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domingo, 26 de março de 2023

sexta-feira, 24 de março de 2023

Sangue e Lágrimas para os Povos e Lucros para o Capital

Um Ano da Guerra Imperialista na Ucrânia

Eliseos Vagenas

Membro do Comitê Central do KKE -  Chefe da Seção de Relações Internacionais

(fevereiro/2023)

O Partido Comunista da Grécia (KKE) se mantém firme na vanguarda da luta contra a guerra imperialista


                                                                                              

                                                                          

Doze dias antes de Vladimir Putin anunciar a “operação militar especial”, como denominou a invasão militar russa dos territórios ucranianos, o Rizospastis comentou as declarações do diplomata americano Kurt Volker, que afirmou que “a Rússia pode chegar a anexar um terço da Ucrânia”, estimando que a Ucrânia poderia perder sua saída para o Mar de Azov e que um corredor terrestre poderia ser formado ligando a Federação Russa à Crimeia.

Na época, uma de nossas observações foi que “não sabemos se tais declarações do diplomata americano indicaram quais serão as novas fronteiras ucranianas, se se trata de uma proposta de acordo dos EUA com a Rússia acerca da partição da Ucrânia – exigindo contrapartidas – ou apenas uma forma de pressionar a atual liderança ucraniana. O que sabemos, no entanto, é que geralmente as fronteiras não mudam sem que haja derramamento de sangue e que o papel de nosso país nesses acontecimentos é de grande importância para nosso povo”. (1)

Hoje, um ano após o início do conflito que está devastando os povos da Ucrânia e da Rússia, testemunhamos dezenas de milhares (ou, segundo outras estimativas, centenas de milhares) de mortos e feridos, bem como a destruição total de dezenas de cidades e vilas. A fronteira entre Rússia e Ucrânia efetivamente mudou durante as batalhas, visto que a Rússia passou a controlar, além da maior parte da região de Donbass (60% de Donetsk e 95% de Lugansk), as regiões de Kherson (75%) e Zaporozhye (80%). Todas essas regiões foram anexadas ao território russo por meio de decretos presidenciais de Putin, a despeito de suas declarações iniciais de que o objetivo da “operação militar especial” não era conquistar o território ucraniano. Ao todo, os territórios ucranianos atualmente sob controle militar russo representam 18% da Ucrânia (em comparação a 27% em março de 2022).

De fato, a “profecia” do diplomata americano se cumpriu quando a Rússia bloqueou a saída da Ucrânia para o Mar de Azov e criou um corredor terrestre ligando seus territórios à Crimeia, formalmente anexada à Federação Russa em 2014.

Em 3 de fevereiro de 2023, o ex-presidente da Federação Russa e atual vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia Dmitry Medvedev comentou em tom de comemoração que “a economia ucraniana está se deteriorando rapidamente”. Isso se deve ao fato de que a Ucrânia já perdeu mais de 40% de sua capacidade industrial a nível nacional e cerca de 15% de seu PIB pré-guerra, além do acesso a mais de US$ 12 trilhões em matérias-primas, incluindo 63% de suas reservas de carvão e 42% de suas reservas de metais. (2)

Quem ganhou e quem perdeu?

Tal representante do capital russo mostra-se ávido diante do fato de que a Rússia capitalista, sob o pretexto do antifascismo e a ameaça de perseguir toda e qualquer voz de oposição no país, conquistou e controla integralmente o Mar de Azov, assim como milhares de quilômetros quadrados de terras férteis, recursos minerais e infraestrutura industrial que pertenciam à Ucrânia. Além disso, milhões de trabalhadores estão à disposição dos monopólios russos.

Outros se mostram igualmente ávidos:

Os EUA, visto que os monopólios americanos do setor energético passarão a fornecer à Europa gás natural liquefeito a preços caríssimos. Os EUA receberam ainda a oportunidade de “reagrupar” e fortalecer o “vespeiro” da OTAN, que vinha enfrentando problemas de coesão até então.

