Notícias e análises sobre temas históricos e da atualidade, abordando história, economia, política e relações internacionais a partir da perspectiva marxista-leninista e das lutas dos trabalhadores contra a exploração capitalista.
quinta-feira, 26 de novembro de 2020
Giap, Memórias Centenárias da Resistência.
quarta-feira, 25 de novembro de 2020
Revolução, um Fantasma que não foi Esconjurado.*
Florestan Fernandes
Hobsbawm, em um livro inteligente e provocativo, procurou demonstrar que o drama da Europa consistia na conjunção (ou tradição) de intelectuais revolucionários e uma sociedade que repele a revolução. Durante a leitura senti o historiador, que vivera o pós-bolchevismo, lidando sutilmente com convicções íntimas e a justificação dos erros da União Soviética nas questões internas do partido, dentro de suas fronteiras, e na política internacional de concessões à "guerra fria".
Nós, no Brasil, nem isso poderíamos fazer.
Os nossos partidos de esquerda viram-se forçados a um oportunismo tortuoso,
compensado com momentos de exaltação teórica, e só uma vez chegaram à prática,
com a experiência da Aliança Nacional Libertadora (ANL), em 1935. Esse
"revolucionarismo subjetivo" começou a sofrer retificações,
exatamente na época em que ruiu a "guerra fria" e se proclamou o novo
credo burguês da "morte do socialismo". Os intelectuais, na maioria,
quando desligados da prática preferem salvar a pele, para não sacrificar a
consciência... houve um deslocamento nem sempre coerente e encoberto em direção
à social democracia, que não seria um mal em si. O mal procedeu na disposição
de ceder terreno sem luta e na instrumentalização da social democracia para a
condição de mão esquerda da burguesia. Esse processo continua e nos ameaça com
a perda das poucas alternativas partidárias de construção de uma sociedade
nova.
Gostaria de tratar do tema como sociólogo.
Na PUC, por exemplo, onde passei a lecionar no último trimestre de 1977,
deparei com uma oferta rica de cursos. Havia um que focalizava a organização
social. Em um ímpeto automático, perguntei por que não havia um curso que
tratasse não apenas da mudança social, mas especificamente da revolução social.
Aí estariam dados os dois polos: a ordem e a sua reprodução; a ordem e sua
transformação radical ou pelo avesso. Meus colegas do curso de pós-graduação,
que eram abertos à reflexão crítica, logo endossaram essa complementação
necessária.
De uma perspectiva macrossociológica, a
revolução é mais importante que a estabilidade social, vistas como assuntos
específicos. Os evolucionistas foram combatidos por causa da predominância de
abordagens mecanicistas e positivistas. Não existiria, porém, "evolução
social da humanidade" ignorando-se mudanças sociais abruptas, provenientes
de invasões, difusão cultural e mudanças sociais que adaptassem a ordem a
inovações que conduziam à reforma social e à revolução.
Se ultrapassássemos os raciocínios
circulares, a ordem social não ganharia muito com a obsessão comparativa.
Especialmente em sociedades estratificadas, nas quais a ordem social pode
conter contradições e tensões mais ou menos violentas em virtude de sua constituição.
É um mito postular que os dinamismos reprodutivos são mais importantes que os
transformadores. Nessas sociedades, a estabilidade procede do monopólio do
poder por uma categoria social, uma casta, um estamento ou uma classe. Como
explicaram Marx e Engels em A ideologia alemã, o monopólio do poder e a
estabilidade vinculam-se à supremacia ou à dominação predominante.
Isso não pressupõe, por si só, a existência
de tensões e de contradições que exijam algum tipo de mudança social. E a
revolução (como a reforma social, de outro ângulo) cria as motivações da
rebelião. A dominação de classe, que nos interessa aqui, tende a reforçar a
estabilidade e a prolongar a ordem social existente além da capacidade de
tolerância e submissão de outras classes ou dos sem-classes, que chegam a uma
visão negativa da ordem social e terminam por desejar explodi-la, eliminando a
ordem prevalecente e a dominação de classe.
segunda-feira, 23 de novembro de 2020
Vocação Subalterna
Ney Nunes
23/11/2020
"A experiência das alianças, dos acordos, dos blocos com o liberalismo social-reformista no Ocidente e com o reformismo liberal (democratas-constitucionalistas) na revolução russa, demonstrou, de maneira convincente, que esses acordos não fazem senão embotar a consciência das massas, não reforçando, mas debilitando o significado real da sua luta, unindo os lutadores aos elementos menos capazes de lutar, aos elementos mais vacilantes e traidores."¹
É pura perda de tempo esperarmos que indivíduos, partidos ou classes sociais, impregnados de uma vocação subalterna, expressem qualquer proposição que avance além da dependência e da colaboração com propostas e projetos das classes dominantes.
