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domingo, 11 de dezembro de 2022

LANÇAMENTO DA REVISTA COMUNISTA INTERNACIONAL

Debate: “A conjuntura mundial e a transição de governo no Brasil”, com abertura de Ivan Pinheiro.

NESTA SEGUNDA FEIRA, 12 de dezembro, às 18 horas, no auditório da Associação Cultural José Marti.

Av. Treze de Maio, 23 (salas 1623/4) – Centro – Rio de Janeiro

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

A expansão do levante popular contra a ditadura no poder, o mesquinho “Líder Supremo” do regime e outro novembro sangrento!

Partido Comunista do Irã (Tudeh)

19 de novembro de 2022 

Os gritos de “Morte ao Líder Supremo” e “Morte a Khamenei”, que foram ouvidos em todo o Irã nas últimas semanas, devem, sem dúvida, ser uma reminiscência dos gritos de “Morte ao Xá” que ressoaram em todo o Irã em 1977 e 1978, – [em um movimento] que eventualmente levou à derrubada da polícia do xá e do governo antipopular. Naquela época, assim como agora, os líderes do regime do xá e sua agência de inteligência SAVAK rotularam os muitos milhares daqueles que saíram às ruas para protestar contra a opressão e a injustiça – e que caíram sob as balas do regime – como “terroristas” “estrangeiros”. agentes” e “desordeiros”, mas eventualmente a tempestade de raiva de milhões de pessoas dominou o governo desonrado do xá e seu regime.


Crescem os protestos anti-governo no Irã


A semana passada marcou o terceiro aniversário do levante de novembro de 2019 e a repressão violenta desses protestos populares. Na sexta-feira, 15 de novembro daquele ano, uma série de protestos populares e antiteocráticos irrompeu em todo o Irã após outro súbito racionamento de gasolina no país, acompanhado por um aumento de 200% nos preços da gasolina. Esses protestos ocorreram principalmente em áreas da classe trabalhadora e favelas urbanas, e repercutiram em 29 [das 31 províncias do Irã] e centenas de cidades em todo o país. Centenas de pessoas foram mortas e feridas na repressão sangrenta do regime criminoso a esses protestos populares, com milhares de pessoas presas e jogadas nas masmorras do regime ou desaparecidas à força.

Nos últimos dias, em meio à onda de protestos populares em massa que entrou em sua décima semana, confrontos sangrentos e violentos ocorreram em vários campi universitários e cidades de todo o país – inclusive em Teerã, Shiraz, Arak, Ardabil, Marivan, Oshnavieh, Piranshahr , Malekan, Paveh, Sardasht, Kermanshah, Abadan, Mahabad, Bukan, Saqqez, Divandarreh e Khoy. Especialmente em Mahabad, os protestos foram recebidos com um ataque sangrento das forças da República Islâmica. A Rede de Direitos Humanos do Curdistão relatou a morte de 25 curdos durante o aniversário que marca os massacres de novembro de 2019 nos dias 15, 16 e 17 de novembro.

Milhares do aparato repressivo da República Islâmica foram mobilizados para atacar os manifestantes em Mahabad em um movimento coordenado, de acordo com vários relatos publicados nas redes sociais à medida que o evento se desenrolava. Tiros pesados ​​podiam ser ouvidos por toda a cidade. Relatórios iniciais [e filmagens] indicam que vários manifestantes foram mortos e feridos no ataque do regime contra civis em Mahabad e quedas de energia generalizadas foram causadas, afetando muitas áreas da cidade. [Todas as indicações apontam para uma resposta militar por parte do IRGC e outras forças do regime adotadas em Mahabad.]

Antes do ataque sangrento do regime contra o povo, realizado por seus mercenários repressores, Ali Khamenei, em seus últimos comentários, chamou os manifestantes de “mesquinhos” e afirmou que seus protestos não poderiam “prejudicar o regime”. No entanto, claramente temeroso com a potencial propagação dos protestos – especialmente a participação ativa da classe trabalhadora no movimento popular de protesto – ele acrescentou: “Até esta hora, o inimigo foi derrotado, mas o inimigo tem uma manobra todos os dias. E com a derrota de hoje, é possível [para se espalhar] para diferentes estratos da sociedade, como trabalhadores e mulheres - embora a dignidade de nossas honradas mulheres e trabalhadores seja tal que eles não irão capitular facilmente aos mal-intencionados e não ser enganado por eles.”