A União Europeia, que encontrou mais uma justificativa para promover sua “estratégia de crescimento verde”, com a qual lucram os monopólios europeus do setor energético – tanto os das fontes ”alternativas” (painéis solares, turbinas eólicas, etc) quanto os das fontes tradicionais – e outros setores do capital, como os armadores gregos, que fizeram fortuna em um ano de guerra.

Os capitalistas de China, Índia, Brasil e outros países, que encontraram uma forma de importar matérias-primas da Rússia, sobretudo petróleo, por metade do preço, lucrando com a diferença no mercado internacional.

As monarquias do Golfo, que expandiram sua “clientela”, e a burguesia da Turquia, que atua como “mediadora” e “polo” de interesses e mercadorias de ambos os lados.

Todos os Estados capitalistas que dispõem de uma indústria bélica desenvolvida (EUA, Rússia, China, França, Alemanha, Turquia, Irã, etc) que produz e testa novas máquinas mortíferas nos campos de batalha, lucrando com o comércio da morte.

A burguesia da Ucrânia, que blindou ainda mais seu poder. Por um lado, estreitou os vínculos entre seus interesses e os interesses de outras potências capitalistas do bloco euro-atlântico. Por outro lado, fomentou um clima de “união” nacional, recorrendo, em nome do “patriotismo”, da defesa da integridade territorial do país e da retomada de territórios, ao anticomunismo, ao chauvinismo, à apologia histórica aos colaboracionistas na ocupação nazista da Ucrânia, etc.

terça-feira, 21 de março de 2023

Como Organizar a Emulação?

Lenin (dezembro/1918)


Os escritores burgueses escreveram e escrevem montanhas de papel, elogiando a concorrência, a iniciativa privada e outros magníficos valores e encantos dos capitalistas e da ordem capitalista. Acusavam-se os socialistas de não quererem compreender o significado destes valores e de não terem em conta a “natureza humana”. Mas, na realidade, o capitalismo substituiu há muito a pequena produção mercantil independente, em que a concorrência podia, em proporções mais ou menos amplas, desenvolver o espírito empreendedor, a energia, a iniciativa ousada, pela grande e muito grande produção fabril, pelas empresas por ações, pelos consórcios e outros monopólios. A concorrência significa, sob tal capitalismo, o esmagamento inauditamente feroz do espírito empreendedor, da energia, da iniciativa ousada da massa da população, da sua gigantesca maioria, de noventa e nove por cento dos trabalhadores, significa também a substituição da emulação pela fraude financeira, pelo nepotismo, pelo servilismo nos degraus mais elevados da escala social.

O socialismo não só não extingue a emulação como, pelo contrário, cria pela primeira vez a possibilidade de a aplicar em escala verdadeiramente ampla, verdadeiramente de massas, de arrastar verdadeiramente a maioria dos trabalhadores para o campo de um trabalho onde podem revelar-se, desenvolver as suas capacidades, mostrar os talentos que no povo são uma fonte inesgotável e que o capitalismo esmagava, sufocava e estrangulava aos milhares e aos milhões.

A nossa tarefa agora, quando um governo socialista está no poder, é organizar a emulação.

[…] Naturalmente, esta substituição do trabalho forçado pelo trabalho para si próprio, a maior na história da humanidade, não pode realizar-se sem atritos, dificuldades, conflitos, sem violência em relação aos parasitas inveterados e seus lacaios. A este respeito, nenhum operário tem ilusões: temperados por longos e longos anos de trabalhos forçados para os exploradores, de inúmeros vexames e ultrajes da parte deles, temperados pelas duras necessidades, os operários e os camponeses pobres sabem que é preciso tempo para quebrar a resistência dos exploradores. Os operários e camponeses não estão de modo algum contaminados pelas ilusões sentimentais dos senhores intelectuaizinhos, de toda essa porcaria dos novojiznistas e outros, que “gritaram” contra os capitalistas até enrouquecer, que “gesticularam” contra eles, que os fulminaram, para logo começarem a chorar e a portar-se como cãezinhos espancados quando se chega aos fatos, à realização das ameaças, à execução na prática do afastamento dos capitalistas.

