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quarta-feira, 8 de maio de 2024

EUA, Mídia e Cinismo Genocida

Ney Nunes
08/05/2024

A mídia burguesa anuncia com estardalhaço que os EUA suspenderam temporariamente a entrega futura de bombas de alto poder destrutivo para Israel. Referem-se a 1,8 mil bombas de 907 kg e 1,7mil de 227 kg. Esquecem de dizer que esses artefatos fazem parte do arsenal que as tropas israelenses vem despejando sobre Gaza há sete meses. Nesses período, com maciço fornecimento norte-americano, os ataques por terra e ar de Israel sobre Gaza já resultaram em 34.800 mortos e quase 80 mil feridos, boa parte desses feridos estão mutilados.

cinismo genocida
Genocídio e destruição em Gaza.


Esse noticiário relata também que o governo Biden estaria “preocupado” com as consequências do uso dessas bombas na invasão da cidade de Rafah e estaria pressionando por uma "operação limitada" sobre a região onde estão concentrados cerca de hum milhão e meio de palestinos que fugiram dos ataques israelenses contra o norte do território palestino.

O cinismo genocida

Vemos que o cinismo dos genocidas e seus cumplices da mídia burguesa não tem limites. Depois do bombardeamento incessante, ao longo de sete meses, que destruiu completamente o norte de gaza, matou e feriu centenas de milhares de palestinos, expulsando mais de um milhão que fugiram em direção ao sul para escapar da destruição e da morte, o anúncio da suspensão temporária dos envios futuros dessas bombas para Israel e de uma suposta preocupação do governo Biden com a intensificação da carnificina, soa como um verdadeiro escárnio.

EUA, Mídia e Cinismo Genocida


O que dizer então quando assistimos nos telejornais do oligopólio midiático no Brasil (Globo, Band, Record, SBT) se referirem a resistência palestina como “terroristas”, enquanto os verdadeiros terroristas, o Estado sionista israelense e os EUA estão cometendo crimes de guerra, bombardeando civis, assassinando em massa e destruindo cidades inteiras?

São mais do que lacaios do capitalismo em tempos de barbárie, são propagandistas de massacres, acobertadores de crimes contra a humanidade.

Edição: Página 1917

terça-feira, 7 de maio de 2024

As Esquerdas Tagarelas

Manuel Augusto Araújo*

24/04/2023

No princípio do ano em Memphis, no estado de Tennessee, Tyre Nichols um jovem negro de 29 anos, morreu no hospital três dias depois de ter sido brutalmente agredido por cinco policiais. O que torna particular este ato de violência é ter sido cometido por cinco policiais negros de uma cidade em que o departamento da polícia é liderado por Cerelyn Davies, uma mulher negra.

Policiais  envolvidos na ocorrência de trânsito que terminou com a morte de Tire Nichols. A partir do canto superior esquerdo, os policiais Preston Hemphill, Tadarrius Bean, Demetrius Haley, Justin Smith, Emmitt...

Para o quadro ficar completo seria curioso conhecer-se o gênero dos intervenientes nesse acontecimento, que demonstra que a violência policial não tem cor, é inerente a uma sociedade em que a coação exercida pelas classes dominantes tem muitas graduações, das mais persuasivas às que recorrem à força extrema em atos pontuais como este ou por guerras como as que têm sido postas em prática desde há muitos decênios para que o império continue a impor as suas regras. A xenofobia, o racismo, a homofobia são catalisadores num estado de sítio sempre pronto a explodir.

Deveria o brutal assassinato de Tyre Nichols, dado os seus intervenientes mais diretos, os policiais negros, ou mais longínquos, a chefia do departamento policial por uma mulher negra, ter feito implodir as fantasias que as lutas ditas fragmentárias das políticas de identidade e diversidade são o cerne das lutas que irão resolver as questões políticas, sociais e econômicas desta sociedade, tornando obsoletas as lutas de classe e, concomitantemente, os partidos e organizações de classe que continuam empenhados numa radical mudança social, mesmo que diferida no tempo, dado o quadro atual da realidade em que o capitalismo, embora que atravessando graves crises, é hegemônico.

Tyre Nichols, morreu a 10 de janeiro de 2023, três dias após ser detido pela Polícia de Memphis, EUA.


