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quinta-feira, 15 de abril de 2021

O Imperialismo e a Cisão do Socialismo

Lenin (outubro-1916)

Existe uma ligação entre o imperialismo e a vitória monstruosa e abominável que o oportunismo (na forma de social-chauvinismo) alcançou sobre o movimento operário na Europa?

 



É esta a questão fundamental do socialismo contemporâneo. E depois de termos estabelecido completamente na nossa literatura partidária o caráter imperialista da nossa época e desta guerra em primeiro lugar, e em segundo lugar a ligação histórica indissolúvel do social-chauvinismo com o oportunismo, e igualmente o seu conteúdo ideológico-político idêntico, pode-se e deve-se passar à elaboração desta questão fundamental.

É preciso começar por uma definição o mais precisa e completa possível do imperialismo. O imperialismo é um estágio histórico particular do capitalismo. Esta particularidade é tripla: o imperialismo é: (1) — capitalismo monopolista; (2) — capitalismo parasitário ou em decomposição; (3) — capitalismo moribundo. A substituição da livre concorrência pelo monopólio é o traço econômico fundamental, a essência do imperialismo. O monopolismo manifesta-se em 5 tipos principais: 1) os cartéis, consórcios e trustes; a concentração da produção alcançou o nível que gerou estas associações monopolistas de capitalistas; 2) a situação monopolista dos grandes bancos: 3-5 bancos gigantescos comandam toda a vida econômica da América, da França, da Alemanha; 3) a apropriação das fontes de matérias-primas pelos trustes e pela oligarquia financeira (o capital financeiro é o capital industrial monopolista que se fundiu com o capital bancário); 4) a partilha (econômica) do mundo pelos cartéis internacionais começou. Contam-se já para cima de cem desses cartéis internacionais, que dominam todo o mercado mundial e o dividem «amistosamente» — enquanto a guerra não o redividir. A exportação do capital, como fenômeno particularmente característico, diferentemente da exportação de mercadorias no capitalismo pré-monopolista, está em estreita ligação com a partilha econômica e político-geográfica do mundo; 5) a partilha territorial do mundo (colônias) terminou.

O imperialismo, como estágio superior do capitalismo da América e da Europa, e depois também da Ásia, formou-se completamente em 1898-1914. As guerras hispano-americana (1898)(N22), anglo-bóer (1899-1902)(N23) e russo-japonesa (1904-1905)(N24) e a crise econômica na Europa em 1900 — tais são os principais marcos históricos da nova época da história mundial.

Que o imperialismo é capitalismo parasitário ou em decomposição, isso manifesta-se, em primeiro lugar, na tendência para a decomposição que distingue todo o monopólio sob a propriedade privada dos meios de produção. A diferença entre a burguesia imperialista republicano-democrática e monárquico-reacionária apaga-se precisamente porque uma e outra apodrecem vivas (o que de modo nenhum elimina o desenvolvimento espantosamente rápido do capitalismo em alguns ramos da indústria, em alguns países, em alguns períodos). Em segundo lugar, a decomposição do capitalismo manifesta-se na criação de uma enorme camada de rentistas, de capitalistas que vivem de «cortar cupões». Nos quatro países capitalistas avançados, a Inglaterra, a América do Norte, a França e a Alemanha, o capital em títulos ascende em cada um a 100-150 milhares de milhões de francos, o que significa um rendimento anual de pelo menos 5-8 milhares de milhões por país. Em terceiro lugar, a exportação do capital é o parasitismo ao quadrado. Em quarto lugar, «o capital financeiro aspira à dominação e não à liberdade». A reação política em toda a linha é uma característica do imperialismo. Venalidade, suborno em proporções gigantescas, um panamá de todos os tipos(N25). Em quinto lugar, a exploração das nações oprimidas, indissoluvelmente ligada às anexações e particularmente a exploração das colônias por um punhado de «grandes» potências, transforma cada vez mais o mundo «civilizado» num parasita no corpo de centenas de milhões de pessoas dos povos não civilizados. O proletariado romano vivia à custa da sociedade. A sociedade atual vive à custa do proletariado moderno. Marx sublinhou particularmente esta profunda observação de Sismondi(N26). O imperialismo modifica um pouco a situação. Uma camada privilegiada do proletariado das potências imperialistas vive parcialmente à custa de centenas de milhões de pessoas dos povos não civilizados.