[...] A grande substituição do trabalho forçado pelo trabalho para si próprio, pelo trabalho organizado planificadamente numa escala gigantesca, nacional (e, em certa medida, também internacional, mundial) exige também — além das medidas “militares” de repressão da resistência dos exploradores — imensos esforços organizativos, organizadores, por parte do proletariado e dos camponeses pobres. A tarefa organizativa entrelaça-se num todo indissolúvel com as tarefas da implacável repressão militar dos escravistas (capitalistas) de ontem e a matilha dos seus lacaios - os senhores intelectuais burgueses. Nós sempre fomos os organizadores e os chefes, nós comandávamos — assim falam e pensam os escravistas de ontem e os seus agentes entre a intelectualidade — queremos continuar assim, não nos poremos a escutar o “povinho”, os operários e camponeses, não nos submeteremos a eles, converteremos os conhecimentos em armas para defender os privilégios do saco de dinheiro e o domínio do capital sobre o povo.

[…] Agora uma das mais importantes tarefas, senão a mais importante, é desenvolver tão amplamente quanto possível esta iniciativa independente dos operários e de todos os trabalhadores e explorados em geral na obra criadora do trabalho organizativo. Custe o que custar é preciso destruir o velho preconceito absurdo, selvagem, infame e odioso, de que só as chamadas “classes superiores”, só os ricos ou os que passaram pela escola das classes ricas, podem administrar o Estado, dirigir a construção organizativa da sociedade socialista.

Isto é um preconceito. É mantido por uma rotina podre e fossilizada, por um hábito servil e, ainda mais, pela imunda cupidez dos capitalistas, interessados em administrar saqueando e saquear administrando. Não. Os operários não esquecerão nem por um minuto sequer que necessitam da força do saber. O zelo invulgar que os operários manifestam em se instruir, que manifestam exactamente agora, demonstra que nesse sentido não há nem pode haver erro no seio do proletariado. Mas o trabalho de organização está também ao alcance do operário e do camponês comum, que sabe ler e escrever, que conhece os homens e tem experiência prática. Entre o “povinho”, de que falam com desdém e arrogância os intelectuais burgueses, há uma massa de pessoas destas. Na classe operária e no campesinato há uma fonte ainda intacta e uma fonte riquíssima desses talentos.

[…] O registro e o controle, que são necessários à transição para o socialismo, só podem ser obra das massas. Só uma colaboração voluntária e conscienciosa das massas de operários e camponeses, realizada com entusiasmo revolucionário, no registo e no controle dos ricos, dos vigaristas, dos parasitas, dos arruaceiros, pode vencer estas sobrevivências da maldita sociedade capitalista, esses detritos da humanidade, esses membros irremissivelmente podres e mortos, esse contágio, essa peste, essa chaga que o capitalismo deixou em herança ao socialismo.

[…] Os ricos e os vigaristas são as duas faces de uma mesma medalha, são as duas categorias principais de parasitas alimentados pelo capitalismo, são os principais inimigos do socialismo, estes inimigos devem ser submetidos à particular vigilância de toda a população, é preciso dar cabo deles implacavelmente à menor infração às regras e às leis da sociedade socialista. Toda a fraqueza, toda a vacilação, todo o sentimentalismo constituiriam neste aspecto o maior crime contra o socialismo.