Antes de Khamenei fazer seus comentários, seu representante em Mashhad, Ahmad Alam al-Huda, reiterou a alegação do regime de um relacionamento entre os manifestantes e os EUA e afirmou que “o plano dos americanos em suas conspirações recentes é, por um lado, , matar o povo com assassinos e bandidos e, por outro lado, infectá-lo com prostitutas”. Ele acrescentou: “Aqueles que removem seus lenços de cabeça e revelam seu hijab para agradar aos EUA devem saber que os EUA os olham da mesma forma que fizeram com as prostitutas do golpe de estado de 19 de agosto [1953].” É claro que Alam al-Huda omite convenientemente a menção de que uma parte significativa do clero da época, incluindo os aiatolás Kashani e Behbahani, juntamente com Sha'ban Jafari [Sha'ban “Bi-mokh”;

Ali Khamenei nas suas declarações, que indicavam o desespero e inferioridade do regime, mais do que nunca, na repressão dos protestos populares em várias cidades do país, destacou essencialmente a maior preocupação do regime – nomeadamente a adesão dos trabalhadores e trabalhadoras a estes protestos. O regime tem plena consciência de que já enfrenta um grande número de mulheres e jovens que, parafraseando Marx e Engels, nada têm a perder a não ser suas correntes!

Protestos e greves de curto prazo, específicos da indústria e locais em áreas dependentes de mão-de-obra – como a greve de dois dias dos metalúrgicos de Esfahan e, antes disso, as greves de fome e protestos dos trabalhadores permanentes da indústria petrolífera do país – podem ser considerados sinais de um deslocamento da classe trabalhadora para um confronto decisivo com a ditadura, apesar de todas as dificuldades e riscos envolvidos. A ligação entre esses crescentes protestos trabalhistas e as possíveis greves de pequenas e médias empresas é uma das principais preocupações dos líderes do regime atualmente.

O ataque generalizado e sangrento do regime teocrático aos manifestantes nos últimos dias sem dúvida sublinha o esforço coordenado e organizado do regime para intensificar a repressão e silenciar, de uma vez por todas, os protestos populares que assolam o país. Com o início de alguns protestos trabalhistas em várias cidades; a solidariedade apaixonada dos iranianos residentes no exterior com a luta corajosa de seus compatriotas; bem como a adesão de outros grupos sociais, incluindo professores, trabalhadores da educação e aposentados [ao movimento]; há sinais positivos de um movimento em direção a uma greve geral nacional que poderia desempenhar um papel crucialmente importante na oposição ao plano do regime de reprimir sangrenta os protestos populares. Em 18 de novembro, o Conselho de Coordenação das Associações de Professores Iranianos (CCITTA) condenou veementemente o assassinato de pessoas inocentes – especialmente o de quatro estudantes inocentes, um trabalhador educacional aposentado em Saqqez e todos os que foram mortos na busca por “liberdade e igualdade” – e reiterou sua solidariedade com uma nova onda de greves de protesto de trabalhadores, estudantes, empresas, comerciantes de bazares e público em geral em todo o país. A CCITTA convocou todos os professores, atuais e aposentados, e seus alunos a fecharem as escolas no domingo, 20 de novembro e na segunda-feira, 21 de novembro, e se absterem de assistir às aulas, para comemorar as recentes – e de fato todas – vítimas do massacre [dos manifestantes ] nos últimos dois meses. e todos aqueles que lutam pela “liberdade e igualdade” – e reiterou sua solidariedade com uma nova onda de greves de protesto de trabalhadores, estudantes, empresas, bazares e público em geral em todo o país. A CCITTA convocou todos os professores, atuais e aposentados, e seus alunos a fecharem as escolas no domingo, 20 de novembro e na segunda-feira, 21 de novembro, e se absterem de assistir às aulas, para comemorar as recentes – e de fato todas – vítimas do massacre [dos manifestantes ] nos últimos dois meses. e todos aqueles que lutam pela “liberdade e igualdade” – e reiterou sua solidariedade com uma nova onda de greves de protesto de trabalhadores, estudantes, empresas, bazares e público em geral em todo o país. A CCITTA convocou todos os professores, atuais e aposentados, e seus alunos a fecharem as escolas no domingo, 20 de novembro e na segunda-feira, 21 de novembro, e se absterem de assistir às aulas, para comemorar as recentes – e de fato todas – vítimas do massacre [dos manifestantes ] nos últimos dois meses.

