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quinta-feira, 25 de março de 2021

A Reconstrução Revolucionária do PCB (Partido Comunista Brasileiro)

 Ivan Pinheiro (*)


(Intervenção no Seminário Internacional promovido pelo Partido Comunista do México, em 23/11/19, nos marcos das comemorações de um século de luta dos comunistas mexicanos e dos 25 anos da reconstrução do seu partido)

Ivan Pinheiro fala no Seminário Internacional do PCM.

Deixo aqui uma saudação, certamente compartilhada pela militância do meu Partido, às delegações dos diversos Partidos presentes e a todos os convidados a este importante Seminário Internacional, nomeadamente aos camaradas do Partido Comunista do México (PCM), uma referência fundamental na reconstrução revolucionária do Movimento Comunista Internacional (MCI).

Tive o privilégio de assistir ao V Congresso do PCM, em 2014, em nome do PCB, e testemunhar o que penso ter sido o momento de um salto de qualidade desse partido marxista-leninista de fato (e não por auto proclamação), vocacionado a se constituir na vanguarda da classe operária mexicana e seus aliados, no caminho ao socialismo e ao comunismo.

Impressionou-me, para além da energia e jovialidade de sua militância e da qualidade política e ideológica dos seus quadros, a composição social positivamente equilibrada do conjunto dos delegados, com uma presença proletária significativa e indicativa das possibilidades de inserção do Partido na classe operária e entre os trabalhadores em geral.

As trajetórias do PCM e do PCB nas últimas décadas guardam algumas diferenças e semelhanças. Uma destas é que nossos Partidos foram vítimas de maiorias reformistas nos respectivos Comitês Centrais que, para empreender a sua liquidação, se aproveitaram da crise do MCI, em meio aos desvios revisionistas que acabaram por degenerar e liquidar por dentro o Partido Comunista da União Soviética (PCUS), culminando com a contrarrevolução que levou à derrota as experiências de construção do socialismo na União Soviética e no Leste Europeu.

sábado, 20 de março de 2021

CHINA: SUA INFLUÊNCIA NA AMÉRICA LATINA E O INTERNACIONALISMO PROLETÁRIO

 ESCRITOS SOBRE A CHINA (I)



A República Popular da China e seu desenvolvimento geram debates e controvérsias entre os militantes e partidos comunistas de todo o mundo, existindo cada vez mais militantes e partidos comunistas que classificam abertamente a China como uma potência imperialista.

Do ano 2000 até hoje, a China redobrou sua importância e presença político-econômica na América Latina, transformando a região em um novo ponto de encontro para o confronto interimperialista com os Estados Unidos, algo que ainda confunde muitos comunistas .

velho imperialismo liderado pelos Estados Unidos e pela União Europeia está em uma profunda falência política, social e econômica, demonstrando amplamente, como disse Lênin, que o imperialismo é o capitalismo agonizante e em decadência; com sua nova crise econômica, agravada pela pandemia COVID-19, não há dúvida de que o protagonismo geopolítico do Ocidente está se desinflando pouco a pouco em favor do novo Imperialismo liderado pela China. Claro que os Estados Unidos percebem essa perda de controle e hegemonia como uma ameaça cada vez mais direta e empreguem muitos meios de propaganda para atacar a soberania (ver independência de Hong Kong) ou a credibilidade da China (ver a recente campanha sobre a origem da pandemia ou do caso de Xinjiang e dos uigures). Mas essas práticas não devem confundir o militante comunista a acreditar que o inimigo do meu inimigo é meu aliado . Pelo contrário, camaradas. É preciso desenvolver, de igual maneira, uma luta implacável contra este novo imperialismo. Mais implacável se possível no caso da China que, como a União Soviética após o XX Congresso do PCUS, tenta esconder suas práticas criminosas por trás da bandeira vermelha do proletariado e do comunismo. Deng Xiaoping, que alguns comparam à figura de Khrushchev na ex-URSS por seu papel oportunista, foi o promotor da modernização da economia socialista por meio da reforma e abertura da economia chinesa que, na prática, não foi mais do que um processo de transição para uma economia eminentemente imperialista, embora alguns, como Jiang Zemin, o tenham chamado eufemisticamente de transição para um socialismo de mercado.

