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quarta-feira, 31 de maio de 2023

Liberdade para Lina!

Anti-fascistas condenados à prisão na Alemanha 

Foto: Sebastian Willnow

Lina, uma jovem de 28 anos, foi condenada a cinco anos e três meses de prisão por fundar uma organização de auto-defesa contra os bandos nazistas que infestam a Alemanha. No mesmo processso, outros três militantes foram sentenciados a três anos de prisão cada um. O grupo foi responsabilizado por uma série de ataques, entre 2018 e 2019, contra neonazistas nos estados da Turíngia e Saxônia que resultaram em 13 feridos. 

Dezenas de pessoas que assistiam ao julgamento protestaram no interior do tribunal aplaudindo Lina e exibindo mensagens como "Libertem todos os Antifascistas". Do lado de fora centenas de populares protestaram contra a condenção, acusando o tribunal de parcialidade e de fazer um julgamento político, além de protegerem os criminosos nazifascistas.

Os políticos burgueses do Partido Liberal-Democrático e os Sociais-Democratas apoiaram a condenação, com o argumento cínico de que "não existe espaço para justiceiros na democracia", enquanto fazem vista grossa para os crimes cometidos pelos bandos nazistas. Esses hipócritas não abrem mão de contar com o fascismo e suas bestas-fera para usá-los em caso de necessidade, ou seja, contra insurreições populares que de alguma forma ameacem o capitalismo.

Por sua vez, a mídia burguesa alemã comparou a organizção de Lina com as primeiras ações do antigo grupo guerrilheiro Fração do Exército Vermelho (RAF, sigla para Rote Armee Fraktion), também conhecido como a Gangue Baader-Meinhof, responsável por vários atentados terroristas na Alemanha entre 1970 e 1980.

Ativistas de esquerda convocaram a realização de protestos em Dresden e Leipzig para o próximo sábado, eles afirmam que Lina e seus companheiros foram transformados em bodes expiatórios e pintados falsamente como terroristas de esquerda tanto pela mídia quanto pelos governantes alemães.








domingo, 28 de maio de 2023

A “Plataforma Mundial Anti-Imperialista” — oportunistas em trajes “anti-imperialistas”

Em Defesa do Comunismo*

11/05/2023

Na Primeira Guerra Mundial imperialista, a separação organizacional dos comunistas dos social-chauvinistas foi o pré-requisito essencial para poder travar a luta contra a guerra e o domínio do capital. Hoje enfrentamos uma situação semelhante internacionalmente.

A Quinta-coluna e seus disfarces.

A “Plataforma Mundial Anti-Imperialista” — oportunistas em trajes “anti-imperialistas”

Alguns partidos que se autodenominam comunistas acreditam que se deve ficar do lado de uma das facções concorrentes na guerra.

6 de maio de 2023 — Comissão Internacional da Organização Comunista (KO – Alemanha). Publicado em https://kommunistische.org/internationalismus/die-world-anti-imperialist-platform-opportunisten-im-antiimperialistischen-gewand/.

A eclosão da guerra na Ucrânia expôs implacavelmente a falta de consenso dentro do movimento comunista internacional. Por um lado, alguns partidos que se autodenominam comunistas acreditam que se deve ficar do lado de uma das facções concorrentes na guerra. Por exemplo, o Partido Comunista Espanhol (PCE) está atualmente envolvido como parte da coalizão Esquerda Unida (IU) no governo da Espanha - um governo envolvido na guerra na Ucrânia e que enviu uma grande quantidade de armamento para a Ucrânia. Por outro lado, existe toda uma gama de partidos que apoiam a invasão russa da Ucrânia e assumem a propaganda do Estado russo (por exemplo, a alegada "desnazificação" da Ucrânia) para justificar a guerra.

Esta posição de social-chauvinismo e oportunismo não é nova - é a mesma já apresentada pelos oportunistas da Segunda Internacional durante a Primeira Guerra Mundial.

Isso se opõe à posição da corrente leninista do movimento comunista mundial: a classe trabalhadora deve desenvolver sua própria ação independente e a tarefa dos comunistas é construir seu próprio partido.

A parte dos partidos oportunistas que se aliam à China e à Rússia nos conflitos imperialistas globais encontra agora uma expressão organizativa a nível internacional: a chamada Plataforma Mundial Anti-Imperialista (PMAI) [1], uma rede em que várias organizações se uniram pela primeira vez em Paris em maio passado e pintaram um quadro muito heterogêneo: uma multidão de partidos e organizações que cobrem um amplo espectro do “comunista” ao “nacional-patriótico”. Existem partidos que também se organizam no Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários (EIPCO) [2] , como o PC do Líbano, ou o Partido Comunista dos Trabalhadores da Rússia, que se recusou a assinar a declaração conjunta condenando a guerra interimperialista já em fevereiro de 2022. Existem organizações abertamente nacionalistas, como a Vanguardia Española da Espanha e a Vanguardia Venezolana da Venezuela – e também há partidos abertamente social-democratas, como o PSUV, partido do governo venezuelano.

