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sábado, 1 de abril de 2023

Sobre o Primeiro Ano da Guerra Imperialista na Ucrânia

DECLARAÇÃO CONJUNTA DOS PARTIDOS COMUNISTAS E OPERÁRIOS

31/03/2023

É necessário reforçar a luta contra os monopólios e as classes burguesas, pela derrubada do capitalismo, pelo fortalecimento da luta de classes contra a guerra imperialista e pelo socialismo!




Um ano se passou desde o início do conflito imperialista na Ucrânia, que é uma das consequências do  derrubada  do socialismo e da dissolução da União Soviética e a trágica situação para os povos daí decorrente. Os povos dos dois países, Ucrânia e Rússia, que viveram em paz e prosperaram juntos como repúblicas soviéticas  da URSS, têm derramado o seu sangue há nove anos, culminando no massacre do ano passado. Isto deve-se  aos planos dos EUA, da OTAN e da UE, no contexto da feroz competição dessas potências com a Rússia capitalista pelo controle dos mercados, matérias-primas, redes de transporte e pilares geopolíticos na região da Eurásia.

Os Partidos Comunistas e Operários expressam a sua solidariedade para com os povos da Ucrânia e da Rússia, que estão a pagar com o seu sangue o conflito imperialista. Mostramos e continuamos a mostrar aos povos que os acontecimentos na Ucrânia estão a ocorrer no âmbito do capitalismo monopolista, rejeitando os falsos pretextos utilizados por ambos os lados do conflito.

Nos opomos a ação das forças fascistas e nacionalistas, ao anticomunismo, à perseguição aos comunistas e à perseguição sindical, que se intensificaram no primeiro ano da guerra imperialista em ambos os países.

Saudamos as ações que foram realizadas este ano por uma série de PC's, que mobilizaram as massas contra a guerra imperialista através de declarações, eventos de massas, comícios, manifestações junto das bases militares da OTAN e dos EUA, em portos, ferrovias e rodovias contra o envio de novas armas para o matadouro da guerra imperialista. Fazemos um chamado aos partidos irmãos para que se unam a este necessário trabalho esclarecedor e prático.

Insistimos uma vez mais que os povos não têm interesse em ficar do lado de um ou de outro bloco imperialista, de uma ou outra aliança a serviço dos interesses dos monopólios.

Chamamos aos povos dos países envolvidos na guerra para que fortaleçam a sua luta contra a propaganda das forças burguesas que empurram os povos para o "moedor de carne" da guerra imperialista sob diversos pretextos. Exigimos que as bases militares sejam fechadas e que todas as tropas em missões no exterior regressem aos seus países, que se intensifique a luta pela  retirada dos seus países das organizações e alianças imperialistas como a OTAN e a UE.

O interesse da classe operária e das camadas populares exige que o critério de classe seja fortalecido ao analisar os acontecimentos, para que os povos levantem uma frente comum contra o campo dos imperialistas, que estão a colidir com os  seus interesses, causando enormes perdas humanas, extensos danos materiais e expondo toda a humanidade ao perigo real da aniquilação nuclear.

Os trabalhadores devem traçar o seu próprio caminho independente e fortalecer a luta de classes contra os monopólios, a burguesia e a guerra imperialista, pela derrubada do capitalismo, pelo socialismo, que segue tão relevante e necessário como sempre e mostra o caminho para a paz, a amizade e a cooperação mútua entre os povos.

Partidos Comunistas e Operários que assinam a Declaração Conjunta

PADS, Argélia

Partido Comunista Argentino

Partido do Trabalho da Áustria

Partido Comunista do Azerbaijão

Partido Comunista da Bélgica

Partido Comunista do Canadá

Partido Comunista da Dinamarca

Partido Comunista de El Salvador

Partido Comunista Revolucionário da França (PCRF)

Partido Revolucionário COMUNISTAS (França)

Partido Comunista dos Trabalhadores - Pela Paz e Socialismo (Finlândia)

Organização Comunista, Alemanha

Partido Comunista da Grécia

Partido Tudeh do Irã

Partido Comunista do Curdistão-Iraque

Partido dos Trabalhadores da Irlanda

Frente Comunista (Itália)

Movimento Socialista do Cazaquistão

Partido Comunista de Malta

Partido Comunista do México

Novo Partido Comunista da Holanda

Partido Comunista da Noruega

Partido Comunista do Paquistão

Partido Comunista Palestino

Partido Comunista Paraguaio

Partido Comunista Filipino (PKP-1930)

