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domingo, 21 de janeiro de 2024

Lenin e o Revisionismo

Há cem anos, em 21 de janeiro de 1924, morria Lenin. Equivocaram-se profundamente os que imaginaram que com a morte física do grande líder da Revolução Socialista de 1917 o seu legado seria esquecido, pelo contrário, a trajetória política e os seus aportes teóricos continuam a servir de inspiração e guia aos revolucionários em todo o mundo. (nota do editor)

Lenin e o Revisionismo
Vladimir Ilyich Ulianov, o Lenin.

Lenin

"O complemento natural das tendências econômicas e políticas do revisionismo era a sua atitude em relação ao objetivo final do movimento socialista. “O objetivo final não é nada, o movimento é tudo” - esta frase proverbial de Bernstein exprime a essência do revisionismo melhor do que muitas longas dissertações. A política revisionista consiste em determinar o seu comportamento em função das circunstâncias, em adaptar-se aos acontecimentos do dia, às mudanças dos pequenos fatos políticos, em esquecer os interesses fundamentais do proletariado e os traços essenciais de todo o regime capitalista, de toda a evolução do capitalismo, em sacrificar estes interesses fundamentais em favor das vantagens reais ou supostas do momento. E da própria essência desta política se deduz, com toda a evidência, que pode tomar formas infinitamente variadas e que cada problema um pouco “novo”, cada alteração um pouco inesperada e imprevista dos acontecimentos – embora tal mudança só altere a linha fundamental do desenvolvimento em proporções mínimas e pelo prazo mais curto – dará sempre, inevitavelmente, origem a esta ou àquela variedade de revisionismo." (1)

(1) Marxismo e Revisionismo -16 de Abril de 1908

Edição; Página 1917

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

Mário Alves *

Otto Filgueiras**



As praias do Rio de Janeiro encheram-se de velas no dia 3l de dezembro de 1969. O sol rompeu forte no ano novo e avisou que até o calor seria de amargar. Às 20 horas do dia 14 de janeiro, Bruno Maranhão esperava na rua Brás de Pina, conforme o combinado. Lá adiante, avistou Mário Alves. O jornalista explicou que não comparecera ninguém no ponto dele às 18 horas. Mário faria parte da primeira turma a entrar no local da reunião e sabia do ponto de Bruno porque fora ele que passara a outro companheiro e estava ali para trocar opiniões sobre o desencontro. Bruno cismou, mas Vila ponderou que o pessoal deveria estar com dificuldade para arranjar o aparelho onde seria realizada a reunião do Comitê Central. Por medida de segurança saíram do local e caminharam trocando idéias sobre a prisão do militante na fuga do assalto no Souto Maior e posteriormente de alguns simpatizantes.

Eram necessárias medidas para estancar o problema e garantir a compartimentação da estrutura organizativa do partido. Mário Alves lembrou que havia a alternativa de pontos para os dois.

No outro dia, Bruno estava lá e nada dos companheiros chegarem. Mário Alves surgiu do meio do povo e disse mais uma vez que também não aparecera ninguém no ponto marcado com ele. A cisma no pernambucano aumentou. Ainda assim, o jornalista lembrou que ele tinha uma última alternativa, um ponto de recuperação que era acionado quando todos os outros furavam. Seria no outro dia, 16 de janeiro, e entregou a Bruno Maranhão um documento que denunciava aulas práticas de tortura numa prisão de Linhares, em Minas Gerais. A denúncia era muito importante e grave: os irmãos Pezzuti relatavam que um oficial das forças armadas norte-americanas estava ensinando a policiais brasileiros novos métodos de interrogatório em aulas práticas com tortura em prisioneiros políticos. Segundo Bruno Maranhão, o tal oficial foi identificado mais tarde como sendo Dan Mitrione, seqüestrado posteriormente pelos Tupamaros, no Uruguai. Na época, a ditadura militar uruguaia recusou-se a negociar com o grupo guerrilheiro e Dan Mitrione foi justiçado. Bruno ficou com a tarefa de encaminhar a denúncia a um companheiro que ia viajar à Paris para que fosse amplamente divulgada. Saíram caminhando e retomaram a conversa da noite anterior. Mário pediu para entrar numa lanchonete porque precisava beber leite, dieta para consolidar o tratamento da úlcera que tinha curado com a alimentação macrobiótica receitada por Dilma.

Conversaram mais algum tempo e Bruno combinou de reencontrar Mário Alves, dois dias depois, em 17 de janeiro. Despediram-se na estação de Cascadura.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Os Militares, a Política de Segurança e o Avanço da Repressão no Governo Burguês de Lula-Alckmin

Coletivo Cem Flores
08/01/2024

O aparato repressivo burguês contra os trabalhadores.


Para cumprir esse papel de gestor do capitalismo e dirigir o aparelho de estado da burguesia em pleno contexto de ofensiva de classe, o governo Lula-Alckmin precisa impedir a resistência e o avanço da luta proletária e trabalhadora. Isso é feito não apenas com a volta da política de cooptação de lideranças e movimentos (ideológica, e com cargos governamentais e recursos públicos), mas também mantendo e reforçando a enorme repressão estatal sobre as classes dominadas, alimentando ainda mais os altos níveis de violência do capitalismo no Brasil. Afinal, sem aprimorar continuamente os vários órgãos repressivos do estado, sem deixá-los prontos para intervir com violência a qualquer perturbação da “ordem” e dos negócios da burguesia, a ofensiva da burguesia não pode prosperar!

