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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Vale a Pena Sonhar

 Apolonio de Carvalho


Apolonio de Carvalho, herói do proletariado internacional.

     "Hoje, quando o capitalismo triunfante se torna senhor absoluto do planeta, assistimos, de um lado, a inovações tecnológicas que transformam os processos produtivos, tornando possível um mundo de abundância, conforto e acesso a cultura e, de outro lado, à acumulação das desigualdades, ao aprofundamento da exclusão social no interior de cada país, a marginalização crescente dos países pobres, à mutilação da própria natureza. Centenas de milhões de seres humanos estão condenados pelo desemprego à pobreza extrema e à sua face mais cruel, a miséria.

     Eivado de contradições, o mundo capitalista entra, assim, numa crise sem saída - agrava os problemas para os quais já não tem solução.

Apolonio, na Segunda Guerra, com membros da resistência francesa.
  
A utopia, o sonho de um socialismo renovado continuam, pois, tão necessários como antes: já não apenas como horizontes da libertação humana, mas também como condição de sobrevivência da natureza e da sociedade."

Fonte: Vale a Pena Sonhar, p.230, Editora Rocco, 2ª edição, 1997.

Apolonio de Carvalho (Corumbá, 9 de fevereiro de 1912 — Rio de Janeiro, 23 de setembro de 2005)

Edição: Página 1917

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Três Exércitos na Guerra de Classes Brasileira

Ney Nunes

08/02/2021

     Por trás das aparências enganosas do jogo político burguês, desenvolve-se no Brasil um confronto cada vez mais radicalizado entre as três vertentes políticas da guerra de classes sociais. Em meio a esse confronto, as diversas siglas partidárias, centrais sindicais, denominações religiosas, aparelhos de comunicação de massa e ONG’s formam um nevoeiro que pode nos turvar a visão. Na verdade, toda essa aparente diversidade se resume basicamente em três eixos, que constituem os três exércitos em confronto na guerra de classes brasileira.


Três Exércitos na Guerra de Classes Brasileira
                                                                                 Foto: Pablo Vergara - 2013

     Os Três Exércitos 

    O primeiro exército, aquele que está no poder desde o fim da ditadura empresarial-militar de 1964, é o da Democracia Burguesa. Ele é dirigido pelo setor hegemônico da grande burguesia, essencialmente composto pelo setor financeiro, pelas megaempresas dos ramos de comunicação de massa, oligopólios industriais/comerciais, do agronegócio e da mineração. Estão umbilicalmente ligados às potências capitalistas, numa relação subalterna e oportunista que visa garantir seus lucros no processo em curso há três décadas de reprimarização da economia brasileira.    O seu arco político é bem amplo, abarcando direita, centro e esquerda. Acomoda o neoliberalismo e o neodesenvolvimentismo na perspectiva do mercado e de uma suposta harmonia entre as classes sociais.

    O segundo exército é a extrema-direita, neofascista, uma variante radical do primeiro exército. Emergiu na crise político-social da própria democracia burguesa que acumulou muitos desgastes, passando a ser questionada por amplos setores da população. Foi maturado na situação caótica e de pré-barbárie instalada nas periferias das grandes cidades brasileiras. Chegou à presidência nas eleições de 2018 graças a aliança com os evangélicos pentecostais (anteriormente aliados dos governos petistas), o que lhe conferiu uma base de massas, conseguindo derrotar os candidatos preferenciais da grande burguesia, que por seu turno, fez do candidato neofascista seu plano B para impedir a volta do PT ao governo. Esse segundo exército é liderado por grandes e médios empresários dos mais variados setores econômicos e regiões do país, articulados com as seitas pentecostais, forças armadas, policiais e o banditismo narco-miliciano. Seu projeto político de poder é uma ditadura empresarial-militar de cunho fascista, aprofundando a relação subalterna com o imperialismo, suprimindo oposições e reprimindo com violência qualquer tentativa de resistência das massas exploradas.