Enquanto isso, nas últimas semanas, o governo de Ebrahim Raisi continuou a implementar agressivamente um programa de liberalização econômica às custas dos interesses da maioria do povo iraniano comum. O resultado de tais programas – e, em geral, das políticas econômicas e sociais do regime teocrático – tem sido o crescimento maciço da taxa de inflação junto com uma lacuna cada vez maior entre as despesas [básicas de vida] e as rendas dos trabalhadores e todos aqueles que compõem a força de trabalho intelectual e manual do país. Além disso, a maioria das pequenas e médias empresas [no Irã] foram prejudicadas por essas políticas.

Ao condenar os crimes contínuos do regime teocrático contra as ondas de protestos de mulheres, jovens, trabalhadores e trabalhadores do país, o Partido Tudeh do Irã acredita que os estratos trabalhadores da nação, dos trabalhadores e outros trabalhadores ; a esmagadora maioria das mulheres de nossa pátria que foram alvo de opressão e humilhação por parte dos líderes do regime, e cujas vidas e destinos foram impostos pelas leis medievais desumanas e obsoletas do regime por décadas; assim como as fileiras de milhões de desempregados, geralmente compostas pela juventude sofredora do país, podem finalmente jogar o governo mais enfraquecido dos juristas islâmicos na lata de lixo da história - assim como fizeram com aquele de seus predecessores imperiais, e abrir caminho para o estabelecimento de um governo nacional e democrático. Ao lado de outras forças patrióticas e progressistas da pátria, o Partido Tudeh do Irã se posiciona com esta grande revolta popular e enfrentará, com todas as suas forças, quaisquer desígnios de intervenção externa e de imposição de alternativas reacionárias às exigidas pelo movimento popular de nossa nação.

O Partido Tudeh do Irã convoca todas as forças progressistas e defensoras da paz e da liberdade no mundo, especialmente os partidos comunistas e operários e defensores do socialismo, a declarar sua solidariedade com a luta do povo iraniano e apoiar seus objetivos legítimos enviando cartas de protesto às embaixadas do governo iraniano em todos os países, bem como aos chefes do judiciário, exigindo o fim dos ataques criminosos aos manifestantes, bem como apelando abertamente aos líderes e agentes do regime para libertar todos os presos nos últimos três meses de protestos.

Liberdade para todos os presos políticos, sindicais e de consciência!

Trabalhadores e trabalhadores do Irã, fortaleçam o levante popular por meio de uma ampla ação unida e organização de greves!

Avante para a ligação do movimento de protesto dos trabalhadores com as greves de pequenas e médias empresas, protestos estudantis e as lutas das mulheres unidas e determinadas do Irã!

Avante para a preparação e organização de greves trabalhistas e uma greve geral!

Avançamos para a construção de uma ampla frente anti-ditadura para estabelecer a liberdade, a paz, a independência, a justiça social e a instauração de uma república nacional e democrática!

 

domingo, 4 de dezembro de 2022

OUTROS SINTOMAS, A MESMA DOENÇA!

 Nota dos Editores: 

Em sua recente primeira entrevista coletiva à imprensa lusitana (em 15-11-2022), o novo Secretário Geral do Partido Comunista Português, Paulo Raimundo, fez um convite público à volta ao partido dos chamados “renovadores”, que no final do século passado foram excluídos do PCP, após uma crise na qual se debateram em luta interna contra os dirigentes tidos por eles como “ortodoxos”.