[…] A Comuna de Paris mostrou um grande modelo de combinação da iniciativa, da independência, da liberdade de movimento, da energia do impulso vindo de baixo — com um centralismo voluntário alheio aos estereótipos. Os nossos Sovietes seguem o mesmo caminho. Mas ainda são "tímidos", ainda não se desenvolveram, ainda não “entraram” no seu trabalho novo, grande e criador de construção de uma ordem socialista. É preciso que os Sovietes lancem mãos à obra com mais audácia e iniciativa. É preciso que cada "comuna" — cada fábrica, cada aldeia, cada sociedade de consumo, cada comité de abastecimento - actue em emulação uns com os outros, como organizadores práticos do registro e do controle do trabalho e da distribuição dos produtos. O programa deste registro e controle é simples, claro e compreensível para todos: que cada um tenha pão, que todos usem calçado sólido e boa roupa, tenham uma casa quente, trabalhem conscienciosamente e que nem um só vigarista (incluindo os que fogem do trabalho) passeie em liberdade, mas esteja na prisão ou cumpra uma pena de trabalhos forçados do tipo mais duro, que nenhum rico, que infrinja as regras e leis do socialismo, possa escapar à sorte dos vigaristas, que por justiça deve ser a do rico. “Quem não trabalha não come” — eis o mandamento prático do socialismo.

Fonte: V.I. Lenine; Obras Escolhidas; Vol II; p.442; Alfa-Omega.

Edição: Página 1917







quinta-feira, 16 de março de 2023

China: Desmascarando o Oportunismo

Ney Nunes*

16/03/2023


Li Qiang, o segundo nome na hieraquia do politburo do Partido Comunista da China (PCCh), foi eleito para o cargo de Primeiro-Ministro na 14ª Assembleia Popular Nacional da China. Após o encerramento da Assembleia, no dia 13/03, que também reelegeu o presidente Xi Jinping para o seu terceiro mandato, o primeiro-ministro participou de uma coletiva de imprensa publicada pela Xinhua (Agência de notícias oficial do governo chinês).


china: desmascarando o oportunismo
Xi Jinping e Li Qiang

Destacamos aqui os trechos onde o novo primeiro-ministro celebra os rumos adotados pelas reformas pró-mercado iniciadas em 1978, assim como reafirma o apoio às empresas privadas e à abertura aos investidores estrangeiros.

Este ano marca o 45º aniversário da reforma e abertura da China, que não apenas desenvolveu a China, mas também influenciou o mundo, observou Li.”

Ele também prometeu criar condições equitativas para todos os tipos de entidades empresariais e apoiar ainda mais as empresas privadas no crescimento e na prosperidade.

O setor privado desfrutará de um ambiente melhor e de um espaço mais amplo para o desenvolvimento, disse ele, enfatizando que o compromisso da China com o desenvolvimento do setor privado é inequívoco e firme.”

"A abertura é uma política básica de Estado da China, e não importa como a situação externa evolua, a China seguirá essa política com firmeza", disse Li à imprensa, dizendo que a China recebe investidores de todo o mundo."

"A China continua sendo um destino favorito para o investimento global, disse Li, citando estatísticas de que o investimento estrangeiro direto na parte continental da China, em uso real, atingiu um recorde de mais de US$189 bilhões em 2022."

Não se trata de afirmações emitidas por qualquer “burocrata de terceiro escalão”, mas sim, de um membro da alta direção do PCCh e do governo chinês, apontado, inclusive, como um provável sucessor do presidente Xi Jinping.

Por mais que a trajetória, as ações e os discursos dos líderes chineses demonstrem de forma cabal que o processo restauracionista, iniciado há 45 anos, está mais do que concluído, vozes do oportunismo político continuam a semear confusão, tentando mascarar a realidade da China, hoje uma potência capitalista exportadora de capitais e plenamente integrada ao sistema imperialista mundial. E o mais grave, neste momento em que a humanidade se encontra ameaçada pela possibilidade da eclosão de uma Tereira Guerra Mundial, consequência da crise capitalista e da disputa interimperialista, esses cretinos falam que na China dos Bilionários estaria em vigor um tal “socialismo de mercado”.

