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sábado, 16 de agosto de 2025

O que torna um país soberano?

Raphael Machado*

04/08/25

O USS George Washington, um dos maiores porta-aviões da Marinha dos EUA, com 90 aeronaves,  participou, ano passado, da operação Southern Seas 2024  visando fortalecer a cooperação militar com Brasil, Argentina e outros países sul-americanos. 

Desde o anúncio das tarifas trumpistas contra o Brasil, nenhuma palavra foi repetida mais do que "soberania". O presidente Lula insiste que Trump "não pode" fazer isso porque o Brasil é "soberano" e, portanto, decide seus assuntos internos (como o caso jurídico de Bolsonaro) sozinho, sem responder a nenhum outro país.

O aparato de propaganda do governo produz materiais gráficos enfatizando a “soberania brasileira” (cujos símbolos, aparentemente, seriam o Banco Itaú, o Bolsa Família e as capivaras), enquanto os apoiadores de Bolsonaro são criticados como “traidores” por buscarem subordinar o Brasil aos EUA, negando, assim, essa “soberania”.

O que fica claro é que o termo "soberania" é tomado como algo dado — uma qualidade inerente que o Brasil possui independentemente das circunstâncias. A soberania é tratada como um atributo imutável do Brasil como nação entre nações.

Bem, há duas maneiras de pensar sobre soberania.

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

O envolvimento do capital privado no genocídio palestino: o que diz o relatório de Francesca Albanese

Domenico Cortese

O relatório da Relatora Especial da ONU, Francesca Albanese, em um momento em que Israel intensifica ainda mais suas práticas genocidas contra o povo palestino, tornou-se rapidamente uma fonte fundamental para quem busca entender a responsabilidade do capital global pelo extermínio em Gaza. E embora a autora, vítima de sanções americanas sem precedentes contra ela, tenha recebido apoio e solidariedade de círculos de esquerda no parlamento e da própria União Europeia, ela não poupou duras críticas à própria UE. De fato, em uma publicação em suas redes sociais , a Relatora Especial da ONU para os Territórios Palestinos Ocupados lançou um duro ataque à União Europeia , acusando-a abertamente de cumplicidade no genocídio israelense em Gaza: "A UE, que já havia se desonrado ao assinar o Acordo de Associação com o apartheid israelense anos atrás, agora se recusa a suspendê-lo. Este é o elemento final que demonstra como a União está conscientemente apoiando o genocídio em curso."

Empresas lucram com o genocídio na Palestina.

Neste artigo, resumimos os pontos-chave do relatório de Francesca Albanese, que revela em detalhes o envolvimento de empresas privadas e do capitalismo em geral no genocídio palestino. O que emerge destas páginas é que, sem o apoio dessas empresas, os crimes sionistas não teriam sido possíveis. Em outras palavras, pode-se dizer que a autoridade italiana provou, de uma perspectiva "institucional" e referindo-se pelo menos à questão da cumplicidade com Israel, o que os Partidos Comunistas aderentes à Ação Comunista Europeia vêm alegando há anos: que a UE é uma aliança imperialista reacionária, hostil ao povo e fundada com o único propósito de promover os lucros de grandes monopólios.

Um negócio para fabricantes de armas

Francesca Albanese desenvolveu um banco de dados com 1.000 entidades corporativas a partir de mais de 200 denúncias recebidas , um número sem precedentes, após seu chamado por contribuições durante a preparação desta investigação. Isso ajudou a mapear como multinacionais ao redor do mundo estão implicadas em violações de direitos humanos e crimes internacionais nos territórios palestinos ocupados.

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

A Crise do Comunismo

Nota do Página 1917

Esse texto, escrito por Francisco Martins Rodrigues há quatro décadas, guarda grande valor e atualidade, inclusive com a realidade incumbindo-se de comprovar o acerto da sua análise da crise do comunismo e do desastre do capitalismo em sua fase imperialista. A restauração capitalista na antiga URSS e na China, assim como, o acirramento das disputas interimperialistas, que já provocam diversos conflitos bélicos pelo mundo, nos colocando as portas de uma possível Terceira Guerra Mundial, confirmaram a dinâmica apontada.

Guerras e genocídios se espalham pelo mundo.