Na ocasião, o atual Secretário Geral declarou que “uma parte das pessoas que saíram do PCP, incluindo os chamados renovadores, faz cá muita falta porque as suas opiniões são válidas para construir um partido que nós queremos mais forte”.

O texto que aqui divulgamos (“Outros sintomas, a mesma doença!”), publicado de forma anônima no blog português “Que Fazer?”, em maio de 2019, é premonitório, ao analisar o processo de social-democratização do PCP então em curso. Ei-lo: 


“Os militantes que ousam dar uma opinião franca divergente da cartilha oficial, são ostracizados e perseguidos através de métodos eticamente condenáveis”.

 

“Os militantes e quadros assim educados reproduzem no Partido a hierarquia da sociedade, vendo os dirigentes como chefes e vendo-se a si mesmos como os que têm de obedecer ao “chefe”, independentemente de estarem ou não de acordo com ele e sem discussão, esperando com isso “cair nas suas boas graças”.



A política de quadros, a par da linha política, é a pedra de toque de um partido revolucionário. Sabemos pela história do nosso próprio Partido e pela história de outros partidos comunistas que, se existe uma linha política desviada, logo se instalam métodos e estilos de trabalho erróneos. Assim aconteceu com o desvio de direita que precedeu o VI Congresso do Partido (1965), que corrigiu ambos. Os métodos de trabalho eram liberais e introduziam perigos que facilitavam a ação da polícia política, enquanto a linha política defendia uma rutura pacífica com o fascismo. 

Hoje, os desvios dos métodos e estilos de trabalho assumem características um pouco diferentes: existem métodos antidemocráticos misturados com liberalismo, ao mesmo tempo que se defende uma passagem pacífica, etapista, do capitalismo para o socialismo. 

O camarada Álvaro Cunhal, no seu livro O Partido com paredes de vidro, define o que é um quadro do Partido, noção bastante ampla, que abrange não só os dirigentes e funcionários do Partido como todos os militantes que assumem uma tarefa e a desenvolvem com regularidade. Todos os militantes que conviveram com aquela geração de homens e mulheres que entregaram a sua vida à causa do socialismo e, consequentemente, à luta contra o fascismo, aprenderam com eles como deve ser um militante, um quadro, um dirigente (a qualquer nível). 

Os militantes, mesmo os desconhecedores do que era o Partido, era dentro dele que aprendiam. Como? Nas reuniões e na prática das tarefas. Nas reuniões discutia-se a situação política numa perspetiva materialista, marxista-leninista, o que proporcionava que o militante nunca perdesse a perspetiva da luta pelo socialismo, consolidasse a sua confiança nessa causa e elevasse o seu nível político e ideológico, mesmo que nunca tivesse lido as obras dos clássicos. 

Não se perdia o norte quanto ao momento político que se enfrentava e o ponto para que se dirigia a ação, isto é, discutia-se constantemente a tática e a estratégia do Partido. Quando se sofria revezes ou derrotas, a força do coletivo e a perspetiva da vitória final dos trabalhadores dava força e ânimo para a continuação da luta. Quando se tratava de resultados eleitorais insatisfatórios, nenhum comunista se desanimava, porque se sabia que não era a via eleitoral que conduzia ao socialismo. Quando uma luta não era vitoriosa, sabia-se que muitas lutas estariam por vir e havia força para as continuar. 

A prática e a execução das tarefas, quaisquer que fossem, enriqueciam e formavam os militantes. Um camarada tanto podia colar um cartaz, sabendo em que processo de luta esse ato se inscrevia, como redigir um complexo documento para uma assembleia de organização, ou montar estruturas na Festa do Avante.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Sobre o debate ideológico-político no 22º Encontro Internacional dos Partidos Comunistas e o "truque" da posição "anti-russa" e "pró-russa"

Eliseos Vagenas

Membro do CC do KKE,

Diretor da Seção de Relações Internacionais do CC do KKE

       Prossegue o debate sobre os resultados do Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários em Havana.

