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terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Sobre a "criação de um tribunal especial para a Rússia" - Os povos devem julgar e condenar a guerra imperialista

DELEGAÇÃO DO KKE NO PARLAMENTO EUROPEU

20.01.2023

Em 19 de janeiro de 2023, os grupos do Partido Popular, dos Social-democratas, dos Liberais, dos Verdes e da extrema-direita no Parlamento Europeu adotaram uma resolução sobre a "criação de um tribunal especial para a Rússia". Os 2 eurodeputados do KKE votaram contra esta resolução.

Ucrânia: guerra imperialista, morticínio e destruição.

Os eurodeputados do KKE fizeram uma declaração sobre a resolução, observando o seguinte: "A resolução conjunta do Partido Popular, dos Social-democratas, dos Socialistas, dos Liberais, dos Verdes e da extrema-direita sobre a criação de um “tribunal especial para a guerra de  agressão russa constitui um passo adiante na escalada e na intensificação do envolvimento da UE na guerra imperialista na Ucrânia por todos os meios". Reflete o delírio bélico da direção política da UE no conflito militar do campo euro-atlântico com a Rússia capitalista, que está sangrando os povos ucraniano e russo, sobrecarregando os povos da Europa com consequências dolorosas, pobreza e sofrimento.

Essa resolução tenta acobertar os crimes dos imperialistas dos EUA, OTAN e UE em todo o planeta, suas guerras imperialistas na Iugoslávia, Iraque, Síria, Afeganistão, Líbia e hoje na Ucrânia. Procura também exonerar as sangrentas intervenções imperialistas das potências euro-atlânticas em todo o mundo e apagar da memória coletiva as suas inumeráveis vítimas. A condenável invasão militar da Ucrânia pela Rússia capitalista não serve de álibi ao campo euro-atlântico, impregnado do sangue dos povos.

Os povos devem rechaçar os delírios bélicos dos imperialistas de ambos os lados. Lutando de forma independente por seus próprios interesses, devem julgar e condenar a guerra imperialista, os governos burgueses e as alianças dos monopólios que a dirigem, assim como o bárbaro sistema capitalista a que todos eles servem”.

Fonte: https://inter.kke.gr/es/articles/Sobre-la-creacion-de-un-tribunal-especial-para-Rusia-Los-pueblos-deben-juzgar-y-condenar-la-guerra-imperialista/

Edição: Página 1917



sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

As Relações entre a Vanguarda

Os Partidos Comunistas, na luta pela unidade dos interesses dos trabalhadores, apesar dos diferentes níveis de desenvolvimento capitalista nos diferentes países

Giorgos Marinos, do Comitê Central do KKE (Partido Comunista da Grécia)

2022



“Os comunistas consideram indigno esconder as suas ideias e propósitos. Eles proclamam abertamente que os seus objetivos só podem ser alcançados derrubando violentamente toda a ordem social existente. As classes dominantes podem tremer diante de uma revolução comunista. Os proletários não têm nada a perder, a não ser os seus grilhões. Eles têm, no entanto, um mundo a ganhar”.

"Proletários de todos os países, uni-vos!”

Com estas frases de valor inigualável, K. Marx e F. Engels assinalam no Manifesto Comunista a necessidade de uma estratégia revolucionária e da luta coordenada dos trabalhadores que vivem em diferentes países. Com isso, destacaram a grande importância da unidade da classe trabalhadora contra qualquer tentativa de separação baseada em diferenças de cor, língua, cultura, tradições religiosas, enfatizando que a classe trabalhadora de diferentes países tem interesses comuns e um adversário comum, em qualquer circunstância.

O CC do KKE, em homenagem ao centenário da fundação da Internacional Comunista (IC) (2 a 6 de março de 1919), respeita a luta do Movimento Internacional dos Trabalhadores e resume as principais conclusões do seu decurso num Comunicado do CC do Partido sobre isso.

Em conclusão, podemos dizer que a IC e os esforços anteriores expressam a necessidade da unidade internacional do movimento revolucionário dos trabalhadores, da revolta e da luta constante contra a intervenção burguesa e oportunista que impede a unidade internacional do movimento operário contra o adversário de classe internacional, contra o capital e os seus representantes, independentemente da sua base, da sua “pátria” de origem.

