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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

O Negacionismo Social

     "Com a proximidade das eleições, esse vozerio estridente do negacionismo social, na verdade puro oportunismo político, quer nos convencer através dessa louvação messiânica que para nos libertarmos, precisamos nos aliar aos que nos mantêm acorrentados!"

Ney Nunes

          Em tempos dessa terrível pandemia que, pelos nada cofiáveis números oficiais, até aqui ceifou mais de 638 mil vidas em nosso país, popularizou-se o termo “negacionista” para caracterizar aqueles indivíduos que não aceitam as conclusões dos estudos científicos sobre o coronavírus e as vacinas desenvolvidas para combatê-lo. Mas, pelo que temos visto ultimamente, muitos daqueles que denunciam esse negacionismo relacionado às Ciências Biológicas, de forma contraditória, também praticam o negacionismo quando se trata das Ciências Sociais.




          Apesar de todas as evidências, históricas, econômicas, sociológicas e políticas, de que os partidos e líderes que governam no intuito de garantir os interesses do grande empresariado, evitam a todo custo qualquer atitude que contrarie a essência desses interesses, os negacionistas das Ciências Sociais insistem numa louvação messiânica deles, como se fossem os redentores da tragédia social inerente ao capitalismo.

     Com a proximidade das eleições, esse vozerio estridente do negacionismo social, na verdade puro oportunismo político, quer nos convencer através dessa louvação messiânica que para nos libertarmos, precisamos nos aliar aos que nos mantêm acorrentados! Aos explorados não restaria outra alternativa, que não seja participar do circo eleitoral burguês buscando um “mal menor”, para quem sabe, um capitalismo “civilizado” venha substituir o capitalismo “selvagem”.

     Ao contrário dessa invencionice tola e desprovida de qualquer embasamento científico, a experiência concreta do proletariado, na luta para se libertar das cadeias da exploração capitalista, mostra que só conseguimos vitórias efetivas nessa luta quando nos organizamos de forma independente e revolucionária, deixando de ser classe explorada e subalterna aos interesses da burguesia, para nos constituirmos em classe dirigente, libertadora de todos os explorados e oprimidos!

Edição: Página 1917

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Mineiros no Sul catarinense: Greve Vitoriosa

Movimento grevista iniciado no dia 07/02 conseguiu dobrar intransigência patronal, que depois de três meses se negando a negociar, apresentou finalmente uma proposta de acordo.


Na tarde desta quinta-feira, dia 10, a greve dos trabalhadores das carboníferas do Sul catarinense chegou ao fim. Os trabalhadores aprovaram o acordo proposto pelos empresários em assembleia realizada na sede do Sindicato. Esse desfecho só foi possível devido a disposição de luta dos mineiros, o que resultou numa grande adesão à greve.

Entre outras reivindicações os mineiros conquistaram: reajuste geral de salários: 13,10%; reajuste Abono Anual de Férias: 15%; reajuste Vale Alimentação: 15%; Assistência ao Trabalhador Acidentado: estender de 90 para 120 dias.

Os mineiros do sul catarinense trilharam o caminho da organização e da luta, o único possível para o proletariado enfrentar a exploração dos capitalistas!

Edição: Página 1917

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Apolonio de Carvalho: Exemplo de Combatente Internacionalista


Apolonio de Carvalho (Corumbá, 9 de fevereiro de 1912 — Rio de Janeiro, 23 de setembro de 2005)


Nossa homenagem a Apolonio de Carvalho, herói do proletariado brasileiro, comunista e combatente internacionalista, na passagem dos 110 anos do seu nascimento.


"Ao longo do século XX, Apolônio de Carvalho sempre lutou por aquilo em que acreditava, numa longa e duradoura militância por transformação social. A partir da década de 1930, esteve presente nas mais importantes lutas políticas do Brasil e da Europa: serviu no exército brasileiro e depois foi expulso pela ditadura Vargas; ingressou no Partido Comunista Brasileiro; foi voluntário nas Brigadas Internacionais da Guerra Civil Espanhola contra os fascistas; e atuou na resistência francesa, na luta contra o nazismo na Segunda Guerra Mundial. Foi, por assim dizer, um exemplo de militante internacionalista, chamado pelo escritor Jorge Amado de “um herói de três pátrias”.

Quando voltou ao Brasil, em 1946, envolveu-se ativamente na vida política do país. Durante a ditadura militar, participou da resistência e passou a viver na clandestinidade. Em 1964, com divergências com o Comitê Central do Partido Comunista, rompeu com o partido e fundou, em 1969, o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), juntamente com Jacob Gorender e Mário Alves. Em 1970, foi preso e torturado pelo regime militar. Em junho daquele ano, Apolônio e outros 39 presos políticos brasileiros foram banidos para a Argélia, trocados em decorrência do sequestro do embaixador da Alemanha.