Algumas forças, e inclusive jornais burgueses, buscaram interpretar os resultados do Encontro Internacional dos Partidos Comunistas sob seu próprio prisma. Assim, o jornal russo “Nezavisimaya Gazeta” falou de uma “ruptura no movimento de esquerda internacional” em Havana, devido à “operação militar especial” russa, como a mídia russa chama a guerra na Ucrânia. A primeira coisa que se nota é a evidente pressa do referido jornal em substituir até mesmo o título do “Encontro Internacional dos Partidos Comunistas e Operários” (EIPCO) pelo título incolor e insípido “movimento de esquerda internacional”.

No entanto, na realidade, o periódico burguês russo “está empurrando portas abertas”, pois como o KKE destacou várias vezes, no movimento comunista internacional (MCI) se desenvolve um duro confronto ideológico-político sobre várias questões importantes. Já temos falado da crise político-ideológica nas fileiras do MCI, assim como da necessidade de seu reagrupamento revolucionário.

O debate no seu interior, como o KKE já mostrou várias vezes, tem muitas dimensões, por exemplo:

Entre os partidos que se posicionam a favor da diluição dos partidos comunistas em “alianças de esquerda progressista mais amplas” e os partidos que lutam pela preservação da independência político-ideológica dos partidos comunistas e pelo fortalecimento de seus vínculos com a classe trabalhadora e as camadas populares.

Entre os partidos que permanecem atrelados à antiga estratégia das “etapas para o socialismo” e apoiam a participação em governos burgueses de “esquerda”, “antineoliberal”, “progressista”, “centro-direita” no terreno do capitalismo, e os partidos que rejeitaram a participação nos governos burgueses e a lógica das etapas e lutam para derrubar a barbárie capitalista.

Entre os partidos que identificam o imperialismo exclusivamente com os EUA ou mesmo com alguns países capitalistas fortes da Europa, ou com uma política externa agressiva, e os partidos que sustentam a percepção leninista de que o imperialismo é o capitalismo monopolista, a fase superior e última desse sistema de exploração.

Entre os partidos que consideram que a luta pela paz está indissociavelmente ligada a um “mundo multipolar” que supostamente “domará” os EUA, difundindo ilusões sobre uma “arquitetura internacional para a paz” cultivada por social-democratas e oportunistas, e, por outro lado, aqueles partidos que acreditam que o mundo capitalista não pode ser “democratizado”, não pode acabar com as guerras, por mais “polos” que tenha e é imprescindível intensificar a luta pela derrubada do capitalismo, pela construção da nova sociedade socialista.

Entre os partidos que consideram a China como um país que "está construindo o socialismo com características chinesas" e os partidos que consideram que o socialismo tem princípios e que na China esses princípios foram violados e já predominam as relações capitalistas de produção, que é um país do mundo capitalista contemporâneo, que é um país que compete com os EUA ameaçando sua supremacia no sistema imperialista.

Poderíamos mencionar outros temas graves em torno das quais se desenvolve um forte debate ideológico no EIPCO, entre os quais, após a inaceitável invasão russa na Ucrânia, a questão da guerra imperialista na Ucrânia foi adicionada. Portanto, o “ouro” do “Nezavisimaya Gazeta” de que acaba de haver uma “ruptura no movimento de esquerda internacional”, tem se mostrado apenas “carvão”. Quanto à posição dos partidos que se autodenominam de "esquerda", deve-se destacar que apenas o SYRIZA de "esquerda" votou no Parlamento Europeu juntamente com o direitista ND e o social-democrata PASOK a favor da formação de um "mecanismo de ajuda militar para a Ucrânia” da mesma forma que havia apoiado anteriormente a expansão das bases dos EUA-OTAN na Grécia, ou a adesão de novos países à OTAN, questões em que o KKE votou contra.

O que aconteceu em Havana?