O aumento e o aprimoramento da repressão capitalista não são novidades nos governos do PT. Como já analisamos no nosso texto “Lula-Alckmin: de quem são amigos e de quem são inimigos? Essa é uma questão fundamental!”, de 26.9.2022, que integra nosso livro “Quem são os nossos inimigos? Quem são os nossos amigos? A conjuntura econômica e política brasileira e a posição comunista”, nos governos petistas anteriores, os avanços repressivos para manter a ordem burguesa em meio à miséria das massas foram vários: Lei “Antidrogas”, Lei “Antiterrorismo”, criação da força nacional, maior integração das forças repressivas, inúmeras operações de garantia da lei e da ordem (GLO) etc. Os resultados foram o aumento na quantidade de homicídios, principalmente contra pobres e pretos, e a triplicação da população carcerária no país, igualmente atingindo majoritariamente pretos e pobres. Também foi assim nos governos estaduais. Na Bahia, por exemplo, os governos do PT elevaram enormemente a letalidade policial. De 2015 a 2022, os assassinatos por policiais quadruplicaram no estado. Por meio de diversas chacinas, apoiadas explicitamente pelo então governador e atual ministro da casa civil, Rui Costa, a polícia baiana se tornou uma das mais letais do país.

O mesmo aconteceu no primeiro ano do governo burguês de Lula-Alckmin. Sua política de defesa e segurança, ou seja, a política voltada ao aparelho repressivo do estado burguês, é mais um elemento de consolidação da ofensiva burguesa, alinhada com as demais dimensões dessa ofensiva, nos âmbitos econômico, político e ideológico. Trata-se de uma verdadeira subordinação do governo às corporações militares, que mantêm inúmeras e claras relações com o bolsonarismo.

Ao consolidar esse quadro repressivo, portanto, Lula-Alckmin alimentam, na prática, a tendência autoritária e fascista em curso do país; deixando as portas abertas para a continuidade da interferência das corporações militares sobre o sistema político e o estado brasileiro.

O papel da resistência do proletariado, das massas exploradas e dos/as comunistas, nesta conjuntura, continua a ser o de revelar, denunciar e combater firmemente a escalada repressiva e autoritária que afeta diretamente suas vidas e sua luta.

domingo, 14 de janeiro de 2024

Alguns Aspectos da Crise Estrutural do Capitalismo

Sergio Moebus

Janeiro/2024



A crise estrutural do capital como a crise da produção, da absorção dos excedentes e a realização do valor.

O excesso de capitais acumulados, a economia ultraliberal para manter a mais valia e a taxa de lucro, gerando uma concorrência predatória entre os capitalistas e resultando em arrocho salarial, desemprego e privatização de empresas estratégicas.

Um grande exemplo de excedente de capitais são os investimentos bilionários feitos pela China em mais de 130 países, gerando uma incapacidade de pagamento das dividas por parte da maioria dos países e, uma dependência política desses países com relação a China.

Não existe solução para a crise global do capitalismo, nem solução keinesiana, não havendo portanto solução nacional para a crise.

Para Keynes, nas crises, o Estado deve intervir para garantir o emprego, seja em empresas estatais ou em obras públicas. Para isso seria necessária uma classe trabalhadora organizada em seus sindicatos e, uma burguesia com interesses minimamente nacionalistas, o que está longe de ser o nosso caso.

Os grandes capitalistas sempre repassam as consequências da crise para os trabalhadores e para o pequeno capital, modificando as relações capital-trabalho, como por exemplo a contrarreforma trabalhista no Brasil.

A crise se agravou em 2008 quando o governo Obama impôs uma política de administração da crise atacando seus efeitos segundo o interesse do grande capital em relação ao trabalho, do centro em relação à periferia e do grande capital em relação ao médio e pequeno capital.

Obama apostou na globalização e no multilateralismo.

Com a globalização e através de políticas ultraliberais e suas consequências para os trabalhadores,  especialmente nos países periféricos, o capital recupera as margens de lucratividade e, as corporações acumulam imensa massa capital/dinheiro, que impulsionam a financeirização da riqueza capitalista.

Num cenário de superprodução, sobreacumulação e subconsumo, a dinâmica capitalista não consegue operar a produção de valor, tendo a valorização uma forma fictícia.

As crises cíclicas do capitalismo passam a uma crise pandêmica, crônica e permanente.

Ao contrário das crises cíclicas, na crise estrutural o Estado perde sua capacidade de deslocar os efeitos negativos da crise, agravando o poder destrutivo do capital e, podo fim às ilusões socialdemocratas da "humanização do capitalismo".

A crise estrutural do sistema capitalista é a mais grave crise social da história da humanidade.

Desafios da classe operária:

- Resgate da crítica radical do sistema capitalista.

- Necessidade da organização de um partido Revolucionário.

- Necessidade de uma práxis revolucionária.

A bandeira histórica dos trabalhadores se impõe como condição de existência da própria humanidade.


Referências:

* Sobre a Crise Atual do Capital - Plínio de Arruda Sampaio Junior - Entrevista concedida a TV A Comuna.

* A crise Estrutural do Capitalismo - István Mészáros, por Cesar Henrique Maranhão - Universidade Federal da Paraíba.

* A crise estrutural do capital e sua fenomenologia histórica - Giovanni Alves - Blog da Boitempo.


Edição: Página 1917


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