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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Olga Benário, Heroína do Proletariado!

    Hoje, 12 de fevereiro de 2021, saudamos os 113 anos do nascimento de Olga Benário*, militante comunista, revolucionária internacionalista, primeira esposa de Luís Carlos Prestes. Olga, mesmo estando grávida, foi expulsa do Brasil  e deportada para a Alemanha nazista em setembro de 1936, por ordem do presidente Getúlio Vargas com aval do STF.  Sua filha com  Prestes, Anita Leocádia Benário Prestes, nasceu em 27 de novembro de 1936 na prisão alemã de Barnimstrasse, Berlim e foi libertada graças a uma intensa campanha internacional. Olga Benário acabaria executada no dia 23 de abril de 1942, aos 34 anos de idade, na câmara de gás do campo de extermínio de Bernburg. 

Olga Benário


Abaixo transcrevemos a última carta escrita por Olga para seu marido e sua filha em abril de 1942.

Queridos:

     Amanhã vou precisar de toda a minha força e de toda a minha vontade. Por isso, não posso pensar nas coisas que me torturam o coração, que são mais caras que a minha própria vida. E por isso me despeço de vocês agora. É totalmente impossível para mim imaginar, filha querida, que não voltarei a ver-te, que nunca mais voltarei a estreitar-te em meus braços ansiosos. Quisera poder pentear-te, fazer-te as tranças – ah, não, elas foram cortadas. Mas te fica melhor o cabelo solto, um pouco desalinhado. Antes de tudo, vou fazer-te forte. Deves andar de sandálias ou descalça, correr ao ar livre comigo. Sua avó, em princípio, não estará muito bem. Deves respeitá-la e querê-la por toda a tua vida, como teu pai e eu fazemos. Todas as manhãs faremos ginástica… Vês? Já volto a sonhar, como tantas noites, e esqueço que esta é a minha carta de despedida. E agora, quando penso nisto de novo, a ideia de que nunca mais poderei estreitar teu corpinho cálido é para mim como a morte.

     Carlos, querido, amado meu: terei que renunciar para sempre a tudo de bom que me destes? Conformar-me-ei, mesmo que não pudesse ter-te muito próximo, que teus olhos mais uma vez me olhassem. E queria ver teu sorriso. Quero-os a ambos, tanto, tanto. E estou tão agradecida à vida, por ela haver-me dado ambos. Mas o que eu gostaria era de poder viver um dia feliz, os três juntos, como milhares de vezes imaginei. Será possível que nunca verei o quanto orgulhoso e feliz t sentes por nossa filha?

     Querida Anita, meu querido marido, meu Garoto: choro debaixo das mantas para que ninguém me ouça, pois parece que hoje as forças não conseguem alcançar-me para suportar algo tão terrível. É precisamente por isso que esforço-me para despedir-me de vocês agora, para não ter que fazê-lo nas últimas e difíceis horas. Depois desta noite, quero viver para este futuro tão breve que me resta. De ti aprendi, querido, o quanto significa a força de vontade, especialmente se emana de fontes como as nossas. Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo. Prometo-te agora, ao despedir-me, que até o último instante não terão por que se envergonhar de mim. Quero que me entendam bem: preparar-me para a morte não significa que me renda, mas sim saber fazer-lhe frente quando ela chegue.

     Mas, no entanto, podem ainda acontecer tantas coisas… Até o último momento manter-me-ei firme e com vontade de viver. Agora vou dormir para ser mais forte.

Beijo-os pela última vez.

Olga Benário Prestes.

*Olga Gutmann Benário Prestes (Munique, 12 de fevereiro de 1908 — Bernburg, 23 de abril de 1942)

Edição: Página 1917.


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Solidariedade ao povo e ao PC da Venezuela!

11 de fevereiro de 2021

imagemCalúnias e ameaças contra o Partido Comunista da Venezuela são inaceitáveis

Solidariedade com o povo, o movimento operário-popular e o PC da Venezuela

Os Partidos que assinam esta Declaração Conjunta têm estado firmemente ao lado do povo da Venezuela e têm denunciado e condenado repetidamente a agressão imperialista dos Estados Unidos, da União Europeia e de seus aliados na América Latina contra a Venezuela e a tentativa de golpe com vistas à derrubada do presidente eleito Nicolás Maduro. Para nós, denunciar e se opor aos ataques imperialistas contra o povo da Venezuela e contra os povos do mundo é algo inegociável.

Baseados nos princípios do Internacionalismo Proletário, mantemos relações calorosas de camaradagem com o Partido Comunista da Venezuela (PCV), que defende os interesses da classe trabalhadora e do povo trabalhador da Venezuela tanto contra os imperialistas como contra os capitalistas locais que exploram o povo e atacam seus direitos e, portanto, exige uma saída revolucionária para a crise capitalista em seu país.

