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domingo, 16 de junho de 2024

Não há saída em Nuseirat: o grande massacre de resgate de reféns

Jeffrey St. Clair*
14/06/2024

Os americanos sabiam. Os americanos ajudaram. Os americanos forneceram as bombas, os helicópteros, os caças, as balas e os projéteis dos tanques. Os americanos assistiram ao desenrolar do ataque. Eles assistiram do cais de Biden. Eles assistiram de drones. Eles observaram enquanto as ruas se enchiam de sangue, corpos e membros. Depois, os americanos elogiaram a operação de resgate e nada disseram sobre as crianças e mulheres palestinas mortas. Nada sobre os amputados e os eviscerados. Nada sobre os três reféns que aparentemente também foram mortos no ataque israelita, incluindo um cidadão americano. 


Gaza, destruição e genocídio.

Alguns dos israelenses vieram vestidos como palestinos, falando árabe e parecendo refugiados. Alguns vieram escondidos em caminhões civis. Outros pairavam acima em helicópteros de ataque Apache, esperando para atacar.

O vizinho Hospital Al-Aqsa já estava lotado de pacientes dos ataques aéreos dos dias anteriores, antes de começar a receber os feridos e mutilados do dia mais sangrento do ataque de Israel a Gaza. Al-Aqsa já estava com poucos suprimentos, com poucos medicamentos, água e energia. Os corredores do hospital já estavam cheios de pacientes gemendo, enfaixados, se recuperando de ferimentos e cirurgias sem analgésicos. Os funcionários já estavam sobrecarregados, cansados ​​e estressados, quando ouviram as primeiras explosões, por volta das 11h. 

Dezenas de ataques aéreos foram seguidos por rajadas de tiros de armas pequenas e granadas lançadas por foguetes. Algumas explosões pareciam muito próximas do hospital. Alguém disse que as IDF ligaram para o hospital minutos antes e alertaram a equipe para evacuar porque também era um alvo. Mas as enfermeiras e os médicos não abandonavam os seus pacientes. Talvez tenha sido desinformação ou apenas mais um boato de uma guerra infernal.

segunda-feira, 10 de junho de 2024

KKE fortalecido nas eleições europeias.

Editorial do Página 1917

O Partido Comunista da Grécia (KKE) obteve expressiva votação nas eleições para o parlamento europeu, conquistando 368 mil votos, 9,25%.

KKE
Comício da campanha eleitoral do KKE em Atenas.

A linha política correta e a inserção orgânica nas fileiras do proletariado levam o KKE a avançar com passos firmes na luta de classes e no terreno eleitoral. Sem cair nos desvios oportunistas e eleitoreiros o partido grego segue avançando, obteve 5,35 % nas eleições europeias  de 2019 e agora chega a 9,25% dos votos, garantindo o mandato de dois deputados.

Enquanto muitos dos partidos ditos da esquerda que giraram a direita e capitularam diante do capitalismo amargam retrocessos eleitorais, o KKE não cedeu as pressões do identitarismo burguês, tem como centro a luta de classes, a defesa dos interesses do proletariado em aliança com setores populares e mantém a luta contra as agressões neocoloniais e guerras interimperialistas que hoje ameaçam a própria sobrevivência da humanidade.

Os resultados eleitorais do KKE, mesmo sabendo como são fraudulentas as eleições burguesas que se realizam sob o domínio econômico dos monopólios empresariais, provam que a inserção orgânica na luta das massas trabalhadoras possibilita arrancar vitórias até mesmo no minado terreno eleitoral burguês. Além disso, confirmam a necessidade de construção de partidos comunistas que façam jus ao nome, sem concessões oportunistas, sem alianças com os inimigos de classe, que sejam internacionalistas na prática, vocacionados para a luta pelo poder proletário e instauração do socialismo.

Avante camaradas do KKE!

Saudações pela vitória!

Edição: Página 1917.

sexta-feira, 7 de junho de 2024

Renovação no PCB?

Leôncio Basbaum*

10 de Setembro de 1957

A imprensa comunista do país acaba de publicar um informe do Sr. L. C. Prestes à última reunião do CC do PCB, verificada em meados de agosto p.p. Trata-se, como diz o documento, de “um primeiro e modesto passo no sentido de vencer as dificuldades que hoje enfrentamos”.

Leôncio Basbaum

Há sem dúvida muita coisa interessante nesse documento, e a mais importante delas é o reconhecimento da péssima e lamentável situação a que chegou o PCB: “uma pequena seita desligada das massas”, num momento em que mais do que nunca sua presença se fazia necessária. Desapareceu quase totalmente o sentido baluartista dos documentos anteriores, nos quais se falsificava simplesmente a real situação do PCB perante a base do Partido e perante as massas. Esse é, sem dúvida, o lado positivo do documento. A autocrítica, o reconhecimento de erros antigos e profundos de catastróficas consequências, ainda que insuficiente, é também um lado positivo.

Não vamos examinar aqui as causas que levaram o CC a cometer toda essa longa série de erros. Isto poderá ser objeto de um estudo futuro. No momento nos interessa examinar o que significa o documento, o que lhe falta, o que falta ao CC para que se coloque à altura das necessidades do Partido e dos interesses do povo brasileiro.

quarta-feira, 5 de junho de 2024

Sobre o resultado das eleições no México

Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista do México

04/06/2024

O processo eleitoral no México foi concluído com a votação no domingo, 2 de junho, para eleger o Presidente da República, Câmaras de Deputados e Senadores, Governos da Cidade do México e outras entidades, diversas legislaturas locais e governos municipais de vários estados.

Manifestação do PCM

O processo eleitoral foi marcado pela intervenção governamental em favor do seu partido MORENA, pela utilização de programas sociais, ou seja, pelo lucro da pobreza extrema, pela demagogia dos dois grandes blocos burgueses e das suas candidatas, Claudia Sheinbaum e Xóchitl Gálvez, as campanhas sujas, pelo desperdício obsceno de dinheiro, tanto das prerrogativas do Instituto Nacional Eleitoral (INE), como de fontes estranhas (ou de grupos empresariais ou do crime organizado), pela violência.

Ficou visível o rol de traição governamental do Partido do Movimento Cidadão ; também é um elemento notável que, desde o ponto de vista programático, Sheinbaum e Gálvez estivessem enquadrados na mesma plataforma, com diferenças menores e não essenciais. Fundamentalmente, ambas ratificaram o compromisso de levar a frente a gestão do capitalismo.

Os resultados são claros: foi eleita Claudia Sheinbaum, que terá maioria qualificada para levar a cabo o conjunto de medidas legislativas que considera necessárias uma vez que o PRI e o PAN não terão uma correlação de forças que as dificulte. Será implementado o chamado Plano C, que entre outras medidas visa colocar a Guarda Nacional sob controlo militar. Desde o início da campanha, os empresários ditaram as suas prioridades. Hoje é verificável a satisfação da classe dominante, do poder dos monopólios, com este resultado, com as felicitações imediatas dos banqueiros e das câmaras patronais.

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