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Gramsci é o “Lenin de hoje”

Maria-Antonietta Macciocchi*

O marxismo de Gramsci, que para alguns não parece suficientemente “ortodoxo”, aborda uma direção de pesquisa fundamental: revelar o que existe de vivo e morto no marxismo, a luz das experiências de uma época histórica determinada, e dos objetivos e metas a atingir. Antes de mais nada é preciso refutar as teses acadêmicas que pretendem ver na tentativa gramscista “uma difícil abordagem do marxismo, sempre visto através de uma ótica idealista e espiritualista”. (Cortesi, Alcuni Problemi della Storia del PCI. Rivista storica del socialismo, 1967.) Sua relação com o marxismo foi, em primeiro lugar, política: partindo do Capital, ele refuta o economicismo de boutique, a interpretação positivista, todo pedantismo formalista, a utilização ideológica do marxismo com fins reformistas.



1891-2021: 130 anos do nascimento de Gramsci.


   A questão reside em ver em que reside o aporte maior, o mais original, de Gramsci ao marxismo e ao leninismo. Pode-se dizer que, se ele não conseguiu levar o movimento a sair do impasse, se suas ideias foram limitadas pela conjuntura histórica da crise política e conceitual que acompanhou a derrota dos anos vinte, Gramsci foi, entretanto, um teórico que, através da revalorização do conceito de práxis, demonstrou que o marxismo não deve ser considerado como uma “ciência da infra-estrutura”, mas como a articulação complexa da teoria e da prática na relação infra-estrutura-superestrutura. Ele enfrenta assim a relação entre objetividade e subjetividade num sentido revolucionário: é impossível preparar a revolução socialista se não se traduz em ideologia revolucionária o condicionamento que provém da objetividade. Ele retoma assim o hic Rhodus hic salta, que ainda hoje permanece sendo uma palavra de ordem para todo o movimento revolucionário. É através da revolução intelectual e moral que somos conquistados para uma linha política, isto é, para um comportamento prático, “como atividade humana sensível, como prática” (Marx, Teses sobre Feuerbach). De fato, em Gramsci, “a negação da negação não é o resultado da determinação econômica, mas o fato de assumir contradições estruturais na práxis consciente” (Badaloni, in Prassi Rivoluzionaria e Storicismo in Gramsci. E.R. p. 108). A interpretação prática da relação infra-estrutura-superestrutura é a pedra fundamental de onde Gramsci pode fazer partir sua teoria da hegemonia, da democracia proletária, conceito que sofreu tão grande golpe na experiência prática das sociedades de transição para o socialismo: o poder das massas se evaporou atrás dos pesados aparelhos dos burocratas, de governantes, de chefes de partido; o consenso, de que falava Gramsci, tornou-se uma terna passividade, ou mesmo uma despolitização das massas, pelo fato de que elas são privadas de uma fonte real de participação e controle.

   Eu ousaria dizer que Gramsci é o “Lenin de hoje”, no mundo das sociedades industrializadas para as quais caminhamos, buscando uma saída revolucionária entre as tentações reformistas ou mencheviques e as do ultra-esquerdismo infantil. Gramsci, e essa é a minha própria “formulação” do problema, pode, portanto, aparecer como o único pensador de uma revolução no Ocidente, na medida em que seu ensinamento teórico-político é estrategicamente o mais avançado, no que concerne à determinação do processo da revolução socialista, não apenas na Itália, como também no ocidente europeu, isto é, o do “capitalismo evoluído” tal como o entendemos hoje.