Os campeões do cinismo preparam o terreno para aderir a um dos blocos imperialistas em conflito, ou seja, repetem a vergonhosa traição ao proletariado mundial perpetrada pela socialdemocracia na Primeira Guerra Mundial, que apoiando suas burguesias transformaram trabalhadores em buchas de canhão a serviço dos seus exploradores. Contra esses renegados, precisamos resgatar o caminho vitorioso da Revolução de 1917 na Rússia e da Revolução de 1949 na China, travadas durante as guerras mundiais, em oposição à burguesia e ao imperialismo, sem subordinação as potências em guerra, levantando as bandeiras da paz, do socialismo e do poder proletário!

Abaixo reproduzimos a matéria publicada pela agência de notícias oficial do governo Chinês:

"Primeiro-ministro chinês, Li Qiang, se reúne com a imprensa após o encerramento da primeira sessão da 14ª Assembleia Popular Nacional (APN) no Grande Palácio do Povo em Beijing, capital da China, em 13 de março de 2023. (Xinhua/Xing Guangli)

Beijing, 13 mar (Xinhua) -- O novo primeiro-ministro da China expressou nesta segunda-feira plena confiança na perspectiva econômica do país, apesar dos desafios, e prometeu expandir ainda mais a abertura, independentemente de mudanças externas.

Citando os muitos fatores de incerteza e instabilidade que a economia mundial enfrenta, o primeiro-ministro, Li Qiang, disse aos jornalistas que estabilizar o crescimento econômico é uma tarefa desafiadora não apenas para a China, mas para todos os países do mundo este ano.

"Não é uma tarefa fácil e requer esforços redobrados" para alcançar a meta de crescimento econômico de cerca de 5% em 2023 em uma alta base de produção econômica e em meio a novos desafios, disse Li em uma coletiva de imprensa realizada após o encerramento da primeira sessão da 14ª Assembleia Popular Nacional, a legislatura nacional.

No entanto, o primeiro-ministro disse que o desenvolvimento da China é apoiado por múltiplas vantagens, incluindo um vasto mercado, um sistema industrial completo, recursos humanos abundantes, base sólida para o desenvolvimento e, o mais importante, notável força institucional.

"Acredito que a economia chinesa superará o vento e as ondas e navegará em direção a um futuro mais brilhante. Estou cheio de confiança nisso", disse ele, observando que a economia chinesa vem se estabilizando e se recuperando nos últimos dois meses.

BUSCAR PROGRESSO ENQUANTO GARANTE ESTABILIDADE

A China seguirá os princípios gerais de priorizar a estabilidade e buscar progresso enquanto mantém a estabilidade e pressionará por uma reviravolta no desempenho econômico geral do país este ano, disse Li aos jornalistas.

Em termos da estabilidade, a ênfase será colocada em garantir crescimento, emprego e preços estáveis, e a chave para buscar o progresso reside em fazer novos avanços no desenvolvimento de alta qualidade, disse ele.

A China fará bom uso de uma série de combinações de políticas na alavancagem de macropolíticas, expansão da demanda, promoção da reforma e inovação, assim como prevenção e mitigação de riscos, segundo o primeiro-ministro.

Ele também prometeu criar condições equitativas para todos os tipos de entidades empresariais e apoiar ainda mais as empresas privadas no crescimento e na prosperidade.

"O setor privado desfrutará de um ambiente melhor e de um espaço mais amplo para o desenvolvimento", disse ele, enfatizando que o compromisso da China com o desenvolvimento do setor privado é inequívoco e firme.

Enquanto isso, o premiê rejeitou as preocupações com a mudança demográfica da China, dizendo que o "dividendo demográfico" do país não desapareceu e que seu "dividendo de talentos" está em formação.

"Ao avaliar o dividendo demográfico, não devemos apenas olhar para o tamanho da população, mas também olhar para a escala da força de trabalho de alto calibre", disse ele aos jornalistas, acrescentando que mais de 240 milhões de pessoas receberam ensino superior na China, e a duração média da educação recebida pelos recém-chegados à força de trabalho aumentou para 14 anos.

DESENVOLVIMENTO CENTRADO NO POVO

Li disse que o objetivo final do trabalho do Partido e do governo é melhorar o bem-estar do povo, prometendo esforços em vários setores relativos à subsistência do povo, desde o emprego até o desenvolvimento rural.

