-se sua correspondente estrangeira em Argel e Paris. Na década de 1960, ela lecionou na Vincennes University France e seu livro Pour Gramscirecebeu o crédito por apresentar o pensamento de Gramsci aos intelectuais franceses. Retornando à Itália em 1968 para concorrer às eleições gerais como candidata a Nápoles , ela manteve uma correspondência com Louis Althusser sobre as condições da classe trabalhadora e a gestão do partido local. Apesar de eleita, a publicação da correspondência ajudou a garantir que o PCI não a apresentasse à reeleição em 1972. Ela viajou para a China para l'Unità , elogiando a Revolução Cultural no livro resultante, Dalla Cina: dopo la rivoluzione culturale . Em 1977, ela foi expulsa do PCI por apoiar os maoístas em Bolonha. Em 1979 foi eleita Deputada ao Parlamento Europeu (MEP) pelo Partido Radical.

Fonte: A Favor de Gramsci; p.13/14; 1976; Paz e Terra)

Edição: Página 1917.

terça-feira, 30 de março de 2021

Contra o capitalismo, o fascismo e a opressão da burguesia e dos seus governos só existe um caminho:

a resistência e a luta da classe operária e das massas!

Nas últimas semanas, em vários estados, os/as petroleiros/as têm partido mais uma vez para a luta por várias razões: assédio moral, falta de segurança, privatização.

Nós, trabalhadores e trabalhadoras, enfrentamos um momento de gravíssima deterioração de nossas condições de vida sob o capitalismo no Brasil. Neste momento se somam e se reforçam reciprocamente três catástrofes: a pandemia, a crise econômica e a crise política, sob a forma de uma ofensiva burguesa.

Nesse cenário extremamente difícil, a classe operária e as massas lutam com grandes sacrifícios para sobreviver, tentam criar formas novas de apoio mútuo e solidariedade entre si e os seus, e buscam resistir ao desemprego e à exploração capitalista com greves e manifestações. Embora essas ainda sejam pequenas e estejam dispersas, e atualmente muito dificultadas pela pandemia, não há outro caminho para a libertação a não ser o da luta, contando com nossas próprias forças.

Os vendedores de ilusões, os reformistas de ideologia burguesa infiltrados entre as massas, buscam enganá-las com promessas de uma vida melhor, dentro do capitalismo, sem luta, apenas votando em seus candidatos e apoiando seus conchavos com os patrões. No entanto, a libertação das classes dominadas somente pode ser conquistada pelas próprias classes dominadas.

sexta-feira, 26 de março de 2021

Manoel Alves Ribeiro, o "Seu Mimo", um comunista histórico.

Manoel Alves Ribeiro

   
   Manoel Alves Ribeiro, o "Seu Mimo", nasceu em Imaruí, Santa Catarina, em 13 de março de 1903 e faleceu em Florianópolis, 29 de Setembro de 1994. Operário desde jovem, foi mineiro, ferreiro e depois eletricista,  trabalhou na construção da Ponte Hercílio Luz,  militante e dirigente do Partido Comunista Brasileiro desde a fundação do partido em Santa Catarina na década de 1930. Em 1959 é eleito vereador pela legenda do Partido Social Progressista (PSP), legenda utilizada pelos comunistas devido a ilegalidade do PCB.  Em 1980 sai do partido acompanhando a ruptura de Luiz Carlos Prestes.

"Eu julgo hoje o capitalismo no Brasil e no mundo, um edifício que quer ruir, eu não vou lá colocar uma estaca para segurá-lo. Se eu puder dou um pontapé para ele cair de uma vez."

Assista a entrevista com "Seu Mimo", realizada em 1989.
 

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quinta-feira, 25 de março de 2021

A Reconstrução Revolucionária do PCB (Partido Comunista Brasileiro)

 Ivan Pinheiro (*)


(Intervenção no Seminário Internacional promovido pelo Partido Comunista do México, em 23/11/19, nos marcos das comemorações de um século de luta dos comunistas mexicanos e dos 25 anos da reconstrução do seu partido)

Ivan Pinheiro fala no Seminário Internacional do PCM.

Deixo aqui uma saudação, certamente compartilhada pela militância do meu Partido, às delegações dos diversos Partidos presentes e a todos os convidados a este importante Seminário Internacional, nomeadamente aos camaradas do Partido Comunista do México (PCM), uma referência fundamental na reconstrução revolucionária do Movimento Comunista Internacional (MCI).

Tive o privilégio de assistir ao V Congresso do PCM, em 2014, em nome do PCB, e testemunhar o que penso ter sido o momento de um salto de qualidade desse partido marxista-leninista de fato (e não por auto proclamação), vocacionado a se constituir na vanguarda da classe operária mexicana e seus aliados, no caminho ao socialismo e ao comunismo.

Impressionou-me, para além da energia e jovialidade de sua militância e da qualidade política e ideológica dos seus quadros, a composição social positivamente equilibrada do conjunto dos delegados, com uma presença proletária significativa e indicativa das possibilidades de inserção do Partido na classe operária e entre os trabalhadores em geral.

As trajetórias do PCM e do PCB nas últimas décadas guardam algumas diferenças e semelhanças. Uma destas é que nossos Partidos foram vítimas de maiorias reformistas nos respectivos Comitês Centrais que, para empreender a sua liquidação, se aproveitaram da crise do MCI, em meio aos desvios revisionistas que acabaram por degenerar e liquidar por dentro o Partido Comunista da União Soviética (PCUS), culminando com a contrarrevolução que levou à derrota as experiências de construção do socialismo na União Soviética e no Leste Europeu.

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