Nos Encontros Internacionais de Partidos Comunistas, busca-se chegar a posições comuns que se expressam através da aprovação do “Documento Final”, quando isso é possível. No entanto, este documento é fruto de um debate e de uma confluência de opiniões, mas quem ler este documento específico do 22ª EIPCO (ver http://www.solidnet.org/article/22nd-IMCWP-Final- Declaração-do-22º-Encontro-Internacional-dos-Partidos-Comunistas-e-Trabalhadores/) perceberá que nele não há análises problemáticas sobre as “etapas”, de apoio a “governos de esquerda e progressistas”, de “luta contra o neoliberalismo” que encubra a luta contra o capitalismo, sobre um “mundo multipolar” etc., mas, ao contrário, promove-se a linha comum de luta dos partidos comunistas contra o capitalismo, em apoio às lutas operárias e populares, como via de construção da nova sociedade socialista.

Ao mesmo tempo, no EIPCO cada parte tem a oportunidade de contribuir com o seu discurso e levantar ou apoiar resoluções respectivas sobre diversos temas.

Assim, apesar dos diferentes enfoques expressos nos discursos dos partidos no EIPCO sobre a guerra na Ucrânia, no “Documento Final” do 22º EIPCO existe uma referência particular à situação na Ucrânia, à qual o Departamento de Relações Internacionais do CC do Partido Comunista da Federação Russa (PCFR) evita mencionar em resposta ao “Nezavisimaya Gazeta”. Esta é a referência feita no Documento Final do EIPCO:

"3. Como consequência da crescente agressividade do imperialismo e da recomposição geopolítica em curso, enfrentamos uma nova espiral da corrida armamentista, o reforçamento e expansão da OTAN, o surgimento de novas alianças militares, o acirramento de tensões e conflitos militares, como o da Ucrânia, o ressurgimento do fascismo em várias partes do mundo e a “guerra fria” e a ameaça de uma conflagração nuclear, que devemos rechaçar”.

Além deste posicionamento comum, foram apresentadas duas resoluções: uma do Partido Comunista dos Trabalhadores da Rússia (PCOR), do Partido Comunista da Federação Russa e do Partido Comunista da Ucrânia que justificava e apoiava a invasão russa reproduzindo pretextos “antifascistas” que a burguesia russa utiliza para esconder suas aspirações. A outra resolução foi apresentada pela União dos Comunistas da Ucrânia (e não pelo KKE, como afirma D.Novikov, o vice-presidente do Comitê Central do PCFR, no artigo da “Nezavisimaya Gazeta”). Esta resolução, que revela a natureza imperialista da guerra, condena tanto o governo reacionário da Ucrânia quanto os objetivos da burguesia russa, e foi apoiada pelo KKE.

Sobre o ataque ao KKE

A Seção de Relações Internacionais do PCFR, na tentativa de minimizar a importância dessa resolução, que demonstra o caráter imperialista da guerra, alinha-se com o autor do artigo de "Nezavisimaya Gazeta" e recorre com ele ao argumento "conveniente" de que as partes signatárias "quase nenhuma delas exerce influência em seu Estado". Alguns dias antes, em entrevista à rádio “Aurora”, G.Afonin, o vice-presidente do Comitê Central do PCFR, referiu-se com desdém ao KKE, dizendo que ele tem apenas 10 deputados, que nas eleições alcança 5- 6%, e questiona-se “qual é a sua influência na sociedade?”, acrescentando que “perdeu muitas oportunidades de unir as forças de esquerda e as forças progressistas” na Grécia.

O exposto demonstra que o PCFR parece medir a "influência" dos demais partidos comunistas com base em critérios puramente parlamentares como o número de deputados ou o percentual eleitoral, enquanto é sabido que para um partido revolucionário que luta para derrubar o capitalismo, alcançar um percentual eleitoral requer um árduo esforço nas condições da ditadura do capital. Além disso, diríamos que tanto a trajetória histórica quanto os acontecimentos recentes deveriam ter ensinado que os partidos comunistas que não estão enraizados na classe trabalhadora, no movimento sindical, nas lutas da classe trabalhadora do país e sua ação se limita dentro das paredes do parlamento podem desaparecer do dia para a noite, e isto independentemente da sua alta porcentagem eleitoral ou do grande número de deputados.