Com a expectativa de que 11,58 milhões de graduados universitários entrem no mercado de trabalho este ano, a China continuará buscando uma estratégia de colocar o emprego em primeiro lugar e elevará o apoio em termos de serviços de emprego e treinamento técnico, disse o primeiro-ministro.

Li disse que a vitalização rural deve ser avançada de forma abrangente e que diferentes localidades devem desenvolver o campo com base em suas condições locais.

O país aumentará ainda mais sua capacidade de produção de grãos, concentrando-se em terras aráveis e sementes, disse Li, observando que a segurança alimentar da China está "bem garantida em geral".

"O governo garantirá que as tigelas de arroz de 1,4 bilhão de chineses sempre sejam firmemente mantidas em nossas próprias mãos", disse ele à imprensa.

O primeiro-ministro também prometeu esforços para fortalecer a construção do governo, transformando ainda mais as funções do governo e melhorando sua eficiência e conduta.

Ele encorajou as autoridades de todos os níveis a se envolverem mais com as comunidades locais para conhecer o que o povo precisa e buscar suas opiniões sobre o trabalho do governo.

"Eles precisam aprender com o povo e ajudar o povo na base a resolver problemas", disse ele.

PORTA MAIS ABERTA

Este ano marca o 45º aniversário da reforma e abertura da China, que não apenas desenvolveu a China, mas também influenciou o mundo, observou Li.

Ele disse que a China expandirá ainda mais a abertura este ano em alinhamento com as regras de comércio internacional de alto padrão, abrindo suas portas de forma mais ampla para o mundo com melhor ambiente de negócios e serviços.

"A abertura é uma política básica de Estado da China, e não importa como a situação externa evolua, a China seguirá essa política com firmeza", disse Li à imprensa, dizendo que a China recebe investidores de todo o mundo.

A China continua sendo um destino favorito para o investimento global, disse Li, citando estatísticas de que o investimento estrangeiro direto na parte continental da China, em uso real, atingiu um recorde de mais de US$189 bilhões em 2022.

Comentando sobre relações China-EUA, o primeiro-ministro refutou a mentira nos Estados Unidos sobre a "dissociação" com a China, dizendo que os dois países podem e devem cooperar e alcançarão muito trabalhando juntos.

"Cerco e supressão não são do interesse de ninguém", apontou ele, observando que os dois países estão intimamente interligados economicamente e ambos se beneficiaram do desenvolvimento do outro lado.

PROMOVER INTERCÂMBIOS ATRAVÉS DO ESTREITO, APOIAR HK E MACAU

Sobre a cooperação e comunicação através do Estreito, Li disse que a restauração antecipada dos intercâmbios normais e da cooperação regular entre os dois lados do Estreito de Taiwan é uma aspiração compartilhada e requer esforços conjuntos de ambos os lados.

A parte continental da China continuará promovendo intercâmbios e cooperação econômica e cultural através do Estreito com base no princípio de Uma Só China e no Consenso de 1992, observou Li, expressando a esperança de que mais compatriotas e empresas de Taiwan venham para a parte continental.

"Esperamos que eles não apenas estejam dispostos a virem para a parte continental, mas também sejam capazes de se integrarem às comunidades locais e alcançarem um melhor desenvolvimento", indicou Li.

O primeiro-ministro também expressou confiança nas perspectivas de Hong Kong e Macau, dizendo que as duas regiões desfrutarão de um futuro ainda mais brilhante, com o apoio total pelo governo central, na integração ao desenvolvimento geral do país, no crescimento de sua economia, na melhoria da subsistência das pessoas e na construção de sua competitividade global."

* Ney Nunes, autor do livro "Guerra de Classes", https://clubedeautores.com.br/livro/guerra-de-classes

Fonte: https://portugu Aese.news.cn/20230314/19ef63815384450d96b9b03f7ce7fcd2/c.html

Edição: Página 1917

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