quarta-feira, 17 de março de 2021

A GUERRA ESQUECIDA QUE PODE INCENDIAR O MUNDO

 Humberto Carvalho


Crédito: Giampaolo Rossi

Em abril deste terrível ano de 2021, completam-se sete anos de guerra entre a Ucrânia e as Repúblicas Populares de Donestk e Lugansk, da região de Donbass. 

Donbass é uma região rica em energia, situada ao leste da Ucrânia, na fronteira  sul da Rússia.

Devido a esses longos sete anos de duração, e por estar localizada em uma região afastada do “brilho ocidental” e, ainda, porque a Ucrânia é dominada pela extrema-direita corrupta e sanguinária cuja manutenção no poder (não só na Ucrânia) interessa ao império norte-americano, o Mundo parece ter esquecido essa tragédia que vive o povo de Donbass.

O motivo da guerra foi a separação dos oblasti (significa regiões, em russo, equivalentes aos nossos estados-membros) de Donestk e Lugansk que proclamaram sua independência da Ucrânia, denominando-se repúblicas populares e se uniram numa confederação, a Konfederatyvnaya respublika Novorosiya (República Confederativa da Novarússia) ou Soyúz Naródnij Respúblik (União das Repúblicas Populares).

A independência de Donbass, em grande medida incentivada pelas células locais do Partido Comunista e do Partido Socialista Progressista, ambos da Ucrânia, surgiu como uma reação ao golpe oligárquico e neonazista ocorrido em Kiev. Essa reação derrotou, ainda, o Partido da Região que apoiava o golpe de estado perpetrado em Kiev.

domingo, 14 de março de 2021

Contra a "Catequização" do Marxismo

Carlos Aquino G.*

07/2020

    Não é novidade que na prática política haja quem constantemente esteja        "refletindo por caminhos sinuosos" ou "pensando fora da caixa" - como dizia Marcos Mundstock a Daniel Rabinovich no genial "biólogo" de Les Luthiers sobre Terpsícore e o merengue -.

Como diz o velho ditado: "A ignorância é atrevida."



   Seguramente uma das explicações poderia ser encontrada no chamado efeito Dunning-Kruger, que levanta o caso da superestimação sobre si mesmas que possuem pessoas não qualificadas ou com conhecimento limitado em certas áreas, que tendem a ter pontos de vista desequilibrados e demasiado favoráveis ​​de suas habilidades, por isso eles “sofrem um duplo fardo: não só eles chegam a conclusões erradas e tomam decisões infelizes, mas sua incompetência os priva da capacidade de se dar conta disso.” [1]

   Dessa forma, embora alguns não tenham problemas em assumi-lo e aplicá-lo como tal, é fundamental insistir que o marxismo-leninismo não é um catecismo, não tem orações, ritos litúrgicos, pecados mortais, verdades imutáveis, nem seres imaculados. É uma superficialidade - compreensível em alguns casos, mas sempre imperdoável - para alguém que se diz comunista, simplesmente decorar frases para repeti-las mecanicamente, como se estivessem recitando versos do Alcorão ou da Bíblia.

   Há poucos meses, no breve escrito “Corrigir e fortalecer com avaliação autocrítica”, ressaltava que “O nosso ‘perfil próprio’ se demonstra na prática, não na quantidade de camisetas que temos do Che, nas frases de Lenine que nós aprendemos, nem quanto nos proclamamos marxistas-leninistas”.

   É muito grave conceber dogmaticamente [2] processos sociais e seus personagens destacados, ou as organizações políticas e seus dirigentes. Daí o pouco peso, valor e significado que têm os ataques espúrios que se fazem com citações pinçadas e descontextualizadas.

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