Partido Comunista da Polônia

Partido Comunista dos Trabalhadores da Espanha

JVP Sri Lanka

Partido Comunista Sudanês

Partido Comunista da Suazilândia

Partido Comunista da Suécia

Partido Comunista Suíço

Partido Comunista Sírio

Partido Comunista da Turquia

União dos Comunistas da Ucrânia

Plataforma dos Trabalhadores Comunistas dos EUA (CWPUSA)

O Conselho Americano de Bolcheviques

Partido Comunista da Venezuela


Edição: Página 1917

Fonte: https://inter.kke.gr/es/articles/Sobre-el-primer-ano-de-la-guerra-imperialista-en-Ucrania/



segunda-feira, 27 de março de 2023

A Democracia não Fracassou, ela Simplesmente Já não Existe

O artigo de Mateus Rosa, que reproduzimos abaixo, nos permite ver até onde chegou a decadência do regime político esclerosado, a dita "democracia" burguesa, predominante na Europa. Como bem definiu Lenin, esse regime não passa de uma farsa, nada tem de democrático, na realidade, por trás das aparências, se trata de uma ditadura do capital.


Mateus D. Rosa*

02/02/2023

A raiva sobre as revelações do "Qatargate" foi surpreendente, dado que a corrupção na UE é endêmica. O que pode ter tornado este caso diferente é que todas as pessoas ligadas a ele estão entre os supostos "mocinhos" da classe política europeia: os sociais-democratas, o secretário-geral da Confederação Europeia dos Sindicatos (CES) e chefes de duas ONGs humanitárias: “Luta Contra a Impunidade” (Fight Impunity) e “Não haverá paz sem justiça" (No Peace Without Justice) - nomen est omen - ambos repletos de atuais e antigos "bons" parlamentares e funcionários públicos da UE. Ontem foi retirada a imunidade a dois outros parlamentares social-democratas da UE que a polícia queria apanhar. Aparentemente, um dos réus está disposto a incriminar outros "bons" parlamentares da UE em um acordo judicial. O Qatargate revelou até que ponto a podridão na democracia liberal europeia se espalhou.



Curiosamente, a corrupção ainda é vista na Europa como uma aberração maligna, e não como elemento determinante de sua política, o que é. Na operação de limitação de danos realizada pela UE e pela grande mídia após o Qatargate, eles falam, como sempre, sobre ovelhas negras. No entanto, ninguém faz a pergunta mais básica: de que cor é o rebanho?

O que também é incomum neste caso é que alguns dos envolvidos podem ser processados. Isso não se deve ao baixo nível de tolerância à corrupção nas instituições da UE ou nos governos europeus. O magistrado belga que lidera a investigação já está a ser apresentado como um herói - candidato a uma série da Netflix - o lobo solitário que luta pela justiça e pela democracia europeias, que é o que a UE afirma estar a fazer. O próprio escritório antifraude da UE, o OLAF, com seu orçamento anual de 61 milhões de euros, é apenas mais uma das instituições de fumaça e espelho da hipocrisia da UE.

O fato de o Qatargate estar agora em domínio público pode oferecer conforto para alguns, mas a corrupção continua a determinar a política na Europa. O Qatargate foi de uma magnitude tão pequena que nem pode ser considerada a ponta de um iceberg. Todo grande evento oferece novos campos de ganhos verdadeiramente massivos para a classe política, como é o caso da Covid, da Ucrânia e da crise climática. Enquanto os ativistas climáticos ingenuamente exigem que os governos “seguirem a ciência”, a classe política europeia tem um objetivo diferente: “Seguir o dinheiro”.

domingo, 26 de março de 2023

sexta-feira, 24 de março de 2023

Sangue e Lágrimas para os Povos e Lucros para o Capital

Um Ano da Guerra Imperialista na Ucrânia

Eliseos Vagenas

Membro do Comitê Central do KKE -  Chefe da Seção de Relações Internacionais

(fevereiro/2023)

O Partido Comunista da Grécia (KKE) se mantém firme na vanguarda da luta contra a guerra imperialista


                                                                                              

                                                                          

Doze dias antes de Vladimir Putin anunciar a “operação militar especial”, como denominou a invasão militar russa dos territórios ucranianos, o Rizospastis comentou as declarações do diplomata americano Kurt Volker, que afirmou que “a Rússia pode chegar a anexar um terço da Ucrânia”, estimando que a Ucrânia poderia perder sua saída para o Mar de Azov e que um corredor terrestre poderia ser formado ligando a Federação Russa à Crimeia.