A luta internacionalista pode desenvolver-se efetivamente quando há uma linha de conflito ao nível nacional com os monopólios, com o poder burguês e com as alianças imperialistas. Quando o Partido Comunista não está preso na luta pelas reformas burguesas e pela governança burguesa, pela participação e apoio aos governos que servem os interesses do capital, e através da luta constante para defender os interesses dos trabalhadores estabelecem o terreno firme em cada país para que a luta seja mais bem coordenada regional e internacionalmente e se concentre no objetivo de derrubar o capitalismo, independentemente da fase em que o movimento operário se encontre.

TEORIAS – FABRICAÇÕES IDEOLÓGICAS QUE OCULTAM A CONTRADIÇÃO ENTRE CAPITAL E TRABALHO

Após a contrarrevolução e o derrube do socialismo na União Soviética e nos outros países de construção socialista, são reproduzidas velhas teorias oportunistas e aparecem outras novas que tentam esfumar, obscurecer a contradição básica capital-trabalho, e também minar o princípio do “Internacionalismo Proletário”. Entre outras coisas, existem as teorias do “Norte rico-Sul pobre”, “Metrópole-Periferia”, dos “mil milhões dourados”, teorias que sustentam, por exemplo, que a população dos Estados capitalistas estão bem, e (apenas) a população dos estados capitalistas que têm uma posição inferior ou intermédia no sistema imperialista sofre.

Essas teorias refletem o profundo impacto das perceções burguesas dentro do movimento operário que reproduzem e alimentam o oportunismo e são um grande recuo dos princípios comunistas fundamentais, são um elemento da crise ideológica e política do movimento comunista.

O capitalismo nunca e em nenhum lugar se desenvolveu de maneira uniforme e equilibrada. As condições objetivas, os diferentes pontos de partida nas fontes de riqueza e potencial econômico, a posição geográfica vantajosa ou desfavorecida, o percurso histórico, as rivalidades e guerras imperialistas, bem como a duração, a frequência e a profundidade das crises capitalistas geram diferentes velocidades de desenvolvimento. O desenvolvimento desigual é uma lei absoluta no capitalismo.

No sistema imperialista, é diferente a posição, por exemplo, dos Estados Unidos, Alemanha, França, China, Rússia, que estão nos níveis mais altos da pirâmide, em relação à Grécia, que tem uma posição intermédia. Cada Estado capitalista tem a sua própria posição no sistema de acordo com o seu poder económico, político e militar, mas cada um é regido pelas leis da formação sócio-económica e política capitalista na sua fase monopolista.

O poder político do capital e a propriedade capitalista dos meios de produção, o critério do lucro como força motriz do desenvolvimento, a estrutura de classes sociais baseada na divisão da sociedade capitalista em classe burguesa, que é a classe dominante, e a classe trabalhadora, que é a classe explorada, e as camadas intermédias que sofrem as consequências da concentração e centralização do capital e parte delas é destruída ou fica dependente dos monopólios, são características comuns a todas as sociedades capitalistas.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

Saudação da Juventude Comunista da Bolívia pelo 73º Aniversário do Partido Comunista da Bolívia

        Neste dia 17 de janeiro comemoram-se 73 anos da fundação do Partido Comunista da Bolívia, vanguarda combativa da classe trabalhadora boliviana.

Juventude Comunista da Bolívia


A história do nosso Partido atravessa transversalmente a história da Bolívia. Desde os feitos históricos dos trabalhadores durante a revolução de abril de 1952, na qual os militantes comunistas estiveram nas ruas junto aos mineiros, operários das fábricas, trabalhadores, estudantes e camponeses lutando contra o imperialismo e o exército da oligarquia entreguista; passando pelas sangrentas lutas contra as ditaduras dos assassinos Barrientos, Banzer e García Meza, nas quais a militância comunista teve coragem de enfrentá-los empregando as diversas formas de luta necessárias para deter a tirania das ditaduras militares e dirigindo as massas populares na luta pela recuperação da soberania, da democracia e da liberdade.

Nosso Partido esteve nas ruas não só nas épocas das ditaduras militares, mas também nos combates contra as políticas neoliberais impulsionadas principalmente pelo imperialismo norte-americano e novamente através da oligarquia nacional. Fomos uma das poucas organizações que se mantiveram na luta contra este modelo que ainda perdura em nossa sociedade e cujas bases ainda não foram alteradas no fundamental.