Esse é o caso da pequena burguesia, seja ela proprietária dos meios de produção ou assalariada (vulgarmente denominada classe média). Em todo o desenvolvimento histórico do capitalismo a pequena burguesia nunca pretendeu substituir a classe dominante. Nos períodos de calmaria da luta de classes, quando uma certa estabilidade econômica e política prevalece, a pequena burguesia apresenta-se geralmente atrelada aos partidos da grande burguesia. Já quando esse sistema entra em crise, a luta de classes e a polaridade política agudizam-se, é muito comum ocorrerem embates onde segmentos pequeno-burgueses ficam dilacerados entre a grande burguesia e o proletariado. Nos dois casos, estabilidade ou crise do sistema, não se verifica um projeto de poder independente da pequena burguesia com relação às duas classes fundamentais no capitalismo.
Os partidos vinculados à pequena burguesia, inclusive os chamados “de esquerda”, sejam eles socialistas ou comunistas, não podem fugir dessa “vocação subalterna” típica da classe predominante nos seus órgãos dirigentes, como na sua base social. Isso explica o contorcionismo político dos reformistas e revisionistas de todos os matizes. Mesmo quando usam e abusam de uma fraseologia radical, esses embusteiros vulgares não conseguem ocultar suas contradições porque, negam hoje o que pregavam ainda ontem. Se antes falavam em ruptura, revolução, etc., ao verem-se diante de uma rotineira disputa eleitoral, são sugados pela lógica do capital que tanto criticavam anteriormente. Correm como galinhas desesperadas em busca das migalhas, dando respaldo político aos que falam em “governar para todos”, “inclusão social”, “defesa da democracia” e outros enganos do mesmo tipo, quando, na prática, já aplicaram ou se colocam a disposição para gerir os planos de exploração capitalista.
O partido que tem projeto de poder, um
programa socialista, anti-imperialista e revolucionário, não pode, de forma
alguma, ficar refém de uma classe social com essa miserável “vocação
subalterna”. Para ser digno desse programa e do nome comunista é preciso estar
vinculado organicamente ao proletariado, a classe que está no polo oposto da
grande burguesia, portanto, aquela que reúne condições de abraçar esse programa
e desempenhar um papel dirigente na revolução.
¹ Lenin, em "Marxismo e Revisionismo".
Edição: Página 1917.
quinta-feira, 19 de novembro de 2020
Homens Brancos Sem Estudos
Quando a Esquerda Assume o Discurso Neoliberal
Francesc Xavier Ruiz Collantes*
No atual panorama político e
ideológico, encontramos o fato de que a direita tem duas posições extremistas.
Uma é a posição da direita nacional-nativista ou mesmo nacional-etnista, nesse
sentido temos casos como Trump, Bolsonaro, Le Pen, etc. Outra posição
extremista é a do neoliberalismo. O liberalismo mudou nas últimas décadas para
um liberalismo extremo que busca a extensão da lógica do mercado, controlada
pelas elites, em todas as esferas da vida política e social e a substituição da
sociedade e do Estado pelo mercado global.
Na ausência da esquerda no
palco do debate, a disputa política e ideológica está se estabelecendo entre as
duas posições extremas da direita. A esquerda dos países ocidentais e
desenvolvidos parece ter identificado o nacional-nativismo como seu principal
inimigo e, nessa situação, começou a assimilar o discurso do neoliberalismo em
alguns aspectos fundamentais. Se trata de um passo a mais no caminho do seu desaparecimento
como alternativa.
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| Biden e Harris, o neoliberalismo ditando o discurso da esquerda pós-moderna. |
Temos visto como, diante da disputa entre o nacional-nativismo e o neoliberalismo nas últimas eleições presidenciais norte-americanas, a esquerda internacional optou pelos representantes do neoliberalismo, Biden e Harris. É bem possível que em alguns casos fosse para apoiar o "mal menor", mas nesta operação foi assumido o discurso próprio daquele que se considera "mal menor".
A atribuição de um discurso
político ou social a uma determinada ideologia baseia-se em algumas
características fundamentais desse discurso. Por exemplo: quais personagens,
individuais ou coletivos, aparecem; quais funções cada um desses personagens
desempenha; quais valores sustentam a estrutura do discurso, seu
desenvolvimento e suas conclusões, como esses valores são compreendidos, etc.


