Índice de Seções

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Marxismo e Revisionismo*

Lenin **


No domínio da política, o revisionismo tentou rever o que realmente constitui a base do marxismo, ou seja, a teoria da luta de classes. A liberdade política, a democracia, o sufrágio universal, destroem a base da luta de classes – diziam-nos os revisionistas – e desmentem o velho princípio do Manifesto Comunista de que os operários não têm pátria. Uma vez que na democracia impera a “vontade da maioria”, não devemos ver no Estado, segundo eles, o órgão da dominação de classe, nem negar-nos a entrar em alianças com a burguesia progressista, social-reformista, contra os reacionários.

Lenin fala em comício do Partido Bolchevique.
 

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Lenin, 150 Anos!

Lenin vive, viva Lenin!
1870 - 2020


Vladimir Ilyich Ulianov, pseudônimo Lenin:


   Revolucionário marxista, político comunista, principal dirigente e teórico do Partido Bolchevique, líder da Revolução de Outubro na Rússia em 1917, a primeira revolução socialista vitoriosa no mundo, fundador da União das Repúblicas Socialistas Soviéicas (URSS). 

Nascimento: 22 de abril de 1870, Ulianovsk, Rússia

Falecimento: 21 de janeiro de 1924, Gorki Leninskiye, Rússia

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Socialistas e Fascistas


Antonio Gramsci
Artigo não assinado, em L'Ordine Nuovo, 11 Junho 1921.

   

  A posição política do fascismo é determinada por estas circunstâncias elementares:
1) Os fascistas, nos seis meses de sua atividade militante, carregaram-se de uma bagagem extremamente pesada de atos delituosos que permanecerão impunes só até o momento em que a organização fascista for forte e temida.

2) Os fascistas puderam desenvolver a sua atividade apenas porque dezenas de milhares de funcionários do Estado, especialmente os corpos de segurança pública (administrações, guardas reais, carabineiros) e da magistratura, se tornaram seus cúmplices morais e materiais. Esses funcionários sabem que sua impunidade e suas carreiras estão estreitamente ligadas à sorte da organização fascista e, portanto, têm todo o interesse em apoiar o fascismo e qualquer tentativa que possa fazer para consolidar sua posição política.

3) Os fascistas possuem, disseminados em todo o território nacional, depósitos de armas e munições em tal quantidade que seria pelo menos suficiente para constituir um exército de meio milhão de homens.

4) Os fascistas organizaram um sistema hierárquico de tipo militar que tem sua natural e orgânica direção no Estado-Maior.

   Entra na lógica comum dos fatos elementares, que os fascistas não querem ser presos, pelo contrário, querem usar sua força, toda a força de que dispõem, para alcançarem o fim máximo de todo movimento: a posse do poder político.

  O que pensam fazer os socialistas e os dirigentes da Confederação* para impedir que sobre o povo italiano venha se alastrar a tirania do Estado-Maior, dos latifundiários e dos banqueiros? Estabeleceram um plano? Têm um programa? Não parece. Os socialistas e os dirigentes da Confederação poderiam  estabelecer um plano "clandestino"? Este seria ineficaz, porque apenas uma insurreição das grandes massas pode despedaçar um golpe de força reacionário e as insurreições das grandes massas, se têm necessidade de uma preparação clandestina, têm também necessidade de uma preparação legal, aberta, que dê uma orientação, que oriente os espíritos, que prepare as consciências.

  Os socialistas nunca se puseram seriamente a questão da possibilidade de um golpe de estado e dos meios a predispor para se defenderem e passarem à ofensiva. Os socialistas, habituados a mastigar estupidamente algumas fórmulas pseudo-marxistas, negam a revoluções "voluntaristas", "milagreiras" etc, etc. Mas se a insurreição do proletariado fosse imposta pela vontade dos reacionários, que não podem ter escrúpulos "marxistas", como se comportaria o Partido Socialista? Deixaria, sem resistência, a vitória para a reação? E se a resistência fosse vitoriosa, se o proletariado insurrecto e armado derrotasse a reação, que palavra de ordem daria o Partido Socialista: entregar as armas ou continuar a luta até o fim? Acreditamos que essas perguntas, neste momento, são tudo menos acadêmicas e abstratas. Pode acontecer, é verdade, que os fascistas, que são italianos, e que têm todas as indecisões e fraquezas de caráter da pequena burguesia italiana, imitem a tática seguida pelos socialistas na ocupação das fábricas: se afastem  e abandonem à justiça punitiva de um governo restaurador da legalidade os que cometeram delitos e os seus cúmplices. Pode acontecer, no entanto, é porem má tática fiar-se nos erros dos adversários, imaginar os seus adversários incapazes e ineptos. Quem tem força, serve-se dela. Quem sente o perigo de ser preso tenta o impossível para conservar a liberdade. O golpe de Estado dos fascistas, isto é, do Estado-Maior latifundiários e dos banqueiros, é o espectro ameaçador que desde o início pesa sobre esta legislatura. O Partido Comunista tem sua orientação; lançar a palavra de ordem da insurreição, conduzir o povo em armas até a  liberdade garantida pelo Estado operário. Qual é a palavra de ordem do Partido Socialista? Como podem ainda as massas confiar neste partido que esgota a sua atividade política na lamentação e só se propõe exigir dos seus deputados "belíssimos" discursos no Parlamento?

