Índice de Seções

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Elon Musk e a extrema direita alemã juntos na falsificação anticomunista*

Manifestação contra a extrema direita na Alemanha.

Recentemente, Alice Weidel, a líder do partido de extrema direita AfD da Alemanha, foi entrevistada pelo magnata e apoiador de Trump, Elon Musk. Em sua conversa virtual muito divulgada, Weidel deixou escapar que Hitler era um "comunista" e um "socialista" para mostrar a distância que supostamente a separa do nazismo, já que Hitler "não era um conservador" ou "um libertário" e que seu partido e ela são "exatamente o oposto".

Quem sabe? Talvez Weidel saiba mais do que os capitalistas industriais que apoiaram Hitler, como o então presidente da Associação da Indústria Alemã, Krupp. Talvez, na visão dela, até mesmo o capital alemão que doou milhões de marcos ao partido Nacional Socialista, efetivamente levando Hitler ao poder, também fosse comunista.

Talvez os monopólios americanos da Ford, General Motors, IBM, etc., que desempenharam um papel catalisador no apoio ao nazismo e obtiveram enormes lucros, fossem também apoiadores secretos do comunismo.

Ou talvez até mesmo os próprios chefes da Ford e da IBM, que receberam as medalhas da “Grã-Cruz” do Terceiro Reich, não soubessem no que estavam se metendo com Adolf...

Os capangas do capitalismo, como a AfD, competem com a União Europeia na propaganda de equiparar o fascismo ao comunismo. Essa doutrina de equiparação é uma necessidade para encobrir a forma mais bárbara de poder capitalista, o fascismo e o nazismo, e para caluniar a maior conquista dos povos, o socialismo-comunismo e o poder dos trabalhadores. Portanto, é natural, a confiança de monopolistas empresariais como Musk em tais forças...

*Comentário do jornal diário “Rizospastis”, órgão do CC do KKE, publicado em 11/1/25.

Fonte: https://inter.kke.gr/en/firstpage/

Edição: Página 1917

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Análise marxista ou apologia do capitalismo?

Pedro Pomar*
Maio de 1960

"...uma justa análise da situação objetiva do país exige algo mais. Exige que se ponha a descoberto as contradições de classe, que se diferenciem, com toda a nitidez, os interesses das classes oprimidas, dos trabalhadores, do conceito geral da nação em seu conjunto, o qual corresponde aos interesses da classe dominante."



A discussão ora aberta terá grande significação para o movimento revolucionário brasileiro. Apesar das diversas limitações confio em que na luta franca de opiniões todos nos esforçaremos por encontrar as soluções que sirvam à nossa grande causa.

Ante a confusão ideológica imperante, o centro dos debates deve girar, a meu ver, em torno da linha geral e da tática, pois disso depende, em última instância, o papel do Partido, a sua capacidade de transformar o proletariado em fator decisivo na formação da frente única anti-imperialista e democrática e em força dirigente da revolução brasileira.

No processo autocrítico iniciado após o XX Congresso do PCUS, nos foi imposta a tarefa de superar os erros dogmáticos e sectários, de natureza subjetivista, agravados pelo culto à personalidade, que impregnaram nossas concepções, quer quanto à teoria da revolução, quer quanto ao Partido, à sua política e aos seus métodos. Como um dos portadores dessas concepções e um dos responsáveis por esses erros, compreendo a necessidade de impedir sua repetição.

sábado, 11 de janeiro de 2025

Moçambique sem rumo à vista

Ana Barradas

10-01-2025

Parece estar chegando a um período menos agitado o drama moçambicano desencadeado pela oposição do cavaleiro solitário Venâncio Mondlane aos recentes e fraudulentos resultados eleitorais.



Como era de prever, ambas as partes – Frelimo e toda a oposição – tiveram de se entender às pressas para conter ao caos social e econômico e conciliar o irreconciliável tanto quanto possível.

Assim, vamos ter agora o “herói” Venâncio de cabeça baixa, debaixo da traição do chefe do seu partido, a participar no parlamento de Moçambique sem ter atingido o seu objetivo de vir a ser o grande líder do governo.

Esse sonho era desde o começo em si mesmo idealista porque, mesmo com o forte apoio popular que conseguiu concitar – no início inclusive de largos setores da burguesia, que depois se retraiu diante da sublevação da arraia miúda nas ruas – nunca teria a aprovação não só da Frelimo como da chamada comunidade internacional para subverter de pernas para o ar os resultados das eleições, ainda que problemáticos.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Foram os erros que colocaram a perder a Revolução Russa?

Francisco Martins Rodrigues*
Janeiro/Fevereiro de 1992

Gorbachev, o último coveiro da Revolução Soviética.


Nem só revisões e renegações produz o eclipse do movimento comunista. Surgem também, ainda que raramente, tentativas de interpretação e superação da crise, na linha do marxismo. Tom Thomas, militante da corrente M-L francesa, editou há alguns meses em volume as suas reflexões, a que deu o título: “A propósito das revoluções do século XX, ou o desvio irlandês”.(1)

O “desvio irlandês” é uma ideia sugestiva que o autor foi buscar numa carta de Marx, de 1869:

Pensei durante muito tempo que o regime irlandês seria derrubado pelo ascenso da classe operária da Inglaterra. Hoje estou convencido do contrário: os operários ingleses não farão nada enquanto não se desembaraçarem da Irlanda. É na Irlanda que se deve fazer alavanca”.

Regresso ao ponto de partida

Marx intuía pois a tendência que veio a manifestar-se: a revolução, bloqueada nos países onde as condições econômico-sociais estão maduras para o socialismo, abriu caminho onde as condições não estão maduras, nos países atrasados. O nosso século — conclui Thomas — foi preenchido justamente com o “desvio irlandês” do processo revolucionário mundial: as grandes revoluções na Rússia e na China, arrastando uma torrente de revoluções nacionais anti-imperialistas, em Cuba, Vietnam, Argélia, etc.

É verdade que, entretanto, aconteceu o imprevisível: as revoluções, depois de ter degenerado em miseráveis caricaturas sob a égide do capitalismo nacional de bandeira socialista, são reabsorvidas pelo mercado imperialista mundial. Seja como for, conclui Thomas, “o caminho está agora livre porque o capitalismo realizou a sua obra de estabelecer sobre toda a superfície do globo as mesmas relações sociais, pôr as mesmas classes nas mesmas situações e perante os mesmos inimigos. O ‘desvio irlandês’ cumpriu a sua tarefa. Chega a época das revoluções proletárias, embora com algum atraso sobre as previsões. É para ela que nos devemos preparar, voltando-nos para o futuro e deixando que os mortos enterrem os seus mortos”.

É estimulante esta capacidade para encarar o processo histórico no seu movimento global, sem cair nas habituais dúvidas existenciais sobre se a revolução é mesmo inevitável e a ditadura do proletariado é mesmo legítima. Resta, contudo, a questão: porque é que esse gigantesco ciclo revolucionário nos países atrasados fracassou de maneira tão generalizada e foi incapaz de detonar revoluções proletárias socialistas nas metrópoles do capital, como seria a suposição de Marx e, mais tarde, de Lenin, Mao, etc.? Porque terminou nesta obscura agonia e não num salto para uma etapa mais avançada da revolução?

Caro leitor, ajude a divulgar o Página 1917, compartilhe nossas publicações nas suas redes sociais.

Comentários ofensivos e falsidades não serão publicados.