Assim, o vice-presidente de um partido, que em seus 29 anos de existência não deu nenhuma contribuição substancial para o desenvolvimento do movimento operário sindical na Rússia e, de fato, no momento em que os sindicalistas são presos por sua ação sindical, como o presidente do sindicato dos carteiros de Moscou, Kirill Ukrayinchev, deveriam ser menos vaidosos e estudar a rica experiência e ação do KKE, que está liderando as lutas da classe trabalhadora, camponeses pobres, pequenos empresários e juventude, que era conhecido pelos quadros do PCFR no período anterior.

Como o PCFR realmente mede sua influência, que embora tenha dezenas de deputados, esqueceu a luta de classes ou ainda não conseguiu dizer uma única palavra de crítica ao presidente russo C. Putin, que repetidamente tem atacado o líder da Revolução de Outubro, V.I.Lenin e os bolcheviques? Como é possível que não tenha notado que V.Putin em todos os discursos importantes usa trechos dos livros do filósofo russo e fundador do fascismo russo, I.Ilin?

Calúnia contra o KKE sobre “anti-russianismo”

Em diversas meios de comunicação, que apoiam o PCFR, a realidade é ainda mais brutalmente distorcida. Assim, afirma-se que no 22º EIPCO foram apresentadas duas resoluções, uma “pró-Rússia” apresentada pelos dois partidos russos e uma “anti-Rússia” apoiada pelo KKE.

De onde se deduz que uma resolução era "pró-russa" e outra "anti-russa"? O único critério para esta distinção é se cada uma destas resoluções apoia ou não os pretextos e opções da burguesia russa na guerra imperialista e na defesa dos seus próprios interesses.

Mas se pode caracterizar “pró-russa”uma resolução que aceita que os filhos do povo russo se convertam em buchas para os canhões da guerra imperialista, para melhor servir aos interesses dos monopólios russos, que se chocam com os monopólios euro-atlânticos na Ucrânia, sobre a repartição de matérias-primas, terras férteis, recursos naturais, infraestrutura industrial, mão de obra e mercados?

Apesar de que falar de “pró-Rússia” e “anti-Rússia” seja um truque enganoso, pode-se logicamente dizer que “pró-Rússia” - segundo a terminologia do PCFR - é precisamente a resolução que revela e apoia a interesses da classe trabalhadora, das camadas populares da Rússia, em oposição aos interesses da burguesia do país, suas alianças e a guerra imperialista.

Uma resolução pode ser descrita como "anti-russa" porque se choca com os interesses da burguesia russa?

Essa lógica não é nada sólida. Pensem numa coisa: o KKE em suas declarações e no EIPCO se posiciona em primeiro lugar contra todos os planos e a atitude dos governos burgueses gregos, da ND atualmente, e do SYRIZA e do PASOK antes, que para servir aos interesses dos armadores, banqueiros, industriais e outros setores da burguesia, aprisionaram o país nos planos das organizações imperialistas da OTAN e da UE. Alguém, além dos nacionalistas, poderia denunciar o KKE por ter uma “postura anti-helênica” por se opor e condenar as escolhas dos partidos e governos burgueses gregos?

Quando o KKE se mobiliza contra as bases dos EUA, o acordo estratégico com os EUA, não se mobiliza contra o povo norte-americano e a classe trabalhadora dos EUA, cujas lutas os comunistas gregos honram e contribuíram através dos imigrantes que chegaram a este país.

Quando o KKE se mobiliza contra a compra de armas francesas, o acordo estratégico entre a Grécia e a França, o faz porque considera que  iss0 envolve o país em novas intervenções e guerras imperialistas, por exemplo na zona do Sahel, e não porque tenha “ sentimentos anti-franceses”. Pelo contrário, o KKE louva a contribuição histórica das lutas da classe trabalhadora francesa, desde a Comuna de Paris até os dias atuais.

Quando o KKE se mobiliza ao lado dos trabalhadores do porto de Pireu, controlado pelo monopólio chinês COSCO, não é que tem sentimentos “anti-chineses”, mas sua “bússola” é a necessidade de apoiar a luta dos trabalhadores por condições seguras de trabalho, salários decentes e acordos coletivos de trabalho, etc.

