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sexta-feira, 17 de novembro de 2023

Quando Jornais se Convertem em Partidos

Por Dênis de Moraes*

19/09/2020

A imprensa partidarizada a serviço do poder

Em memória de Carlos Nelson Coutinho, presente nos oito anos de ausência.


 

Nos estudos que realizo, há uma década, sobre Antonio Gramsci, a imprensa e o jornalismo, uma temática se insere entre aquelas de atualidade incontornável. O filósofo marxista italiano percebeu laços e conexões – sejam eles dissimulados, cinicamente encobertos ou mesmo assumidos – entre empresas jornalísticas (ou seja, a mídia de seu tempo: a imprensa escrita) e as esferas de poder, em distintas conjunturas históricas.

Neste texto, retomo algumas premissas e busco examinar a contribuição de Gramsci ao enquadramento de grupos empresariais que controlam os processos de produção e difusão informativas como verdadeiros partidos. Resultam daí abusivas interferências nos embates político-ideológicos e na conformação de linhas de força do imaginário coletivo, traduzidas em estratégias discursivas que se ajustam ao propósito de afirmação de valores e ideários alinhados à ordem do capital.

terça-feira, 14 de novembro de 2023

Os Jornais e os Operários*

Antonio Gramsci

12/1916




É a época da publicidade para as assinaturas. Os diretores e os administradores dos jornais burgueses arrumam as suas vitrines, passam uma mão de tinta pela tabuleta e chamam a atenção do passante (isto é, do leitor) para a sua mercadoria. A mercadoria é aquela folha de quatro ou seis páginas que todas as manhãs ou todas as tardes vai injetar no espírito do leitor os modos de sentir e de julgar os fatos da atualidade política que mais convém aos produtores e vendedores de papel impresso. Estamos dispostos a discorrer, com os operários especialmente, sobre a importância e a gravidade daquele ato aparentemente tão inocente que consiste em escolher o jornal que se pretende assinar?

sexta-feira, 10 de novembro de 2023

Milei e Massa Não São Iguais, mas Representam os Mesmos Interesses de Classe

Nota do Comitê Central do Partido Comunista Argentino (PCA)* sobre as eleições de 2023.


Onda de saques precedeu as eleições argentinas.


No domingo (22) ocorreram as eleições gerais em plena crise que atravessa o nosso país, com uma inflação mensal de 12% e uma inflação anual de 138%; mais de 20 milhões de argentinos em situação de pobreza, quase 60% de crianças pobres, ou seja, 6 em cada 10 crianças vivem na pobreza, e com 10% da nossa população em situação de extrema pobreza; com o aprofundamento do plano de ajuste levado a cabo pelo governo nacional de Alberto Fernández, Cristina Kirchner e Sergio Massa, através da criação de um novo dólar e da corrida cambial, que se traduziu em especulação financeira e no aumento da inflação; aumento no preço dos combustíveis e das necessidades básicas; etc.

Como nós do Partido Comunista Argentino já vínhamos denunciando desde o anúncio das candidaturas, o período eleitoral foi marcado por uma agenda de extrema direita, alinhada ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e aos organismos financeiros. A Embaixada dos Estados Unidos colocou “um ovo em cada cesta”, já que tanto Javier Milei, Sergio Massa ou Patricia Bullrich são personagens alinhados aos interesses monopolistas e pretendem claramente continuar apoiando o modo de produção capitalista.

As Crianças de Gaza

Patrick Howlett-Martin

10.11.23

"Por que é que as crianças também devem sofrer? Dir-se-á que elas carregam na carne os pecados dos seus pais e, portanto, são cúmplices? Alguns podem  gracejar dizendo que a criança vai crescer e pecar por sua vez, quando chegar a hora. Mas este menino de 8 anos não teve a possibilidade de crescer;  foi dilacerado por cães. Nenhuma quantidade de harmonia futura redimirá uma única lágrima derramada por esta criança mártir. Se as lágrimas das crianças são necessárias para aperfeiçoar a quantidade de sofrimento que serve de resgate para a verdade, afirmo categoricamente que não merece ser pago tal preço."

– Dostoievski, Os Irmãos Karamazov

A Faixa de Gaza foi alvo de quatro ataques israelitas desde 2009: em 2009, 2012, 2014 e 2021. Desde 2000, as forças armadas israelitas mataram 7 759 palestinos em Gaza, incluindo 1 741 crianças e 572 mulheres, de acordo com a organização humanitária israelita B'Tselem. Nesta quinta ofensiva militar israelita desde 09 de outubro de 2023, em retaliação pela morte de 1 400 israelitas, a grande maioria civis, e pelo rapto de 200 reféns, dos quais 30 crianças, por elementos armados do Hamas a partir de Gaza, morreram mais de 7 028 pessoas, incluindo 2 913 crianças e 1 709 mulheres, sob 7 000 bombas de Israel (até 26 de outubro) [Edição Página 1917: dados atualizados em 10/11 registram um total de 11 mil palestinos mortos pelos ataques israelenses.]


Em apenas 18 dias, os bombardeamentos israelitas mataram mais crianças palestinas em Gaza do que nos últimos 23 anos. Os hospitais de Gaza relataram 18 484 feridos. Quando irá acabar essa contabilidade macabra? As crianças israelitas e palestinas são responsáveis pela atual situação na Palestina? Como é que as crianças palestinianas podem ser responsáveis pela intervenção militar levada a cabo pelo braço armado do Hamas, que é brandido pelas autoridades israelitas para justificar a destruição de Gaza? Com que finalidade estas crianças estão a ser mortas? A morte de crianças palestinas em anteriores bombardeamentos e ataques israelitas em Gaza, contribuiu, de alguma forma, para preservar a segurança do Estado israelita?

Otto Ohlendorf, um dos líderes dos Einsatzgruppen [esquadrões da morte nazis], admitiu durante os Julgamentos de Nuremberga ter executado 90 000 pessoas na Ucrânia, incluindo judeus e comunistas, sem qualquer necessidade militar, não poupando crianças por medo de que elas se vingassem quando crescessem. Justificando a execução das crianças, Ohlendorf afirmou:

"Acredito que é muito fácil explicar se partirmos do fato de que essa ordem não estava apenas a tentar garantir segurança temporária, mas segurança permanente. Por essa razão, essas crianças cresceriam e, com os seus pais mortos, certamente representariam um perigo tão significativo como os seus pais" ("Die jüdischen Kinder von heute unsere Gegner von morgen seien")

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