Na época, uma de nossas observações foi que “não sabemos se tais declarações do diplomata americano indicaram quais serão as novas fronteiras ucranianas, se se trata de uma proposta de acordo dos EUA com a Rússia acerca da partição da Ucrânia – exigindo contrapartidas – ou apenas uma forma de pressionar a atual liderança ucraniana. O que sabemos, no entanto, é que geralmente as fronteiras não mudam sem que haja derramamento de sangue e que o papel de nosso país nesses acontecimentos é de grande importância para nosso povo”. (1)

Hoje, um ano após o início do conflito que está devastando os povos da Ucrânia e da Rússia, testemunhamos dezenas de milhares (ou, segundo outras estimativas, centenas de milhares) de mortos e feridos, bem como a destruição total de dezenas de cidades e vilas. A fronteira entre Rússia e Ucrânia efetivamente mudou durante as batalhas, visto que a Rússia passou a controlar, além da maior parte da região de Donbass (60% de Donetsk e 95% de Lugansk), as regiões de Kherson (75%) e Zaporozhye (80%). Todas essas regiões foram anexadas ao território russo por meio de decretos presidenciais de Putin, a despeito de suas declarações iniciais de que o objetivo da “operação militar especial” não era conquistar o território ucraniano. Ao todo, os territórios ucranianos atualmente sob controle militar russo representam 18% da Ucrânia (em comparação a 27% em março de 2022).

De fato, a “profecia” do diplomata americano se cumpriu quando a Rússia bloqueou a saída da Ucrânia para o Mar de Azov e criou um corredor terrestre ligando seus territórios à Crimeia, formalmente anexada à Federação Russa em 2014.

Em 3 de fevereiro de 2023, o ex-presidente da Federação Russa e atual vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia Dmitry Medvedev comentou em tom de comemoração que “a economia ucraniana está se deteriorando rapidamente”. Isso se deve ao fato de que a Ucrânia já perdeu mais de 40% de sua capacidade industrial a nível nacional e cerca de 15% de seu PIB pré-guerra, além do acesso a mais de US$ 12 trilhões em matérias-primas, incluindo 63% de suas reservas de carvão e 42% de suas reservas de metais. (2)

Quem ganhou e quem perdeu?

Tal representante do capital russo mostra-se ávido diante do fato de que a Rússia capitalista, sob o pretexto do antifascismo e a ameaça de perseguir toda e qualquer voz de oposição no país, conquistou e controla integralmente o Mar de Azov, assim como milhares de quilômetros quadrados de terras férteis, recursos minerais e infraestrutura industrial que pertenciam à Ucrânia. Além disso, milhões de trabalhadores estão à disposição dos monopólios russos.

Outros se mostram igualmente ávidos:

Os EUA, visto que os monopólios americanos do setor energético passarão a fornecer à Europa gás natural liquefeito a preços caríssimos. Os EUA receberam ainda a oportunidade de “reagrupar” e fortalecer o “vespeiro” da OTAN, que vinha enfrentando problemas de coesão até então.

A União Europeia, que encontrou mais uma justificativa para promover sua “estratégia de crescimento verde”, com a qual lucram os monopólios europeus do setor energético – tanto os das fontes ”alternativas” (painéis solares, turbinas eólicas, etc) quanto os das fontes tradicionais – e outros setores do capital, como os armadores gregos, que fizeram fortuna em um ano de guerra.

Os capitalistas de China, Índia, Brasil e outros países, que encontraram uma forma de importar matérias-primas da Rússia, sobretudo petróleo, por metade do preço, lucrando com a diferença no mercado internacional.

As monarquias do Golfo, que expandiram sua “clientela”, e a burguesia da Turquia, que atua como “mediadora” e “polo” de interesses e mercadorias de ambos os lados.

Todos os Estados capitalistas que dispõem de uma indústria bélica desenvolvida (EUA, Rússia, China, França, Alemanha, Turquia, Irã, etc) que produz e testa novas máquinas mortíferas nos campos de batalha, lucrando com o comércio da morte.

A burguesia da Ucrânia, que blindou ainda mais seu poder. Por um lado, estreitou os vínculos entre seus interesses e os interesses de outras potências capitalistas do bloco euro-atlântico. Por outro lado, fomentou um clima de “união” nacional, recorrendo, em nome do “patriotismo”, da defesa da integridade territorial do país e da retomada de territórios, ao anticomunismo, ao chauvinismo, à apologia histórica aos colaboracionistas na ocupação nazista da Ucrânia, etc.

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