Defendemos o direito do Partido Comunista da Venezuela, com base em sua independência ideológica, política e organizacional, de se distanciar do partido governante PSUV, de se candidatar às eleições, de criticar o governo e de se opor às suas políticas, já que o governo impõe medidas que afetam os direitos e conquistas das pessoas.

Antes das eleições de dezembro de 2020, o PSUV lançou uma tentativa de caluniar e excluir o PCV. Inicialmente, tentou-se silenciar e ocultar a candidatura do PCV, excluindo a sua voz dos meios de comunicação públicos e privados. Estão agora se desenvolvendo tentativas de chantagear o PCV para que se junte a um dos dois grupos parlamentares majoritários (do governo ou da oposição de direita) como condição prévia para ter o direito de falar na Assembleia Nacional. Recentemente, o ataque ao PCV aumentou quando o presidente Maduro repetidamente sugeriu que o PCV era parte do “longo braço do imperialismo norte-americano”. Com base nesta calúnia, estão sendo lançadas ameaças de perseguição anticomunista, criminalização e repressão às lutas e organizações dos trabalhadores.

Esta acusação é inaceitável e caluniosa, como evidencia a longa trajetória e as heróicas lutas do PCV contra o imperialismo e pelos direitos do povo venezuelano. Denunciamos qualquer intento de perseguição contra o PCV e outras organizações do movimento popular revolucionário na Venezuela.

Rejeitamos qualquer tentativa de minar os direitos políticos do PCV e da classe trabalhadora. Nesse sentido, exigimos que o governo do presidente Nicolás Maduro cesse os ataques e calúnias que visam criminalizar a luta justa do PVC e dos trabalhadores da Venezuela.

Nossos partidos expressam mais uma vez sua solidariedade ao povo venezuelano, vítima dos ataques imperialistas e da gestão antipopular da crise capitalista. Em particular, expressamos nosso apoio à luta justa do Partido Comunista e da Juventude Comunista da Venezuela, que defendem os interesses da classe trabalhadora e do povo em todas as circunstâncias.

Solidariedade com o Partido Comunista da Venezuela!

Proletários de todos os países, uni-vos!

Partido Comunista da Albânia
Partido do Trabalho da Áustria
Progressive Tribune-Bahrain
Partido Comunista de Bangladesh
Partido Comunista da Bélgica
Partido Comunista Brasileiro
Partido Comunista da Boêmia e Morávia
Partido Comunista da Bulgária
Partido Comunista na Dinamarca
Partido Comunista de El Salvador
Partido Comunista Alemão
Partido Comunista da Grécia
Partido dos Trabalhadores Húngaros
Partido Comunista do Curdistão-Iraque
Movimento Socialista do Cazaquistão
Partido Socialista da Letônia
Partido Comunista de Luxemburgo
Partido Comunista de Malta
Partido Comunista do México
Novo Partido Comunista da Holanda
Partido Comunista do Paquistão
Partido Popular Palestino
Partido Comunista Paraguaio
Partido Comunista das Filipinas [PKP 1930]
Partido Socialista Romeno
Partido Comunista Operário Russo
União dos Partidos Comunistas-CPSU
Partido Comunista da Sérvia
Partido Comunista dos Trabalhadores da Espanha
Partido Comunista dos Povos da Espanha
Partido Comunista Sudanês
Partido Comunista Sírio
Partido Comunista da Suazilândia
Partido Comunista da Turquia
Partido Comunista da Ucrânia
União de Comunistas da Ucrânia
Partido Comunista da Venezuela
União de Comunistas na Bulgária
Frente Comunista (Itália)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Vale a Pena Sonhar

 Apolonio de Carvalho


Apolonio de Carvalho, herói do proletariado internacional.

     "Hoje, quando o capitalismo triunfante se torna senhor absoluto do planeta, assistimos, de um lado, a inovações tecnológicas que transformam os processos produtivos, tornando possível um mundo de abundância, conforto e acesso a cultura e, de outro lado, à acumulação das desigualdades, ao aprofundamento da exclusão social no interior de cada país, a marginalização crescente dos países pobres, à mutilação da própria natureza. Centenas de milhões de seres humanos estão condenados pelo desemprego à pobreza extrema e à sua face mais cruel, a miséria.

     Eivado de contradições, o mundo capitalista entra, assim, numa crise sem saída - agrava os problemas para os quais já não tem solução.

Apolonio, na Segunda Guerra, com membros da resistência francesa.
  
A utopia, o sonho de um socialismo renovado continuam, pois, tão necessários como antes: já não apenas como horizontes da libertação humana, mas também como condição de sobrevivência da natureza e da sociedade."

Fonte: Vale a Pena Sonhar, p.230, Editora Rocco, 2ª edição, 1997.

