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sábado, 27 de janeiro de 2024

O Rompimento do Cerco de Leningrado

27/01/1944 - Vitória Soviética
 Contra o Nazifascismo!
 
O cerco militar à cidade de Leningrado (atualmente, São Petersburgo), na União Soviética (atualmente, Rússia), pelas tropas da Alemanha Nazista e das suas aliadas, Itália e Finlândia, durante a Segunda Guerra Mundial, durou cerca de 900 dias, foi de 8 de Setembro de 1941 até 27 de Janeiro de 1944. 
O cerco só foi rompido definitivamente em 27 de janeiro de 1944 através de uma grande operação militar realizada pelo Exército Soviético, após ter derrotado os alemães em Stalingrado, Kursk e nos arredores de Moscou.



Edição: Página 1917


sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

O que é Hegemonia do Proletariado? *

Francisco Martins Rodrigues

25/10/1982



Tem-se dito durante o debate que a política de hegemonia do proletariado defendida na minha carta ao Comitê Central é estreita, tenderia a substituir a tática pela estratégia, conduziria ao isolamento da classe operária, a uma espécie de hegemonia da classe operária “sobre si mesma”, afastaria o Partido do centro da luta política, reduzir-nos-ia a uma seita de agitação e propaganda, etc.

O que estes argumentos exprimem, quanto a mim, é uma incompreensão de fundo sobre o que é a hegemonia do proletariado e um receio confuso a uma política operária independente. Aos camaradas que assim raciocinam é preciso mostrar que a nossa política não produziu até hoje nenhuma hegemonia da classe operária, mas pelo contrário, uma sujeição cada vez maior dos operários à hegemonia reformista e revisionista da pequena burguesia, é preciso reconhecer este saldo negativo, ao fim de sete anos de existência do Partido, e procurar-lhe remédio.

O ponto de partida para a mudança política que se exige do 4º Congresso está na crítica de princípios, crítica clara, dura e sem meias tintas, à linha política do 2° Congresso. Há que voltar a debater as lições da crise revolucionária para chamar a primeiro plano a lição fundamental, apagada pelo 2º Congresso: o proletariado, apesar das suas históricas iniciativas, revelou menoridade política, porque acreditou que as conquistas podiam ser defendidas pelos governos reformistas pequeno-burgueses; privado do seu partido, não viu aquilo que era essencial — a conquista do poder político.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Que Tipo de Partido Queremos Construir?'

Reproduzimos abaixo artigo de Ivan Pinheiro publicado na Tribuna de Debates Preparatória do XVII Congresso Extraordinário do PCB-RR (Partido Comunista Brasileiro - Reconstrução Revolucionária). Nosso entendimento é que o presente artigo se reveste de suma importância, não só para os debates internos da organização que está se formando a partir do racha ocorrido no PCB ano passado, mas indica, para o conjunto de organizações e militantes que se reivindicam comunistas, os perigos existentes nas armadilhas colocadas pela democracia burguesa. Armadilhas que se mostram como atalhos sedutores, mas, na verdade, desembocam num velho conhecido nosso: o oportunismo eleitoral, desvio que reforça as ilusões com a democracia burguesa e nas reformas visando dourar a pílula do capitalismo. (nota do editor)


Ivan Pinheiro

21/01/2024

Camaradas,

Em circular no início deste mês, o Comitê Nacional Provisório (CNP) do PCB-RR divulgou sua decisão de abrir um debate interno entre a militância, durante o presente mês de janeiro, especificamente sobre questões ligadas à nossa política eleitoral, em razão de seus membros não terem chegado a um consenso em torno de um aspecto deste tema, a chamada “filiação democrática”, e da urgência de decidirmos a respeito. Isso me levou a tratar do tema eleitoral logo na minha primeira tribuna ao nosso Congresso.

A antecipação desta decisão (que será adotada pelo CNP em sua reunião já convocada para os dias 3 e 4 de fevereiro) se deve ao fato de que só poderão ser candidatos às eleições municipais de 6 de outubro deste ano aqueles que estiverem regularmente filiados aos partidos pelo quais concorrerão ao pleito, no mínimo 6 (seis) meses antes do primeiro turno, ou seja, até 6 de abril.

Como a etapa nacional do nosso Congresso se dará entre 30 de maio e 1º de junho, esta decisão tem que ser adotada antes de sua realização e com necessária antecedência porque, na hipótese de o CNP decidir por este tipo de filiação para fins eleitorais, sua efetivação não dependeria apenas da nossa vontade, mas também da concordância do partido ao qual solicitaríamos o registro cartorial de camaradas nossos como seus filiados. No caso da aceitação de nossa proposta, seguiriam-se os naturais entendimentos e acordos políticos entre as direções nacionais dos dois partidos.

O ideal seria decidirmos todos os aspectos da nossa política eleitoral com base nas conclusões a que viermos a chegar no Congresso sobre seus temas fundamentais, como o programa, o caráter do partido e de sua reconstrução revolucionária, a conjuntura nacional e internacional, a tática e a estratégia e, só então, a política de alianças e as eleições. Não por acaso, na cronologia lógica das nossas Teses congressuais a questão eleitoral está obviamente colocada após esses e outros temas prioritários.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Filosofia, Senso Comum e Hegemonia

Hoje celebramos os 133 anos do nascimento do revolucionário italiano Antonio Gramsci. Um dos fundadores do Partido Comunista Italiano em 1921 e seu principal dirigente desde 1924, até ser preso pelo regime fascista de Mussolini em 1926. Após dez anos prisioneiro em condições precárias, sem o tratamento de saúde que necessitava, Gramsci morreu dois dias após ser expedido o seu alvará de soltura, quando estava internado numa clínica em Roma.