A partir das posições dos princípios do internacionalismo proletário, o KKE está ao lado dos povos, ao lado da classe trabalhadora de todos os países, contra os interesses das classes burguesas e das alianças imperialistas. O KKE é a favor da cooperação mutuamente benéfica entre todos os países e povos, e se opõe a qualquer manifestação de racismo e todos os tipos de xenofobia.

A mentira não vive até envelhecer

É bem conhecida a frase de que "nunca se mente mais do que depois de uma caçada, durante uma guerra e antes das eleições" e em nosso caso há pelo menos duas condições, e alguns no nosso país tentam difamar o KKE que com sua posição de princípios contra a guerra imperialista, supostamente expressa “anti-russismo”. Porém, tal coisa tem “pernas curtas”, porque o KKE:

Durante todos estes anos resistiu, destacou e denunciou os perigos da expansão da OTAN para as fronteiras da Rússia com novos países.  Denunciou o governo anterior do SYRIZA que fez um acordo com a Macedônia do Norte para poder ingressar na OTAN e na UE. O KKE também denunciou o governo do ND que levou ao parlamento a adesão da Suécia e da Finlândia à OTAN, que também foi aprovada pelos outros partidos euro-atlantistas, supostamente em nome da chamada “autodeterminação” destes países.

Durante todos esses anos, o KKE denunciou e se opôs ao cerco da Federação Russa com novas bases e tropas militares dos EUA e da OTAN, inclusive em nosso país. Enfatizou que esse cerco acumulou material combustível antes da guerra.

Se opôs a que a Força Aérea Grega assumisse a vigilância do espaço aéreo dos países balcânicos, o que seria claramente uma ação de caráter contra a chamada “ameaça russa”.

Durante todos esses anos, o KKE denunciou e votou contra a guerra comercial e as sanções da UE contra a Federação Russa no parlamento nacional e europeu, e enfatizou que essas sanções afetam em primeiro lugar as camadas populares, como, por exemplo, os camponeses do nosso país.

O KKE destacou que a chamada redução da dependência da UE do gás natural russo leva tanto à dependência da UE do caro gás natural liquefeito dos EUA, assim como à implementação de impostos verdes relacionados à chamada “transição verde”.

O KKE se opôs e condenou a decisão da União Europeia e do governo grego, no início da guerra imperialista, de proibir o funcionamento da mídia russa em nosso país.

O KKE se opôs e condenou a decisão da União Europeia e do governo grego, no início da guerra imperialista, de impedir eventos com organizações culturais russas.

É claro que partidos como o PCFR, que é influenciado por pontos de vistas nacionalistas e apoiam plenamente as construções ideológicas das classes burguesas como o chamado “mundo russo”, não podem ver nada mais que “anti-russismo” no rechaço aos pretextos que usa a burguesia russa, e na clara posição de condenação tanto do imperialismo euro-atlântico como da burguesia russa.

 Respondemos com o último parágrafo da Resolução da União dos Comunistas da Ucrânia, apoiada pelo KKE: "É vergonhoso e criminoso que os comunistas em todo o mundo se tornem rabo dos governos dos países burgueses e trabalhem pelos interesses de sua burguesia nacional, apoiando um ou outro bloco de países burgueses. Nossa tarefa firme é ajudar os trabalhadores de todo o mundo a perceberem que as guerras imperialistas não levam à emancipação do trabalho, ao contrário, o escravizam ainda mais. Assim como no conflito imperialista, o trabalhador não tem aliados nos círculos dominantes, mas apenas inimigos; que seus amigos são apenas os próprios proletários, qualquer que seja sua nacionalidade. O dever dos comunistas é alcançar o fim do capitalismo como tal, tanto a nível nacional quanto internacional: o fim do capitalismo significa o fim das guerras. Por esta nobre causa, comunistas de todo o mundo, unam-se aos seus proletários!" 

Fonte: https://inter.kke.gr/es/articles/Sobre-el-debate-ideologico-politico-en-el-22o-Encuentro-Internacional-de-Partidos-Comunistas-y-el-truco-de-la-postura-antirrusa-y-prorrusa/

Publicado no jornal “Rizospastis” - Órgão do CC do KKE, 26-27/11/22

Edição: Página 1917

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