*Maria Antonietta Macciocchi (23 de julho de 1922 - 15 de abril de 2007) foi uma jornalista, escritora, feminista e política italiana.  Macciocchi nasceu em Isola del Liri , filho de antifascistas . Ela se juntou ao clandestino Partido Comunista Italiano (PCI) durante a ocupação alemã de Roma. Ela se juntou a l'Unità , o jornal fundado por Antonio Gramsci , tornando-se sua correspondente estrangeira em Argel e Paris. Na década de 1960, ela lecionou na Vincennes University France e seu livro Pour Gramscirecebeu o crédito por apresentar o pensamento de Gramsci aos intelectuais franceses. Retornando à Itália em 1968 para concorrer às eleições gerais como candidata a Nápoles , ela manteve uma correspondência com Louis Althusser sobre as condições da classe trabalhadora e a gestão do partido local. Apesar de eleita, a publicação da correspondência ajudou a garantir que o PCI não a apresentasse à reeleição em 1972. Ela viajou para a China para l'Unità , elogiando a Revolução Cultural no livro resultante, Dalla Cina: dopo la rivoluzione culturale . Em 1977, ela foi expulsa do PCI por apoiar os maoístas em Bolonha. Em 1979 foi eleita Deputada ao Parlamento Europeu (MEP) pelo Partido Radical.

Fonte: A Favor de Gramsci; p.13/14; 1976; Paz e Terra)

Edição: Página 1917.

terça-feira, 30 de março de 2021

Contra o capitalismo, o fascismo e a opressão da burguesia e dos seus governos só existe um caminho:

a resistência e a luta da classe operária e das massas!

Nas últimas semanas, em vários estados, os/as petroleiros/as têm partido mais uma vez para a luta por várias razões: assédio moral, falta de segurança, privatização.

Nós, trabalhadores e trabalhadoras, enfrentamos um momento de gravíssima deterioração de nossas condições de vida sob o capitalismo no Brasil. Neste momento se somam e se reforçam reciprocamente três catástrofes: a pandemia, a crise econômica e a crise política, sob a forma de uma ofensiva burguesa.

Nesse cenário extremamente difícil, a classe operária e as massas lutam com grandes sacrifícios para sobreviver, tentam criar formas novas de apoio mútuo e solidariedade entre si e os seus, e buscam resistir ao desemprego e à exploração capitalista com greves e manifestações. Embora essas ainda sejam pequenas e estejam dispersas, e atualmente muito dificultadas pela pandemia, não há outro caminho para a libertação a não ser o da luta, contando com nossas próprias forças.

Os vendedores de ilusões, os reformistas de ideologia burguesa infiltrados entre as massas, buscam enganá-las com promessas de uma vida melhor, dentro do capitalismo, sem luta, apenas votando em seus candidatos e apoiando seus conchavos com os patrões. No entanto, a libertação das classes dominadas somente pode ser conquistada pelas próprias classes dominadas.

sexta-feira, 26 de março de 2021

Manoel Alves Ribeiro, o "Seu Mimo", um comunista histórico.

Manoel Alves Ribeiro

   
   Manoel Alves Ribeiro, o "Seu Mimo", nasceu em Imaruí, Santa Catarina, em 13 de março de 1903 e faleceu em Florianópolis, 29 de Setembro de 1994. Operário desde jovem, foi mineiro, ferreiro e depois eletricista,  trabalhou na construção da Ponte Hercílio Luz,  militante e dirigente do Partido Comunista Brasileiro desde a fundação do partido em Santa Catarina na década de 1930. Em 1959 é eleito vereador pela legenda do Partido Social Progressista (PSP), legenda utilizada pelos comunistas devido a ilegalidade do PCB.  Em 1980 sai do partido acompanhando a ruptura de Luiz Carlos Prestes.

"Eu julgo hoje o capitalismo no Brasil e no mundo, um edifício que quer ruir, eu não vou lá colocar uma estaca para segurá-lo. Se eu puder dou um pontapé para ele cair de uma vez."

Assista a entrevista com "Seu Mimo", realizada em 1989.
 

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