Em outubro de 1979, com a promulgação da Lei de Anistia, retornou ao Brasil, e participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), sendo um dos primeiros filiados." *

* https://memoriasdaditadura.org.br/biografias-da-resistencia/apolonio-de-carvalho/

Edição: Página 1917

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

O Marxismo-Leninismo Como Teoria do Proletariado

Charles Bettelheim

Novembro/1971

 


     O marxismo-leninismo é a teoria do proletariado porque é a expressão teórica da existência do proletariado no modo de produção capitalista: o marxismo desenvolveu-se colocando-se do ponto de vista do proletariado, único ponto de vista a partir do qual é possível compreender o significado das lutas proletárias. Devem recordar-se aqui as palavras de Marx, que, ao analisar o alcance histórico da Comuna de Paris, declarava que, para a burguesia e para os que se colocam na posição desta, o sentido das lutas proletárias de classe é uma “esfinge”, ou seja, um “enigma”.

     O marxismo e o leninismo partem não só das lutas proletárias de classe, mas também de uma análise das contradições objetivas do modo de produção capitalista, do estabelecimento da especificidade da posição do proletariado neste modo de produção. Esta posição é a de uma classe produtora inteiramente desprovida de meios de produção, totalmente separada das suas condições de existência pelo processo de reprodução capitalista, de uma classe que só se pode libertar da exploração capitalista se suprimir não só o capitalismo, mas todas as formas de exploração do homem pelo homem, destruindo totalmente as relações sociais existentes e substituindo-as por relações radicalmente novas.

     A especificidade da posição do proletariado no modo de produção capitalista obriga-o, para se libertar, a desenvolver uma ideologia revolucionária radical. Com efeito, a libertação do proletariado da exploração e da opressão exige a sua radicalização ideológica, a sua adesão crescente a uma ideologia completamente revolucionária que é fundamentalmente a sua, diferente daquela a que a enorme pressão dos aparelhos ideológicos da burguesia tende permanentemente a submetê-lo.(5)

     A ideologia proletária é a que corresponde à posição do proletariado no modo de produção capitalista; esta ideologia é o marxismo-leninismo, que, precisamente, se desenvolveu e se desenvolve a partir de uma análise da posição objetiva  do proletariado, a partir de uma tomada em consideração das contradições no seio das quais se desenvolve espontaneamente a luta proletária de classe e das posições que espontaneamente toma o proletariado todas as vezes que as suas próprias lutas atingem uma certa intensidade.

     É neste sentido muito preciso que o marxismo-leninismo é a teoria revolucionária do proletariado. É por esta razão que ele tem a capacidade de penetrar com uma velocidade avassaladora na classe operária todas as vezes que as contradições objetivas em que o proletariado é envolvido atingem uma certa acuidade. É também por esta razão que, todas as vezes que as lutas proletárias de classe atingem uma certa intensidade, o proletariado encontra por si mesmo formas de organização de massa que Marx e Lenin mostraram corresponderem ao papel revolucionário do proletariado: estas formas de organização são as da Comuna de Paris, dos Sovietes de 1905 e de 1917, dos Comités Revolucionários num grande número de países e nomeadamente na China durante a Revolução Cultural.

     Ao mesmo tempo, a natureza das contradições em que o proletariado é envolvido explica que estas formas de organização, que podem designar-se pelo termo de “realização espontânea da ideologia proletária”, sejam por si sós instáveis e frágeis, donde a necessidade da construção de um aparelho ideológico e político especificamente proletário, de um partido marxista-leninista portador da ideologia proletária. Só um tal aparelho permite, ao mesmo tempo, concentrar as iniciativas das massas que correspondem às exigências da libertação das classes dominadas de todas as formas de exploração e de opressão e permite que estas classes, através das lutas que travam, se apropriem da ideologia proletária de que a ação da burguesia tende permanentemente a separá-las. Como o sublinha Marx, é através das lutas revolucionárias e só através destas lutas que o proletariado consegue transformar-se a si próprio ideologicamente. Tal como ele escreve na Ideologia Alemã: “...A revolução não é necessária apenas porque não há outros meios de derrubar a classe dominante, mas ainda porque a classe que derruba a outra só por uma revolução pode conseguir desembaraçar-se de toda a velha mixórdia e tornar-se assim capaz de realizar uma nova fundação da sociedade.”(6)

     O marxismo-leninismo é a teoria revolucionária do proletariado porque tira até ao fim as conclusões que a análise das lutas do proletariado e da posição deste no modo de produção capitalista impõe, quando nos colocamos do ponto de vista dos explorados e não do ponto de vista dos exploradores. O marxismo-leninismo pôde assim mostrar, ao mesmo tempo, o papel radicalmente revolucionário do proletariado e o carácter histórico mundial da revolução proletária, carácter este ligado ao desenvolvimento do modo de produção capitalista como um sistema mundial de exploração e de opressão de que os povos só à escala mundial podem definitivamente libertar-se.

Notas:

 5 - A Ideologia a que o proletariado está deste modo submetido não é evidentemente a ideologia do proletariado, mas sim a que sobre ele pesa ou, como diz Rivenc num texto não publicado sobre «A filosofia de Mao Tsé-tung», «a ideologia entre o proletariado».

6 - Cf. K. Marx, A Ideologia Alemã, citação de acordo com: Marx, Oeuvres philosophiques, Ed. Costes, t. VI, p. 184.

Edição: Página 1917

Fonte: Sociedades de Transição: Luta de Classes e Ideologia Proletária; Paul Sweezy e Charles Bettelheim.

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