Durante o último episódio sombrio de nossa história, durante a ditadura de Añez, sobretudo os jovens comunistas, lutamos em todos os níveis contra a brutal repressão do governo Añez.

Estivemos com nossos companheiros que resistiam em El Alto, Senkata, Sacaba, Cochabamba, Santa Cruz e outros lugares onde era necessário estar presente, demonstrando a qualidade e a audácia do militante comunista.

O processo vivido durante esse período demonstra a importância fundamental da reorganização do Partido e de sua integração com as massas populares, nas minas, nas fábricas, nos centros educativos e no campo, assim como a necessidade da formação da militância comunista no marxismo-leninismo para travar as batalhas necessárias tanto contra os representantes diretos do capital, como contra o oportunismo que se mascara sob a imagem de falsos socialismos levando a cabo uma luta reformista e criando confusão e desorganização no seio da classe operária.

O Partido Comunista tem dado à Bolívia seus melhores filhos, camaradas lúcidos intelectualmente, militantes aguerridos e combativos que devem ser lembrados por todo o povo como titãs da luta pelo socialismo que dedicaram a vida à construção de um país de e para os trabalhadores. Entre eles destacamos os camaradas Roberto Alvarado, Nilo Soruco, René Zavaleta Mercado, Luis Lucksic, Oscar Alfaro, Rosendo García, Jorge Kolle, Jorge Alejando Ovando Sanz, Javier Baldiviezo, Sinforoso Escobar, Clara Torrico.

Rosendo Osorio, Jorge Ibañez, Guillermo Torrelio, Marcos Domic, René Rocabado e tantos outros camaradas caídos em combate que dedicaram toda sua existência e suas forças ao Partido e à revolução.

Hoje, em que vivemos tempos de grande adversidade a nível mundial, a  missão presente para nosso Partido deve ser seguir sendo a luta pela revolução socialista sob os princípios do marxismo-leninismo com a classe operária como guia de todo o povo trabalhador. A dissolução da União Soviética abriu as portas a um período de profunda crise ideológica e confusão em muitos Partidos Comunistas, que resultou em muitos casos na negação de nossos princípios e história e finalmente na degeneração.

Existe, porém, uma vasta militância que se mantém firme na posição que corresponde um verdadeiro comunista, ‘de pé sobre a terra como uma árvore’. Nosso desejo é que o Partido Comunista da Bolívia esteja na primeira fila, trabalhando pela reorganização da classe operária nacional e do movimento comunista internacional, na confrontação aberta contra o oportunismo, o revisionismo e o reformismo. Agora nossa tarefa como jovens militantes comunistas é contribuir com a reconstrução e reorganização do Partido Comunista.

Nós, da Juventude Comunista da Bolívia, saudamos com punho ao alto a história de nossa organização e reafirmamos nosso compromisso de seguir lutando nas filas do Partido da revolução, da classe operária, até a construção do socialismo-comunismo.

Camaradas,

ADIANTE PELA RECONSTRUÇÃO E REORGANIZAÇÃO DO PARTIDO COMUNISTA DA BOLÍVIA!

VIVA O MARXISMO-LENINISMO!

VIVA O PARTIDO COMUNISTA DA BOLÍVIA!

VIVA DA JUVENTUDE COMUNISTA DA BOLÍVIA!

17 de janeiro de 2023

Comitê Nacional

Juventude Comunista da Bolívia

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

Imperialismo, Dogma Orientalista e a Missão Civilizatória

Edward W. Said*

2003



      [...] Nos Estados Unidos, o endurecimento das atitudes, o estreitamento da tenaz da generalização desencorajante e do clichê triunfalista, a supremacia da força bruta aliada a um desprezo simplista pelos opositores e pelos “outros” encontraram um correlativo adequado no saque, na pilhagem e na destruição das bibliotecas e dos museus do Iraque. O que nossos líderes e seus lacaios intelectuais parecem incapazes de compreender é que a história não pode ser apagada, que ela não fica em branco como uma lousa limpa para que “nós” possamos inscrever nela nosso próprio futuro e impor nossas próprias formas de vida para que esses povos menores os adotem.