*Confederação Geral do Trabalho, na época sob hegemonia dos socialistas. (nota do editor)

Escritos Políticos, Antonio Gramsci, Vol II, p. 301, Seara Nova (Portugal), 1977.



quinta-feira, 9 de abril de 2020

Rafael Gómez Nieto e Manolis Glezos, dois dos nossos!


 Higinio Polo
 08.Abr.20
   
   No mesmo dia 30 de Março faleceram duas figuras da luta contra o nazi-fascismo: o espanhol Rafael Gomez Nieto e o grego Manolis Glezos. A trajetória pessoal de Glezos foi mais visível, e é a de um símbolo de resistência: desde o arrancar da bandeira nazi da Acrópole de Atenas até ao corajoso pedido de desculpas ao povo grego por ter confiado em Tsipras. Ambos ilustram o largo leque da unidade antifascista. Ambos são exemplos para um presente não menos difícil do que aquele que enfrentaram.
Rafael Gomez Nieto
  Enquanto o mundo se mirava na vertigem e no temor da pandemia, chegava-nos a notícia da morte de Manolis Glezos, o rosto da resistência grega a quem, em 30 de Março, o coração falhou. Além disso, como se a fatalidade não tivesse descanso, atingia-nos o falecimento, no mesmo dia, de Rafael Gómez Nieto, o último sobrevivente la nueve, a IX companhia do general Leclerc, repleta de republicanos espanhóis, que libertou Paris dos nazis, morto pelo coronavírus como se, levando ambos, a concha de um tempo desolado nos enviasse a advertência e a memória de uma geração que soube resistir ao fascismo e preservar entre as suas ruínas a frágil estirpe da fraternidade.

   Quando não passava de um garoto, Glezos começou a descobrir a vida sob a ditadura fascista de Metaxas, e depois combatendo contra a ocupação nazi da Grécia, que causou centenas de milhares de mortes, deportações para os campos de extermínio, fuzilamentos em massa (entre eles, o de um irmão de Manolis); suportando a fome do inverno de 1941 que semeou a desolação e acabou com a vida de dezenas de milhares de gregos. Teve que sofrer, como tantos dos seus compatriotas, a deprimida solidão do 1º de Maio de 1944, quando duzentos militantes do Partido Comunista Grego foram fuzilados em Kesariani pelas tropas de ocupação alemãs e, depois, a tristeza da derrota na guerra civil grega. Manolis Glezos participou também na campanha para evitar o fuzilamento de Nikos Beloyannis (o homem do cravo que Picasso pintou) e outros onze dirigentes comunistas gregos, que embora tenham sido a alma da resistência contra os nazis seriam condenados à morte em 1952 por um tribunal militares que tinham entre os seus membros o futuro ditador Papadopoulos, nos anos da feroz perseguição contra os comunistas amparada pela guerra fria sustentada pelos Estados Unidos. Beloyannis e seus camaradas foram fuzilados em Goudi, assassinato que durante décadas marcou Glezos e toda a esquerda grega.
Manolis Glezos
   Manolis Glezos esteve nas fileiras da resistência contra os nazis e nos grupos guerrilheiros que lutaram durante a guerra civil de 1946-1949 para acabar com a velha monarquia corrupta apoiada por seu exército e pelas armas de Londres e Washington. Esteve também entre os militantes que combateram a ditadura dos coronéis, que os Estados Unidos também apoiaram, e entre os que denunciaram ao mundo o massacre protagonizado pelo exército grego quando esmagaram com seus tanques o protesto dos estudantes da Universidade Politécnica de Atenas em Novembro de 1973, assassinando oitenta pessoas: muitas com balas e algumas sob a lagarta dos veículos blindados. Aquele sinistro regime de Papadopoulos, que ainda tinha o sangue de Beloyannis nas mãos, manteve Manolis Glezos nas suas prisões por quatro longos anos.

Caro leitor, ajude a divulgar o Página 1917, compartilhe nossas publicações nas suas redes sociais.

Comentários ofensivos e falsidades não serão publicados.