Nem todas as partes que participaram ou já participaram das reuniões estão entre os signatários da primeira convocação e não está claro quantos fazem parte da plataforma e com que nível de engajamento. No entanto, o objetivo das organizações reformistas não é criar estruturas estáveis ​​e centralizadas, ou seja, estruturas com unidade ideológica e eficácia na ação. Essas conexões frouxas, nas quais várias organizações podem ser incorporadas e desmembradas sem cumprir critérios reconhecíveis, têm sua respectiva função para pequenas e grandes organizações: servem como vitrines para as pequenas organizações, aumentando assim sua visibilidade, que de outra forma é bastante limitada. As organizações maiores prometem expandir seu raio de influência e usar a situação para fazerem-se de palestrantes. Mais geralmente, porém, sua função é também injetar ideias e perspectivas burguesas no campo revolucionário, criar confusão, distorcer a realidade e difamar as organizações revolucionárias. De qualquer forma, seria um erro subestimar a importância da PMAI: é uma parte bastante relevante do movimento comunista mundial que participa desse contexto.

Tudo isso é feito em nome do "anti-imperialismo". Mas como esses partidos realmente definem o imperialismo e a luta contra ele?

No ponto 6 da Declaração de Paris da PMAI [3], fala-se da "superexploração e pilhagem do mundo" e da "escravização dos países em termos militares, diplomáticos e políticos da dívida" como características de um país imperialista. Além disso, quaisquer focos de crises e guerras no planeta são interpretados como resultado da tentativa dos EUA de manter sua hegemonia global (ponto 1). De acordo com a PMAI, essa política é diretamente contrariada pela China e pela Rússia, que dão às nações menores a oportunidade de recuperar sua “soberania nacional” por meio de suas políticas comerciais e ajuda militar. É exatamente por isso que esses estados e seus aliados são alvo da agressão imperialista ocidental, já que a OTAN não poderia aceitar que esses países se libertassem da escravidão imperialista. A conclusão da PMAI, que perpassa todas as suas declarações: o confinamento à luta contra a OTAN, a negação do caráter imperialista da Rússia e da China, a justificação e o apoio à sua política externa, incluindo a guerra liderada pelos russos na Ucrânia.

Não é por acaso que partidos e organizações que convocam as classes trabalhadoras de seus países a se reunirem sob a bandeira de Estados burgueses também adotam posições oportunistas de direita em outras áreas. Em sua análise do imperialismo, eles separam a categoriade sua base econômica e tentam caracterizar os interesses dos monopólios russo, chinês etc. como “promotores da paz” ou “não agressivos”. Eles negam as análises fundamentais de Lênin, segundo as quais o monopólio, não importa onde governe, ultrapassa as fronteiras nacionais em seu desejo de lucros extras e determina a política de seu estado. Enquanto a PMAI considera em suas declarações a supremacia econômica dos EUA como um dos pontos de partida para a escravização do mundo, ela apoia a expansão econômica e militar da Rússia e da China sem querer reconhecer a formação de novas dependências para outros países menores. Alimenta-se a ilusão de um possível capitalismo pacífico, segundo o qual seria possível, sem os agressores ocidentais, ter um sistema econômico justo em que os Estados burgueses agissem “em pé de igualdade” uns com os outros e não mais interferissem nos assuntos nacionais dos outros estados.

O conceito de imperialismo da PMAI não tem nada a ver com o de Lênin. Para Lênin, o imperialismo é uma fase de desenvolvimento do capitalismo, o capitalismo monopolista, em que a competição se transforma em guerra entre monopólios pela divisão do planeta, e em que o desenvolvimento desigual leva a um constante questionamento do equilíbrio de poder. Países mais fracos lutam para subir na hierarquia, países mais fortes travam guerras para manter sua supremacia. De forma totalmente arbitrária e não científica, a PMAI pensa que pode fazer uma divisão rígida entre países mais fracos e países mais fortes, sendo chamados apenas os países mais fortes econômica e militarmente de imperialistas. A consequência prática disso é apoiar os capitalistas mais fracos em sua luta para escalar a hierarquia global.