    [...] Mesmo com todos os seus terríveis fracassos e seu ditador lamentável parcialmente criado pela política americana de duas décadas atrás, o fato é que, se o Iraque fosse o maior exportador mundial de bananas ou laranjas, sem dúvida não teria havido guerra nem histeria em torno de armas de destruição em massa misteriosamente desaparecidas, e efetivos de proporções descomunais do exército, da marinha e da aeronáutica não teriam sido transportados a uma distância de mais de 11 mil quilômetros com o objetivo de destruir um país que nem os americanos cultos conhecem direito, tudo em nome da “liberdade”. Sem um sentimento bem organizado de que aquela gente que mora lá não é como “nós” e não aprecia “nossos” valores    justamente o cerne do dogma orientalista tradicional, tal como descrevo seu surgimento e sua circulação neste livro  , não teria havido guerra. 

      Portanto, da mesmíssima mesa diretora de acadêmicos a soldo – aliciados pelos conquistadores holandeses da Malásia e da Indonésia, pelas armadas britânicas da Índia, da Mesopotâmia, do Egito e da África Ocidental, pelas armadas francesas da Indochina e do Norte da África – vieram os consultores americanos que assessoram o Pentágono e a Casa Branca usando os mesmos clichês, os mesmos estereótipos mortificantes, as mesmas justificativas para o uso da força e da violência (afinal de contas, diz o coro, a força é a única linguagem que aquela gente entende), tanto no caso atual como nos que o precederam. Agora foi juntar-se a essas pessoas, no Iraque, um verdadeiro exército de empreiteiros privados e empresários ávidos a quem serão confiadas todas as coisas – da elaboração de livros didáticos e da Constituição nacional à remodelagem da vida política iraquiana e da indústria petrolífera do país. Todos os impérios que já existiram, em seus discursos oficiais, afirmaram não ser como os outros, explicaram que suas circunstâncias são especiais, que existem com a missão de educar, civilizar e instaurar a ordem e a democracia, e que só em último caso recorrem à força. Além disso, o que é mais triste, sempre aparece um coro de intelectuais de boa vontade para dizer palavras pacificadoras acerca de impérios benignos e altruístas, como se não devêssemos confiar na evidência que nossos próprios olhos nos oferecem quando contemplamos a destruição, miséria e a morte trazidas pela mais recente mission civilisatrice.

Fonte: Orientalismo; 2007; Companhia das Letras.

*Edward Wadie Said (árabe:إدوارد سعيد; Jerusalém, 1 de Novembro de 1935 – Nova Iorque, 25 de Setembro de 2003) foi um professor, crítico literário e ativista político palestino-estadunidense. Docente de literatura na Universidade de Columbia, foi um dos fundadores do campo acadêmico de estudos pós-coloniais. Também foi um dos principais intelectuais da causa palestina e de outras questões do mundo árabe de um modo geral. Sua obra mais importante é Orientalismo [en], publicada em 1978 e traduzida em 36 línguas, que é considerada como um dos textos fundadores dos estudos pós-coloniais.

Em 1977 Said foi eleito membro do Conselho Nacional Palestiniano, o parlamento da Palestina no exílio. Inicialmente partidário da criação de dois estados como forma de solucionar o conflito israelo-árabe, tendo votado nesse sentido num encontro da OLP em 1988 em Alger, Said acabaria por considerar mais oportuna a criação de um único estado binacional que englobasse Israel, a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, no qual os judeus e os árabes gozassem dos mesmos direitos.

Em 1991 ele demitiu-se do Conselho Nacional Palestiniano em protesto pelo apoio de Yasser Arafat a Saddam Hussein durante a guerra do Golfo. Foi um grande crítico da actuação de Arafat durante as negociações que conduziram aos Acordo de Paz de Oslo, que na sua opinião não favoreciam o retorno dos refugiados palestinianos aos locais que habitavam antes da guerra de 1967.

Em 2002 Edward Said, junto como Haidar Abdel-Shafi, Ibrahim Dakkak e Mustafa Barghouti, participou na criação da Iniciativa Nacional Palestina (ou Al-Mubadara), numa tentativa de criar uma terceira força política palestiniana que se afirmasse como alternativa à Autoridade Nacional Palestiniana e ao Hamas.

Edição: Página 1917


 

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