   O terceiro exército ainda carece de um programa, organização, unidade e poder de fogo à altura da tarefa que tem pela frente. Podemos dizer que, nesse momento, dos três, ele é o mais fragmentado e desarticulado. Estamos falando do exército do proletariado. A sua debilidade atual nasceu justamente da enorme pressão exercida pelo primeiro exército (democracia burguesa) sobre todos os seus flancos, corrompendo e cooptando seus “oficiais” em todos os níveis, ao ponto de se conformar numa quinta coluna poderosa que se tornou hegemônica no seu interior, pregando a doutrina da conciliação de classes e da humanização do capitalismo. Essa quinta coluna tem nome e sobrenome, trata-se da velha socialdemocracia, agora travestida com sua roupagem pós-moderna.

O exército proletário contra o bloco burguês

   É nesse contexto que a guerra prossegue. As investidas da burguesia e do imperialismo contra o proletariado são cada vez mais incisivas e radicais. Direitos elementares são retirados, necessidades básicas são negadas, tudo em função da maximização do lucro e da concentração de riquezas. O Bloco burguês-imperialista conta com dois exércitos experientes e bem armados: a democracia burguesa e o neofascismo. A história já nos ensinou através dos golpes de estado, intervenções militares e, principalmente, duas Guerras Mundiais, das barbaridades e genocídios de que são capazes esses dois exércitos.

   Apesar das condições adversas, acreditamos que a possibilidade de uma vitória do exército proletário repousa em três pilares a serem cimentados por sua vanguarda (instruída e coesionada pelo seu partido revolucionário):

 1- Resgatar o projeto histórico de poder da Comuna de Paris e da Revolução Soviética.

2- Desvencilhar-se da quinta coluna socialdemocrata, denunciando suas traições e seu oportunismo a serviço da gestão capitalista e do imperialismo.

3- Reconstruir suas organizações no calor dos combates, forjando o programa e a unidade necessários para derrotar os dois exércitos do inimigo de classe em todos os terrenos da luta de classes.


Edição: Página 1917.

 

sábado, 6 de fevereiro de 2021

O Fascismo é a Verdadeira Face do Capitalismo*

Bertold Brecht


A verdade deve ser dita tendo em vista os resultados que produzirá na esfera da ação. Como exemplo de uma verdade da qual nenhum resultado, ou o errado, se segue, podemos citar a visão generalizada de que prevalecem más condições em vários países como resultado da barbárie. Nessa visão, o fascismo é uma onda de barbárie que desceu sobre alguns países com a força elementar de um fenômeno natural.

Bertold Brecht

De acordo com essa visão, o fascismo é um terceiro poder novo ao lado (e acima) do capitalismo e do socialismo; não apenas o movimento socialista, mas também o capitalismo teriam sobrevivido sem a intervenção do fascismo. E assim por diante. Esta é, obviamente, uma reivindicação fascista; aderir a isso é uma capitulação ao fascismo.

O fascismo é uma fase histórica do capitalismo; neste sentido, é algo novo e ao mesmo tempo antigo. Nos países fascistas, o capitalismo continua a existir, mas apenas na forma de fascismo; e fascismo apenas pode ser combatido como capitalismo, como a forma de capitalismo mais nua, sem vergonha, mais opressiva e mais traiçoeira.

Mas como pode alguém dizer a verdade sobre o fascismo, a menos que esteja disposto a falar contra o capitalismo, que o traz à tona? Quais serão os resultados práticos de tal verdade?

Aqueles que são contra o fascismo sem serem contra o capitalismo, que lamentam a barbárie que sai da barbárie, são como pessoas que desejam comer carne de vitela sem matar o bezerro. Eles estão dispostos a comer o bezerro, mas não gostam da visão de sangue. Eles ficam satisfeitos com facilidade se o açougueiro lavar as mãos antes de pesar a carne. Eles não são contra as relações de propriedade que geram a barbárie; eles são apenas contra a própria barbárie. Eles levantam as suas vozes contra a barbárie e fazem-no em países onde prevalecem exatamente as mesmas relações de propriedade, mas onde os açougueiros lavam as mãos antes de pesar a carne.

Os protestos contra medidas bárbaras podem parecer eficazes desde que os ouvintes acreditem que tais medidas estão fora de questão nos seus próprios países. Certos países ainda são capazes de manter as suas relações de propriedade por métodos que parecem menos violentos do que os usados em outros países.