Apolonio de Carvalho (Corumbá, 9 de fevereiro de 1912 — Rio de Janeiro, 23 de setembro de 2005)

Edição: Página 1917

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Três Exércitos na Guerra de Classes Brasileira

Ney Nunes

08/02/2021

     Por trás das aparências enganosas do jogo político burguês, desenvolve-se no Brasil um confronto cada vez mais radicalizado entre as três vertentes políticas da guerra de classes sociais. Em meio a esse confronto, as diversas siglas partidárias, centrais sindicais, denominações religiosas, aparelhos de comunicação de massa e ONG’s formam um nevoeiro que pode nos turvar a visão. Na verdade, toda essa aparente diversidade se resume basicamente em três eixos, que constituem os três exércitos em confronto na guerra de classes brasileira.


Três Exércitos na Guerra de Classes Brasileira
                                                                                 Foto: Pablo Vergara - 2013

     Os Três Exércitos 

    O primeiro exército, aquele que está no poder desde o fim da ditadura empresarial-militar de 1964, é o da Democracia Burguesa. Ele é dirigido pelo setor hegemônico da grande burguesia, essencialmente composto pelo setor financeiro, pelas megaempresas dos ramos de comunicação de massa, oligopólios industriais/comerciais, do agronegócio e da mineração. Estão umbilicalmente ligados às potências capitalistas, numa relação subalterna e oportunista que visa garantir seus lucros no processo em curso há três décadas de reprimarização da economia brasileira.    O seu arco político é bem amplo, abarcando direita, centro e esquerda. Acomoda o neoliberalismo e o neodesenvolvimentismo na perspectiva do mercado e de uma suposta harmonia entre as classes sociais.

    O segundo exército é a extrema-direita, neofascista, uma variante radical do primeiro exército. Emergiu na crise político-social da própria democracia burguesa que acumulou muitos desgastes, passando a ser questionada por amplos setores da população. Foi maturado na situação caótica e de pré-barbárie instalada nas periferias das grandes cidades brasileiras. Chegou à presidência nas eleições de 2018 graças a aliança com os evangélicos pentecostais (anteriormente aliados dos governos petistas), o que lhe conferiu uma base de massas, conseguindo derrotar os candidatos preferenciais da grande burguesia, que por seu turno, fez do candidato neofascista seu plano B para impedir a volta do PT ao governo. Esse segundo exército é liderado por grandes e médios empresários dos mais variados setores econômicos e regiões do país, articulados com as seitas pentecostais, forças armadas, policiais e o banditismo narco-miliciano. Seu projeto político de poder é uma ditadura empresarial-militar de cunho fascista, aprofundando a relação subalterna com o imperialismo, suprimindo oposições e reprimindo com violência qualquer tentativa de resistência das massas exploradas.

   O terceiro exército ainda carece de um programa, organização, unidade e poder de fogo à altura da tarefa que tem pela frente. Podemos dizer que, nesse momento, dos três, ele é o mais fragmentado e desarticulado. Estamos falando do exército do proletariado. A sua debilidade atual nasceu justamente da enorme pressão exercida pelo primeiro exército (democracia burguesa) sobre todos os seus flancos, corrompendo e cooptando seus “oficiais” em todos os níveis, ao ponto de se conformar numa quinta coluna poderosa que se tornou hegemônica no seu interior, pregando a doutrina da conciliação de classes e da humanização do capitalismo. Essa quinta coluna tem nome e sobrenome, trata-se da velha socialdemocracia, agora travestida com sua roupagem pós-moderna.

O exército proletário contra o bloco burguês

   É nesse contexto que a guerra prossegue. As investidas da burguesia e do imperialismo contra o proletariado são cada vez mais incisivas e radicais. Direitos elementares são retirados, necessidades básicas são negadas, tudo em função da maximização do lucro e da concentração de riquezas. O Bloco burguês-imperialista conta com dois exércitos experientes e bem armados: a democracia burguesa e o neofascismo. A história já nos ensinou através dos golpes de estado, intervenções militares e, principalmente, duas Guerras Mundiais, das barbaridades e genocídios de que são capazes esses dois exércitos.

   Apesar das condições adversas, acreditamos que a possibilidade de uma vitória do exército proletário repousa em três pilares a serem cimentados por sua vanguarda (instruída e coesionada pelo seu partido revolucionário):

 1- Resgatar o projeto histórico de poder da Comuna de Paris e da Revolução Soviética.

2- Desvencilhar-se da quinta coluna socialdemocrata, denunciando suas traições e seu oportunismo a serviço da gestão capitalista e do imperialismo.

3- Reconstruir suas organizações no calor dos combates, forjando o programa e a unidade necessários para derrotar os dois exércitos do inimigo de classe em todos os terrenos da luta de classes.


Edição: Página 1917.

 

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