Deve-se, portanto, não apenas apoiar governos reacionários e anticomunistas como os do Irã, da Rússia ou do Cazaquistão, mas também pode-se colocar ao lado daqueles que até recentemente foram e ainda são aliados próximos do mesmo imperialismo ocidental contra o qual lutamos, como a Arábia Saudita, que nos últimos meses vem provando que pode ser mais do que apenas um "estado vassalo". Ou pode-se até sentir simpatia por alguns representantes da burguesia nos próprios países ocidentais, inclusive os mais reacionários. Se de fato são o Partido Democrata nos Estados Unidos e os liberais ao redor do mundo que muitas vezes abraçam as tendências mais expansionistas e agressivas do imperialismo ocidental, então seus rivais eleitorais podem ser retratados objetivamente como aliados do campo anti-imperialista. É por isso que Marco Rizzo, líder do revisionista “Partido Comunista” na Itália, escreve no Facebook [4] que Donald Trump é uma figura “anti-establishment”, enquanto o Partido Comunista dos Trabalhadores da Rússia não vê nenhum problema em oferecer um fórum em seu site para um representante do chamado “Comunismo do Make America Great Again” [5], ou seja, um apoiador de Trump dos EUA.

quinta-feira, 25 de maio de 2023

O Capitalismo e o Parlamento

Neste artigo, Lenin esclarece didaticamente o papel do parlamento no capitalismo. A lição do mestre continua válida, que o digam as recentes "transações" no parlamento brasileiro por ocasião da votação do arcabouço fiscal enviado pelo governo Lula.


Lenin

17 de junho de 1912

Os fatos da democracia não devem fazer-nos perder a vista da circunstância, frequentemente negligenciada pelos democratas burgueses, que nos países capitalistas as instituições representativas inevitavelmente cedem lugar para formas específicas aonde o capital exerce sua influência sobre o poder estatal. Nós não temos um parlamento, mas não há fim para o cretinismo parlamentar entre os liberais e licença parlamentar entre os seus cúmplices burgueses.

Os trabalhadores devem instruir-se com esta verdade se quiserem aprender a usar as instituições representativas para promover a conscientização política, unidade, atividade e eficiência da classe trabalhadora. Todas as forças sociais hostis ao proletariado — os burocratas, os latifundiários e capitalistas — já estão utilizando as instituições representativas contra os trabalhadores. E devem saber como eles vêm fazendo isto se quiserem aprender como manter os interesses independentes da classe operária e seu livre desenvolvimento.

A Terceira Duma¹ decidiu recompensar aqueles que manufaturavam máquinas. Quem são estes que trazem estes produtores?

Mas depois de um exame, nós vemos que os capitalistas estrangeiros estão transferindo suas fábricas para a Rússia. Os impostos são altos e os lucros imensos, então o capital estrangeiro move-se para o interior da Rússia. Enquanto isto, um truste dos Estados Unidos da América - uma corporação de capitalistas milionários - construiu uma grande fábrica de máquinas e ferramentas agrícolas em Lyubertsi, próximo à Moscou. Em Kharkov, máquinas para as fazendas são feitas pelo capitalista Melhose e em Berdyansk pelo capitalista John Grieves. Esses produtores são bastante "verdadeiramente russos", uma variedade nacional, não são?

Mas, obviamente, a menos que eles tenham auxiliado de algum modo os capitalistas russos, nunca lhes teria sido permitido operar na Rússia. "Uma mão lava a outra". Estadunidenses, ingleses e alemães, juntam avidamente lucros com o auxílio de capitalistas russos, que detém para si um grande bocado desta partilha. Pegue por exemplo os campos de mineração de Lena, e a iniciativa nos Urais. Quantos milhões de estrangeiros e russos tem partilhado entre si seus frutos?

A Duma é muito utilizada pelos industriais neste sentido. Ambos, na Duma e no Conselho de Estado, os capitalistas têm um bom número de representantes. Os latifundiários também, nos dias de hoje, acrescem seu capital com juros estrangeiros. Para ambos, proprietários de terra e industriais, a Duma é um maquinário pronto de aprovação de leis e privilégios (a serem entregues para eles próprios), impostos protecionistas (outro mecanismo de promoção de benesses em proveito próprio), concessões (a terceira forma de legislarem em causa própria) e deste modo em diante, sem limites.

O "Cético", um panfleto liberal no liberal Rech, teceu alguns comentários muito apropriados referentes a esta temática. Ele escreve sentimentalmente contra os "nacionalistas" (que premiam-se com privilégios para estimular a indústria "nacional" de Messrs, Grieves, Melhose, Elworthy e outras companhias), e eu, de certa maneira, me infectei com este "ceticismo".

