Outubro de 1919.
São, de fato, escassas, as notícias que recebemos do estrangeiro. O bloqueio organizado pelas feras imperialistas está em pleno andamento; a violência das maiores potências mundiais voltou-se contra nós, na esperança de repor a ordem dos exploradores. E esta fúria bestial dos capitalistas mundiais e da Rússia encontra-se camuflada, desnecessário será dizer, em frases que falam do sublime significado de “democracia”! O campo explorador é fiel a si mesmo; retrata a democracia burguesa como sendo a “democracia” em geral. E todos os filisteus e pequeno-burgueses, desde Friedrich Adler, Karl Kautsky, à maioria dos líderes do Independente [1] Partido Social Democrata da Alemanha (ou seja, independente do proletariado revolucionário, mas dependente dos pequeno-burgueses), juntaram-se ao coro.
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| Lenin |
Tudo o que sabemos do Partido Italiano é que o seu Congresso decidiu, por uma grande maioria, filiar-se na Terceira Internacional e adotar o programa da ditadura do proletariado. Apesar disso, o Partido Socialista Italiano, que, na prática, se alinhou com o comunismo, mantém, ainda, para nosso pesar, o seu nome antigo. Calorosas saudações aos trabalhadores italianos e ao seu partido!
Tudo o que sabemos da França é que, só na cidade de Paris, já existem dois jornais comunistas: L’Internationale, editado por Raymond Péricat, e Le Titre censuré, editado por Georges Anquetil. Uma série de organizações proletárias já se encontram filiadas na Terceira Internacional. As simpatias das massas operárias estão, sem dúvida, do lado do comunismo e do poder soviético.
Dos comunistas alemães, apenas sabemos que jornais comunistas são publicados em várias cidades. Muitos levam o nome Die Rote Fahne [Nota do Tradutor: Bandeira Vermelha]. O berlinense Rote Fahne, uma publicação ilegal, luta heroicamente contra os verdugos Scheidemann e Noskes, os algozes que se submetem às ordens da burguesia, tal como os independentes o fazem através das palavras e da sua propaganda “ideológica” (ideologia pequeno-burguesa).
A luta heroica do Die Rote Fahne, o jornal comunista berlinense, exige toda a nossa admiração. Vemos, finalmente, na Alemanha, socialistas honestos e sinceros, que, apesar de toda a perseguição, apesar do assassinato dos seus melhores líderes, permanecem firmes e inflexíveis! Vemos, finalmente, na Alemanha, trabalhadores comunistas travando uma luta heroica que merece, de fato, a designação de “revolucionária”! Surgiu, finalmente, na Alemanha, entre as fileiras das massas proletárias, uma força para quem as palavras “revolução proletária” se tornaram uma verdade!
Saudações aos Comunistas Alemães!
Os Scheidemann e os Kautsky, os Henners e os Friedrich Adlers, apesar da grande diferença que possa existir entre estes senhores, no sentido da integridade pessoal, todos revelaram ser, da mesma forma, pequeno-burgueses e os mais vergonhosos traidores do socialismo, defensores da burguesia. Apesar de em 1912 todos eles terem participado na elaboração e na assinatura do Manifesto de Basileia “sobre a guerra imperialista que se aproxima”, e de todos eles terem, nessa altura, falado de “revolução proletária”, todos provaram, na prática, ser pequeno-burgueses democratas e cavaleiros de ilusões filistino-republicanas, democrático-burguesas, cúmplices da burguesia contrarrevolucionária.