Durante muitas décadas após a sua morte, intérpretes interessados em transformá-lo num ideólogo da transição pacífica e gradual do capitalismo ao socialismo, ou seja, da colaboração de classes, fizeram de tudo e, ainda fazem, para conseguir seu intento mistificador. Porém, a leitura atenta da sua obra e o conhecimento da sua trajetória de militante comunista nos ajudam a colocar por terra essas interpretações falaciosas. Os escritos anteriores a prisão e as elaborações que produziu durante o cárcere se revelam fontes fundamentais para o desenvolvimento teórico e prático dos revolucionários na atualidade. (nota do editor)


Antonio Gramsci

Antonio Gramsci*

"Um movimento filosófico só merece este nome na medida em que busca desenvolver uma cultura especializada para restritos grupos de intelectuais ou, ao contrário, merece este nome na medida em que, no trabalho de elaboração de um pensamento superior ao senso comum e cientificamente coerente, jamais se esquece de permanecer em contato com os "simples" e, melhor dizendo, encontra neste contato a fonte de problemas que devem ser estudados e resolvidos. Só através desse contato é que uma filosofia se torna "histórica", depura-se dos elementos intelectualistas de natureza individual e se transforma em "vida". (1)

[...] a filosofia da praxis (2) não busca manter os "simplórios" na sua filosofia primitiva do senso comum, mas busca, ao contrário, conduzi-los a uma concepção de vida superior. Se ela afirma a exigência do contato entre os intelectuais e os simplórios não é para limitar a atividade científica e para manter uma unidade no nível inferior das massas, mas justamente para forjar um bloco intelectual-moral, que torne politicamente possível um progresso intelectual de massa e não apenas de pequenos grupos intelectuais.

O homem ativo de massa atua praticamente, mas não tem consciência teórica desta sua ação, que, não obstante, é um conhecimento do mundo na medida em que o transforma. Pode ocorrer, inclusive, que a sua consciência teórica esteja historicamente em contradição com o seu agir. É quase possível dizer que ele tem duas consciências teóricas (ou uma consciência contraditória) : uma, implícita na sua ação, e que realmente o une a todos os seus colaboradores na transformação prática da realidade; e outra, superficialmente explícita ou verbal, que ele herdou do passado e acolheu sem crítica. Todavia, esta concepção "verbal" não é inconsequente: ela liga a um grupo social determinado, influi sobre a conduta moral, sobre a direção da vontade, de uma maneira mais ou menos intensa, que pode, inclusive, atingir um ponto no qual a contraditoriedade da consciência não permita nenhuma ação, nenhuma escolha e produza um estado de passividade moral e política. A compreensão crítica de si mesmo é obtida, portanto, através de uma luta de "hegemonias" políticas, de direções contrastantes, primeiro no campo da ética, depois no da política, atingindo, finalmente, uma elaboração superior da própria concepção do real. A consciência de fazer parte de uma determinada força hegemônica (isto é, a consciência política) é a primeira fase de uma ulterior e progressiva autoconsciência, na qual teoria e prática finalmente se unificam. Portanto, também a unidade de teoria e prática não é um fato mecânico, mas um devenir histórico, que tem a sua fase elementar e primitiva no senso de "distinção", de "separação", de independência apenas instintiva, e progride até a possessão real e completa de uma concepção do mundo coerente e unitária. É por isso que se deve chamar a atenção para o fato de que o desenvolvimento político do conceito de hegemonia representa - além do progresso político prático - um grande progresso filosófico, já que implica e supõe necessariamente uma unidade intelectual e uma ética adequadas a uma concepção do real que superou o senso comum e tornou-se crítica, mesmo que dentro de limites ainda restritos."

Nota de Gramsci:

(1) Talvez seja útil distinguir "praticamente" a filosofia do senso comum, para melhor indicar a passagem de um momento ao outro. Na filosofia, destacam-se notadamente as características de elaboração individual do pensamento; no senso comum, ao invés, as características difusas e dispersas de um pensamento genérico de uma certa época em um certo ambiente popular. Mas toda filosofia tende a se tornar senso comum de um ambiente, ainda que restrito (de todos os intelectuais). Trata-se, portanto, de elaborar uma filosofia que - tendo já uma difusão ou possibilidade de difusão, pois ligada à vida prática e implícita nela - se torne um senso comum renovado pela coerência e pelo vigor das filosofias individuais. E isto não pode ocorrer se não se sente permanentemente, a exigência do contato cultural com os "simplórios".

Nota do editor:

(2) Gramsci se refere a filosofia marxista, ao materialismo histórico.

*Antonio Sebastiano Francesco Gramsci, foi um filósofo marxista, teórico político, jornalista, fundador e secretário-geral do Partido Comunista Italiano. Nascimento: 22 de janeiro de 1891, Ales, Itália - Falecimento: 27 de abril de 1937, Roma, Itália

Fonte: Concepção Dialética da História, Antonio Gramsci, p. 18-21; 2ª edição, 1978, Civilização Brasileira.

Edição: Página 1917


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