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quarta-feira, 13 de agosto de 2025

A Crise do Comunismo

Nota do Página 1917

Esse texto, escrito por Francisco Martins Rodrigues há quatro décadas, guarda grande valor e atualidade, inclusive com a realidade incumbindo-se de comprovar o acerto da sua análise da crise do comunismo e do desastre do capitalismo em sua fase imperialista. A restauração capitalista na antiga URSS e na China, assim como, o acirramento das disputas interimperialistas, que já provocam diversos conflitos bélicos pelo mundo, nos colocando as portas de uma possível Terceira Guerra Mundial, confirmaram a dinâmica apontada.

Guerras e genocídios se espalham pelo mundo.

Francisco Martins Rodrigues

1984


Não é só em Portugal que os operários estão reduzidos a servir de força de apoio dos reformistas e liberais. A crise das ideias comunistas é internacional. A burguesia conseguiu convencer os operários de que no mundo de hoje já não há lugar para a revolução proletária e para o marxismo-leninismo. Argumentos para isso não lhe faltam:
  • as revoluções guiadas pelas ideias do comunismo, a começar pela revolução russa, mudaram a face do mundo e arrancaram um quarto da Humanidade ao atraso e à miséria feudais, mas hoje, nos países ditos “socialistas”, a classe operária é explorada e não dispõe do poder nem de liberdade. Daqui a conclusão de que a ditadura do proletariado seria uma utopia, a servir de capa para novos regimes tirânicos. O capitalismo sobrevive a guerras, crises e revoluções e cria um arsenal produtivo cada vez mais poderoso. Portanto, poderia haver esperança em que o avanço tecnológico acabe por fazer entrar a Humanidade numa nova era de abundância e liberdade sem necessidade de revolução.
  • a classe operária moderna é já muito diferente do proletariado a que Marx atribuíra a missão de coveiro do capitalismo, ganhou melhores condições de vida e entrelaça-se com a massa crescente dos técnicos e empregados. Isto seria a prova de que está a nascer uma nova classe operária, que poderia conquistar através de reformas os seus direitos essenciais.
  • os camponeses tomam em todo o mundo o caminho das cidades, os povos coloniais ganharam a independência. Teriam portanto desaparecido as duas grandes forças que Lenin considerava como os aliados revolucionários do proletariado.
  • finalmente, o poder das multinacionais, a ameaça nuclear, os novos meios de comunicação, a revolução nos hábitos sociais, ligaram estreitamente todos os continentes num mesmo destino comum. Seria necessário portanto substituir a ideia marxista da revolução mundial e do internacionalismo proletário pelo entendimento e pelo diálogo entre as nações.

Não é difícil mostrar que a propaganda burguesa se apoia em fatos reais para vender conclusões falsas.

terça-feira, 12 de agosto de 2025

Nota de falecimento

Recebemos do CCP nota comunicando o falecimento do seu militante, prof. Almir Fernandes. Nos somamos a manifestação de pesar e prestamos nossa solidariedade aos familiares, amigos e camaradas.

Coletivo Comunista Proletário (CCP)

Camarada Almir Fernandes, presente!


Almir Fernandes, o primeiro à esquerda, inauguração do Centro Cultural Octavio Brandão, 2003.

Faleceu, no dia 12 de julho, aos 65 anos, de causas naturais, nosso camarada Almir Fernandes, deixando esposa, filhos e netos. 

Almir iniciou sua militância participando das lutas dos funcionários da Light, empresa onde trabalhava. Filiado ao então Sindicato dos Eletricitários e Gasistas, atuou em todas as grandes mobilizações da categoria a partir da greve de 1984. Sua presença ativa em assembleias, piquetes e nos comandos de greve ficaram registradas na memória dos seus companheiros. Nessa época, ingressou na Convergência Socialista e depois no PSTU, partido com o qual romperia no final dos anos noventa.

Demitido após a privatização da Light, Almir abraçou a carreira de professor. Aprovado no concurso público, passou a atuar nas lutas da sua nova categoria, junto ao Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (SEPE-RJ). Reconhecido por alunos e colegas professores pela sua dedicação e liderança, Almir foi eleito diretor de escola. Prestes a se aposentar, nosso camarada enfrentava mais uma luta, desta vez contra as protelações e exigências descabidas no seu processo de aposentadoria.

Mas o vascaíno Almir não esmorecia facilmente, seguia firme nas suas convicções antirracistas e revolucionárias. Mesmo  nos últimos anos enfrentando problemas de saúde, ele militava conosco no CCP, panfletava o boletim "Papo Reto", debatia nas reuniões sobre a necessidade, dificuldade e possibilidade de construirmos a ferramenta essencial para a revolução socialista: um  partido comunista proletário.

Honrando sempre todos os combatentes pela revolução proletária, seguiremos na luta camarada Almir Fernandes!

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Consenso, coerção e lacaios

Ney Nunes


Uma classe extremamente minoritária na sociedade não pode manter o poder durante séculos apenas pela coerção das classes exploradas. É necessário cooptar para o seu campo indivíduos e segmentos das classes exploradas, colocá-los a seu serviço político e ideológico para construir o consenso que vai cimentar e proporcionar estabilidade a sua dominação.

A burguesia conta com mais de um século de experiência nesse sentido. Ela, em geral, não constitui mais do que dois por cento da população total de um país, mas consegue subjugar o restante do povo, fazendo-os acreditar que seus interesses particulares são os interesses da maioria. Não teria como fazer isso utilizando apenas os membros da sua classe, precisa trazer para o seu lado quadros intelectuais e políticos oriundos das demais classes que tenham capacidade de elaborar, propagandear e agitar as suas propostas para o conjunto da sociedade. 

sábado, 9 de agosto de 2025

Sobre o ataque imperialista ao Brasil.

 Uma posição comunista.

Coletivo Cem Flores  - 25/07/25


Alckmin e lideranças burguesas buscam negociar o tarifaço de Trump.



Em 9 de julho, o presidente fascista Donald Trump anunciou a imposição de tarifas de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para os EUA. Essa medida representa um verdadeiro ataque do imperialismo norte-americano ao Brasil. Previsto para entrar em vigor em 1º de agosto, o tarifaço reforçou a crise diplomática e comercial entre os dois países, iniciada meses antes com a escalada tarifária sobre o aço e o alumínio.

Trump alegou como justificativas a suposta perseguição judicial a Bolsonaro e ao seu movimento, após a tentativa fracassada de golpe de estado; a defesa dos grandes monopólios de tecnologia e de redes sociais dos EUA, também impactados pelas investigações contra o bolsonarismo; e a atuação dos BRICS (articulação encabeçada pelo seu rival imperialista central, a China), cuja cúpula ocorreu dias antes no Brasil. Alegou ainda, de forma mentirosa, um suposto déficit dos EUA nas transações comerciais com o Brasil. Dias depois, os EUA revogaram os vistos de membros do STF e da PGR, além de prosseguirem com novas ameaças. O ataque foi intensificado com a abertura de uma investigação comercial contra o Brasil, que pode resultar em ainda mais sanções por parte dos EUA.

O tarifaço de Trump ampliará os impactos econômicos já sentidos no setor metalúrgico brasileiro nos últimos meses. Outros setores industriais, a Petrobrás e o agronegócio também serão diretamente atingidos, considerando a atual pauta exportadora do Brasil para os EUA. Projeções já começam a indicar, a longo prazo, perdas bilionárias no PIB brasileiro e fechamento de mais de um milhão de vagas de emprego. Além disso, a inflação também tende a aumentar, caso as tarifas sejam efetivas.

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