Sim, o "Cético" liberal não fez um mal trabalho ao expor os "nacionalistas". Mas por que ele não diz nada sobre os Cadetes? Quando Golovin, para exemplificarmos, estava perseguindo uma concessão, não era sua posição de membro da Duma, ou a presidência do Parlamento que se colocavam como o fim de uma lucrativa busca?

Quando Maklakov estava salivando por suas taxas de "Tagiyev", não foi sua posição como membro da Duma que facilitou a obtenção dos lucrativos casos?

E quando numerosos outros senhores feudais, mercadores, capitalistas, especuladores, advogados e corretores que estenderam seus negócios promovidos pelas suas "ligações" e os colocaram através destas ocupações, graças à posições como membros do Parlamento, com os privilégios e vantagens que a posição proporciona?

E se uma pergunta fosse feita sobre as transações financeiras executadas por parlamentares ou tendo por alvo, membros do Parlamento?

Mas não - em todas as nações capitalistas medidas foram tomadas para assegurar o sigilo e garantir que nem um único "parlamentar" permita tal indagação.

Entretanto, representantes do proletariado sabem indubitavelmente como lidar com este assunto; e se procurarem, observando ao seu redor, irão obter informações adicionais, coletar arquivos, procurar em arquivos de jornais e indagar sobre as transações comerciais firmadas por membros do Parlamento ou com a ajuda de seus integrantes.

Nos parlamentos europeus, estas transações são bem conhecidas, e os trabalhadores constantemente às expõe, nomeando os envolvidos, esclarecendo, assim, o povo.



(1) Parlamento do período final do império russo.

Edição: Página 1917




quarta-feira, 24 de maio de 2023

As Coisas pelo seu nome: Sobre a tentativa de assalto contra o PCV

Partido Counista do México (PCM)

A história do movimento comunista internacional tem um grande número de divisões. Em alguns casos, essas divisões são causadas por diferenças irreconciliáveis ​​em termos de princípios, ideologia e estratégia. Em outros casos, as razões estão em diferenças menores, até mesmo interesses pessoais ou de grupo. Algumas dessas divisões foram necessárias, como foi o caso do POSDR entre bolcheviques e mencheviques. Em outros casos, foram erros graves. Em cada caso, o desenvolvimento histórico se encarregou de colocar cada um em seu lugar, mostrando a justiça ou o erro dessas divisões. Nesses casos, os partidos de outros países se deparam com o dilema de determinar sua posição a esse respeito, de acordo com sua política, princípios e estratégia.




NÃO é isso que acontece na Venezuela. Na Venezuela não há divisão do PCV, mas uma farsa organizada pelo governo venezuelano de Nicolás Maduro e a liderança do PSUV, particularmente a intervenção aberta de Diosdado Cabello e Jesús Farías Tortosa. Como o PCV demonstrou com provas em mãos, e como mostram as próprias redes sociais do "Movimento Nacional PCV Patriótico", trata-se de funcionários do governo venezuelano e militantes ativos do PSUV, que exigem abertamente a intervenção no PCV, para despojá-lo de seus direitos político-eleitorais e usurpar seu nome. Proibir o PCV de exercer seus direitos político-eleitorais tem nome: ILEGALIZAÇÃO.

A manobra foi denunciada a tempo pelo PCV e demonstrada com fatos. Há um precedente de outros partidos antiimperialistas que sofreram intervenção nos últimos anos, como o PPT e os Tupamaros. Pode haver diferenças sobre a caracterização do atual governo da Venezuela; mas, por princípio, não se pode calar diante da tentativa de um Estado capitalista de proibir os direitos políticos de um Partido Comunista e usurpá-lo. Não fazer nada, sabendo da farsa óbvia, seria CUMPLICIDADE. Defender e justificar esta intervenção contra o PCV seria TRAIR O INTERNACIONALISMO PROLETÁRIO, e não haverá razão “tática” ou “geopolítica”  que permita lavar essa mancha. A classe trabalhadora do mundo julgará a decisão que cada partido tomar a esse respeito.

Ainda é tempo de agir. A solidariedade dos Partidos Comunistas e dos Trabalhadores pode ajudar a inviabilizar esta tentativa contra o PCV. Por princípio, defendamos o Partido Comunista da Venezuela.

Proletários de todos os países, uni-vos.

Edição: Página 1917

Fonte: http://www.solidnet.org/article/CP-of-Mexico-Las-cosas-por-su-nombre-Sobre-el-intento-de-asalto-contra-el-PCV/




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