Francisco Martins Rodrigues

1984


Não é só em Portugal que os operários estão reduzidos a servir de força de apoio dos reformistas e liberais. A crise das ideias comunistas é internacional. A burguesia conseguiu convencer os operários de que no mundo de hoje já não há lugar para a revolução proletária e para o marxismo-leninismo. Argumentos para isso não lhe faltam:
  • as revoluções guiadas pelas ideias do comunismo, a começar pela revolução russa, mudaram a face do mundo e arrancaram um quarto da Humanidade ao atraso e à miséria feudais, mas hoje, nos países ditos “socialistas”, a classe operária é explorada e não dispõe do poder nem de liberdade. Daqui a conclusão de que a ditadura do proletariado seria uma utopia, a servir de capa para novos regimes tirânicos. O capitalismo sobrevive a guerras, crises e revoluções e cria um arsenal produtivo cada vez mais poderoso. Portanto, poderia haver esperança em que o avanço tecnológico acabe por fazer entrar a Humanidade numa nova era de abundância e liberdade sem necessidade de revolução.
  • a classe operária moderna é já muito diferente do proletariado a que Marx atribuíra a missão de coveiro do capitalismo, ganhou melhores condições de vida e entrelaça-se com a massa crescente dos técnicos e empregados. Isto seria a prova de que está a nascer uma nova classe operária, que poderia conquistar através de reformas os seus direitos essenciais.
  • os camponeses tomam em todo o mundo o caminho das cidades, os povos coloniais ganharam a independência. Teriam portanto desaparecido as duas grandes forças que Lenin considerava como os aliados revolucionários do proletariado.
  • finalmente, o poder das multinacionais, a ameaça nuclear, os novos meios de comunicação, a revolução nos hábitos sociais, ligaram estreitamente todos os continentes num mesmo destino comum. Seria necessário portanto substituir a ideia marxista da revolução mundial e do internacionalismo proletário pelo entendimento e pelo diálogo entre as nações.

Não é difícil mostrar que a propaganda burguesa se apoia em fatos reais para vender conclusões falsas.

terça-feira, 12 de agosto de 2025

Nota de falecimento

Recebemos do CCP nota comunicando o falecimento do seu militante, prof. Almir Fernandes. Nos somamos a manifestação de pesar e prestamos nossa solidariedade aos familiares, amigos e camaradas.

Coletivo Comunista Proletário (CCP)

Camarada Almir Fernandes, presente!


Almir Fernandes, o primeiro à esquerda, inauguração do Centro Cultural Octavio Brandão, 2003.

Faleceu, no dia 12 de julho, aos 65 anos, de causas naturais, nosso camarada Almir Fernandes, deixando esposa, filhos e netos. 

Almir iniciou sua militância participando das lutas dos funcionários da Light, empresa onde trabalhava. Filiado ao então Sindicato dos Eletricitários e Gasistas, atuou em todas as grandes mobilizações da categoria a partir da greve de 1984. Sua presença ativa em assembleias, piquetes e nos comandos de greve ficaram registradas na memória dos seus companheiros. Nessa época, ingressou na Convergência Socialista e depois no PSTU, partido com o qual romperia no final dos anos noventa.

Demitido após a privatização da Light, Almir abraçou a carreira de professor. Aprovado no concurso público, passou a atuar nas lutas da sua nova categoria, junto ao Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (SEPE-RJ). Reconhecido por alunos e colegas professores pela sua dedicação e liderança, Almir foi eleito diretor de escola. Prestes a se aposentar, nosso camarada enfrentava mais uma luta, desta vez contra as protelações e exigências descabidas no seu processo de aposentadoria.

Mas o vascaíno Almir não esmorecia facilmente, seguia firme nas suas convicções antirracistas e revolucionárias. Mesmo  nos últimos anos enfrentando problemas de saúde, ele militava conosco no CCP, panfletava o boletim "Papo Reto", debatia nas reuniões sobre a necessidade, dificuldade e possibilidade de construirmos a ferramenta essencial para a revolução socialista: um  partido comunista proletário.

Honrando sempre todos os combatentes pela revolução proletária, seguiremos na luta camarada Almir Fernandes!

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