A democracia ainda serve nesses países para alcançar resultados para os quais a violência é necessária noutros, ou seja, garantir a propriedade privada dos meios de produção. O monopólio privado de fábricas, minas e terras cria condições bárbaras em todos os lugares, mas em alguns lugares essas condições não atingem os olhos de maneira tão violenta. A barbárie só chama a atenção quando o monopólio apenas pode ser protegido pela violência aberta.

Alguns países, que ainda não consideram necessário defender os seus bárbaros monopólios, permitem as garantias formais de um estado constitucional, bem como facilidades na arte, filosofia e literatura e estão particularmente desejosos de ouvir visitantes de países em que essas facilidades são negadas. Eles escutam-nos com prazer porque esperam deduzir daquilo que ouvem vantagens em guerras futuras.

Deveríamos então dizer que eles reconheceram a verdade quando, por exemplo, exigem em voz alta uma luta incansável contra a Alemanha "porque esse país é agora o verdadeiro lar do mal em nossos dias, o parceiro do inferno, a morada do anticristo"? Devemos dizer que essas são pessoas loucas e perigosas. Para que uma conclusão se pudesse tirar deste disparate sem sentido, uma vez que o gás venenoso e as bombas não eliminam os culpados, a Alemanha teria de ser exterminada – o país inteiro e todo o seu povo.

O homem não conhece a verdade se a expressa em termos arrogantes, gerais e imprecisos. Ele grita sobre "o" alemão, reclama do mal em geral, e quem o ouve não consegue decidir o que fazer. Deve ele decidir não ser alemão? O inferno desaparecerá se ele próprio for bom? A conversa idiota sobre a barbárie que surge da barbárie também é desse tipo. A fonte da barbárie seria a barbárie, combatida pela cultura, que vem da educação. Tudo isso é colocado em termos gerais; não pretende ser um guia de ação e, na realidade, não é dirigido a ninguém.

Essas descrições vagas apontam para apenas alguns elos da cadeia de causas. O obscurantismo oculta as forças reais que causam desastres. Se luz é lançada sobre o assunto, aparece prontamente que os desastres são causados por certos homens. Pois vivemos em uma época em que o destino dos seres humanos é determinado pelos seres humanos.

O fascismo não é um desastre natural que pode ser entendido simplesmente em termos de "natureza humana". Mas mesmo quando estamos lidando com catástrofes naturais, há maneiras de retratá-las que são dignas dos seres humanos porque elas apelam ao espírito de luta humano. Depois de um grande terremoto que destruiu Yokohama, muitas revistas americanas publicaram fotografias mostrando um monte de ruínas. As legendas diziam: O aço permaneceu. E, com certeza, apesar de podermos ver apenas ruínas à primeira vista, o olhar rapidamente percebeu, depois de notar a legenda, que alguns prédios altos haviam permanecido de pé. Entre as inúmeras descrições que podem ser dadas de um terremoto, as elaboradas pelos engenheiros de construção sobre as mudanças no solo, a força das tensões, os melhores projetos, etc, são da maior importância, pois levam a que futuras construções suportarão terremotos.

Se alguém deseja descrever o fascismo e a guerra, grandes desastres que não são catástrofes naturais, deve fazê-lo em termos de uma verdade prática. Devemos mostrar que esses desastres são lançados pelas classes possuidoras para controlar o grande número de trabalhadores que não possuem os meios de produção. Se alguém deseja escrever com êxito a verdade sobre más condições, deve escrevê-la para que as suas causas evitáveis possam ser identificadas. Se as causas evitáveis puderem ser identificadas, as más condições poderão ser combatidas.

* Artigo publicado em 1935.

   Edição: Página 1917

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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

A Batalha de Stalingrado

No dia 31 de janeiro de 1943 os alemães se renderam em Stalingrado, começava ali a derrocada do nazi-fascismo na Segunda Guerra Mundial.
Soldado do exército alemão feito prisioneiro em Stalingrado.




General alemão Friedrich Paulus se rende aos soviéticos.


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