Tito Ura
10/09/2025
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| Nepal: manifestantes não se intimidam frente a repressão policial. (Foto: Prabim Ranabhat- AFP) |
Enquanto as cinzas ainda aquecem o Parlamento nepalês, a mensagem vinda do Himalaia não é apenas de indignação local: é um alerta para uma falha sistêmica global. O governo nepalês baniu 26 plataformas de mídia social. A resposta não foram tuítes irônicos, mas 19 caixões e o palácio presidencial em chamas. Por trás da "revolta da Geração Z" não está uma moda passageira, mas a implosão do último elo que sustentava a narrativa neoliberal: a ilusão de que, mesmo que tudo falhasse, pelo menos você teria o direito de ser visto.
Capitalismo que já não distribui nem migalhas
O Nepal cresceu 4% ao ano na última década. O problema? Esse crescimento não gerou um único emprego formal líquido. Enquanto isso, a dívida média de quem estuda no exterior gira em torno de US$ 4.000 — uma fortuna em um país onde o salário médio mensal não chega a US$ 150. A única via real para a "inserção" continua sendo a migração precária: 2.000 jovens emigram todos os dias para trabalhar como mão de obra barata no Catar, Malásia ou Kuwait. O pacto era claro: "Aguente firme, endivide-se e um dia..." Mas o "um dia" se traduziu em vídeos no TikTok de filhos de ministros usando relógios de US$ 30.000. A resposta foi * #NepalGenZ * e pedras voando contra a burguesia compradora que não produz, apenas saqueia.