O que é inquietante, é que as evidências desnudadas pelo assassinato de Nichols em nada abalaram os bandos de ativistas nos EUA e seus seguidores, sobretudo no mundo ocidental, as suas retóricas publicitárias que parasitam por uma comunicação social cada vez mais propriedade e voz das oligarquias beneficiárias das desigualdades sociais que agravam o fosso entre os privilegiados e o complexo mundo do trabalho, cumprindo o que desde sempre foi e continua a ser um dos objetivos da burguesia, que é o de secundarizar e se possível tornar invisível a luta de classes para que a crença de se viver numa sociedade aberta seja dominante, pelo que há que inviabilizar o que coloque em causa a sua preponderância.

terça-feira, 30 de abril de 2024

Da Primeira Ferrovia ao Golpe Rodoviarista

Cento e setenta anos da primeira ferrovia brasileira (1854 -2024)


Ney Nunes
30/04/2024

Há 170 anos era inaugurada a primeira ferrovia no Brasil, em 30 de abril de 1854, no Rio de Janeiro, por iniciativa do empresário Irineu Evangelista, o barão de Mauá. O trecho inicial ligava o Porto de Mauá até Fragoso, tinha 14,5 km de extensão. Em 1856 a ferrovia foi prolongada até a Raiz da Serra (Vila Inhomirim), chegando a 16,3 km. Posteriormente, em 1886, foi concluída a subida por cremalheira até Petrópolis. Era o começo de uma era de modernização nos transportes do país voltada para atender principalmente os corredores de exportação, ligando o interior aos portos. Foi assim no sudeste com o café e no nordeste com açúcar e algodão. O ápice desse primeiro processo de expansão das ferrovias foi no final da segunda década do século XX, quando a malha ferroviária do país alcançou 32.000 km.

Da Primeira Ferrovia ao Golpe Rodoviarista
Ferroviários posam junto da locomotiva "Baroneza" - 1920.

A Inglaterra e a expansão das ferrovias

A implantação do transporte ferroviário se deu no marco da hegemonia inglesa nos primórdios do capitalismo imperialista. As transações econômicas da Inglaterra com o Brasil eram caracterizadas pela clássica relação centro/periferia do sistema capitalista. Os bancos ingleses financiavam o Estado brasileiro e a produção de produtos agrícolas destinados para a exportação. Da indústria inglesa vinham a maior parte dos bens importados pelo Brasil, em consequência, no século XIX, o país acumulava enorme dívida junto aos credores ingleses.

segunda-feira, 29 de abril de 2024

Retomar o Caráter Combativo e Classista do Primeiro de Maio!

Ney Nunes

29/04/2024


Retomar o Caráter Combativo e Classista do Primeiro de Maio!
Primeiro de Maio, anos oitenta, Brasil.


Ao final do século passado, mais precisamente entre o final dos anos setenta e os anos oitenta, quando vivíamos o ocaso da ditadura empresarial-militar instaurada com o golpe de 1964, participei ativamente de algumas manifestações do Primeiro de Maio. Embalados pelas greves que ressurgiam com força pelo país, em especial nas cidades com grandes concentrações operárias, conseguíamos mobilizar e construir atos do dia do trabalhador com conteúdo classista que reforçavam as bandeiras de luta do movimento sindical.

Nesses atos, os protagonistas eram os trabalhadores e suas organizações sindicais e políticas, não havia lugar para governantes e politiqueiros burgueses. Milhares de trabalhadores se reuniam com objetivo de demonstrar suas insatisfações e para reforçar as reivindicações diante da burguesia e do governo. O caráter internacional da luta de classes e a necessária unidade e solidariedade para enfrentar o capitalismo eram pontos destacados pelos oradores e nos muitos panfletos das organizações e partidos envolvidos com aquelas mobilizações.

A partir dos anos noventa, com as derrotas sofridas pela classe trabalhadora no Brasil e no mundo, derrotas que aprofundaram a exploração e a precarização do trabalho, começava um longo período de retrocesso nas lutas operárias e na consciência de classe. A descaracterização do Primeiro de Maio foi, entre os vários mecanismos para dissolver essa consciência classista, uma das mais significativas. O "Dia do Trabalhador" passa a ser chamado de "Dia do Trabalho", as concentrações combativas e de reivindicações se transformam em shows midiáticos com sorteios de prêmios, em vez dos dirigentes da luta operária, são os políticos burgueses os convidados de honra.

Assim, já temos três décadas dessa deformação do Dia Internacional dos Trabalhadores, chegando hoje ao ponto de vermos essas entidades sindicais esvaziadas, burocratizadas, dirigidas por uma camada de pelegos a serviço da subordinação ao patronato, convocarem atos de primeiro de maio sob o signo da conciliação de classes. Esses lacaios do capital transformaram o dia de combate da classe trabalhadora em dia de festa e de farsa.

O longo período de retrocessos na luta e na consciência de classe dos trabalhadores precisa chegar ao fim. Essa é uma premissa essencial para não cairmos de vez no poço sem fundo que nos reserva a barbárie capitalista. Levantemos bem alto a bandeira da solidariedade internacional da classe trabalhadora, contra os exploradores, contra a guerra imperialista e contra o genocídio na Palestina.

Pela paz entre os povos! Pelo Socialismo!


Edição: Página 1917



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